terça-feira, 7 de maio de 2019

Em volta da fogueira... Me ponho a lembrar! Nossa! - Que vontade de acampar.




Em volta da fogueira... Me ponho a lembrar!

Nossa! - Que vontade de acampar.

                    Tem dias cheio de nostalgia, me vem uma imensa vontade de acampar. Vontade de pegar a mochila e sair por aí indo onde o vento me levar. Você levanta, põe os pés no chão. Olha pela janela o sol entrando, dá um sorriso e diz! Bom dia a todos que não vejo e hoje é o meu desejo é que aproveitem bem este dia. Com os braços na janela olho para o céu azul, vejo o sol nascendo e caramba! Volto no tempo, nos tempos que já se foram e que sabemos não voltam mais. Se vê ainda menino, abrir a porta da barraca sorrindo, pois era tempo de enfrentar um novo dia. Você esfregava os olhos, olhando os seus companheiros que dormiam sono solto, e começava a cantar: - – ¶Acorda escoteiro acorda que o Galo já cantou!¶

                    Eu adorava cantar nas madrugadas no campo. Era um bálsamo quando me levantava e sempre às seis da manhã. Bem, agora o sonho se foi, ficou somente a saudade, que nesta minha idade não vou esquecer jamais. Não dá mais. O jeito é tomar um café e colocar o pé na estrada mesmo tropeçando na trilha da minha rua querida lá vou eu com minha bengala amiga. Um quilometro percorrido, o sol já havia nascido, volto e espero a respiração voltar. Passa  um vizinho caminhante dá bom dia falante e se vai. É hora de começar a rotina. Sonhar sempre acordado. Isto eu adoro demais. Sabem como fazer? Fecho os olhos e deixo a mente voar solta no tempo, em busca dos meus sonhos de menino de um dia que já se foi. As tralhas que não se esquece, estão lá no meu baú. Vou aos poucos acarinhando, apetrechos vou juntando. E sem maldade apanho a minha mochila, meu cantil, minha faca e machadinha, minha bússola, capa negra velha amiga de tantos tempos atrás. Não me esqueço da lanterna, até meu cabo solteiro, o meu chapéu mateiro sempre a sorrir para mim. Uma muda de roupa, shorts, cuecas, meias, material de higiene, uma toalha pequena alguns comprimidos, e minha pequenita caixa de primeiros socorros já foi montada. Agora lá vou eu voando nas minhas asas da imaginação, nos meus sonhos tão sonhados, por este mundo de Deus. Não esqueci o canivete suíço, os talheres fixos, e duas caçarolas sem alça encaixadas entre si. Não levo nenhuma barracas. Não sou nenhum panaca, pois sou mestre mateiro, afinal um bom e valente Escoteiro, sei dormir acompanhado de estrelas lá no céu e se for preciso eu faço de olhos fechados uma boa cabana para dormir.

                 No bornal eu levo meu “farnel” com uma refeição ligeira, a galinha que não pia, o macarrão da sacristia, e o ovo que não quebra. Será uma deliciosa refeição. Ração B. Tudo muito simples. Nos meus sonhos eu vou pescar uns lambaris faceiros e como bom Escoteiro eu os frito no fubá. Acredito que aonde vou encontrarei algumas mandiocas, quem sabe inhames, ou mesmo mamão papaia na beira do arrozal. E a noite vou fazer uma sopa no jantar. Pode ser que dou sorte e encontro uns pés de maracujá. Maxixe e Lobrobô eu sei que tem, pois até lá nos montes existem e é só pegar. Não vou me apertar. Vou sozinho e levo Deus no coração. Ele sabe que é meu amigo, acampa sempre comigo agradeço toda força que ele dá. Adoro acampar eu e ele, pois o silêncio acontece, e mesmo quando anoite isto me faz muito bem. Adoro acampar sorrindo ouvindo a passarada a cantar. Quem sabe sento a moda índia em uma grama macia para descansar. Ali na relva fresca eu espero o meu grande amigo o lobo guará, que sempre comeu sementes e nunca rangeu os dentes comendo na minha mão. Somos amigos valentes, entre nós só tem conceito de amor no coração.

                Em plena floresta na clareira que eu fiz, tem uma fonte a jorrar. Belas águas cristalinas, águas tranquilas, límpidas com peixinhos a nadar. Mais acima borbulhando cai uma pequena cascata e nas pedras bem distante um sinal de pista diz: - Agua boa para beber! Durante o primeiro dia, eu aguardo ansioso, pois é muito gostoso ver um quati e um sabiá. Quem sabe aparece uma capivara me olhando bem matreira, olhinhos pequeninos a me saudar? E a passarada cantante ali alegres esvoaçantes em volta de mim? Gente! Que saudades. E no meu acampamento de sonhos, viajo nos meus sonhos, pois eu estou acampando, por terras que nunca vi. Neste campo de fantasia, é minha morada do dia e deixo o tempo passar. À tarde me sento em frente ao remanso, pois é um belo descanso, e ver um Inhambu ou uma cotovia voando baixo vistoso, querendo os peixinhos pegar. E à tardinha depois de um jantarzinho jeitoso, lá vou eu ao pico Formoso, ver o sol no alto do morro, a por dizendo adeus. E ele como bom companheiro me diz: - Calma amigo Escoteiro aguarde que amanhã vou voltar. Visão fantástica, maravilhosa. Quando lembro meus olhos vermelhos choram de saudades, Jesus é muito é bom lembrar...

                 E quando a noite chegar, uma pequena fogueira vou montar, alumiando a bagaceira queimando um galho qualquer. Sentado na grama molhada estico o braço e lá esta minha gaita de fole escocesa, limpa e pronta para tocar. Aos poucos lindas canções são tocadas, musicas Escoteiras interpretadas e a mata sorri ao ouvir. A passarinhada acorda e vem voar em volta de mim. Baixinho calmo sem forçar a árvore da montanha vou tocar. Guingaguli. Toadas da serra. Terra do belo Olmeiro. Avançam as patrulhas a linda  Canção da Promessa e deixo para o final a saudosa despedida da Canção tão conhecida. Até a floresta noturna, com seus vagalumes vistosos iram comigo cantar. Fecho os olhos e sinto no ar, o doce farfalhar do orvalho, fagulhas que vão e vem, sobem aos céus faceiras viajando a Escoteira para sumir no ar. Se tiver sorte o que sempre tenho a Coruja Buraqueira, com aqueles olhos tão lindos, incrivelmente belos, iria piar e me dizer: - Meu amigo escoteiro, boa noite tenha um sonho verdadeiro, acorde pela manhã, vais ouvir a passarada em minha floresta encantada que aqui virá te saudar.

