Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...


Prefácio.
Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

                         Bem vindo a este Blog das mais belas Histórias Escoteiras. Já são milhares delas mostrando como é linda a vida escoteira, suas histórias, suas aventuras e tenho certeza que sendo Escoteiro irá gostar. É bom demais contar histórias. Qualquer uma, seja escoteira ou não. Quantas eu contei ou escrevi? Milhares talvez! Mesmo com minha velhice rabugenta e meu pulmão revoltado não paro de escrever. Aprendi a contar quando em um fogo de conselho qualquer a escoteirada ou a lobada me pedindo uma história com aquele olhar enigmático, olhares incrédulos e outros que se transportavam para dentro do contexto querendo viver toda a história contada. Todo contador de histórias se sente feliz ao ter tantos bons ouvintes.

                         Uma história de fantasma, em uma floresta escura era sucesso absoluto. Um Fogo de Conselho se apagando e você fazendo gesticulando, como se os fantasmas estivessem ali marcavam cada um dos ouvintes Badenianos. Bom demais. E o susto do grito de horror no final? Masoquista Chefe? Não, depende da história. Se ela tem um fundo de exemplos pode contar. Tem seu valor.  “Não há quem resista a boas histórias” escoteiras ou não. Nas páginas dos livros, dos jornais e das revistas, na tela do computador e na televisão, narradas ao pé do ouvido ou transmitidas pelo rádio... Seja lá onde for elas encantam, amedrontam, fazem rir ou chorar, assustam e são capazes de levar ainda que em pensamento há lugares nunca antes imaginados.

                     Não tem quem não se emociona ao contar uma historia e ter ouvintes hipnotizados com a narrativa. Tem chefes que adoram. Quando Chefe de Tropa e Alcatéia adorava contar. Em cursos que dirigi contei muitas. E quem resiste a uma história bem contada ao pé do fogo? Vendo o crepitar da fogueira, olhando as fagulhas que se espalham no céu, e como um lobinho feliz abre os olhos e ouvidos para ouvir e viajar na história do Chefe? A mente está ali fixa no conto, que vai desenrolar uma aventura e ele parte célere junto à história com as personagens. Ele se transforma, é um herói, um explorador, um grande acampador dos seus sonhos inimagináveis.

                     Bom saber que veio a procura de boas histórias. Faço questão que em todas elas a Lei e a Promessa tenha seu lugar. Mas chega de conversa. Fique a vontade. Escolha uma e entre nos sonhos das mais belas histórias Escoteiras.


Sempre Alerta!  

Thiago. O último nascer do sol.



Thiago.
O último nascer do sol.

                    Perdi um sol e ganhei experiência. O que vale mais dormir ou ver um sol despontando na invernada, o cantar da passarada, será mais uma maravilha da natureza? Tempos... Muitos. – Meu Chefe sorrindo me disse: Thiago Escoteiro, na virada desta noite, quando chegar à madrugada vai haver o mais lindo amanhecer com um nascer de sol para nunca mais esquecer. Olhei para ele de banda.  Sabia do meu ofício em fazer sacrifício para ver um sol e uma lua brilhando no firmamento, onde se pode pegar no pensamento.

                    Tinha de tomar posição, fazer arrumação, mochila agua no cantil e partir sem mais pensar. Meu Chefe sabia que eu amava a natureza, amava o sol a lua, o anoitecer e o amanhecer. Amava a passarada e a floresta quando começava a chover. Sei que o nascimento do sol é um dos espetáculos mais fabulosos da terra. É magnifico a aurora se abrindo em todo seu esplendor de cores, para dar a luz a um novo dia que vai surgir. Corri feito o vento a cata de companheiro, um bom escoteiro para me fazer companhia. Todos compromissados. Era eu sozinho e mais ninguém.

                    Montei no meu cavalo de aço quando a meia noite se foi. Parti feito um condenado ao pico difícil de ser alcançado. Enquanto pedalava nas campinas, sabia que logo ia chegar às colinas. Pensando na minha viagem me lembrei de um poema que li e não escrevi. – “Quem quiser plantar saudade, trate de escaldar a semente. Plante no solo bem duro, onde o sol seja mais quente. Pois se plantar no molhado, ela cresce e mata a gente”!

                  No fundo do bornal tinha biscoito, doce de paçoca e um belo pedaço de bolo. Me deu vontade de comer... Agora não. Precisava de chegar. No pé da montanha escondi meu cavalo de aço e parti. Três horas de escalada, e eis que suando as bicas, resfolegando demais procurei o ar da montanha, eu chegava no lugar. Sentei admirando a paisagem, linda demais com as estrelas, uma lua enluarada, e sozinho com meu Deus, fiquei aguardando o alvorecer.

                Encostado num troco fofo, com sono e meio balofo, tentei nem cochilar. Meu Chefe afirmou que só daqui a dez anos, poderei de novo ver este sol nascer. É lindo a madrugada, ventinhos gelados ao sul, orvalho intempestivo, brisa gostosa a soprar. Meia dúzia de vagalumes piscavam mostrando ser donos do lugar. Fiquei de pé num estalo, o sono me veio a badalo. Eu não podia dormir. Me lembrei de um provérbio árabe que dizia: - A hora mais escura do dia vem antes do sol nascer!

                Não teve jeito, duas da matina três quatro e dormi. No chão acabrunhado, acordei sobressaltado, minha mochila ao meu lado, e vi que o sol me queimava, me acordando reclamando: - Pô Escoteiro, tu perdeu. Uma oportunidade perdida, pois não vou nascer mais para você. O meu espetáculo se foi. Volte daqui a dez anos escoteiro, desta vez o espetáculo foi só meu!

