sábado, 24 de dezembro de 2016

Contos de Natal. O voo 678 do Comandante Escoteiro Noel.


Contos de Natal.
O voo 678 do Comandante Escoteiro Noel.

              Sempre fora seu sonho. Desde Lobinho quando fraturou uma perna pulando de uma árvore com um guarda chuva de seu pai. Como Escoteiro tirou todas as especialidades de aviador e aeronauta. Foi nos seniores que começou sua iniciação como futuro piloto. Sonhava em ser um piloto dos grandes aviões e isto lhe deu forças para um dia chegar como comandante de um belíssimo Airbus A330 avaliado em mais de cento e sessenta milhões de dólares. Foi uma longa jornada. Curso de piloto, treinamento intensivo, estágios e como Copiloto transportando milhares de passageiros. Sempre foi um escoteiro obediente e disciplinado.

              Ao tomar o assento para o início da sequência de tarefas, lembrou-se dos seus acampamentos quando nunca deixou ninguém a deriva. Mesmo quando teve de diminuir o ritmo de suas atividades Escoteiras devido aos estudos e os cursos que fazia sempre estava com eles. Seu Copiloto e amigo também foi Escoteiro um dia. Vitório era como ele e ambos sonhavam em pilotar gigantescas aeronaves pelos céus do mundo. Componentes ligados, computadores, rota de voo, ajustes e aguardar o embarque dos passageiros para partir. Fez questão de cumprimentar pelo fone a todos com simpatia. – Senhoras e Senhores passageiros, bem vindos ao voo 678 partindo do Aeroporto de Guarulhos com destino ao Aeroporto de Manaus... Nada tinha mudado e ele como disciplinado que era completou as normas de aviação aos passageiros finalizado que desejava a todos um Feliz Natal.

                    Noel sorria quando após o ultimo vetor do radar do controle de aproximação realizado, ele manobrou o belo avião rumo à pista de pouso. Estendido os flaps e os slats levantaram voo há uma velocidade aproximada de 907 km/h. Noel sabia que em menos de três horas estariam pousando no aeroporto Internacional de Manaus. Seu coração batia e pulsava de alegria. O A330 obedecia ao seu comando como um bom Lobinho obedece a sua Akelá. Belos tempos de outrora. O Grande Uivo, os acantonamentos e a primeira noite na barraca. Fora demais. O A330 parecia ter sido feito para Noel. O piloto automático, uma breve relaxada e uma volta junto aos passageiros. Nada como dar sempre alerta para saber quantos antigos escoteiros estavam embarcados. Quase quarenta de duzentos e dez passageiros responderam com o sinal escoteiro.

              Quando voltava para a cabine sentiu os primeiros tremores na aeronave. Sabia que estavam em uma turbulência de alto nível, pois o céu claro não podia indicar tal anormalidade. Noel não se preocupou, pois no seu treinamento como Copiloto passou por várias fases como esta. Tomou as rédeas de comando e acreditou que seria por pouco tempo. Lembrou-se da tempestade quando acampados na Serra Morena e raios pipocavam em todos os lugares. Não havia onde se esconder. Calmamente Noel conduziu toda a patrulha até uma parte mais alta do morro onde uma pedra enorme serviu de abrigo para a chuva torrencial e os raios. Em questão de minutos sairiam da turbulência e todos voltariam a sorrir novamente.

               O Velho mote que jamais uma turbulência derrubou um avião para ele era um mito. Ele sabia que isto podia acontecer. Afinal é como uma pipa de papel enfrenta um forte vento. Tranquilizou os passageiros e pediu as aeromoças alertarem a todos para o procedimento comum nestes casos. Sua tripulação tinha por ele o maior respeito. Foi em Camanducaia que descendo uma encosta com a patrulha o morro derreteu e todos foram levados montanha abaixo. Ninguém se machucou e aproveitaram para rezar. Ele católico fervoroso sempre fazia isto nas decolagens e aterrisagens. O avião sacolejava tanto que parecia um cavalo bravo tentando jogar seu cavaleiro para o chão.     

                 Tudo complicou quando o avião deu uma guinada de 45º e ele perdeu a direção do manche. Sua primeira viagem como comandante e tudo iria se perder? Lembrou-se de orar. Vitório tremendo o acompanhou. A nave balançava como uma pipa solta ao vento. Era como no acampamento em Verdes Mares quando a tempestade os pegou em cheio. Quatro patrulhas e ele sozinho na chefia. O que fazer? Chamou os monitores. Alguém tem ideia? Nonato sempre calmo disse que ficassem ali mesmo na encosta e se amarrassem uns aos outros. Assim foi feito o vento diminuiu e a tempestade passou. Noel não tremia, não tinha medo. Ele sabia que o final seria feliz. Era noite de 24 de dezembro e logo Jesus Cristo ia nascer.
              
                   Quando viu que a turbulência diminuiu e após receber o último vetor do radar do controle de aproximação, ele manobrou calmamente o seu A330 rumo à pista de pouso, estendeu os flaps e os slats e abaixou o trem de pouso. Cuidadosamente fez a última manobra para tocar o solo com suavidade. O Controlador da Torre informou que estavam autorizados a taxiar até o local designado. Motores desligados, missão cumprida. Embora alguns passageiros tivessem algumas escoriações o voo chegou a Manaus sem maiores contratempos. Noel se sentia aliviado. Foi como no dia que recebeu sua Insígnia de Madeira e viu que todos o ovacionavam. Assim os passageiros fizeram quando taxiou no aeroporto Internacional de Manaus.


                     Era como o fim de um acampamento e a alegria de ter participado. Fez questão de cumprimentar um por um todos os passageiros na descida do avião. O ultimo o abraçou. Obrigado Chefe. Eu sabia que estávamos em boas mãos. Um dia também fui um Chefe e aprendi que além de explorarmos o íntimo de cada jovem e descobrir sua personalidade, o senhor fez o mesmo com todos os passageiros. – Feliz natal chefe. Que todos que labutam no movimento Escoteiro saibam que os chefes sempre estão preparados para ajudar e fazer de tudo que possivel para trazer o sorriso e a felicidade. Até outra viagem Chefe! 

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