                 Não sei se teria sono. Não sei. Mas lá pelas tantas da noite, deitado na relva macia, iria admirar as acrobacias que fazem as belas estrelas no céu. Maravilhar com o firmamento sentindo no rosto o vento e ver... Aquele brilho próprio de um universo fantástico. E ali na noite fria, eu ia me perguntar por que ainda alguns duvidam da existência maravilhosa do criador. Chega a hora do boa noite. Boa noite floresta, boa noite Coruja deixo para você o luar. Boa noite vagalumes que em cardume fazem um lindo clarão no ar. Ainda de olhos abertos através da porta da barraca, eu ainda olharia os insetos noturnos cujo espetáculo imperdível não ia perder seus bailados. E ao amanhecer sorrindo, na porta do céu tão lindo, um pintassilgo amarelo chamou seus amigos a me saudar, cantantes me deram bom dia e juntos em harmonia, me disseram que o dia vai começar. Eles velaram meu sono. Trouxeram o grilo falante para fazer acordar. Mas tudo que é bom dura pouco. Uma voz calma e linda me chama: - Meu marido, hora do almoço. Acorde! Caramba! E lá se foi meu sonho acordado. E a tarde, quem sabe de novo eu volto a sonhar nos momentos, com os belos acampamentos, e viver belos momentos que um dia fui presentado por Deus.


                    Tem dias cheio de nostalgia, me vem uma imensa vontade de acampar. Vontade de pegar a mochila e sair por aí indo onde o vento me levar. Você levanta, põe os pés no chão. Olha pela janela o sol entrando, dá um sorriso e diz! Bom dia a todos que não vejo e hoje é o meu desejo é que aproveitem bem este dia. Com os braços na janela olho para o céu azul, vejo o sol nascendo e caramba! Volto no tempo, nos tempos que já se foram e que sabemos não voltam mais. Se vê ainda menino, abrir a porta da barraca sorrindo, pois era tempo de enfrentar um novo dia. Você esfregava os olhos, olhando os seus companheiros que dormiam sono solto, e começava a cantar: - – ¶Acorda escoteiro acorda que o Galo já cantou!¶

                    Eu adorava cantar nas madrugadas no campo. Era um bálsamo quando me levantava e sempre às seis da manhã. Bem, agora o sonho se foi, ficou somente a saudade, que nesta minha idade não vou esquecer jamais. Não dá mais. O jeito é tomar um café e colocar o pé na estrada mesmo tropeçando na trilha da minha rua querida lá vou eu com minha bengala amiga. Um quilometro percorrido, o sol já havia nascido, volto e espero a respiração voltar. Passa  um vizinho caminhante dá bom dia falante e se vai. É hora de começar a rotina. Sonhar sempre acordado. Isto eu adoro demais. Sabem como fazer? Fecho os olhos e deixo a mente voar solta no tempo, em busca dos meus sonhos de menino de um dia que já se foi. As tralhas que não se esquece, estão lá no meu baú. Vou aos poucos acarinhando, apetrechos vou juntando. E sem maldade apanho a minha mochila, meu cantil, minha faca e machadinha, minha bússola, capa negra velha amiga de tantos tempos atrás. Não me esqueço da lanterna, até meu cabo solteiro, o meu chapéu mateiro sempre a sorrir para mim. Uma muda de roupa, shorts, cuecas, meias, material de higiene, uma toalha pequena alguns comprimidos, e minha pequenita caixa de primeiros socorros já foi montada. Agora lá vou eu voando nas minhas asas da imaginação, nos meus sonhos tão sonhados, por este mundo de Deus. Não esqueci o canivete suíço, os talheres fixos, e duas caçarolas sem alça encaixadas entre si. Não levo nenhuma barracas. Não sou nenhum panaca, pois sou mestre mateiro, afinal um bom e valente Escoteiro, sei dormir acompanhado de estrelas lá no céu e se for preciso eu faço de olhos fechados uma boa cabana para dormir.

                 No bornal eu levo meu “farnel” com uma refeição ligeira, a galinha que não pia, o macarrão da sacristia, e o ovo que não quebra. Será uma deliciosa refeição. Ração B. Tudo muito simples. Nos meus sonhos eu vou pescar uns lambaris faceiros e como bom Escoteiro eu os frito no fubá. Acredito que aonde vou encontrarei algumas mandiocas, quem sabe inhames, ou mesmo mamão papaia na beira do arrozal. E a noite vou fazer uma sopa no jantar. Pode ser que dou sorte e encontro uns pés de maracujá. Maxixe e Lobrobô eu sei que tem, pois até lá nos montes existem e é só pegar. Não vou me apertar. Vou sozinho e levo Deus no coração. Ele sabe que é meu amigo, acampa sempre comigo agradeço toda força que ele dá. Adoro acampar eu e ele, pois o silêncio acontece, e mesmo quando anoite isto me faz muito bem. Adoro acampar sorrindo ouvindo a passarada a cantar. Quem sabe sento a moda índia em uma grama macia para descansar. Ali na relva fresca eu espero o meu grande amigo o lobo guará, que sempre comeu sementes e nunca rangeu os dentes comendo na minha mão. Somos amigos valentes, entre nós só tem conceito de amor no coração.

                Em plena floresta na clareira que eu fiz, tem uma fonte a jorrar. Belas águas cristalinas, águas tranquilas, límpidas com peixinhos a nadar. Mais acima borbulhando cai uma pequena cascata e nas pedras bem distante um sinal de pista diz: - Agua boa para beber! Durante o primeiro dia, eu aguardo ansioso, pois é muito gostoso ver um quati e um sabiá. Quem sabe aparece uma capivara me olhando bem matreira, olhinhos pequeninos a me saudar? E a passarada cantante ali alegres esvoaçantes em volta de mim? Gente! Que saudades. E no meu acampamento de sonhos, viajo nos meus sonhos, pois eu estou acampando, por terras que nunca vi. Neste campo de fantasia, é minha morada do dia e deixo o tempo passar. À tarde me sento em frente ao remanso, pois é um belo descanso, e ver um Inhambu ou uma cotovia voando baixo vistoso, querendo os peixinhos pegar. E à tardinha depois de um jantarzinho jeitoso, lá vou eu ao pico Formoso, ver o sol no alto do morro, a por dizendo adeus. E ele como bom companheiro me diz: - Calma amigo Escoteiro aguarde que amanhã vou voltar. Visão fantástica, maravilhosa. Quando lembro meus olhos vermelhos choram de saudades, Jesus é muito é bom lembrar...

