terça-feira, 8 de maio de 2018

Lendas Escoteiras. As seis badaladas da Ave Maria.



Lendas Escoteiras.
As seis badaladas da Ave Maria.

   Padre Tomazo tinha pouco mais que vinte e seis anos. Desde pequeno que sonhava em ser um religioso. Contava a todos que foi a Virgem Maria quem um dia lhe apareceu em sonhos sorrindo e dizendo para ele ser um homem de Deus. Seu pai um incrédulo não levou a sério os desejos do menino. Sua mãe agradecia a Deus pela graça. Entrou para o seminário contra a vontade de seu pai, mas com as graças da sua mãe. Era sua vocação, acreditava. Devoto de São Francisco de Assis tinha por ele seu modelo de vida e seguidor do evangelho de Jesus.

 No seminário era admirado e diziam que ele seria em breve um bispo e um cardeal. Don Carmelo o arcebispo da cidade quando ele se formou o pós a prova. O mandou para a cidade de Cataclisma. Ele sorriu, já tinha ouvido falar de lá. Terra de criminosos e ladrões. Quando chegou a cidade e subiu as escadarias da igreja parou no primeiro degrau. Via na porta a figura de Satanás. Ajoelhou rezou para a Virgem Maria e entro em sua igreja. Vazia. Ninguém a esperá-lo.

Dois anos depois havia dois mundos em Cataclisma, um formado por bandidos e ladrões, outro pelos novos catequistas formados pelo Padre Tomazo. Sentia-se uma mudança profunda nos rumos da cidade. O comércio aumentou e até mesmo turistas voltaram a visitar para ver o que o Padre estava realizando. Belzebu um maldito ladrão de estradas jurou o Padre Tomazo de morte. Seus comparsas tentaram dissuadi-lo, mas não houve jeito. O Padre Tomazo sorria com sua nova criação. Um Grupo Escoteiro em Cataclisma. Ele pouco entendia e contava com a colaboração de Nilo Ventania que fora Escoteiro nos tempos idos.

               A vida da cidade mudou muito com a chegada dos escoteiros. A bandidada se sentia ameaçada e o Padre Tomazo orava por eles. Acreditava que todos eram filhos de Deus. O primeiro acampamento do Grupo Escoteiro São Francisco foi um sucesso. Padre Tomazo tirou uns dias de férias e ficou com eles durante todo o tempo que lá permaneceram. Bebeu á agua da fonte da filosofia escoteira e sabia que nunca mais deixaria de ser um ativista Escoteiro.

              Na igreja muitas das ordens que o Padre organizou começaram a se sentir enciumados. Ele matinha seu otimismo e desdobrava para estar presente. Eles, entretanto queriam mais. Reclamaram com o Bispo Dom Carmelo. O próprio foi à cidade de Cataclisma para verificar o que acontecia. Não gostou dos escoteiros. Achava que a meninada era promiscua, pois junto estavam dezenas de meninas que se vestiam iguais a eles. Para desespero de todos o Bispo ordenou ao Padre Tomazo que acabasse com o Grupo Escoteiro. Queria vê-los fora de sua Igreja.

O que fazer? - Ajoelhava-se no altar e de olhos fechados cantava baixinho o Te Deum, exaltando a Deus. Pedia uma graça, um milagre para que o Bispo visse como ele via aquela filosofia de uma organização sem igual. Cada badalada da Ave Maria era uma prece, um pedido, quem sabe Deus na sua infinita sabedoria poderia ajudar a dar a benção escoteira para o coração do Bispo? Sua prece foi atendida.

Naquele dia o bispo voltava para sua cidade e uma chuva torrencial caiu na estrada. O carro do bispo um Velho Ford atolou na lama e nem ia para frente e nem prá trás. O Bispo não sabia o que fazer. Tinha reunião, tinha missa tinha de atender o cardeal que ia chegar. Eis que um olhar astuto, bonachão de um jovem disse para ele de supetão: - Deixa com “nois” Padre, marque no seu tic tac 20 minutos e vai voar que nem avião.

O Bispo espantado viu que eram seis escoteiros sendo duas mocinhas. Mochilas as costas, chuva no costado e eles nem aí, cortaram paus, escoraram pedras e logo o fordinho do Bispo de pôs a andar. Ele olhou os escoteiros, saiu do carro e pisou no barro sujando a batina, mas fazendo questão de abraçar e agradecer a cada um. Foi à conta. O mosquito filosófico Escoteiro penetrou em seu coração. – Vai carona? Perguntou. “Gracias” padre. “Temos um caminho a percorrer, afinal nosso herói deixou para nós uma frase que ninguém esquece: - O Escoteiro caminha com suas próprias pernas”.

O Bispo adorou os meninos. Se o escotismo era assim ele teria que apoiar. Passou um telegrama para o Padre Tomazo. – “Mande bala, escoteiros aprovados. Conte cm minha benção”. – Bom demais para ser verdade pensou o Padre Tomazo. Tem flores espalhadas neste caminho. Os espinhos ficaram para trás. No sábado pela manhã, Belzebu entrou com sua quadrilha de bandidos na cidade. – Digam ao Padre se ele aparecer na minha frente lhe meto um balaço na cabeça. Na igreja Padre Tomazo pensava em seu mestre: - Vamos confiar mais em Deus e obedecer às Suas magnânimas leis.

Se trabalharmos em favor do Bem, pensava esse Bem virá ao nosso encontro, esta é a lei. Dito e feito. Um raio caiu na porta do banco. Belzebu ficou branco. Quase rachou no meio. Montou em sua égua Sibiana e partiu correndo de Cataclisma. Nunca mais voltou. Quando no final de novembro Padre Tomazo uniformizado esbelto com seu chapelão e fez sua promessa à cidade inteira estava lá. Disse pensando em Deus: Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz. Eu prometo senhor fazer o melhor possível... E Padre Tomazo foi promessado. Os escoteiros voltaram a sorrir.

Para pregar a Paz, primeiro você deve ter a Paz dentro de você.
E de novo Cataclisma ouviu as seis badaladas da Ave Maria!

Nota – “Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente instruído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão”. Palavras de São Francisco que nós escoteiros devemos trazer no coração. Bem vindo à história de Cataclisma, ela não era tão ruim como parecia. Sempre Alerta!

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