quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

JIM O ESCOTEIRO DO FUTURO E A LENDA DO DIAMANTE SINISTRO!



 AS LEGENDÁRIAS LENDAS ESCOTEIRAS

(Quinzenalmente ou mensalmente, iremos publicar contos na linha do imaginário. o titulo acima servirá para mostrar que o
acontecimento é obra de ficção, mas não avalizo que possa ter alguma verdade, Você decide!)

Historia de hoje: Jim o Escoteiro do futuro e a lenda do diamante sinistro

Um professor nos perguntou, se alguém sabia dizer quais eram os nomes dos continentes. Eu fiquei muito excitada! Eu pensei, Nossa! É meu primeiro dia no colegial, sou uma estudante do segundo gráu e eu sei a resposta! Então eu levantei a mão, fui a primeira e disse: A-E-I-O-U!

Capitulo I         

          Por um capricho do destino, fui designado pela minha empresa, para a montagem de uma usina de beneficiamento de leite, próximo a cidade onde ficava o Grupo Escoteiro do Jim, o amigo que fiz há tempos. Não me lembro bem de quando tudo começou, mas Jim era uma surpresa. Inteligentíssimo! Com seus 13 anos falava e escrevia oito idiomas. Seus pais eram possuidores de excelentes condições financeiras. Moravam em uma mansão, mas quase não ficavam junto a Jim. Viajavam sempre para a Europa e Estados Unidos  e Jim ficava aos cuidados de sua Avó Materna.

         Jim tinha tudo que queria. Um gordo cartão de crédito e até poderia abusar de sua liberdade. Se isto não acontecia é porque o escotismo lhe deu normas de conduta que ele observava dentro dos principios éticos, da lei e promessa escoteira. Jim tinha o escotismo no coração e só não terminava as etapas em meses porque cada uma dela tinha um tempo determinado. E claro, nem esse era seu objetivo. A patrulha significava muito para Jim.

         Quando o conheci, ele me contou historias fantásticas. Fiquei incrédulo. Em uma delas inventou uma máquina do tempo e voltou ao ano que BP fez seu primeiro acampamento em Browsea. Ri, e ele pegou um DVD e me deu para assistir. Quase caí da cadeira. Ele filmou tudo. Alguns meses depois, encontrei Jim novamente, desta vez me veio com uma historia de uma enorme gruta em uma fazenda do seu pai no Mato Grosso. Lá junto com mais três escoteiros de sua patrulha, desceram até o centro da terra onde encontraram gnomos de uma galáxia distante e escaravelhos negros. Jim era mesmo um Escoteiro prodígio e de uma mente fértil.

       Jim pertencia ao 847º Grupo Escoteiro Quênia, um ótimo grupo. Conheci pessoalmente o Diretor Técnico e todos os escotistas atuantes. Jim era bem considerado na tropa e na patrulha Corvo onde era o sub.monitor. A patrulha tinha certo receio dele. Além de literato mostrava ser douto em quase tudo que constava nos livros escoteiros editados em nosso país. Seu pai um importante executivo de uma montadora alemã, em suas viagens ao exterior não se esquecia dele. Comprava todos os livros do gênero que Jim apreciava, principalmente de motes escoteiros.

       Jim possuía uma bela biblioteca em sua casa. Muitos dos livros escoteiros que estão no grupo, foram doados por ele. Desculpem. Não escrevi como ele era. Estatura mediana para sua idade, magro, cabelos totalmente loiros, olhos azuis e adorava vestir o uniforme caqui curto, não deixando de lado o chapelão, um legítimo Stetson, comprado pelo pai em Londres, apesar de que sempre apreciei o meu Prada.

    Cheguei â sede do grupo naquele sábado já bem tarde. Quase na hora do término da reunião. Ainda encontrei lá o chefe da tropa e o diretor técnico e claro Jim em reunião com sua patrulha, planejando uma atividade de domingo. Jim era afável e cortês. Não era palrador. Portava-se com educação, ouvindo e dando opiniões, mas sem impor. Notei com surpresa que a patrulha agora era mista. Surpresa mesmo. Jim me disse uma vez que era contra.

      A reunião de patrulha durou pouco tempo, logo Jim correu para me abraçar  e junto a ele uma jovem escoteira, do qual me apresentou dizendo ser sua grande amiga (nada de namoro ele dizia). Era da sua patrulha e seu nome era Natyelle. Ele  me convidou a lanchar em sua casa, queria também me apresentar aos seus pais, pois inacreditavelmente eles estavam lá. Eu sempre quis conhecer os pais dele. Aceitei. Na porta da séde, um segurança e um automóvel com motorista já estavam à disposição para nos levar.

      Natyelle foi junta. Simpática, de seus 12 para 13 anos, loira, não muito alta para sua idade, mas falava pouco. Respondia mais em monossílabos. Pelos distintivos que usava ví que estava caminhando em passadas largas para conquistar o Liz de Ouro. Era vizinha de Jim, e ambos os pais eram muito amigos. O pai dela era o consul holandês na cidade.

      Os pais de Jim eram tremendamente simpáticos. Receberam-me muito bem. Fiz com eles um ótimo lanche. Logo se recolheram e ficamos eu Jim e Natyelle conversando na sala, junto com sua avó que quase nunca falava. Ficamos palrando até altas horas. Jim me contava seu novo plano. Desta vez iria demorar, pois ele pretendia refazer sua máquina do tempo, que tinha sido avariada na sua ultima viagem voltando no tempo passado. Não acreditam? Nem eu acreditava até ver Baden Powell em carne e osso no video que Jim me mostrou.

      Jim montou um plano mirabolante. Pretendia voltar no tempo e acompanhar uma bandeira, pois tinha lido um livro americano (Brasil) em dois volumes do escritor Errol Lincoln Uys, e ali em várias páginas eram dedicadas aos bandeirantes do século passado. As Bandeiras deram narrativas épicas. Muitos mitos e lendas do desbravamento e conquista do sertão brasileiro. Hoje fazem parte do simbolismo regional. Claro, sempre serão lembrados como responsáveis pela escravidão e dizimação de inúmeras etnias indígenas e pela destruição de muitas missões jesuíticas. Mas ainda são retratados como heróis e portadores de coragem, bravura e espírito aventureiro.

       O plano de Jim era encontrar a Bandeira de Fernão Dias Pais Leme, no dia 21 de julho de 1674. Fernão ficou conhecido como o Caçador de Esmeraldas e junto com Antonio Raposo Tavares ficou mundialmente conhecido. Na época pouco se comentava que os bandeirantes entravam pelos sertões de Minas Gerais atrás de ouro, atacavam as aldeias indígenas que encontravam e as destruíam sem piedade. Os índios que conseguissem sobreviver eram escravizados.

      Conta à lenda que já conhecedores da fama dos bandeirantes, os índios Puris, ao perceberem a proximidade deles, concentraram-se numa colina, onde se erguia sua árvore sagrada, a Acaiaca. Essa árvore era considerada mãe desse povo. Representando a Vida, dela receberiam as forças necessárias para a luta. Foi sob sua proteção que se refugiaram. Dali eles partiam para atacar de surpresa os bandeirantes, que estavam acampados não muito longe dali.

       Depois de um tempo, cansados da situação, os índios decidiram atacar maciçamente no dia seguinte. O cacique Cururupeba ordenou que o ataque somente fosse realizado dali a alguns dias, pois um casamento já havia sido marcado há algum tempo, e ele não queria conturbar os sonhos dos jovens que se casariam. Entre os índios vivia um mestiço chamado Tomás Bueno (seu nome índio era Peropiranga, que quer dizer “branco e vermelho”). Pois bem, Tomás Bueno resolveu trair seus companheiros índios. Procurou os bandeirantes e contou-lhes tudo, inclusive que no dia do casamento os índios se retirariam para a margem do rio, quando a Acaiaca ficaria praticamente desguarnecida.

         Os bandeirantes queriam saber qual era o interesse que poderia ter para eles o fato de a árvore estar desguarnecida, e o mameluco explicou-lhes que, entre outras coisas, era ela que mantinha a unidade e a convivência harmoniosa dos índios da tribo. Na noite do casamento, os bandeirantes cortaram a árvore e a incendiaram, depois voltaram ao seu acampamento. Quando os índios chegaram, ficaram indignados, furiosos, e decidiram vingar-se, mas imediatamente começaram a lutar entre si, pelos motivos mais banais.

        Quando Tomás, o traidor, contou aos bandeirantes o que estava acontecendo, estes decidiram atacar imediatamente, não encontrando nenhuma resistência. Quando a carnificina acabou, apareceu recortada contra o céu, a figura do pajé, com tanto ódio no rosto que dava medo. Gritou para os bandeirantes: - Por sua ambição destruíram uma tribo, e esta ambição os destruirá também. Nossa deusa lhes dará tanta riqueza, que nem poderão acreditar, começando a destruí-los... Então o que restava da árvore sagrada explodiu, e suas brasas transformaram-se em diamantes.