                 E quando a noite chegar, uma pequena fogueira vou montar, alumiando a bagaceira queimando um galho qualquer. Sentado na grama molhada estico o braço e lá esta minha gaita de fole escocesa, limpa e pronta para tocar. Aos poucos lindas canções são tocadas, musicas Escoteiras interpretadas e a mata sorri ao ouvir. A passarinhada acorda e vem voar em volta de mim. Baixinho calmo sem forçar a árvore da montanha vou tocar. Guingaguli. Toadas da serra. Terra do belo Olmeiro. Avançam as patrulhas a linda  Canção da Promessa e deixo para o final a saudosa despedida da Canção tão conhecida. Até a floresta noturna, com seus vagalumes vistosos iram comigo cantar. Fecho os olhos e sinto no ar, o doce farfalhar do orvalho, fagulhas que vão e vem, sobem aos céus faceiras viajando a Escoteira para sumir no ar. Se tiver sorte o que sempre tenho a Coruja Buraqueira, com aqueles olhos tão lindos, incrivelmente belos, iria piar e me dizer: - Meu amigo escoteiro, boa noite tenha um sonho verdadeiro, acorde pela manhã, vais ouvir a passarada em minha floresta encantada que aqui virá te saudar.

                 Não sei se teria sono. Não sei. Mas lá pelas tantas da noite, deitado na relva macia, iria admirar as acrobacias que fazem as belas estrelas no céu. Maravilhar com o firmamento sentindo no rosto o vento e ver... Aquele brilho próprio de um universo fantástico. E ali na noite fria, eu ia me perguntar por que ainda alguns duvidam da existência maravilhosa do criador. Chega a hora do boa noite. Boa noite floresta, boa noite Coruja deixo para você o luar. Boa noite vagalumes que em cardume fazem um lindo clarão no ar. Ainda de olhos abertos através da porta da barraca, eu ainda olharia os insetos noturnos cujo espetáculo imperdível não ia perder seus bailados. E ao amanhecer sorrindo, na porta do céu tão lindo, um pintassilgo amarelo chamou seus amigos a me saudar, cantantes me deram bom dia e juntos em harmonia, me disseram que o dia vai começar. Eles velaram meu sono. Trouxeram o grilo falante para fazer acordar. Mas tudo que é bom dura pouco. Uma voz calma e linda me chama: - Meu marido, hora do almoço. Acorde! Caramba! E lá se foi meu sonho acordado. E a tarde, quem sabe de novo eu volto a sonhar nos momentos, com os belos acampamentos, e viver belos momentos que um dia fui presentado por Deus.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Lendas da Jângal. O Lobinho João e o pé de feijão. (Baseado em uma fábula dos irmãos Grimm).




Lendas da Jângal.
O Lobinho João e o pé de feijão.
(Baseado em uma fábula dos irmãos Grimm).

Prólogo: - E foi então que livre do perigo João abraçou sua mãe alegremente. E, depois daqueles dias os dois passaram a viver tranquilos. Tempos depois, quando João se tornou um homem forte e bonito, se casou com uma princesa com quem viveu feliz por muitos e muitos anos. Quanto ao pé de feijão, depois de cortado, secou completamente e, como não havia mais sementes nunca mais nasceu outro igual. Divirta-se com esta fábula muito conhecida.

                  A Akelá Anita quase não aguentava mais ficar acordada. Foi um dia cansativo e ela sozinha com dezoito lobinhos e lobinhas em um acantonamento só queria dormir. O relógio marcava oito da noite. Ela sabia que eles não iriam dormir tão cedo. No programa havia um jogo noturno e depois cama. Será? Estava sozinha. Norma e José seus assistentes na última hora não puderam comparecer. Eram casados e na última hora ficaram sabendo que a mãe de Norma passava muito mal e iria para o hospital. Cancelar o Acantonamento? Ele sabia que não. A preparação foi grande. Tinha a ajuda de Dona Ana à cozinha e só.

                 Sentaram-se na varanda e serelepes os lobos brincavam nas mais diversas invenções que só as crianças pequenas sabem fazer. Ela queria dormir, daria tudo por uma cama. – Akelá! Akelá, acorde! Ela sonolenta viu que era Tati da Matilha Marrom. – Que foi? Perguntou. – Conte uma história! – Ela sorriu. Contar histórias não era seu forte, mas viu muitos lobinhos se aproximando e gritando: - Conta, Conta! – Não tinha jeito. Não havia nenhuma história preparada para contar. Ela não tinha o dom de tirar do baú uma história e fazer dela uma bela forma de aprendizado para os lobos da alcateia. – Fechou os olhos e parecia que alguém ajudava a desenvolver a historia e ela começou:

- Era uma vez, numa pequena cidade bem longe daqui, tinha um Lobinho chamado João. Ele vivia com sua mãe, pobre viúva em um casebre bem longe da cidade. – Ela viu que os lobos sentaram em volta dela prestando muita atenção e ela continuou: - Um dia sua mãe disse a ele: - Joãozinho acabou a comida e o dinheiro. Vá até a cidade leve a Mimosa nossa vaquinha o único bem que nos resta, venda pelo melhor preço e compre alguma coisa para a gente comer. João ficou muito triste. Ele amava a Mimosa e pensou que ficar sem ela seria muito ruim para ele. Ele sabia que não tinha nada para fazer o almoço e chorando baixinho pegou a vaquinha e foi para a cidade para vender e comprar comida.