Nota – Quando fizer algo e ninguém perceber não fique triste. O sol quando nasce faz o maior espetáculo do mundo e nem todos estão acordados para poder ver! Apenas um conto, sem muita pretensão de ser o melhor!



sábado, 17 de fevereiro de 2018

Em volta da fogueira. Na trilha do tempo.



Em volta da fogueira.
Na trilha do tempo.

                    Era um velho amigo que ficou perdido no tempo. Nem sei por que nos cumprimentamos tão efusivamente. Foi um reencontro despretensioso uma rápida conversa menos convencional. – Olá Chefe! – Como vai? - O olhei de soslaio. Eu me lembrava de tudo que fez e das mágoas que deixou. Pensando bem são cicatrizes benignas feitas por pessoas que, usufruindo de uma fraternidade deixaram uma intersecção de uma história que seria melhor apagar.

                   Ele apertou minha mão. - Ainda com ressentimentos? Disse. – Olhei para ele e permaneci calado. – Um pedido de desculpas, um abraço e uma lágrima poderiam ser considerados como um retorno para um perdão? – Chefe desde aquele dia vou sobrevivendo a cada dia, com tombos e tropeços em meio à ventania que me aconteceu. Tento vencer os desafios, mas a dor é maior que aceitar o que fiz e me manter de pé a cada folha que caiu...

                   Não disse nada só o abracei. Choramos juntos as desventuras de um desentendimento que nem deveria ter existido. – Chefe eu não conheço todas as flores, mas vou colher uma por uma e mandar ao senhor todas que eu puder. – É o tempo cura cicatrizes. A velha amizade sincera voltou. O espaço e o tempo estão interligados. Não podemos olhar para o espaço à frente sem olhar para trás no tempo...

                  Eu sabia que não adiantaria falar sobre o ontem, porque então eu era uma pessoa diferente do que sou hoje. Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente. O abraço fez do tempo um pedaço de bem querer. Lentos os dias que se acumulam. Como vão longe os tempos de outrora... Agora bons amigos que sabiam que a saudade voltou em belos momentos cheio de felicidade! Apenas o perdão redime, e as mágoas ficam perdidas no tempo!

Nota - “Essa lembrança que nos vem às vezes... folha súbita que tomba abrindo na memória a flor silenciosa de mil e uma pétalas concêntricas... Essa lembrança... Mas de onde? de quem? Essa lembrança talvez nem seja nossa, mas de alguém que, pensando em nós, só possa mandar um eco do seu pensamento nessa mensagem pelos céus perdida... Ai! Tão perdida que nem se possa saber mais de quem!” (Mario Quintana).

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Camélia.



Camélia.

                   Olhei para ela e não acreditei no que via. Era ela disto tinha certeza. Mas estava tão diferente, mais velha, magra com manchas no rosto e seu sorriso de tanta magia nem era sombras do passado. Pensei em abordá-la, cumprimentá-la e quem sabe abraçá-la para dizer que era eu, seu monitor. Quem sabe dar a ela um sorriso e dizer àquela palavra que ela amava e gostava de dizer: - Oi! Sou eu! Escoteira Camélia das campinas, não me reconheceu?

                   – Ela nem me olhou passou direto com andar vacilante, como se estivesse perdida errante caminhando por uma trilha que nunca passou. Porque isto? Porque o destino desconhece o que pensamos ser? Lembrei-me de um dia que me disse: - Mano Monitor, o que for teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão meus atos. O que forem teus atos, assim será o teu e o meu destino...

                  Quando ela chegou, na Patrulha não houve festa. Foi recebida com alegria. Nunca tiveram uma menina como patrulheira do Tigre. Lembro-me bem que por causa dela fizeram uma reunião especial. Todos a olhavam e ela sabia ser admirada. Não era pedante nem esnobe. Parecia àquela flor que se colhe no campo e ao chegar ela estava mais bonita. Aprendemos a tirar o chapéu em sua homenagem. Aprendemos a cantar “Amigos para Sempre”.

                  Era fato, ela irradiava no seu interior de maneira inteligente e menos farsesca, pois era como chegar ao fim de uma jornada, beber água da fonte e sentir o frescor de uma tarde, mormente enluarada. Nunca vi sua mãe seu pai e quer saber? Nem sabia onde morava. Torcia para chegar os sábados, para revê-la, ouvir sua voz suas palavras...

                  Enquanto patrulheira do Tigre nenhum de nós atrasava. Havia como se fosse uma disputa ser o primeiro a chegar. Ela com seu sorriso maroto nos acampamentos dizia: - Escoteirada, deixa que eu me sirva, deixe em fazer também. Não sou princesa nem rainha e mesmo sabendo que me querem bem, preciso caminhar para aprender a não cair. Não era um peso morto, mesmo com sua beleza e formosura.

                Ficávamos tristonhos por ver suas mãos macias em bolhas de sangue ao usar o facão e deixar marcas caludas e enormes. E ela? Sorrindo dizia para nós: Marcas de um trabalho honesto. Certa vez disse-me que queria ser Lis de Ouro. Sorriu dizendo que ia conseguir. Destino incerto e não sabido. Eu sabia que da vida mesmo sonhando nem sempre se consegue o que quer. Ela teve tudo que almejou, mas seu Liz de Ouro ficou perdido em um sonho que não se realizou. Pensei que aquela conquista nunca a faria feliz.

                  Um dia não apareceu. Ficamos surpresos porque não dizer perplexos e eu atônito não sabia o que dizer ou fazer. Parecia que a patrulha tinha perdido seu rumo seu caminho, sua trilha e não sabia mais aonde ir ou chegar. Apoite teu barco monitor, se não vai ficar a deriva no mar traiçoeiro... E eu fiquei. Um mês dois três e ela nunca mais voltou. Aos poucos a patrulha foi voltando ao normal. Mesmo assim as lembranças eram doídas demais.

