sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Deixe o destino seguir o seu caminho.


Lendas Escoteiras.
Deixe o destino seguir o seu caminho.

             Eles se conheceram no Grupo Escoteiro Montanhas da Lua. No inicio quase não se falavam. Paulo era um Chefe entusiasta, vivia na tropa como se fosse um dos meninos de patrulha. Todos o adoravam. Ele fazia questão de dar o exemplo. Mesmo solteiro era homem honrado e trabalhador. Muitas vezes acreditou nas palavras dos meninos e nunca negou a nenhuma patrulha que fizessem atividade sem a presença do Chefe. Ele aprendeu a confiar. Sabia que quando fizesse um jogo onde não se poderia ver não precisava de venda. Se o Escoteiro ou a Escoteira disse que podia confiar e se completasse dizendo palavra de Escoteiro ele sabia que ali tinha honra, tinha lealdade, tinha palavra. Ele fazia questão de aplicar o sistema de patrulhas corretamente. Quando começou viu a tropa com poucos jovens. Seis meninas, sete Escoteiros. Em menos de um ano as patrulhas estavam completas. Ele adorava isto, fazer atividades Escoteiras com uma tropa bem preparada, onde podia se dizer que não havia amadores era muito bom.

               Marlene nem sabia por que entrou para a Alcateia. Não conhecia ninguém. Um dia passou pela sede rumo à padaria do bairro. Viu olhou, entrou e gostou. Resolveu participar. Foi aceita, pois tinham poucos voluntários. A Alcateia cresceu, ela adorava os lobinhos. Entraram mais duas assistentes. Não conhecia o movimento e agora aprendia depressa. Notou a presença de Paulo na tropa. Ficaram amigos, mas só dentro do escotismo. Ele era simpático e educado. Nonato o Diretor Técnico um dia convidou a todos os chefes para passarem em sua casa, beberem um refrigerante, e comerem um churrasco. Sua esposa fazia aniversário. Não eram muitos, mas com a diretoria havia pelo menos uns quinze participantes. Marlene e Paulo sem perceber ficaram horas conversando. Descobriram que tinham muito em comum. O namoro teve efeito duradouro. O noivado não demorou. Casaram-se numa tarde de sábado na igreja São Pedro com as bênçãos do Padre Wolflang. Um alemão abrasileirado que adorava os Escoteiros, pois foi um em Aldenhoven cidade em que nasceu na Alemanha.

                   Paulo amava Marlene que amava Paulo. Todos diziam que era difícil ter um casal assim. Iam para as reuniões de uniforme a pé de mãos dadas. A vizinhança adorava os dois. Quando Paulo pediu a Akelá para liberar Marlene para a tropa ouve um susto, mas todos acharam que era direito. Afinal a Tropa Escoteira tinha dez meninas e só o Paulo como Chefe não era direito. Um belo dia Paulo chegou do trabalho e recebeu a noticia que sempre sonhou – Vamos ter um filho! Ele sorriu de orelha a orelha. Ser pai era seu sonho. Pediu para Marlene que não fizesse o exame para saber se seria menino ou menina. Ele gostaria de saber quando nascesse. Ela concordou. Todo diziam que era menino e ou menina. Não havia unanimidade. Dizem que todo parto se culmina à noite ou de madrugada. Em Três Ranchos havia um pequeno posto de saúde com um medico. Ela fez o pré-natal em Valverde, oitenta quilômetros de estrada ruim e cheia de buracos. Ia lá duas vezes por mês. O Hospital Santa Cecilia tinha boas condições para parto.

                   Nos meses de espera, não se preocuparam com nomes. – Quando chegar a hora vamos escolher dizia Paulo. Dito e feito, duas da manhã de terça começaram as contrações. Dona Epifania parteira achou melhor irem imediatamente para Valverde. Paulo preparou o mais que pode seu fusquinha. Foram em quatro, ele Dona Epifania, José de Arimatéia seu vizinho e amigo. Nem saíram da cidade caiu um enorme temporal. Paulo dirigia devagar, preocupado e esperançoso. Sorria em pensar que poderia ser um menino. Devia ser bom ter um filho homem pensava. Marlene sonhava com uma menina, ela queria ter uma, pois em sua família só havia homens. O carro derrapou e bateu em uma árvore. Ninguém se machucou. Marlene viu suas contrações aumentarem. Dona Epifania disse que não dava para fazer o parto ali – “O menino tá virado Chefe”! Ela disse. Paulo fechou os olhos sem saber o que fazer. Ele era um Escoteiro, tinha iniciativa, mas e agora? O que fazer? O Fusca não ligava e ele não tinha ideia de como proceder.

               Paulo começou a ficar desesperado. Rezava pedindo a Deus que não lhe tirasse seu filho e Marlene. José de Arimatéia disse que ele ia até a fazenda do Coronel Totonho. – Eu sei que ele tem uma charrete lonada. Vai me emprestar tenho certeza. Sumiu na trilha rumo à fazenda debaixo daquele mundaréu d’água. Duas horas depois chegou com a charrete. Ainda tinham mais de quarenta quilômetros a percorrer. A chuva caia aos borbotões. Marlene sofria, mas não dizia nada. Matinha um tênue sorriso e não reclamava dos solavancos da charrete na estrada. Menos de doze quilômetros para chegar e eis que a estrada estava fechada por um enorme barreira. Houve um desmoronamento. Não havia como passar. De novo José de Arimatéia pôs mãos à obra. Derrubou a cerca de arame farpado. Paulo o ajudou. Não foi fácil não tinham ferramentas. Uma hora depois e o dia clareando conseguiram atravessar o pasto cheio d’água e muitas vezes com a charrete atolando. Às seis da manhã chegaram ao hospital e não havia médicos!

           Paulo carregou Marlene no colo, pois ela parecia ter desmaiado. Pediu o telefone a atendente e ela se negou. José de Arimatéia pulou o balcão e deu o telefone para Paulo que ligou para Adalberto, um Chefe Escoteiro de lá. Às nove da manhã a rua do hospital estava cheia de Escoteiros. Faixas e cartazes diziam – Onde está o medico? Onde está a prestação de serviço do hospital de nossa cidade? Uma patrulha Senior foi até a casa do prefeito. Outra atrás do delegado. Dez e meia chegou um medico correndo. Onze e meia o parto foi realizado. Paulo nervoso não sabia o que fazer. Junto a ele o seu grande amigo que o salvou José de Arimatéia o abraçava. Dezenas de chefes da cidade dando a força que ele precisa. Um médico chegou com cara de quem não quer nada – Quem é o Senhor Paulo? – Sou eu, ele disse. Venha comigo, por favor. Precisamos conversar – Um silêncio enorme. Todos pensavam a mesma coisa. O pior aconteceu!


           Um minuto depois Paulo entrou na recepção gritando. Nasceu! Nasceram gêmeos, um menino e uma menina, Marlene está sorrindo de felicidade! Os gêmeos foram batizados em maio na Igreja de São Pedro sob as bênçãos do Padre Wolflang. A história do nascimento dos gêmeos foi contada por muitos e muitos anos. José de Arimatéia foi padrinho dos dois, de Nany e Nando. Uma história de final feliz. Gosto disto. História onde Deus estava presente e ajudou. Melhor dizer que o casal foi feliz para sempre. A família de Paulo e Marlene formam o casal mais feliz de Três Ranchos. Podem haver outros, mas escoteiramente falando eles tinham o sorriso do tamanho do coração Escoteiro que possuíam.

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Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

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