         Assim que perceberam a beleza das pedras iniciou-se a luta para ver quem conseguia pegar mais. A briga tornou-se tão acirrada que não se sabe se alguém sobreviveu. E os efeitos da maldição perduram até hoje, com inúmeras mortes e muitos crimes ocorreram por conta da ganância... Essa era a parte que Jim e Natyelle queriam ver e se possivel estarem presentes. Sim ele pretendia levar a Escoteira na sua grande viagem.

         Este era o sonho de Jim. Conhecer a árvore sagrada. Queria ver com seus próprios olhos, como os bandeirantes reagiram com essa famosa lenda. Para ele não era lenda era real. Ele sonhava todas as noites e sempre via na memória, lá dentro escondido, o grito de um sonho: Esmeraldas! Esmeraldas! – Lembrou do tiro seco e surdo, e não houve que não ocorresse. Fernão Dias com seus cabelos brancos, com as longas barbas tombando-lhe emaranhadas pelo peito, parecia transtornado.

        Era como se Jim lá estivesse, vendo Fernão gesticulando, falando mostrando as pedras. A Alegria deveria ter sido doida se não entontecedora. Todos examinando, as pedras passando de mão em mão. Todas verdes, cor do mar, brilhantes, fascinantes. Afinal foram sete anos que pareceram séculos! Ele sabia que todos ali à noite não dormiram. E quem dormiu sonhou com uma só coisa, com as esmeraldas, com as pedras verdes...

Foi em março, ao findar das chuvas quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação,
- Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata
À frente dos peões filhos da rude mata,
Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão.

Para o norte inclinando a lombada brumosa,
Entre os mateiros jaz a serra misteriosa;
A azul Vupabuçu beija-lhe as verdes faldas,
E águas crespas, galgando abismos e barrancos
Atulhados de prata, umedecem-lhe os flancos
Em cujos socavões dormem as esmeraldas.
O caçador de esmeraldas
Olavo Bilac – 1865-1918

AS LEGENDÁRIAS LENDAS ESCOTEIRAS

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Historia de hoje: Jim o Escoteiro do futuro e a lenda do diamante sinistro

Capítulo II

            Ficamos alí conversando até altas horas da noite. Jim e Natyelle riam e já sonhavam com aquela grande aventura. Fui embora. Minha mente estava voltada para esta extraordinária aventura que Jim e sua amiga iriam realizar. Duvidas? Eu não tinha. Conhecia Jim os suficientes para saber que ele era um Escoteiro aventureiro e agora mais ainda com outra jovem que sonhava como ele. Ambos sabiam que iriam encarar de frente os perigos, e isto iria fazer parte de suas vidas para sempre.

           Retornei a minha cidade duas semanas depois. Passaram meses, não sei quantos. Minha empresa me pediu que fosse novamente fazer uma inspeção nas máquinas que eu havia montado para a usina de baneficiamento de leite e me lembrei de Jim. Que será que houve? Conseguiu voltar no tempo? A dúvida me assaltava.

         Tirei uma folga no sábado, e lá fui de novo ao Grupo de Jim. O 847º Grupo Escoteiro Quênia. Alí me achava em casa. Muitos amigos, e olhe percorro êste Brasil de norte a sul, tinha visto centenas de grupos, mas ali a amizade sobrepujava a fraternidade por nós tão apregoada. Não vi a tropa reunida. O Diretor Técnico me informou que todos eles tinham ido a um cinema em um shoping próximo, assistir um filme sobre os bandeirantes (sabia que era idéia de Jim) e só voltariam ao escurecer.

           Não tinha nada a fazer e esperei a chegada deles. Aproveitei para oferecer ajuda a Akelá, claro se ela quisesse algum jogo novo para a Alcatéia. Brinquei com os lobinhos fazendo o cardume dos lambarís e a ira do morcego. Eles que não conheciam se divertiram a valer. A tropa chegou por volta de 19 h. Depois do debandar, Jim correu ao meu encontro. Seu rosto transfigurava felicidade. – Chefe, conseguí! Foi fenomenal. Mas olhe foi uma aventura e tanto. Natyelle se divertiu muito e passamos grandes apertos. Ela foi presa e levada pelos índios Parecis, mas vamos à minha casa. Lá depois de um gostoso lanche vou contar tudo que aconteceu.
 
            Os pais de Jim estavam viajando (como sempre), a sua Avó como já disse quase não falava. Senti falta de Natyelle. Jim me disse que ela estava em sua casa com uma forte gripe. Perguntei a ele porque não iamos até lá e comprimentá-la? Ele achou boa ideia e lá fomos nós. Os pais de Natyelle nos receberam muito bem. Ela estava na sala e deu um enorme sorriso quando nos viu. Ficamos alí conversando por um bom tempo. Achei que a viagem no tempo fez bem a ela. Estava mais solta, mais alegre e parola.

            Alí mesmo Jim começou a narrar seus feitos. Ele pediu aos pais de Natyelle se ela poderia ficar dois fins de semana no haras que seu pai matinha fora da cidade. Sabia que o conserto de sua máquina não levaria muitos dias. Já tinha tudo planejado, me explicou como ela funcionava. Para ele muito simples para mim, grego. – Tome como exemplo o buraco de minhoca. Ele é formado por duas extremidades, como se fosse uma minhoca só que oco. Consegui deslocar uma das extremidades do buraco até as proximidads de um objeto bastante denso, como um campo gravitacional muito forte, e como se fosse uma estrela de nêutrons. A gravidade intensa fez com que o tempor corresse mais devagar nessa extremidade.

            Não estava entendendo bulhufas. Jim riu e continuou – Como a outra extremidade está localizada no espaço vazio, o tempo aí corre normalmente, ou seja, mais depressa que na extremidade junto à estrela de nêutrons. Dessa forma, os dois extremos do buraco de minhoca ficam separados não só no espaço, mas tambem no tempo. Isto configuraria uma viagem no tempo para uma nave que entrasse no buraco. A diferença de tempo entre uma extremidade colocada na estrela de nêutrons seria de cem anos no futuro, pois o tempo corre mais devagar na extremidade. No espaço vazio. Fiz o contrário, voltamos no tempo.

            Considerava-me suficientenmente maduro para não desmerecer essa teoria de Jim. Deixei que ele continuasse. Mas não entendia nada. Nada mesmo. - Em dois fins de semana, a máquina ficou pronta, continuou. Expliquei todos os detalhes a Natyelle para em caso de pane ela saber como voltar para casa. Pelos meus cálculos iriamos ficar  por lá menos de cinco horas. Portanto combinamos de levar o excencial. Iriamos uniformizados. Assim eles não iriam nos entender, achando que poderiamos ser filhos de franceses que por alí passavam.

           No domingo pela manhâ, entramos na máquina do tempo. Pequena, não mais que um metro e vinte por 50 centimetros. Eu e Natyelle ficavamos bem apertados. Não quis aumentar, pois ela seria controlada a distância pelo tempo que lá permanecessemos. Um sistema tridimenssional seria utilizado, por um anel que eu e Natyelle possuiamos. Ele inclusive nos ajudaria em contatos caso nem tudo desse certo e fossemos separados um do outro.

             Expliquei a Natyelle que essas viagens são super perigosas. Só podemos ser observadores e não podemos mudar nada e nem tocar em nada. Se o fizemos poderiamos ser desintegrados na viagem de volta, pois todo o destino do mundo seria mudado. Não teriamos existência na nossa época. A viagem foi rápida. Coloquei no sistema um relógio atômico de alta precisão (feito de cristal quarzo. Sua frequência não era mais que um oscilador acoplado com um condensador, e vibrações de partículas minúsculas das moléculas dos átomos). Programei o dia vinte e um de julho de 1674 às nove horas da manhã. Local: Serra da Mantiqueira, divisa de São Paulo com Minas Gerais.

           Eu me divertia com a narrativa de Jim. Quem não o conhece, acharia que ele tinha uma imaginação superior a muitos escritores de ficção científica que proliferam por aí. Ele era metódico na sua explicação e Natyelle acompanhava como se recordasse da maior aventura de sua vida. – Chefe, continuou. Descemos num pequeno trecho e mantive a máquina do tempo a 8.000 metros de altitude, para não ser vista, pois naquela época isto seria um acontecimento fantástico para quem a visse.

          Já bem à frente, avistamos o acampamento dos bandeirantes. Entramos pisando firme. Todos nos olhavam abismados, pois não entendiam nossa vestimenta, ambos de caqui, eu de chapelão e Natyelle com uma boina azul. Começaram a rir e um deles nos convidou a ir à barraca onde estaria Fernão Dias Pais Leme. Ele nem nos olhou, conversava com varios amigos e dizia rindo desbragadamente – Traga seus burros Olimpio Ramalho. Pela graça de Deus haverá prata e esmeraldas suficentes para voce. Olimpio riu e os demais o imitaram. Eles amigos não queriam participar das bandeiras, e eu dei a eles a esperança de se unirem a nós. Poderiam ficar riquíssimos e eu tinha certeza absoluta que iriamos encontrar as esmeraldas.

            Fernão deu uma parada, virou para mim e perguntou – Quem diabo é voce menino? Calmamente respondi que era filho de franceses, que tinham passado por ali e nos perdemos. Pedí se ele deixaria seguir com eles, pois precisamos encontrar nossos pais. Ele não disse nada. Só balançou a cabeça concordando. Um dos seus nos levou para fora da barraca e nos mostrou outra onde vários meninos e meninas estavam.

             Gevildo tinha mais ou menos a minha idade. Muito vivo, e logo fizemos amizade. Ele sempre olhava para Natyelle com um olhar de menino apaixonado. Natyelle nada dizia. Gevildo nos contou como foi parar alí. Seu pai morava em São Paulo e sua mãe havia falecido. Ele não podia ficar lá já que seu pai iria participar da bandeira. Ele dizia a todos os amigos que não poderia ficar fora. Aquela seria considerada a maior de todas as bandeiras até então organizadas.

              Ficamos sabendo que tinham partido de São Paulo cinco semanas antes com mais de 3.000 participantes. Isto sem contar os índios aprisionados no caminho. Antes da partida assistiram a missa celebrada pelo frei Bartolomei. Israel amigo de Fernão proferiu palavras inspiradas aos aventureiros devotados. Como era verdadeiramente infinito o mundo do sertão disse. Iremos Viajar por elevações húmidas azul-cinzentas, o inferno seco e causticante da caatinga, vales férteis, gramados solitários ao norte, rios serpenteando através das florestas sem fim.

             A noite chegou brava. Uma chuva torrencial caiu sobre o acampamento. Encontramos um canto seco na barraca e ali dormimos. Não tinhamos travesseiros, cobertores mantas, nada. Não precisavamos. Éramos escoteiros, acostumados a dormir sob as estrelas. O dia amanheceu lindo. A ordem de levantar acampamento correu de boca em boca. Durante os 12 dias que se seguiram (para nós era questão de minutos no tempo) descemos a serra da Mantiqueira e tomamos a direção nordeste, uma trilha que nos levou até o coração de uma região montanhosa.

             Comiamos com alguns mamelucos, que gentilmente nos ofereçam seu bornal, e acostumamos a comer o que nos davam. Passamos pela serra do Espinhãço, um cinturão de escarpas e montanhas com largura de cincoenta a duzentos e quarenta quilômetros. Vi que alí se separava as cabeceiras do baixo rio São Francisco, cujas águas corriam até o norte de Permambuco. Soube que Fernão procurava o caminho para encontrar o “Paraupava”, lendário lago de ouro entre as montanhas. Claro poucos acreditavam. Muitos tentaram e todas tentativas se mostram falsas.

              Sempre que tinha oportunidade, corria a frente para ficar junto a Fernão. Ele era soberbo, grandes barbas brancas, cabelos brancos lisos, pele curtida de sol, um verdadeiro gigante que nada e ninguém o assombravam. Ele acreditava nas esmeraldas. Tinha visto os Parecis e os Tupiniquins e muitas outras tribos com batoques inseridos nos orifícios dos labios e faces. Todos eles reverenciavam as pedras verdes. Eram seus amuletos. Deus não poderia o abandonar agora dizia para todos. Ele tinha certeza que seria recompensado com esmeraldas dignas de uma coroa para o próprio bom Jesus.
  
             A história de Jim era magnifica. Maravilhosa porque não dizer. Estava hipinotizado pelo relato de Jim. Mas a hora avançava. Passava da uma da manhâ. Não podia continuar. Disse a Jim se poderiamos encontrar no domingo. Poderia ir a casa dele ou mesmo na casa de Natyelle. Precisava saber o final. Claro, conhecia bem as lendas de Fernão Dias Pais Leme, o Caçador de Esmeraldas. Mas a narração de Jim éra ao mesmo tempo apaixonante e fascinante.

             Ficamos então combinados para as duas da tarde na casa de Jim. Fui para o hotel com a cabeça a mil. Que historia, que conto, esta seria uma das minhas melhores historias que poderia conhecer e publicar no meu blog. Sabia que ia atingir meu publico jovem Escoteiro de uma maneira nunca antes atingida. Meus pensamentos se fundiam. Que historia! Incrível mesmo. Acreditar? Ninguém iria acreditar. Eu? Não sei. As provas Jim sempre me forneceu. Por duas vezes estava acompanhado. Mentiras de todos? Claro que não. Sabia que eles preservavam a honra escoteira acima de tudo. Sabiam que o Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida.

             Eu sabia que um Escoteiro defende sua honra a qualquer hora. Mesmo sabendo que um dia poderão fazer dele um mentiroso, mas ele sabe que nunca irá faltar com sua palavra. Ele o Escoteiro sabe que bem materiais às vezes todos têm. Mas a dignidade, sua honra é tudo que ele tem. Ela mostra o que ele é de verdade. Portanto eu acreditava em Jim. Sabia que ele não estava mentindo. Jim para mim era mais que tudo isso, um dos maiores Escoteiro que conheci em toda a minha vida.