- No caminho encontrou um homem que ele não conhecia, mas bom de conversa e o convenceu a trocar a vaquinha por sementes de feijão. O homem educadamente disse para ele: - Leve estas sementes. São mágicas. Com elas vocês nunca mais passarão fome! – João Acreditou e com as sementes de feijão voltou para casa. Quando sua mãe soube ficou furiosa. Mesmo assim jogou tudo pela janela. João triste foi para seu quintal ouvir o canto dos pardais que ele gostava muito. Foi então que notou uma enorme árvore que ia até o céu. Não chamou sua mãe e decidiu subir pelo pé de feijão até chegar nas nuvens.

- João era um lobinho esperto e pensou que poderia encontrar lá em cima um pote de ouro que os arco íris possuem. No topo João ficou maravilhado ao encontrar um castelo nas nuvens e foi vê-lo de perto. Não viu uma enorme mulher surgir de dentro do castelo e agarrá-lo. – O que faz aqui menino? Será o meu escavo. Olhe cuidado não deixe o gigante saber se não ele vai comê-lo. Vou esconder você. – O gigante chegou fazendo muito barulho. A mulher o escondeu em um armário. – O gigante rugiu: - Sinto cheiro de criança! E farejou todos os cantos do castelo tentando achar. A mulher falou para ele: Gigante, este é o cheiro da comida que irei servir. Sente-se a mesa meu senhor!

- O gigante comeu o saboroso alimento. Depois ordenou a uma galinha prisioneira que pusesse um ovo de ouro e disse a uma harpa que tocasse uma melodia. O gigante adormeceu logo. João se sentindo protegido com o sono do gigante saiu de onde estava rapidamente pegou a galinha que cacarejou e a harpa fez um som estridente. O Gigante despertou. João correu com a galinha embaixo do braça e a harpa na outra mão.  O gigante correu atrás dele. João chegou primeiro ao tronco do pé de feijão e deslizou pelos ramos. Quando estava chegando ao chão gritou para sua mãe que o esperava: Mamãe vá buscar o machado, tem um gigante atrás de mim! João cortou o tronco que caiu com um estrondo. Foi o fim do Gigante.

- Todas as manhãs a galinha põe ovos de ouro e a harpa toca para João e sua mãe, que viveram felizes para sempre e nunca mais sentiram fome.

                      A Akela olhou para os lobos, agora desperta e disse: - Lobinhos como moral da história devemos acreditar que sempre nossos sonhos podem resolver nossos problemas se tivermos vontade de fazê-los realizar. João acreditou e mesmo fazendo tudo ao contrário hoje eles tem renda e não passam mais fome. Mas cuidado toda história são histórias. Não vão vocês subir em pé de feijão que aparecer na frente, podem se dar mal!
- A Alcateia caiu na gargalhada e todos foram dormir para alívio da Akela!

domingo, 5 de maio de 2019

Lendas escoteiras. Viver por viver...




Lendas escoteiras.
Viver por viver...

Prólogo: - “Você já se perguntou o que marca o nosso tempo aqui? Se uma vida pode realmente ter um impacto no mundo? Ou se as escolhas que fazemos importam? Eu acredito que sim e acredito que um homem pode mudar muitas vidas para o melhor, ou para o pior.”.

                      Ela ficava por horas sentada no banco da praça, pintado de azul com propaganda da Perfumaria Delmarche. Nunca soube se era para ver o por do sol na Montanha do Cisne ou se era para se isolar do mundo que podia não gostar. Olhava para ela e ela não olhava para mim. Quase não mexia os olhos sempre abertos como a fitar um infinito perdido em sua mente. Seu nome eu sabia. Ouvi alguém chamá-la Soninha. Todas as vezes que terminava a reunião dos escoteiros eu corria para a praça e ficava junto da figueira onde tinha vista perfeita para olhar para ela a montanha do Cisne e o por do sol. Vez ou outra saia do lugar e passava em sua frente, mas ela não me olhava. Não sabia que eu existia.

                      Quando a noite chegava, uma senhora distinta pegava em sua mão e ambas iam embora rumo a Rua da Flor Vermelha. Um dia eu fui atrás e vi ambas entrarem em um casarão que todos sabiam pertencer ao Barão Von Friedrich já falecido. Pensei que a Mansão estava vazia e que não morava ninguém. Ia sempre à praça nos dias de semana para ver se ela estava lá. Não. Só aos sábados. Não sabia quando chegava, pois minha reunião escoteira sempre iniciava as duas e quando passava na praça ela ainda não tinha chegado. Eu me perguntava o que sentia por ela, mas nos meus catorze anos não sabia. Amor? Amizade? Atração? Não tinha a menor ideia.

                      Quando fiz a promessa, me esmerei por fardar na melhor apresentação que um escoteiro sonha ser. Foi um dia marcante, quase chorei. Fiz questão de ir até a praça de uniforme e passar em frente a ela para ver se chamava sua atenção. Notei com surpresa que ela me acompanhou com os olhos e mais nada. Ela sempre vestida com uma saia plissada bege, uma blusa de gola verde e sempre um pequeno gorro azul na cabeça. Usava uma meia branca três quarto e uma sandália azul sem adorno. Dificilmente há via com outra vestimenta. Nunca ouvi sua voz, seu sorriso, ou mesmo seu cantar. Ela parecia não ver o mundo ou não se interessava por ele.

                        Por anos tentei averiguar quem era de onde veio qual família e nada consegui. Cheguei a ficar horas observado o casarão, mas ele parecia destoar de outros que tinha vida e sorrisos nas portas e janelas. Até as flores não eram belas e mesmo bem cuidadas não davam o “it” que se esperava em um jardim como aquele. Parecia um casarão fora do nosso mundo, existente em outra dimensão que só eu via e mais ninguém. Porque insistia? Porque continuar aquela procura do nada que não iria encontrar? Anos olhando para ela, anos vendo o tempo passar como se ele não tivesse passado e ela sem ao menos sorrir para mim.

                       Quando partia para meus acampamentos, excursões e ou atividades aventureiras eu me perdia em sonhos de não vê-la nos radiantes dias de sol dos sábados em que ela estaria lá e eu não. Um dia resolvi sentar ao seu lado e abruptamente me sentei. Ela nem pestanejou. Fiquei ali ao lado dela até a senhora distinta vir buscá-la. Noutro dia tremendo peguei na sua mão. Ela parecia não se importar. Olhei sua face corada, sua tez macia e seus olhos negros que não diziam nada. Meu coração bateu forte e agora eu sabia que a amava e a queria para sempre.

                      Um pequeno escoteiro crescido, entrando nos seus dezessete anos poderia ter esta ilusão? Por quem? A senhora distinta chegou para levá-la. Interpelei. Ela me olhou bondosamente. – Soninha escoteiro é autista disse. E nada mais falou levando-a pela mão. Meu coração disparou. Batia como se fosse um machado do lenhador a cortar uma arvore em uma floresta imensa. Autista? Não sabia o que era. Na biblioteca encontrei: - Uma pessoa voltada para si mesmo, não estabelece contato visual e nem com o ambiente. Algumas falam outras não. Li mais e mais e chorei. Porque chorava? Por ser um sonho irrealizável?
                   
                       Passaram-se muitos anos. Anos demais que me deixaram com sonhos inacabados. Ela partiu, nem sei para onde. Escoteiro eu era e escoteiro ainda sou. Ainda piso em trilhas, estradas fazendo caminhos nas matas por onde passei. Zanzando por aí pensamento voltado para o passado à procura de alguém que nunca mais encontrei. A cidade para mim perdeu o luar, o sol, as estrelas e ficaram meus sonhos impossíveis. Passei parte da vida acampando na Montanha do Cisne. Quem sabe lá eu a encontraria? Um dia o banco azul da praça escrito Perfumaria Delmarche foi pintado de verde. Alguém escreveu em vermelho – “Viver por viver, sonhar jamais”! Uma história sem começo e sem fim.

“E como diz o poeta, não acrescente dias a sua vida, mas vida aos seus dias”.

sábado, 4 de maio de 2019

Lendas Escoteiras. As nuvens de Outono.




Lendas Escoteiras.
As nuvens de Outono.

Prefácio: - 'Não esqueça... A sua história é você quem faz. Só depende de você. Na vida não importa como somos, o que vale é que alguém nos aprecie e nos aceite, amando-nos incondicionalmente! – Mais uma historia escoteira que foi escrita para você lembrar que a vida continua, aconteça o que acontecer.

               Posso te ajudar meu Filho? – Me ajudar? Olhei para o Padre sem nada dizer. Nem sei por que entrei na igreja naquela tarde de outono modorrenta de um mês de agosto cujo ano nem me lembrava. Estava desanimado, apático, sonolento e forçando meu pensamento a procurar no passado quem era eu. – O Padre repetiu: - Filho, esta é a casa de Deus. Quem sabe se eu não puder Ele pode te ajudar? Senti-me indiferente com suas palavras. – Ele me deixou sozinho. Quieto no último banco pensei em orar, mas não sabia como. Tristonho, querendo saber quem eu era e o que estava fazendo ali. Vi que estava sobre a Nave, bem na ala central onde a maioria dos fieis se reúnem, mas vazio naquela hora. Porque não disse para ele que estava tentando lembrar e nem sabia quem era eu? No lado direito vi uma imagem da Virgem Maria. Levantei-me e fui até lá, pois alguma coisa me dizia que ela sim poderia me ajudar.

                    Ajoelhei-me a sua frente. Meu corpo tremeu e senti que a vida é como o brilho de um relâmpago no céu. Minhas memorias tinham sido levadas por uma torrente montanha abaixo. Pensei em sair dali, mas ir para onde? Uma luz ascendeu a minha frente e ouvi sua voz repetindo o que já tinha me dito um dia: - Quero apenas cinco coisas... Primeiro é o amor sem fim, à segunda é ver o outono e a terceira é o grave inverno. Sua imagem surgiu em meu pensamento. Aurora! Quem seria? Uma doce namorada? Uma amiga? Alguém que repartia comigo sua vida? Ah! Nossa existência é transitória como as nuvens de outono. Não importa o nascimento da vida ou a morte irreversível que nunca nos deixará fugir. – Pai! Porque se foi? – Impossível! Aurora era do meu sangue. Minha irmã? Minha filha? Eu tinha de descobrir.

                   Um leve perfume de rosas vermelhas adentrou na igreja. Petulantemente olhei quem era. Uma menina moça de uniforme Escoteiro. Escoteiro? Como eu sabia? Já tinha sido um? Quando algo que você goste acabar, ou simplesmente ir embora, lembre-se que as folhas do outono não caem porque querem e sim porque é chegada a hora. Ela sentou ao meu lado, mas não me olhou. Parecia que falava comigo, pois num sussurro calmo a ouvi dizer: - Repara que o outono é mais uma estação da alma do que da natureza. – O que ela queria dizer? Seus olhos negros me fitaram: - Chefe! Está na hora de voltar! – Voltar? Para onde? – Ela se levantou e de novo me disse: Chefe é hora de voltar. De novo Aurora me apareceu e eu só via uma menina, pequena, sorrindo e nada dizia nada falava. Ouvi alguém sussurrando novamente: - “Porque de uma coisa a gente sabe, a vida é injusta e quem devia ficar sempre vai.”.

                      Lembrei que tinha um carro. Verde abacate. Devia estar em frente à igreja. Levantei e o padre veio me dizer adeus. – Vá devagar Chefe, não corra, a vida continua e tem alguém a lhe esperar! – Olhei para ele, sorriu e se foi sem me explicar porque disse aquilo. Vi meu carro embaixo de uma árvore. Dizem que uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiura, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada será sempre igual e por sinal nada existe realmente. Abri a porta, sentei, coloquei as mãos no volante e uma estrada me apareceu dizendo que era por ela que devia voltar. Do outro lado da rua a Escoteira sorria e me acenou. Parti a procura da estrada do meu retorno. Embalado por mãos invisíveis cheguei à outra cidade. A reconhecia, era a minha cidade. Muitos vieram à porta para me ver. Quem era eu? Quem poderia ser para ser tão aplaudido silenciosamente por muitos?

                     Parei em frente a uma casa. Uma casa simples, branca, janelas e portas azuis. Parecia ter sido pintada de novo. Quantas flores em volta mesmo sendo outono. Na varanda vi Aurora. Linda, uma menina tão linda que comecei a chorar. De alegria por ter retornado. Nunca devia ter partido. Meninos e meninas Escoteiras surgiram em todas as esquinas. Alguém falava alto para todos ouvirem. - Ele voltou! – O Chefe está de volta! Minha mente embaralhava. Aos poucos comecei a recordar. Saudades de novo entraram em meu coração. Olhei para o alto, Maria Rosa sorria. Era como uma nuvem de outono me acenando. Lembrei-me de tudo. Ela tinha partido. Doutor Donato chegou para tentar me acalmar. Só me disse com os olhos rasos d’água: “Chefe porque de uma coisa a gente sabe, a vida é injusta e quem ficar sempre vai”. A mulher da minha vida tinha partido me deixou sem dizer adeus. Um ataque fulminante. Uma jovem de vinte e dois anos partindo assim era para morrer em seguida.

                  Aurora correu a me abraçar. Uma coisinha pequena, linda demais. Escoteiros e Escoteiras me abraçando. Todos dizendo que eu fiz muita falta. Eu queria chorar, mas Maria Rosa na nuvem branca do céu disse que não. Disse que eu tinha de refazer minha vida. Olhei para Aurora ela me apontou: - É sua razão de viver. E completou: - Quando algo que goste acabar ou for embora se lembre das folhas de outono. Elas não caem porque querem e sim porque chegou a hora!

                   Na entrada da cidade vi o Padre acenando. Como ele chegou aqui? – Pai, nunca mais me deixe só! – Olhei para Aurora. Chorando a abracei com força e a beijei como se estivesse beijando alguém que fazia parte de minha vida para sempre. Os meninos e meninas Escoteiras gritavam palavra de ordem. – Ele voltou! Nosso Chefe chegou para nos dar o amor que sempre deu! Agradeci e entrei em casa. Era outra casa, quando parti era penumbra agora era luz, era vida, ali morava o amor!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Amélia.




Amélia.

Prólogo: - Parodiando Mell Glitter, eu digo a você que não tenho nada a esconder. Se você me condena este é meu jeito de ser, esta minha mania de transgredir e ir além entrego-me! Sou réu confesso quando se trata de assumir que ultrapasso limites e me divirto com isso... Na verdade, o que não sabem de mim, é pior do que o maior delito que me acusam! Amélia me entendeu melhor!

Amélia uma Pioneira que um dia foi lobinha, escoteira e Guia, sorrindo se acercou a mim e despachou a pergunta que não quer calar: - Chefe o que fazer quando alguém nos diz que precisamos mudar? – Olhei para ela com as sobrancelhas levantadas. O que seria? Sou um bom ouvinte. Não gosto de interromper. Sou como aquele que diz que o homem comum fala o sábio escuta e o tolo discute. – Ela sorriu levemente. – Continuei calado. Tossi. Olhei para ela. – Chefe não entendeu? Dizem que o escotismo hoje tem que se adaptar a pedagogia moderna. Sorri. Eu já conhecia tais sintomas de mudança. Afinal tem gente que gosta tanto de carnaval que vive o ano inteiro de máscara. – Vi que ela queria uma resposta. O que dizer? Afinal a educação é o que sobra depois que a gente esquece o que aprendeu na escola da vida. – Chefe e então? Precisamos ou não mudar? Olhei para ela espantado: - Amélia, você é ótima, acabou de me colocar numa saia justa. – Eu sabia que nenhuma pergunta é indiscreta. Algumas respostas é que costumam ser e eu não sabia o que responder.

Não podia deixa-la decepcionada. Quem quer arruma um jeito. Quem não quer arruma uma desculpa e este não sou eu. O tempo deixa perguntas mostra respostas, esclarece duvidas... O tempo infelizmente ou felizmente trás verdades. Pensei em Confúcio quando disse que os extremamentes sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam. Mas mudar o que? - Perguntei a ela. – Chefe o senhor é conhecido como um progressista do seu tempo. Quem o conheceu sabe que seu histórico ainda vive no passado, afinal o senhor é ou não um tradicionalista? Dizem que seu legado não foi posto em duvida, mas então, aceita mudar? Ela me pegou batendo o sino da meia noite na Igrejinha de São Domingos. Deus me livre de Kenedy que disse uma frase que nunca esqueci. – Se você agir sempre com dignidade, talvez não consiga mudar o mundo, mas será um canalha a menos. Um tema que sempre me tocou profundamente. Eu era daqueles que nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio. Eu era um tradicionalista que no passado foi chamado de conservador, burguês e reacionário.

Precisava dar uma resposta, qual? Nunca tive vergonha de corrigir meus erros e mudar de opinião, porque nunca me envergonhei de raciocinar e aprender. O Velho Churchill dizia sem nenhuma dúvida que não há mal nenhum em mudar de opinião, contanto que seja para melhor. E era para melhor o que os novos sábios faziam? Está dando certo? Kennedy no alto da sua sabedoria dizia se formos mudar as coisas de modo como devem ser mudadas, teremos de fazer coisas que não gostaríamos de fazer. A humanidade não era mais a mesma como no passado. Tudo vai se evoluindo, mas o escotismo precisava mudar pelas mãos de quem não viveu o passado? – Amélia as mudanças são benéficas desde que estejam dando certo. Eu posso mudar, eu posso viver da minha imaginação ao invés da minha memória. Se eu acreditar que este é o melhor caminho. – Eu adoraria dizer a você que tudo vai dar certo. Que o sucesso está ali próximo de cada um de nós. Não existem obstáculos intransponíveis, pois tudo que uma pessoa possa planejar é capaz também de realizar.

Ela sorriu e se foi. Eu fiquei a meditar. Não sabia se acreditava em minhas próprias palavras. Sempre fui um discípulo das ideias do Líder. Seu seguidor fiel. Adaptei-me a realidade dos novos tempos, mas francamente tinha enormes dúvidas do seu sucesso. Eu sabia que o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Parodiando Millôr Fernandes, meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas mudanças idiotas. Meu script é original, fui eu quem fiz baseado no escotismo que acredito e por isto não morro no fim!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Uma crônica do cotidiano. Se existem sonhos, a vida continua.




Uma crônica do cotidiano.
Se existem sonhos, a vida continua.

Prólogo: - As coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua... Em qualquer lugar! Uma pequena crônica simples, sem muitos trejeitos apenas para meditar!

