quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lendas escoteiras. Não era para ser assim.


Lendas escoteiras.
Não era para ser assim.

                Sentia saudades. Eternas saudades que machucavam seu coração. Porque insistir nestas lembranças? Vale a pena? Ele já velho e alquebrado olhava o por do sol naquela praça bendita onde nos últimos anos ficava todas as tardes de cabeça baixa, respirando um ar fresco vindo das montanhas que se despontavam naquela selva de pedra.  Ele sabia que a distância faz esquecer, esquece que a saudade faz lembrar. Não dava para voltar no tempo. Uma tristeza enorme ao se sentir sozinho.

               Ela veio docente na lembrança. Ele sabia que não importa a distância que os separavam, se há um céu que os une. Sim, ele sabia que a distância pode impedir um beijo, um toque, um abraço. Mas não pode impedir um sentimento. Ele pensou que quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudade. – Ah! Meu amor, eu sinto tanto a sua falta! Eu sinto sua falta a cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo, mas foi à vontade Dele. Não tenho o direito de reclamar...

               Queria chorar, mas prometeu a si mesmo não o fazer mais. Tanto tempo que ela partiu e os mesmos sentimentos machucavam seu coração. O tempo não apaga o que é verdadeiro, assim como a distância não é o fim para quem ama. Levantou, a pequena bengala ressonou alto no cimento da praça. As seis badaladas da Ave Maria tocavam docemente no sino da pequena capela. Ele tateando foi em frente pensando: - Que minha coragem seja maior que meu medo e que minha força seja tão grande quando a minha fé.

               Fechou os olhos. Se transportou quando escoteiro e a conheceu. Lembra-se até hoje como tudo aconteceu. Noite alta. O espírito da coruja piou na floresta e o fogo apagou. As patrulhas foram dormir. Sozinho de sentinela olhando as brasas adormecidas viu o brilho da noite e ficou encantado com tantas estrelas a brilhar. Viu um cometa passar sorrindo e dizer: - Sempre Alerta Escoteiro, não se esqueça da sua amada... O silêncio reinava naquele acampamento. Ele sabia que a vida não acontece dentro de uma casa, de uma cidade, de um país. Ela tem de ser experimentada em todo o universo.

              Voltou à realidade. Queria lembrar mais e nunca esquecer. Mas quem sou eu para pensar assim? Eu sei que três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: - O Sol, a Lua e a pessoa amada. Foram anos e anos vivendo e dormindo sob o manto do universo. Olhou novamente para o alto e admirou as maravilhas que brilham como a saudar seus passos de meninos indo para sua barraca. Extasiado ao ver a beleza da lua sua alma se expandiu em reverência ao criador. Ah! Mundo fantástico! Foi dormir. Quem sabe sonho com ela? Pode ser depois que a lua adormece... É que o sol acontece!

                 Ele queria levá-la para ver o céu nas montanhas da lua, no pico da imaginação, e dormir na sombra da castanheira no vale do Eco. Foi na virada da Curva do Leopardo, sentado a beira do caminho que ele tomou a decisão de a pedir em casamento. Sonhos de criança? Ele sempre dizia que queria ser um aventureiro, um Escoteiro um herói brasileiro, mas ela entrou em sua mente para completar seus sonhos de criança. Lembrava com saudades de tudo que aconteceu. Um amor lindo, uma felicidade sem fim, um par de anjos que iriam ficar juntos até na eternidade.


               Veio à lembrança de um lindo poema do poeta Apoema: - Não sou índio, não sou sábio, mas eu desejo a você meu amor, mesmo não estando aqui, que o sol possa lhe trazer nova energia a cada dia. Que a lua suavemente lhe restaure durante noite. Que a chuva lave as suas preocupações. Que a brisa sempre sopre uma nova força em seu ser. Que você possa caminhar suavemente através do mundo e saber de suas belezas todos os dias da sua vida. Eu amo você!

Nota de Rodapé: - Desta vida nada se leva... A não ser a vida que se leva... Só se deixa... Então, te deixo o meu melhor... Meu melhor sorriso, Meu maior abraço, Minha melhor história, Minha melhor intenção, Toda minha compreensão e do meu amor, a maior porção. Só quero ficar na memória de alguém como outro alguém que era do bem! (Antonie de Saint-Exupéry). 

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