Bandeirantes, estes intrépidos heróis que marcaram uma época
Nos pés descalços dos indígenas do cacique Tibiriçá e do patriarca João Ramalho, de Bartira e de seus descendentes que por aqui viviam em busca do seu bem-estar, pescando, caçando e plantando;
- Nas sandálias dos primeiros jesuítas, que a consciência humana e o bem-estar das pessoas cultivavam, a educação ministravam e valores superiores do cristianismo e da civilização pregavam;
- Nas mãos calejadas e no suor dos primeiros desbravadores anônimos, brancos, índios e negros, que plantavam e cultivavam nestas terras seus alimentos, trazendo o desenvolvimento;
- Nas botinas amarelas dos intrépidos Bandeirantes, que desbravaram o nosso território, defenderam-no e ampliaram-no, criando as bases deste país continental;
- Nos cascos das tropas e nos pés descalços dos ágeis tropeiros, de vidas precárias, que o progresso transportavam e novas informações veiculavam;
A história do Brasil passou por aqui,
- Na voz firme e decidida de regente Diogo Antônio Feijó, defendendo e construindo a dignidade da nação;


AS LEGENDÁRIAS LENDAS ESCOTEIRAS

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Historia de hoje: Jim o Escoteiro do futuro e a lenda do diamante sinistro

Capítulo III

           O domingo amanheceu lindo. Um sol maravilhoso, e até abusei da cama. Dormi até nove da manhã. Um bom banho, um pequeno desjejum, um lauto almoço e lá estava eu pronto para ir à casa de Jim e ouvir dele a continuação do relato, relato este que me fez pensar toda a noite. História explêndida, sensacional mesmo. Não tinha nenhuma dúvida. Jim relatava a verdade. Ele era um dos poucos escoteiros que vivem o escotismo em sua plenitude. Agora mais ainda. Encontrou uma jovem que pensava como ele. Não sabia tudo o que aconteceu, mas pelo sorriso dela,  acreditava que ela viveu tudo aquilo que passou com ele.

           Às duas horas em ponto, meu taxi parou em frente à mansão de Jim. O portão se abriu automaticamente. Já me esperavam. Jim veio ao meu encontro sorridente e me abraçando. Estava começando a gostar mais e mais daquele menino. Gosto de escotismo. Sinto-me bem nele. E adoro todos os membros do movimento que se portam como verdadeiros cavaleiros andantes, a semearem o bem para os outros e para sí próprio, na trilha da aventura de grandes realizações escoteiras.

          Entramos e a Avó de Jim nos serviu um chá, acompanhado de biscoitos importados da Inglaterra. Eu estava ansioso, e Jim calmo, deglutia com um sabor todo especial os biscoitos. A campanhia tocou e o mordomo fez entrar Natyelle, sorridente. Foi logo me cumprimentando. Jim me convidou para conversarmos na varanda, no terceiro andar, onde uma linda vista nos esperava e pensei como seria um por do sol visto dalí?

          Jim deu inicio a narrativa, e sua maneira peculiar de narrar, era de uma extrema sinceridade. – Olhe chefe, disse, eu já estava ficando cansado. Muito. Vi que Natyelle tambem estava. Doze dias de marcha e olhe que eles já estavam na estrada há mais de cinco meses. Eu sabia que em breve chegariamos onde residiam os Puris, tribo que a lenda destacou como a que dizimou a bandeira. Queria muito conhecer a árvore Acaiaca, seu tamanho se era frondosa ou não  e o que chamava tanto a atenção dos indígenas para considerem-na uma divindade.

          Sempre à noite, os homens mais chegados a Fernão, se reuniam em volta do fogo, e contavam historias fantásticas. Eu gostava de ficar ali, com Natyelle, ouvindo a narrativa deles, suas façanhas, suas aventuras. Fernão dias quase não falava. De súbito, apareceu um homem maltrapilho, cujo nome não entendi,  descalço, tinha saido de trás da floresta e dizendo que procurava sem sucesso, o desaparecimento de sete mulas que haviam fugido. Pediu para ser aceito na bandeira, e Fernão coçou a barba, baixou a cabeça e olhando o estranho disse: - Voce será mais util, voltando para sua casa. – Mas eu vim para ajudá-lo  encontrar as esmeraldas senhor!

           A fogueira brilhava no acampamento. Todos ficaram mudos. A fama de Fenão havia se espalhado. Ele continuou – Senhor! Vos com seus cavaleiros errantes do sertão, acham-se próximo ao portão do paraiso. Estão destinados a encontrar uma grande fortuna. Um tesouro que restauraria as glórias de todos os bandeirantes que não conseguiram encontrar as esmeraldas, junto ao grande lago, o Paraupava. Estavam mudos e logo começaram a conversar entre si. Quem era esse homem que tanto sabia? Fernão desconfiou. Pensou em mandar enforcá-lo na árvore mais proxima, mas não. Deixou que ele ficasse sob os cuidados do Capitão-major Amador Flores.

             Fui dormir pensativo. Comentei com Natyelle e ela também ficou pensativa. Tinhamos feito diversas pesquisas da bandeira de Fernão Dias e nunca foi tocado na figura deste ermitão, que aparece a noite sabendo de tudo.
Os vales do Rio Doce e os rios que desembocavam no Atlantico abaixo de Porto Seguro já haviam servido de rotas a muitas bandeiras. Mas foi para lá que de novo Fernão resolveu aventurar. O lendário lago do ouro estava em sua mente e de forma nenhuma ele iria deixar de vasculhar área por área.

              Pela manhã, meu corpo doia horrivelmente. Tive medo. Achei que podia ter apanhado malária, mas não tinha lido nada a respeito dela alí naquela região. Devia ter me vacinado. Ainda bem que Natyelle não sentia nada. Enquanto à tardinha deram uma parada próximo a um rio, onde todos se divertiam nadando e brincando como garotos, dei uma escapulida e fui com Natyelle atrás de um morro onde manobrei a máquina do tempo até nós. Eu tinha lá um bom estoque de pilulas e até uma que me disseram ser da última geração contra malária. Chamava-se ASAQ, uma pilula que combina artemisina e uma substância vindo da China. Tomei logo duas.

               Colocamos de novo a nave no espaço e voltamos ao acampamento. No decimo quinto dia fiquei sabendo que já estavamos nas terras dos indios Puris. Não se avistava ninguém. Somente os batedores sabiam disso. Era minha vez. Precisava encontrar a árvore sagrada. A Acaiaca. Era ela meu destino final. Deixei a bandeira e junto a Natyelle subimos uma colina, e nada. Outra colina e nada. Cinco indios apareceram. Armados de arco e flecha, alguns portando tacapes e pintados para a guerra nos cercaram. Não entendia nada do que diziam. Apontavam-nos e riam, alguns deitavam no chão de tanto rir. Gostaram do nosso uniforme Escoteiro. Rimos também. Eles correram. Sumiram.

              Chamei Natyelle e corremos atrás deles. Paramos logo. Avistamos uma bela aldeia. E mais acima em uma colina, uma árvore descomunal. Arrebatadora! Magnifica! Linda, Verde, frondosa, enorme mesmo. Acho que tinha mais de 800 metros de altura. Incrivel nunca tinha ouvido falar de tal árvore no Brasil. As sequóias-gigante, a maior árvore do mundo e conhecida como a mais antiga somente em dois casos ultrapassaram os 715 metros de altura. Demos a volta na aldeia e chegamos à árvore. Que sombra, acho que se tivesse alí 100 homens de mãos dadas não conseguiriam dar a volta em seu tronco.

               Ouvimos uma barulheira infernal. Os indios subiam a colina cantando e gritando. Escondemo-nos em um matagal próximo. Estava chegando a hora do “grand finale”. Já tinha combinado com Natyelle que não iriamos ficar ali para ver a carnificina. Nem a derrocada da maior das bandeiras. Sabia que  ela se destruiria pelo poder da riqueza e da paixão. Não seria um bom espetáculo para ela e nem para mim. Os indios chegaram e um deles vestido de toga e um osso de cabeça de anta por cima de sua cabeça, gesticulava, subia as mãos para o céu, tocava a árvore, e voltava para o seu povo como se tivese envocando o espirito do mal.

             Não podiamos fazer nada. Não podiamos mudar a história. Ela era imutável. O que tinha de ser seria. Os indios desceram em direção ao rio. Já iamos embora quando vimos no tronco, algum que brilhava. De cor azul, lá estava um diamante de grandes proporções. Quase o tamanho de um ovo comum. Não sei por que, em vez de ir embora, resolvi pegar o diamante. Ele era dos indios, mas era fascinante tê-lo nas mãos. Natyelle tambem o pegou e ficou fascinada. Sentimos o corpo ficar entorpecido. Era como se estivessemos flutuando no ar.

              Jim e Natyele agora contavam com os olhos tremendo, acho que o medo que passaram foi grande demais. Natyelle estava branca. Disse ao Jim que ele deveria parar. Ele disse que não. Eu devia conhecer toda a história. Usei o velho truque de mudar de assunto e de lugar. Disse para dar-mos uma pausa e pedi que ele me mostrasse o jardim de sua mansão. Descemos a escada sorrindo. Flores são sempre um bálsamo para os olhos e a mente. Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las.

              Como disse a poetisa Cora Coralina, a vida é boa quando fazemos a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. – Enquanto andavamos jim continuou. Levei um tremendo susto. Um indio pegou Natyelle e saiu em desabalada carreira até seu acampamento. Não corrí atrás. Miudo como sou não podia competir em força e agilidade com ele. Sabia que minha astucia era maior. Esperei anoitecer.

           Desci a máquina do tempo, e fui com ela até o acampamento dos índios. Deixei todas as luzes piscando e liguei o ar que fazia um tremendo barulho. Desci no meio do acampamento. Foi o maior susto, eles que dançavam em volta da fogueira, correram todos. Desci da máquina e custei a encontrar Natyelle desmaiada em uma cabana enorme, onde várias indias tremiam a me ver e se prostaram no chão.

           Entramos na máquina do tempo, acertei o relogio atômico e partimos de volta ao presente. Em questão de minutos chegamos. Ao descer no haras, não vi ninguém por perto. O relógio marcava 12 h do dia 21 de abril do ano de 2140. Impossível. Avançamos no tempo. O que houve? O que fazer? Regulei novamente o relógio. Nova partida. Chegamos de novo no haras. Meu medo era enorme. E se ficassemos aqui e ali vagueando pelo espaço do passado ao futuro?

           Mas não, graças a Deus agora era o ano da graça de Nosso Senhor. 21 de julho de 2.010, hora de Brasília, 17 h. São e salvos. Levei a máquina para o porão onde tinha minha oficina. Liguei para um segurança e retornamos a minha casa. – E o diamante perguntei. O diamante? Ora chefe, segredos do oficio, está em local incerto e não sabido. Jim olhou para Natyelle e sorriram como cumplices de um grande segredo que nunca e em tempo algum seria contado. Afinal meu querido amigo ele é um diamante sinistro e ninguém deve tocá-lo.

          Chamei um taxi pensativo. Teriam eles trazido consigo o diamante? Se assim o fosse a história não deveria ter sido mudada? Local incerto e não sabido. Bah! Um dia Jim ou Natyelle me contariam a verdade. A história não mudou. Fernão Dias Pais Leme nunca encontrou as esmeraldas. Partiu realmente em julho de 1674 de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Faziam parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais.

         Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Araçuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.

         Histórias são histórias. Contadas por um Escoteiro e por uma Escoteira tem uma sabor todo especial. Jim estará sempre gravado em letras azuis no fundo do meu coração. Um lugar também tem lá Natyelle. Aprendi a admirá-los. O escotismo deixa saudades para quem fica e para quem vai. Vale a pena viver plenamente suas grandes aventuras, sejam elas como as de Jim e Natyelle, sejam elas em um simples acampamento de verão. Não importa. Importa sim seus sonhos, os sonhos de todos, e eles podem ser simples, pois o importante e viver.

          Grandes aventuras são as suas, aquelas que voce viveu e vai viver em muitos e muitos acampamentos e atividades aventureiras. Um dia, quando for lembrar, verás que o sonho se concretizou. Ele é seu. Somente seu. Ficará marcado para sempre em sua lembrança. Saímos pelo mundo em busca de nossos sonhos e ideais. Muitas vezes colocamos nos lugares inacessíveis o que está ao alcance das mãos. “O futuro, pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.”

E quem quiser que conte outra


Mais além, por detrás das broncas serranias
Na cerrada região das florestas sombrias,
Cujos troncos, rompendo as lianas e os cipós,
Açastrava, o céu léguas de rama escura;
Só corria a anta leve e uivava a onça feroz;

Além da aspera brenha onde as tribos errantes
A’sombra maternal das árvores gigantes
Acampavam; além das sossegadas águas
Das lagôas, dormindo entre aningaes floridos;
Dos rios, acachoando em quédas e bramidos,
Mordendo os alcantís, roncando pelas fraguas;

- Ahi, não ia echoar o estrupido da luta...
E, no seio nutriz da natureza bruta.
Resguardava o pudor teu verde coração!
Ah! Quem te viu assim, entre as selvas sonhando
Quando a bandeira entrou pelo teu seio, quando
Fernão Dias Paes Leme invadiu o sertão!

O caçador de esmeraldas
Olavo Bilac – 1865-1918


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Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

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