                  Patrulheiros mercantes a zumbir suas barracas nos montes errantes em acampamentos tristes que o cantar, o som de uma viola não existia mais. E eis que cinco anos depois, já Pioneiro, avante Escoteiro de outras eras a vejo sair de um ambulatório perdido em um bairro tristonho e ela passa por mim sem ao menos dizer olá! Quando me dei conta tomei a decisão de abordá-la, ela sumiu nas curvas da Rua dos Perdidos e não há vi nunca mais...

                  Menina escoteira onde escondeste tua formosura e personalidade? Eu quero morar na sua rua, me diga o número de sua morada, pois você deixou saudades... Mudei de rumo e segui o meu destino. Cada um tem o seu. Camélia era agora uma sombra do passado. Fui para casa tentando arrumar as lembranças para que ficassem somente às boas e as ruins deixei guardadas em um canto da mente.

                  São rosas, taças e lábios vermelhos, brinquedos que o tempo estraga... Estudo, meditação Escoteiros... Cinzas que o tempo espalha... Eu aprendi que quando sentir saudades de alguém que já partiu e nunca mais voltará, não devemos nos revoltar. Apenas recordar os bons momentos que ficaram presos no passado e fazer dele uma lembrança gostosa... Apenas para recordar...



Nota - De que são feitos os dias? De pequenos desejos, vagarosas saudades... Silenciosas lembranças... Olha meu amigo, a rosa estremece ao sopro do vento, uma pássaro entoa um hino, uma nuvem paira. Bebe a água da fonte e esquece o vento, ele vai sim ressecar a rosa e depois... E depois levar a nuvem refrescante e o canto do rouxinol... Esquece... Ela nunca mais vai voltar!

Lendas escoteiras. Escafederam com Don Pedrito no cargo de prefeito. Culpa? Os escoteiros!


Lendas escoteiras.
Escafederam com Don Pedrito no cargo de prefeito. Culpa? Os escoteiros!

                  Linguarudo me contou na Barbearia Tapioca. Era lá que se contavam fofocas. – Como foi? Perguntei! – Com uma fileira de dentes cariados, mal tratados ele deu um sorriso mocho. – A culpa foi dele! Queria ser o maioral dizia ser o tal e não deu vez aos escoteiros. Os vereadores puxa-sacos não deram colher de chá. Não deu outra. Cassaram o mandado do Cabrito, isto é de Dom Pedrito.

                   As faladeiras Dona Malvina e Dona Sinhá Marina metiam o pau no prefeito: A besta deve estar cego, manda ele pru caixa prego! Deu 18 votos a favor da cassação, um contra e uma abstenção. Don Pedrito esperneou, traidores! Bico Doce seu advogado reclamou na Corte Suprema e não teve meu pé me dói. Pé no traseiro do prefeito, bem feito por não ajudar a formar o Grupo de escoteiros.

                   Foi no sábado de Aleluia, velhos na praça do arrebol, crianças jogando pelada, outros soltando papagaios, moleques quebrando vidraças e fazendo arruaças. As fofoqueiras davam conta do riscado com as vizinhas do pedaço. Os homens bebiam pinga no Bar do Zebedeu. Alguns vereadores no Paço Municipal de Jaboticabal, cidade pacata, todo mundo sabia da vida de todo mundo, mas nunca houve um roubo, uma morte a não ser por morte morrida e nunca matada.

                 Eis que adentraram na cidade sete escoteiros a toda velocidade nas suas bicicletas embandeiradas. Frearam bonito na Praça Don Cabrito. A meninada largou o que fazia e ficou em volta admirando. Nossa que gente bacana! Chapelões, cinto de couro com fivela de ouro, meias de futebol, calça curta, um lenço vermelho no pescoço preso por um arganel com desenho de ouro. Era bacana demais. Mochilas amarrada no bagajeiro, e no guidom a Bandeira do Brasil.

                    O que era Monitor o mais velho falou: - Aqui é Jaboticabal? A meninada engasgada disse siiiim! Outros escoteiros já chegaram? A meninada engasgada disse nãaao! Tem um campinho para a gente acampar? Ai foi à conta, o campinho era de Don Pedrito e ele não arredou pé. No meu campo não. Se eles quiserem acampar que seja no barreiro ou no meio do inferno! A meninada gritou, chamaram mamãe e papai que vieram correndo depressa demais.

                    - Porque não prefeito, disseram! – Porque não quero aqui quem manda sou eu! Gentil Salgado foi correndo procurar Joaquim Leitão dono da Padaria Chimarrão. Ele tinha um terreno arborizado, uma nascente e tudo gramado. - Acampem a vontade ele disse! Mas não se esqueçam de mim nas próximas eleições! Dito e feito, a escoteirada foi para lá, barracas em pé, fogão no chão, até dona Maria Tereza ficou de pronto chulé, sentindo o cheiro do café!

                    À tardinha uma revoada de escoteiros. Seis patrulhas pedalando, chegando, armando mais barracas no campo do seu Leitão. Todos se abraçavam, uma alegria tremenda, cantando canções ligeiras, e um tal de Rataplã! A fogueira afastou o frio do vento sul que soprava. A meninada em volta. Olhos arregalados! Gente que coisa bonita! Se eles são aventureiros eu também quero ser! À noite fizeram um Tal Fogo de Conselho. Brincaram de Chiquito Pedrosa o contador de histórias e piadas do lugar. Fizeram mil brincadeiras, na fogueira só zoeira.

                Convidaram todo mundo. Mãos entrelaçadas meus amigos, agora vamos cantar. Eita! Bonito demais, até dona Malvina Bisbilhoteira e Dona Sinhá Lavadeira se puseram a chorar.  O Chefe deles, um menino afeiçoado, falou alto para a meninada ouvir. Amanhã é o último dia que ficaremos aqui. Pela manhã estão todos convidados, haverá jogos, canções e treinamento. Quem quiser ser aventureiro amanhã será um Escoteiro! Basta querer participar!

                  Gente foi “inté” bom demais. Mais de duzentos moleques correndo, fazendo patrulhas, brincando de esconde, esconde. O povo de olho arregalado olhava arrepiados aquela alegria sem fim. Era um tal de Lobo, lobo, Leão Touro e Jabuti, um gritava aqui e outro ali. Aprenderam a fazer nó de frade, nó de pescador e nó da calamidade! Meu Deus quantos nós! Outros aprendiam semáforas, Morse, Passo Escoteiro e alguns a mapear estradas e procurando estrelas no céu para se orientar. Brincaram de olho cego, da Ilha do Tesouro, briga de galo e o escambal.

                   Foi Mosquito e Joelho Bichado, dois meninos muito calados que gritaram! Eu quero ser Escoteiro! E agora José? Os meninos escoteiros com seus chapelões mateiros se foram, disseram que um dia iam voltar. Uma comissão foi formada. - Don Pedrito! Vamos os escoteiros organizar! – Nem necas, o prefeito nem se mexe escolha outro nesta eu não me embalo. A meninada na porta da prefeitura chorava. Urra, urra que este prefeito de araque suma de Jaboticabal. Ninguém merece ter defeito, e nesta besta do prefeito aqui eu não voto nunca mais.

                Joaquim Leitão da Padaria prometeu ajudar. – Organizo o grupo, vou ser o Chefe do grupo e votem em mim para prefeito do lugar. Dito e feito, o prefeito se escafedeu. Nem mesmo o Zebedeu que gostava de uma lambança o ajudou na mudança. Joaquim Leitão foi eleito, de uniforme Escoteiro foi empossado prefeito, as patrulhas deram o grito em ovação ao novo Chefe Leitão e que fundou a associação. Linguarudo sorria de leve, olhando meus cabelos cor de neve, dizia: - No dia da inauguração, escoteiros do Brasil chegaram de todo lugar.

                Disseram-me que eram mil outros cinco mil, sei lá para mim não importava, mas a festança foi demais. Depois de todos promessados, uniformizados, um churrasco foi realizado, vinte bois, duzentos cabritos, leitões chegavam de todo lugar. Na fazenda Galinhada os galos jogavam praga, pois ficaram sem nenhuma galinha para namorar. Até Dom Casmurro o Bispo de Montreal, que estava se preparando para ser um cardeal veio à festa prestigiar.

                Eu de matuto não sou bobo, olhei Linguarudo de novo, e pensei: - Logo na hora da sesta esse cara quer me fazer de besta! Ele desconfiado me apontou a Rua Pelanca, e disse sem muita tranca: - Foi dali que eles dominaram o lugar. E não é que logo em seguida, de cada casa de cada ermida, surgiam jovens meninos, de uniforme e calça curta, um caqui e seu meião, um lenço e um chapelão, corriam daqui para ali dizendo: Vamos todos! É hora da reunião!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Em volta da fogueira... “Adios” Francisco.



Em volta da fogueira...
“Adios” Francisco.

                      As areias viajam nas asas do vento... Ele via sua vida se acabando na ampulheta do tempo... Seu mundo se esmoronava. Seriam poucos meses ou quem sabe algumas semanas para manter a chama da vida acesa. Doutora Sissi com olhos tristes dizia para ele: Não tem volta Antônio. Tentei tudo, mas o câncer não perdoa. - Doença cruel que o fazia morrer devagar e sofrido. A quimioterapia era um suplicio. Cada sessão pedia a Deus que o levasse. Não estava aguentando mais. Chegou a pensar em tirar a vida antes de Morrer do Diretor Ângelo. Foi apenas um momento de raiva que logo esqueceu.

                   Quarenta anos de escotismo, o último dos fundadores, de lobinho a diretor e ver tudo se acabar por causa de um Diretor hipócrita, que decidiu sem consultar ninguém retomar o terreno da sede escoteira. Lembrou-se da festividade, do prefeito e tantas autoridades na entrega do documento na praça solene e que agora não valia mais. Tudo fora mentira? Não valeu colocar tijolo após tijolo para fazer a construção? Quanto sangue derramado? Quanto suor e lágrima para conseguir um tijolo, uma telha, uma porta e tudo agora perdido?

               E seus direitos? Eram mais de cem crianças e adultos que todos os sábados levavam a bandeira aos céus. Pátria! Não reconheces isto? - O advogado Jamil que nunca foi escoteiro disse que não havia mais o que fazer. Trinta dias Chefe, se não saírem teremos policia e delegados a porta. A lei era clara. Deu sua vida, deu seu amor, viveu ali fazendo tudo pela cidade e agora não havia retribuição. Prefeito, vereadores se curvavam ao novo Diretor Nomeado da FATEC uma entidade governamental. Para onde iriam? Como continuar?

                Todas as tardes ele sentava no banco da estação onde se fez tantas alegrias e felicidade e agora abandonada ele de cabeça baixa chorava. Não pela sua morte próxima, isto não era importante, o importante era aonde todos iriam. Procurava uma solução e não encontrava. Mesmo espiritualista maldizia o Diretor que nunca foi Escoteiro e não queria entender os benefícios de uma educação extraescolar. Prefiro morrer antes... Pensou. Não dá para assistir esta derrocada final. Lucy o abraçou. Chorou com ele as dores da perda e baixinho dizia: - Marido, agora pense em você, pense em se curar.

                      Duas semanas se passaram e ele foi levado ao hospital. Escoteiros e chefes acorreram ao local. Eis que extenuado chega o Presidente. Chefe Paulo sorria: - Graças a Deus! O decreto do Professor foi anulado. Uma petição entregue ao Ministério da Educação que ninguém sabe quem enviou foi aprovada. Agora somos proprietários com escritura lavrada! Uma palma estrondosa ecoou na porta do hospital. Na UTI Francisco agonizante sorria. A luta se encerrava. Valeu enviar aquela petição. Agora poderia morrer em paz!

                     E morreu com um sorriso, com glorias de escoteiro vencedor. Olhou para a terra quando subia para o paraíso. Sabia que deixava saudades, mas ele estava feliz. Jogou um beijo no vento e pediu que o levasse até sua querida Lucy. Foi uma luta incessante, mas sempre soube que nunca esteve só. Além dos irmãos escoteiros da terra ele teve mil anjos ao seu lado o ajudando para a vitória. O céu o recebeu com honras e junto aos novos amigos no espaço ele voltou a sorrir!

Nota – São dezenas ou centenas de causos da perda da sede, de assaltos e cada Grupo Escoteiro que perdeu tudo, perdeu seu lar, sua barraca onde moravam os sonhos de badenianos que amavam sua associação tinha partido. Sabiam que tinham de recomeçar novamente. A vida destes jovens que dependem de um lugar ao sol nem sempre é entendida pelos donos do poder. O que aconselhar? A quem recorrer? Quem sabe o sonho de não desistir, a força de vontade, aos braços fortes, as pisadas firmes de que sabe que tudo tem um recomeço. E todos sabem que vão recomeçar novamente!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Em volta da fogueira... Vadico... E uma serenata ao luar.



Em volta da fogueira...
Vadico... E uma serenata ao luar.

                              Enfim de volta ao campo! Saudade danada de dormir sob o luar ou sob um céu estrelado. Quantas vezes fiz isto? Perdi a conta. Era bom demais. Sozinho eu Deus e a natureza em flor. Bom demais ficar quieto, mudo, silencioso, ouvindo a floresta, os bichos, pássaros e afins em todo seu esplendor. Meu bastão explorava a trilha, batendo o mato verde, mas com cuidado para não machucar uma plantinha que fosse desabrochar. Eita mata linda! Copada, verde que te quero verde... O poeta canta em voz doce e suave que tudo na natureza depende da forma como se vê...

                           Linda demais para ser esquecida. Devia ser sempre olhada e amada. Cheguei onde queria chegar. Um pequeno oásis em plena floresta, pássaros cantantes, brisa gostosa, sombras fincadas embaixo das asas de uma árvore adormecida. Parei e cantarolei meus versos de amor. Mostrei meu apreço por um lugar tão lindo e dizer que se morrer ali irei com certeza para o céu! Insigne natureza em flor, que se esgueira longe do asfalto, como és bela, delicada e forte...

                          Arvorei uma lona lonada para as chuvas de verão se elas chegassem. Um galho verde alceado para segurar minha caldeirinha, onde iria surgir o feijão, uma sopinha, ou quem sabe um quentado de peixes do remanso no pequeno riacho que corria para o mar. Águas límpidas cristalinas para matar a sede de um ser vivente Escoteiro que ama acampar em plena natureza. Os sons eram lindos, galhos fazendo toada, passarada procurando seu ninho, onde os filhotinhos brotavam a olhar o Escoteiro passante que resolveu ali acampar.

                         Água fervendo, pó brincando nas asas da fervura, açúcar cande adoçando a cantilena de boas doses de um café puro coado em um coador de pano escolhido como o melhor. Tudo era paz e harmonia. Eu voltava no tempo dos meus sonhos reais de um passado que não quero esquecer. À tarde vai chegando de mansinho, escondendo entre as folhas os raios de sol que se recusavam partir.

                 A noite chegou. Esplêndida na mata fechada. Pouco se via o clarão das estrelas, brilhantes piscantes deixando passar vez ou outra um cometa intrometido, na sua viagem sem destino, mas que alegravam as moçoilas que na terra olhavam para o céu pedindo um amor de um príncipe, que fosse apaixonado, educado, cavalheiro e que desse a ela toda sua paixão. Um pardal procurando seu ninho voou ao meu redor. Picotou à moda do Pica Pau um galho onde ia dormir. Esperava a rainha da noite chegar.

                 A coruja de olhos verdes cedo ou tarde iria grasnar me cumprimentando e sorrindo para mim. Com aqueles olhos grandes, quem sabe esverdeados, na cumeeira de um Jatobá centenário arrepiando seu canto apaixonado. Tão longa a distancia tão longe a saudade e tão bela espera, lá estava ela, a rainha da noite dos meus sonhos de verão. Cantei uma canção para ela, e ela agradeceu com duas balançadas de cabeça aprumada como se fosse sorrir. Onze horas a noite já avançava para a madrugada.

               O foguito pequeno quentito batatas cozidas, bananas na fieira, que mais eu iria querer? Hordas de vagalumes chegavam sem pedir mostrando seu brilho soltavam chispas para mostrar quem manda no lugar. Quanta felicidade! Quantas saudades de tantas noites que acampei. Quantas vezes meu anjo protetor sorria me dizendo que ali era Nosso Lar. Ah! Natureza em flor. Se você não é minha nem eu sou seu, porque brilha tanto no teto do céu?

                       Disseram-me certa vez que vivendo de acordo com as leis da natureza, nunca serei pobre, mas não serei nada se viver pensando nas opiniões alheias, pois elas nunca me faram rico. Fechei os olhos e deixei a brisa da noite me levar... Quantos montes, quantos horizontes viajei com a brisa e a natureza que abrilhantava o lugar?

                       Ah! Quanta felicidade! Bem perto uma sonata de Uirapurus tocava como se fosse uma orquestra de violinos mágicos. A música é celeste, e a natureza divina realça tal beleza que encanta a alma e nos eleva acima do que somos, pois eu sabia que a natureza não faz nada em vão. Dormi sonhando apaixonado esperando o amanhecer. Queria ver o sol brilhante entre as folhas das belas arvores do lugar. Não deu, tudo que eu não queria aconteceu. – Marido! Hora de acordar, o café está pronto e fiz bolo de pastel de queijo. Levantei sorrindo, mas com saudades dos meus sonhos e da minha natureza em flor!

Nota – E a poetiza no alto de sua sabedoria me disse: - Quem me compra um jardim com flores? Borboletas de muitas cores? Beija flor e passarinhos ovos verdes e azuis nos ninhos? E ela mesma respondeu: - Plante seu jardim, decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. Quem sabe um dia parto sem ninguém saber para acampar em meu Edem feito de Jângal, Matas, Florestas lindas e frescas do meu País?

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Coisas de chefes escoteiros. Nossa vida é tão curta...



Coisas de chefes escoteiros.
Nossa vida é tão curta...

              Curta demais. Eu disse isso para Soninha. Há dias com um olhar tristonho, as vezes olhos molhados e quase não falava. Não sabia o motivo e quando tentei perguntar ela caiu e prantos correndo para a sede. O que eu podia dizer para ela? Dizer que entendia sua tristeza? Qual? Ela não me disse. Como ajudar? Eu sei que o tempo que ficamos neste mundo é tão breve... Muito breve. Deveria ser um problema familiar. Mas como não observei antes? Só agora? Muitas vezes acreditamos que os momentos e os detalhes são únicos. Esquecemos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas.

              Será que nos esquecemos de você? Não perguntamos seus sonhos? Onde queria chegar? Não percebemos que correste atrás das ilusões de um distintivo de uma jornada de algum acampamento que magoou seu coração? Só o seu sorriso tinha valor? Sei que não é uma atriz daquelas que forja uma resposta e conquista muitos corações. Resolvi ir até a sede. Precisa saber o motivo. Meu coração estava em brasa, nunca deixei para amanhã a solução de algum que podia machucar alguém. Iria perguntar? Será que não tinha um plano B?

              Soninha me olhou com seus olhos negros agora secos, mas como se estivesse chorando por dentro. – Escoteira, eu não posso saber? Não posso ajudar? Se choras é porque sofres e se não me conta não posso chorar com você. Você como eu sabe que podemos passar uma vida nos queixando, obras que não realizamos e muitas vezes deixamos de lado aquelas pequenas que nos tornariam mais felizes. Soninha abaixou a cabeça, senti que ela queria dizer alguma coisa, mas não disse.

             Tentei dar o meu melhor sorriso, nunca fui bom com ele. Diziam que eu era sisudo, e não sabia agradar ninguém. Era verdade. Penitencio-me. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam a pisar firme no chão e não voar pelo ar. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que queremos e deixamos de amar o que possuímos. Vi quantos passaram nesta vida no escotismo e mesmo sofrendo não desistiram. Pelo menos nesta parte Soninha venceu. Ela está aqui hoje apesar de tantas contradições de um movimento que tanto amou.

              Chefe, eu não sei o motivo, me deu vontade de chorar e chorei! Olhei para ela sem demonstrar ser adulto demais. – Não sorri. Soninha, quantas vezes chorei sem nenhum motivo? Nossa vida é breve e temos muito que aprender e realizar. De modo algum justifica nossa tristeza, nossa busca de satisfações efêmeras enquanto a nossa realização está justamente naquilo que podemos realizar.

               Sabe minha jovem escoteira, às vezes pensamos em mudar, a idade chega, não sabemos se vamos pisar no antes ou no depois. Todos nós passamos por este caminho. Precisamos sim aproveitar esta oportunidade única, breve... E olhe mesmo que não acredite, sorria, pois a vida é bela demais para chorar!

Nota – Diga-me, qual Chefe não teve seu dia de aconselhador? Qual Chefe que não tem uma historia de vida para contar dos seus lobos ou escoteiros? Penitencio-me... Tenho histórias demais!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Contos e lendas da Jângal. Os lobos não uivam sozinhos!



Os lobos não uivam sozinhos!

Prezada Akelá Mércia.
Melhor Possível!

Desculpe a letra e meus erros. Estou tremendo muito para escrever esta cartinha. A senhora sabe que estou muito fraco e sentar e um tremendo sacrifício. A Enfermeira Lola está me ajudando. Se não fosse ela não iria conseguir escrever. Minha mãe está aqui também, mas chora tanto que não tem condições de me ajudar. Porque choram? Afinal não vamos todos morrer um dia? Sem que quando nascemos é festa é alegria, na morte não. A Enfermeira Lola diz que é uma mudança de plano. Ainda não entendo muito disto, mas acredite os anjos que me visitam me disseram que está chegando a hora de partir.

Eu não conhecia os lobinhos anjos hoje muitos deles são meus amigos. Contam-me histórias, cantam canções e precisa ver a Vovó Matilde que vem lá do céu e me enche de abraços. Ela disse que meu lugar no céu está reservado. Não sei que lugar é este, mas deve ser lindo para eles sorrirem tanto. Já disse para a mamãe, mas ela não entende o que eu digo. Papai está na França e disse que vai chegar em breve. Nesta cartinha faço pedidos. Pode me ajudar?

Eu confio na senhora. Eu vivia tristonho na minha casa, não saia, médicos dizendo para ficar em repouso. Meu padrinho o Chefe Alaor me contou dos lobinhos. Convidou-me para ser um. Akelá Mércia foi demais quando a conheci. Na alcateia vivi os melhores momentos da minha vida. Eu gostava da Escola, mas muito cansativa. Como foi gostoso lobear, cantar jogar e aprender a ser um Mowgly. Pode dar um recado para o Balu Roberto? Diga a ele que deixe de fazer cara de mau, ele é bom, tem de sorrir mais e eu o adorava.

Diga também para a Bagheera Renata que sempre chorava quando estava ao meu lado. Muitos choravam e isto me entristecia. Queria ser como Mowgly, nos tempos das falas novas, quando a primavera chegava, as flores nasciam o vento soprava e todos corriam pelos campos sorrindo e cantando na embriaguez da Primavera.

Dê um abraço apertando na Aninha a prima da minha matilha. Ela não entendia muito minha fraqueza, mas era uma das poucas que sempre me deu apoio. Diga ao Nonô que eu o quero muito e não fiquei bravo com ele quando pegou meu chocolate na mochila. Sabe Akelá Mércia. Eu adorava o Grande Uivo. Sempre Sonhei ver a senhora olhando para mim para que eu pudesse ser o convidado. Seria demais. Uma honra que jamais iria esquecer. Não houve oportunidade e eu entendo. Outros lobos mais antigos tinham este direito.

Fiquei triste quando o Kaa Rogerio foi embora, sabe eu morria de rir quando ele queria imitar a velha serpente da Selva de Mowgly mas rastejava muito mal. Risos. Ele nunca imitava bem uma serpente. E quando dizia que somos do mesmo sangue tu e eu adorava. Dava gargalhadas e rolava no chão de rir. Desculpe Akelá Mércia, acho que vou parar. Cansado Akelá. Sinto-me Velho e fraco igual ao Chefe Tadeu que cantava dizendo que precisava voltar a Gilwell. Será que lá em Gilwell eu iria me recuperar?   

Akelá Mércia saiba que a senhora foi minha segunda mãe. Ajudou-me, me abraçou e me beijou tanto que um dia fiquei sem ar. Kkkkkk. Estou aqui sorrindo e mamãe chorando e a enfermeira Lola com os olhos cheios de lágrimas. Saiba que a amo muito, que a senhora com a sua bondade me transportou para os campos verdes de Waingunga. Nunca esqueci o que a senhora disse que os vales da Alcateia de Seeonee eram verdes na primavera, lilás no inverno, dourado no outono. A senhora dizia que era o vale mais lindo nas terras de Mowgly.

Também nunca esqueci o que Baloo o urso pardo dizia para nós que a lei da Jangál vigora na selva e é antiga como o céu. Que assim como cipó que envolve a árvore a lei do Lobinho envolve a todos nos... – Desculpe Akelá Mércia, sou a enfermeira Lola, Adriano desmaiou. Já chamamos o Doutor Luiz. Estou enviando a carta, pois ele insistiu muito que eu a enviasse!

- Mércia lia e chorava. Um choro convulsivo que ela não sabia como parar. Sua família e os vizinhos acorreram a sua casa. O que houve? Alguém contou da carta. Ela recebeu a carta pela manhã, e um telefonema informava a morte de Adriano. Ela sabia que isto iria acontecer, mas sabia também que era humana, acreditava em Deus, rezava para Jesus ajudar, mas o Doutor Luiz disse que ele iria para outros planos em breve. Não tinha mais como reverter o câncer no pulmão. A sala onde ela estava ficou cheia de amigos e chefes da Alcateia.

- Muitos lobinhos vieram para saber sobre a morte de Adriano. Todos sabiam que o lobo não perde os dentes, não perde a raça, eles sabiam que os lobos mansos vivem em rebanho para se protegerem. Sem ninguém esperar um clarão transformou a sala mostrando uma linda pradaria nos verdes campos de Seeonee. Adriano apareceu de uniforme com muitos Anjos lobos juntos. Sorria, fez um sinal e com sua vozinha meiga disse: - Akelá, os lobos não uivam sozinhos. Estou seguindo com meus anjos e lobos para minha caverna na Jangál. Os lobos de Seeonee me esperam. Quem sabe um dia volto? E uma grande palma escoteira ecoou nas terras dos homens, pois lá na Jangál o povo livre sorria ao receber Adriano!

Nota: - Gosto desta história. Quando a escrevi passei horas lendo e revisando e... Chorando. Choro muito. Poderia mudar o final, mas valeria a pena? – E volto meu pensamento para Akelá, em reunião na Pedra do Conselho dizendo: Que direito você tem? Shere Khan levantou a cabeça altivamente. Hathi narrou cabisbaixo; É uma historia antiga, tão velha quando a própria selva. Mas essa é outra história... Um conto emocionante. Para os fortes, pois os sensíveis irão chorar...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lendas Escoteiras. A escoteirinha e a Árvore da Vida.



Lendas Escoteiras.
A escoteirinha e a Árvore da Vida.

                            Conta uma lenda muito antiga, que existia em uma pequenina cidade, uma linda árvore que foi plantada em frente ao coreto da praça. Ela sempre atendia aos pedidos dos meninos e meninas que sentavam em sua sombra e pediam com bondade e lealdade sem mentir. Nunca! Ninguém sabia se era um abacateiro, ameixeira, ou mesmo uma árvore comum. Interessante. Nunca deu flores. Nunca floriu na vida. Talvez esta tenha sido sua maior tristeza. Não atendia aos adultos. Apesar de ser uma velha árvore ela sempre se sentiu como uma jovem e sabia que na mente dos jovens existia a pureza, os sonhos eram mais azuis e a vida era mais bela.

                                      Nem sempre os jovens lhe pediam o que ela poderia oferecer. Ficava triste com isto e a sua maneira tentava ajudar. Conhecia quase todos que um dia sentaram em sua sombra. Sentia-se alegre e feliz quando tinha companhia de um deles. Mais ainda quando podia atender seus pedidos e ver em seus rostos a alegria que ele podia dar.

                              Em uma tarde quando o sol ainda não havia se escondido atrás das montanhas, antes mesmos dos pardais fazem sua algazarra antes do sol se por e procurarem seu ninho, ela viu pela primeira vez uma menina, pequena, miúda, rostinho simples, e com um lindo uniforme de Escoteira. Ela nada disse e voltou muitas vezes para usufruir de sua bela e linda sombra. Tentava falar com ela, mas não conseguia. Todos os sábados ela passou a visitar a Arvore da Vida. Ficava até o escurecer. Não pedia nada, só a olhava e sorria.

                               A Árvore da Vida gostava de sua companhia. Pensava e pensava... Será que ela não tem sonhos? Gostaria tanto de ajudar! Quando a escoteirinha se aproximava parecia que o dia seria outro. Mais alegre mais feliz. Um sábado ela conseguiu entrar na mente da escoteirinha e espantada viu o que ela pensava. Ela se preocupava com a Árvore da Vida, isso foi demais. – Porque você não tem flores? Não tem fruto? Á Árvore da Vida se emocionou. Ninguém nunca se preocupou com ela e aquela escoteirinha se preocupava.

                           Foi então que há escoteirinha passou a levar uma sacola de esterco e em uma das mãos uma pequena lata com água, e colocava aos pés da Árvore da Vida. Á Árvore da Vida chorava de alegria. A escoteirinha dizia para ela: – Árvore, vou lhe chamar de Árvore da Vida e do amor. Você vai reviver. Você terá flores e será a única Árvore da Vida no mundo que vai dar todas as espécies de frutos.

                      A Árvore da Vida chorava de emoção. – Como? Pensava. Ninguém nunca ninguém se preocupou se ela era uma árvore comum, se era uma árvore que pensava. Ninguém falou com ela a não ser para pedir. Sim, ela gostava de ouvir os sonhos e os pedidos da meninada. Ela sabia que muitos meninos um dia descansaram nas suas sombras e agora uma simples escoteirinha se preocupava com ela.

                        – Mas um dia, sem nuvens e parecendo que ia chover ela viu a escoteirinha sentar-se e encostar a cabeça em seu tronco e a Árvore da Vida viu que ela chorava. A Árvore da Vida ficou triste. Muito triste. Viu que a Escoteirinha em seus pensamentos chorava, pois não iria a um grande encontro que os escoteiros faziam e que chamavam Jamboree. Seus pais não podiam pagar. O quer fazer? Como ela podia ajudar a escoteirinha? Á Árvore da Vida soprou em sua fronte, uma brisa fresca, perfumada de suas folhas verdes e a escoteirinha dormiu.

                   A escoteirinha acordou em um lugar lindo, com arco íris de todas as cores. Azuis, amarelos, verdes, uma relva cheia de flores silvestres e ela viu ao longe um enorme acampamento. Muitas barracas e milhares de escoteiros e escoteiras de todo o mundo. Assustou, pois ao seu lado a Arvore da Vida estava segurando suas mãos e dizia – Vamos minha amiga. Você vai participar do primeiro Jamboree Escoteiro no mundo! Vai conhecer seu fundador. E a Escoteirinha sorria. Um sorriso que poucas escoteiras sabem dar.

                    Eram milhares de jovens, todos segurando sua mão e dizendo “Sempre Alerta” linda Escoteirinha! Era a maior felicidade que ela podia alcançar. Viu alguém batendo em suas costas se voltou e viu que era o fundador do escotismo. Abraçou-a e disse - Minha jovem escoteirinha, acredite, você é quem faz seus sonhos e os transforma em realidade. Nem todos podem ter o que querem, mas devem lutar para ter. Acredito em você. E você deve acreditar na sua promessa!

                 Quem tivesse passado ali no coreto naquela tarde viu que o sol apareceu, nuvens brancas se formaram e os passarinhos começaram a cantar. Em pouco tempo centenas de habitantes da cidade se aglomeraram, pois deitada encostada no tronco da Arvore da Vida que a maioria dos habitantes adultos não dava valor, uma Escoteirinha sorria, em volta dela lindas borboletas de todas as cores sobrevoavam em sua volta, os pássaros cantando nos galhos próximos.

                    A Árvore da Vida parecia adormecida. Acordou junto com a Escoteirinha e viu que suas folhas estavam floridas, e dos galhos frutos doces e maduros. Incrível! Nunca viram nada parecido. Uma brisa gostosa soprava trazendo perfumes de flores silvestres, e um papagaio verde e amarelo pousou em seu ombro e cantava – “Ela foi para o Jamboree, ela foi para o Jamboree!”.

                 A história chega ao fim.  Ela sonhou.  Amou o sonho e a transformação da Árvore da vida. Ela não foi ao jamboree real, mas viu o fundador e todos os seus amigos que o ajudaram a criar o escotismo. Ela sabia que um dia iria trabalhar e iria participar de um Jamboree, mas nunca seria como aquele. Ela esteve lá. E a Escoteirinha daquele dia em diante sempre trazia água para a Árvore da Vida. E a Árvore da Vida que existiu em seus sonhos nunca mais a abandonou.

Nota - As pessoas quando acreditam sempre tem aquilo que desejam. A Escoteirinha sabia que um dia teria seu desejo realizado. Sonhe, sonhe muito Escoteirinha! Acredite em seus sonhos. Alguém não disse que o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos?