sábado, 30 de dezembro de 2017

Contos de Fogo de Conselho. Luciana.


Contos de Fogo de Conselho.
Luciana.

                             - Chefe meus pais não param de dizer que está na hora de mudar, pois já não sou mais uma criança e o mundo agora é outro. O que devo fazer? – Olhei para ela com as sobrancelhas levantadas. O que ela queria dizer? Sou um bom ouvinte. Não gosto de interromper, principalmente os jovens Badenianos. Sou como aquele que diz que o homem comum fala o sábio escuta e o tolo discute. – Ela sorriu como sempre fazendo a gente sorrir também. – Continuei calado.

                            - Tossi. Olhei para ela. – Chefe não entendeu? Dizem que nos os jovens de hoje temos de nos adaptar a pedagogia moderna. - Então era isso? Eu já conhecia tais sintomas de mudança. Afinal tem gente que gosta tanto de carnaval que vive o ano inteiro de máscara. – Vi que ela queria uma resposta. O que dizer? Afinal a educação é o que sobra depois que a gente esquece o que aprendeu na escola da vida. – Chefe e então? Precisamos ou não mudar?

                             - Olhei para ela espantado: - Luciana, você é ótima, acabou de me colocar numa saia justa. – Eu sabia que nenhuma pergunta é indiscreta. Algumas respostas é que costumam ser e eu não sabia o que responder. - Não podia deixá-la decepcionada. Quem quer arruma um jeito. Quem não quer arruma uma desculpa e este não sou eu. O tempo deixa perguntas mostra respostas, esclarece duvidas...

                             - O tempo infelizmente ou felizmente trás verdades. Pensei em Confúcio quando disse que os extremamentes sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam. Mas mudar o que? - Perguntei a ela. – Chefe o senhor é conhecido como um progressista do seu tempo. Quem o conheceu sabe que seu histórico é de um dinossauro que vive no passado, afinal o senhor é ou não um tradicionalista? Dizem que seu legado não foi posto em duvida, mas então, devo mudar?

                           - Ela me pegou batendo o sino da meia noite na Igrejinha de São Domingos. Pensei até que iriam aparecer os frades franciscanos tocando o sininho para chamar os fieis para a missa. Milhares de estrelinhas ciscaram nos meus olhos. Deus me livre de Kenedy que disse uma frase que nunca esqueci. – Se você agir sempre com dignidade, talvez não consiga mudar o mundo, mas será um canalha a menos. Kenedy para mim era um sábio, coisa que eu não sou.

                            - Sabia que era um tema que sempre me tocou e eu era daqueles que dizia que não devemos mudar de cavalo no meio do rio. Afinal sou um tradicionalista de mão cheia que no passado foi chamado de conservador, burguês e reacionário. - Mas eu precisava dar a ela uma resposta, qual? Nunca tive vergonha de corrigir meus erros e mudar de opinião, porque nunca me envergonhei de raciocinar e aprender.

                             - O Velho Churchill dizia sem nenhuma dúvida que não há mal nenhum em mudar de opinião, contanto que seja para melhor. E era para melhor o que os novos sábios faziam? Está dando certo? De novo me lembrei de Kennedy no alto da sua sabedoria dizendo se formos mudar as coisas de modo como devem ser mudadas, teremos de fazer coisas que não gostaríamos de fazer.

                          - A humanidade não era mais a mesma como no passado. Tudo vai se evoluindo, mas o escotismo precisava mudar pelas mãos de quem não viveu o passado? – Amélia as mudanças são benéficas desde que estejam dando certo. Voce pode mudar sem modo de agir sem sombra de duvida. Como eu também posso mudar meu modo de ver as coisas. Não podemos ficar vivendo da imaginação ignorar que o mundo agora mudou e temos que achar o nosso caminho.

                        – Eu adoraria dizer a você que estas mudanças são para melhor e que tudo vai dar certo. Não existem obstáculos intransponíveis, pois tudo que uma pessoa possa planejar é capaz também de realizar. – Não sei se ela me entendeu e se me fiz entender. Ela sorridente me deu Sempre Alerta e voltou para sua patrulha. Eu fiquei a meditar. Não sabia se acreditava em minhas próprias palavras. Sempre fui um discípulo das ideias do Baden-Powell. Seu seguidor fiel. Adaptei-me a realidade dos novos tempos, mas francamente tinha enormes dúvidas do seu sucesso.


                         - Eu sabia que o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Parodiando Millôr Fernandes, meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas mudanças idiotas. Meu script é original, fui eu quem fiz baseado no escotismo que acredito e por isto não morro no fim!

Nota -  - Parodiando Mell Glitter, eu digo a você que não tenho nada a esconder. Se você me condena este meu jeito de ser, esta minha mania de transgredir e ir além entrego-me! Sou réu confesso quando se trata de assumir que ultrapassei limites e me divirto com isso... Na verdade, o que não sabem de mim, é pior do que o maior delito que me acusam! Luciana me entendeu melhor!

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