                      Faço uma caminhada todos os dias. Tem alguns que não consigo. Falta o ar o cansaço chega e nestes dias passo a maior parte em minha varanda singela pensando no que fazer. Hoje comecei a divagar e me lembrei de um fato acontecido que gosto de lembrar. Uma manhã de sol... Lá fui eu na minha caminhada. Perto tem um Centro Esportivo muito arborizado. Gosto de lá. Não ando muito, máximo um quilômetro. Mais não aguento. Caminhava com prazer e alegria mesmo com meus passos trôpegos já que a idade não me deixava ir mais rápido. Uma pequena trilha. Percorro-a todos os dias. Outros também comparecem para correr e passam por mim voando como se tivessem asas. Sorrio... Quem dera pudesse fazer isto também. Corpo de Velho trôpego não ia aguentar mais.

                 Claudicando eu ia cantando velhas canções escoteiras, forçando o pulmão para aproveitar o ar da manhã, das árvores copadas que enchiam de perfume minha caminhada. Ah! Que saudades dos meus acampamentos! Tinha percorrido uns quinhentos metros. Meu corpo respondia aos passos. Um e dois, um e dois. Notei que emparelhou ao meu lado dois jovens. Ele e Ela. Dois frutos da nova mocidade que percorriam a mesma trilha que eu. Ele alto, forte sem camiseta para mostrar seu tórax e seus músculos fortes. Era um guapo rapaz. Ela nos seus quinze ou dezesseis anos, magrinha e pequena, mas sadia sorria ao lado do seu amado. – Ele virou para mim e disse: - Velho levante o corpo, aprume os ombros, ande feito homem! – Olhei para ele. Sorri. Não ia aceitar a provocação. – Ele continuou – Conheço muitos velhos como você que andam feito homem! – Ora, ora pensei. Será que não era homem? Mesmo assim continuei calado.

                    Sem pressa eu dava minha última volta. Eles ao meu lado. Eles já tinham passado por mim várias vezes enquanto eu em passos de tartaruga forçava para percorrer alguns metros. – Velho ele continuou: – Esqueça suas dores, suas doenças, vamos Velho levante os ombros, dê uma passada mais larga. Velho ande feito gente grande! Quantos iguais a você percorrem caminhos mais longos? Quantos ainda fazem questão de correr feito homem? – Eu olhei de novo para ele. Minha respiração começou a falhar. Diminui meus passos trôpegos. Meu ar tinha de ser dosado. Quando não me sinto bem ele reclama. De novo olhei para ele sem nada dizer Estava cansado. Muito. Para que responder a ele?

                      A jovenzinha o pegou pelo braço. - Vamos meu querido, disse. - Ainda temos mais de dez voltas a percorrer. Deixe o Velho em paz! Olhei para ela e senti que era uma alma boa. É fácil reconhecer onde existe a beleza no coração. – Ele rispidamente respondeu: - Paro quando quiser, corro quando quiser. Ela abaixou a cabeça submissa. Quem sabe o amor a obrigava a aceitar o que não queria. Meditei. Será que o futuro deles seria de amor para sempre? Não sei. Era melhor não comentar o futuro dos dois. Ele olhou para mim com ar de deboche – Velho, neste seu andar vais morrer logo. Parece como o meu pai. Sempre se entregando. Eu nunca serei assim, quando a minha velhice chegar não serei como você e meu pai. E o jovem partiu correndo. Ela correu atrás.

                 Logo desapareceram na curva do caminho. Continuei calado, sabia o que eu era e o que sou. Desejei a ambos muitas felicidades. Pedi a Deus que desse vida longa para o casal. Eu sabia que era um Velho. Um dia fui moço, corri mundo com meu chapéu de abas largas, com minha mochila escoteira, arvorei bandeiras por lugares nunca antes imaginado. Também me julgava imune à velhice. Mas ninguém escapa ao seu destino. Senti uma brisa leve e intermitente no rosto. Eu gostava. As brisas das manhãs sempre me bem. Era um santo remédio. Lembrei-me das grandes caminhadas que fiz. Das grandes aventuras que se foram. Acho que era por isto que eu insistia em andar para não me maldizer de tantas nicotinas que aspirei quando jovem.

                  Cheguei ao final da trilha. Tartaruga ambulante pensei comigo. Sorri para mim mesmo ao pensar assim. Sentei em um banco a beira da trilha. Gostava de ficar ali, vez ou outra passarinhos voavam baixo chilreando enviando mensagem de amor. Quantos dias mais eu ainda iria caminhar? Minha amada trilha era agora percorrida por jovem amantes sonhadores que acreditam nunca serão velhos como eu. Ah! Aventureiros que se foram. Gota de orvalho sumindo no meu passado. A vida continua. Será que os verei novamente? Não são escoteiros disto tinha certeza. Não sei e isto não importa.

                         Não desejava nada ruim para eles. Eram hoje guapos jovens. Não sei se gostariam de ouvir alguém dizendo no futuro para empinar os ombros, andar ereto e não ser um velho inútil. – Deixe a vida me levar e a deles também. Que minhas caminhadas pudessem ser realizadas por muito e muito tempo. Sentado no banco em um caminho arborizado, eu não sei se enganava a mim próprio. Procurava manter meu corpo firme mesmo sabendo que o tempo não perdoava a idade. Acredito que sou um velho feliz. Deus está comigo, ela também e mesmo com suas dores me dá o que preciso para continuar. Não quero terminar meus dias em uma cama ou em um Pronto Socorro a quem chamo de Purgatório.

                          Amanhã estarei de volta às trilhas do meu bem querer. Farei quantas caminhadas conseguir. Sorrirei para quantos jovens passar por mim. Devagar me lembrei do lindo versinho que sempre me vem à memória: – “Antes de correr, aprenda a andar. – “Tudo na vida tem sua hora, seu lugar”. Tartarugas também chegam Lá!”. É meus amigos, se existem sonhos nos sabemos e também a certeza que a “vida continua”!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O céu mandou alguém. Uma história, uma lenda escoteira.




O céu mandou alguém.
Uma história, uma lenda escoteira.

Prólogo: - Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa! “Todo o sentido da vida principia à vossa porta; o mel do amor cristaliza seu perfume em vossa rosa; sois o sonho e sois a audácia, calúnia, fúria, derrota”. (Cecília Meireles).

