quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Lendas da Jângal. As aventuras de Pimpinela Escarlate e seu pote de ouro.


Lendas da Jângal.
As aventuras de Pimpinela Escarlate e seu pote de ouro.

                         Passavam das nove da noite. Os lobinhos brincalhões nem pensavam em dormir. Acantonados no Sitio do Balu, eles brincavam de esconde, esconde, um dizia ser Mowgly e outro Bagheera e muitos o Balu. Ninguém queria ser Shery Khan. Olhei para Maninha minha esposa e pisquei os olhos. – Falei baixinho para ela escutar: - Vou contar uma história e logo os primeiros bocejos irão aparecer. Havia dois dias que estávamos acantonados. Seriam quatro dias. Eu e ela estávamos cansados, mas felizes. Afinal eram apenas dois anos de casados.

                      Não esqueço aquele domingo que de surpresa o Pastor Noel Santos adentrou a minha sala. Já o conhecia, gente boa, educado e prestativo. Foi logo entrando no assunto, pois ele não gostava de rodeios: - Polaco preciso de você e sua esposa. É uma emergência. Os dois chefes da Alcateia do grupo da igreja resolveram sair. Não me disseram os motivos, mas quer saber? Acho que faltou diálogo deles com o Diretor Técnico. O pior é que não são os primeiros. Você me ajuda por alguns meses e prometo correr atrás de outros se não der conta!

                     Olhei para Maninha e ela balançou a cabeça concordando. Fui Escoteiro no passado, mas nunca lobinho. Chegamos à sede naquele sábado cheio de motivação. Quando vimos três meninos e duas meninas desanimamos logo. Mas foi apenas o começo, em quatro meses a Alcateia estava com dezoito lobinhos sendo nove meninas. O vento mudou de rumo. Nós seguimos o vento e nunca nos arrependemos por ter aceitado aquela responsabilidade. Naquela noite, devagar, fazendo gestos, comecei a contar a História de Shery Khan. Sabia que a maioria novata não conhecia:

                    - Há muito tempo, em um país chamado Índia havia na floresta um enorme um tigre, muito mau, muito feroz que todas as noites percorria a selva em busca de alimentos. Chegou a uma clareira onde estavam acampados um lenhador e sua família. Pensou que eles seriam o banquete que ele sonhava. Viu um bebê de menos de dois dormindo. De um salto pegou a mulher do lenhador. O Lenhador com sua espingarda correu para atirar nele e Shery Khan fugiu. Naquele corre, corre o menino fugiu para dentro da floresta. Assustado encontrou na colina uma enorme Loba que se chamava Raksha juntamente com seus quatro filhotes. Viu que o tigre cruel queria comê-lo e então o levou para sua caverna onde morava.

                           Polaco o Balu viu que um menino balançava a mão. - Balu! Ele disse. Quando terminar o Senhor conta a história do menino e seu pote de ouro? Polaco viu que era Josué, mas todos o chamavam de Pimpinela Escarlate. – Não conheço está, ele disse. – Balu, é aquela que o menino soube que havia no final do arco íris um pote de ouro, todo mundo ria e sabia que era mentira, mas o menino não. Ele foi lá e encontrou o pote de ouro. A mente de Polaco o Balu voltou cinco meses atrás.

                        Ele não esqueceu quando a mãe de Pimpinela o matriculou na Alcateia. Era um menino comum, igual a tantos lobinhos que ele conhecia. Mas tinha uma mente fértil e muitas vezes ele parava e parecia estar dispenso, viajando pelo pensamento em algum lugar. Ele gostava de Pimpinela, gostava de todos na Alcateia, mas Pimpinela e Nancy tinha um lugar especial no seu coração. – Posso contar outro dia? Falou Polaco o Balu. Hoje não dá mais tempo. Prometo na próxima reunião.

                     - Vendo que a maioria dormia sentados na grama, Polaco o Balu resolveu terminar história de Mowgly: - E foi então que Raksha se uniu ao seu esposo para expulsar o tigre dali, pois ela havia se proposto a cuidar do menino, que um dia cresceria e teria condições de matar o Shere Khan. – Polaco o Balu viu que o sono estava no rosto de todos os lobos. Ele e Maninha conduziu a lobada para dormir. Noite enluarada já haviam preparado as barracas onde passariam aquela noite.

                      Polaco o Balu e Maninha nem perceberam quando amanheceu. O sol já ia alto. Muitos lobos já tinham acordado e faziam uma gostosa algazarra na grama perto do campinho de futebol. Maninha se aprontou e formou os lobos. Na cozinha Dona Eufrásia já estava de pé e fazia o café da manhã. Uma mãe de Escoteiro que eles tiravam o chapéu. Sempre pronta a ajudar sem esperar recompensas.

                       Foi no café, já dia claro que deram falta de Pimpinela Escarlate. Ninguém sabia dele. Paolo o lobo da matilha cinzenta foi quem contou que ele ia achar o pote do ouro. Polaco o Balu olhou para o céu e viu um belo arco íris. Em algum lugar perto dali deveria ter chovido. O susto foi grande. Dona Eufrásia ficou tomando conta enquanto os dois chefes partiram atrás de Pimpinela Escarlate. Estavam preocupados. Sabiam que não havia cisternas sem tampa, nenhum rio e só um pequeno riacho. A montanha sumia de vista. Será que ele foi para lá?

                    Andaram e andaram e nada. Ambos roucos de tanto gritar por Pimpinela Escarlate. A mente de Maninha corria a mil. Como contar para a mãe dele que ele sumiu? Nunca deveriam ter dormido tanto e esqueceram de que estavam em barracas e o som do riacho e dos pássaros os fez dormir a sono solto. Polaco o Balu e Maninha já estavam desistindo. Não queriam fazer do sumiço de Pimpinela um espetáculo para que todos dissessem que o escotismo não cuidava de seus meninos. Maninha chorava baixinho. Polaco o Balu tirou seu celular e já discava para o Corpo de Bombeiros. Precisava de ajuda e agora era hora de assumir as responsabilidades.

                   Foi Maninha que olhando para a montanha julgou ter visto Pimpinela descendo pela trilha. Correram até lá e o avistaram. Graças a Deus! Bendito seja todos os santos! Pimpinela estava ali são e salvo. Polaco o Balu prometeu a si mesmo nunca mais deixar nenhum sozinho. Pimpinela não era de confiança. Quando chegaram perto levaram o maior susto. Impossível, inacreditável. Ninguém iria acreditar. Mas era verdade, na mão de Pimpinela Escarlate estava lá, um pequeno pote e dentro cheio de ouro!


Nota - As histórias de lobinhos sempre me divertem. Mesmo na sua simplicidade elas enchem meu coração das lembranças do meu tempo de lobo... Como viver sem elas as vésperas do dia do Lobinho desta turminha adorável com seus sorrisos maravilhosos? Apenas um conto. De um lobo, nada mais...

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