terça-feira, 10 de abril de 2018

Lendas da Jângal. A Coruja de olhos negros.



Lendas da Jângal.
A Coruja de olhos negros.

                            Ela não tinha muitas lembranças do seu passado. Sua mãe morreu quando tinha um mês de vida. Quem a matou foi um menino com uma pedrada sem motivo algum. Um Pardal Cinzento fez a vez de pai. Trazia comida todos os dias. Logo que pode voar saia sozinha a procurar sua comida. Um dia O Pardal Cinzento também sumiu. Quem sabe morreu por outra pedrada de outro menino. Corria deles. Parece que não gostavam das flores, dos animais, dos pássaros, das arvores e matavam por qualquer coisa sem motivo.

                               Saia pela manhã se alimentava e voltava logo. Gostava de voar até o Vale da Saudade onde encontrava sempre minhoquinhas frescas que lhe davam força para viver. Às vezes passeava no Vale da Esperança. Era lindo o vale, tinha borboletas, bem-te-vis, abelhas douradas todos seus amigos.

                      A maior parte do tempo ficava no galho da Arvore Da Felicidade sua grande amiga. A árvore foi à mãe que não teve. A viu crescer e se tornar adulta. A coruja fez ali sua casinha. Na porta virada contra o vento, ficava a perscrutar o horizonte para ver se algum animal, se algum pássaro iria se aproveitar da sombra da Arvore da Felicidade. Ela gostava de companhia e conversar.

                           Vez ou outra aparecia um quati, um lobo, uma onça ou um tatu. Riu muito um dia quando um casal de periquitos cantou para ela dando gargalhadas. Tinha medo de meninos. Medo de suas pedradas. Quando a tarde chegou viu seis meninos chegando. A Coruja dos Olhos Verdes se escondeu na copa mais alta da Árvore da Felicidade. Eles se arrancharam, ajuntaram lenha e outros foram ao Riacho do Amor pegar água nos cantis e pescar. Eram alegres e A Coruja dos Olhos Verdes criou coragem e voltou ao seu posto de observação.

                       Eles não gritavam, não brigavam e cantavam muito. Tinham enormes chapéus um lenço verde e amarelo com roupas iguais. Cozinharam uma sopa e comeram com vontade. Um deles se chamava Toquinho. Foi ele que a descobriu no alto da árvore da felicidade. Viu que podiam se entender em pensamento. - Olá Corujinha, você é linda! Não tenha medo. Sou um Escoteiro e o Escoteiro é amigo dos animais e das plantas!

                            Ela sorriu e ainda tremendo disse – Olá! Os outros a viram, mas não conseguiam falar com ela. Só o Toquinho. Ficaram por um dia e meio. À noite cantaram canções lindas. Acenderam uma fogueira e a Árvore da Felicidade reclamou da fumaça. Eles dormiram encostados ao tronco Árvore da Felicidade. Quando o sol apareceu levantaram e se foram. Toquinho olhou para a Coruja dos Olhos Verdes e se despediu. Adeus linda corujinha. Quem sabe um dia voltaremos a nos ver?

                     A coruja de olhos negros os acompanhou com seu olhar até quando chegaram na Colina Verdejante. Sentiu o vento balançando os galhos da Arvore da Felicidade. Olhou de novo e eles desaparecerem na estrada da Alegria. A Coruja dos Olhos Verdes começou a chorar. A Árvore da Felicidade chorou também. – Porque não vai atrás deles e saber onde vão ficar? Assim um dia pode se encontrar novamente com Toquinho.

                          A Coruja dos Olhos negros não se fez de rogada. Voou atrás dos meninos do chapéu grande. Voava alto quando os viu. Viu também um grande acampamento de meninos. Milhares de escoteiros e escoteiras. Pareciam formigas a correr atrás de folhas para o formigueiro. Viu que os meninos erraram o caminho. Voando em sua direção tentou avisar Toquinho onde era o caminho certo. Ele agradeceu. Voltaram e pegaram a trilha certa. Ficou feliz em ter ajudado.

                 Começou a voar de volta. Não era longe a sua morada na Arvore da Felicidade. Sentiu uma forte dor na asa direita. Olhou e viu dois meninos que não eram escoteiros com pedras na mão. Doía horrivelmente. Voou com muita dificuldade até a arvore da felicidade. Sentia muita dor. Muito sangue escorria. Acordou vendo ao seu lado sua mãe e o Pardal Cinzento que a ajudou quando era pequena. Sorriam. Sua mãe a chamou e em uma nuvem branca partiriam rumo ao céu.

                 A Árvore da Felicidade muito triste se sentiu só. Sua amiga a Coruja de Olhos negros tinha partido. Um dia, numa linda tarde eis que apareceu a Coruja dos Olhos Negros. Sorriu para a Árvore da Felicidade que também sorriu. E foi então que a felicidade voltou a viver junto a todos que moravam no Vale da Esperança. A Árvore da Felicidade e todos os que ali chegavam para descansar na sua sombra sempre sorriam. “A Árvore da Felicidade aprendeu com a Coruja de Olhos Negros que a verdadeira felicidade é fazer os outros felizes”!

Nota: - “Mesmo onde existe a maldade, devemos perdoar e sorrir”. Isto é como se a felicidade estivesse sempre conosco. A Árvore da Felicidade aprendeu com a Coruja de Olhos negros que a verdadeira felicidade é fazer os outros felizes”! Uma lenda? Uma fábula? Não apenas uma pequena historia. Espero que os lobos de Seeonee possam gostar.

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