                       Rosa não tirava por um segundo seu olhar para o Canteiro de Flores. Foi ela quem plantou que regou e quem tinha o privilegio de sentir o perfume que elas exalavam. Eram Rosas, Begônias, Gardênias, Jasmim e Camélias. Cada uma mais linda que a outra. Se não fosse Geraldo ela não teria conseguido. Foi ele quem trouxe as sementes e a terra. – Onde ele está? Havia dois meses que não a visitava. Não demonstrava, mas sentia falta dele, pois todo o segundo domingo do mês era o único que a visitava. Sentava ao seu lado e ambos de olhos baixos calados ficavam ali como se só o pensamento transmitisse todas as palavras que queriam dizer. Olhou para o horizonte e viu que o sol iria em breve se esconder nas montanhas distantes. O aroma adocicado das Camélias ajudava nas suas lembranças que varriam sua mente a procura de detalhes para que nunca fosse esquecido quando tudo fosse escrito no livro do tempo. Livro do tempo? Foi Don Antonio quem disse quando confessou pela última vez. - Ele existe sim, Rosa!

                    Quanto tempo? Dezenas... Nunca esqueceu aquele dia que sua mãe a levou aos escoteiros. Reservada, pois sempre se mostrava ingênua e acanhada se escondeu atrás dela com vergonha do Chefe Escoteiro. Não foi ela quem pediu para entrar, mas uma amiga de sua mãe insistiu. As patrulhas femininas brincaram com ela, até puseram um nome que ela teve que procurar no dicionário: - “Pudica”. Nunca disse a ninguém, mas sua vida tinha dois destinos. O antes e o depois de ser escoteira. Obedecia às ordens emanadas da Chefe e da Monitora sem pestanejar. Morreu de vergonha quando promessou a bandeira e a pátria pela primeira vez. Não era convidada para festinhas, aniversários, pois se sentia uma intrusa e quando foi em uma se escondeu no banheiro por horas. Quem sabe Sigmund Freud poderia explicar melhor aquela menina escoteira que amava o que fazia e não dizia a ninguém.

                    Nunca fora convidada para nada na patrulha. Ajudava sim, fazia faxina, lavava as bandeiras, o forro da mesa, e aprendeu com Geraldo um Escoteiro da Tropa Masculina a achar o ponto certo do fio de uma ferramenta cortante, afiar e olear. Gostava disto. Ninguém nunca a elogiou por isto. Ela nunca se perguntou se era importante seu gesto e seus afazeres na patrulha e na Tropa. Ela nem sabia se era observada pela sua Chefe Maria Joana. Sabia que era olhada com simpatia e amizade. Quanto mais tempo amava sua patrulha mais calada ficava. Um paradoxo. Quando Guia tentou ser igual as demais e não conseguiu. Mesmo com sua modéstia fragilizada pelas companheiras de patrulha não saiu. Perseverante continuou até quando da idade pioneira... Mas não foi uma. A Bagheera Isabel a convidou para ser uma assistente de lobinhos. Entre sair e ficar decidiu ser uma loba da Alcatéia de Seeonee mesmo com seus dezenove anos incompletos.

                            Olhando o portão que não se abria, pensando que Geraldo poderia aparecer e suas lembranças não se apagavam da mente. Não casou. Nunca ninguém a convidou para casar. Mas como? Se ela não se enturmava como achar um Principe Escoteiro Encantado? – Geraldo era o único que a fazia sorrir. Durante o tempo que ficavam juntos ele contava piadas sem malícia e ela sorria sem gargalhar. Uma vez ou outra ele a visitava em sua casa. Sua mãe nunca disse não. Quando ela morreu foi Geraldo que a acompanhou até o Campo Santo e a abraçou. Ela não chorou nem ele. Não falaram uma palavra desde então. Foram anos ele a visitando e calados olhavam para a Serra do Sol como se ali fosse ser a morada divina da vida eterna. Ficou no escotismo até os setenta e seis anos quando caiu em um acampamento feito uma abóbora quebrando a perna um braço sem contar duas costelas.

                          O Chefe Morel foi quem sugeriu que ela fosse viver seus últimos dias em uma casa de repouso. O Grupo Escoteiro pagaria a diferença da mensalidade já que ela recebia pequena pensão de sua mãe que não era lá estas coisas. Entre ficar sozinha ou em companhia de alguém ela aceitou o convite. Nos primeiros meses sempre recebia visitas dos escoteiros. Ficavam pouco tempo e diziam que um dia iria voltar. Um dia não voltaram mais. Ela não ficou esquecida, pois Geraldo todo segundo domingo do mês a visitava até que um dia não apareceu mais. Os monitores da casa de Repouso estranharam quando ela começou a conversar com as flores. Chegou ao ponto de cantar canções Escoteiras como se as flores dessem retorno. As demais internas faziam rodas só para a verem cantar.

                         Sem dizer nada e sem comentar um dia se calou novamente. Sentada no banco de madeira suas lembranças tomavam forma. Agora estava no Vale do Rabino com a patrulha a explorar uma nascente de águas cristalinas. Suas andanças voavam no tempo, sorriu ao retornar a Serra do Sino quando a chuva torrencial as pegou em cheio. Os raios pipocavam no ar com trovões retumbantes. Mas ela sabia que o sol ia voltar. Ele sempre volta. Viu-se recebendo a segunda Classe naquele fogo de conselho nas Terras de Gibraltar. A promessa bateu em cheio em sua memória... Prometo pela minha honra... Fechou os olhos e viu Geraldo chegando em uma nuvem branca dizendo: - Venha vou levar você para onde será o Nosso Lar. Ela na sua timidez lhe deu a mão e subiram pela nuvem até uma estrela brilhante no céu.

                       Os monitores da instituição viram quando ela caiu do banco. Correram para socorrê-la. Era tarde demais. Ela tinha partido para uma nova vida. Não sei se o Grupo Escoteiro ainda sente sua falta ou se algum dia valorizou tudo que ela fez e colaborou. Nunca recebeu um elogio uma medalha ou mesmo um abraço. Culpa de quem? Da vida, ela é assim mesmo. Cecília Meireles é quem dizia: - Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa! “Todo o sentido da vida principia à vossa porta; o mel do amor cristaliza seu perfume em vossa rosa; sois o sonho e sois a audácia, calúnia, fúria, derrota...”.

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras. Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia....