Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...


Prefácio.
Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

                         Bem vindo a este Blog das mais belas Histórias Escoteiras. Já são milhares delas mostrando como é linda a vida escoteira, suas histórias, suas aventuras e tenho certeza que sendo Escoteiro irá gostar. É bom demais contar histórias. Qualquer uma, seja escoteira ou não. Quantas eu contei ou escrevi? Milhares talvez! Mesmo com minha velhice rabugenta e meu pulmão revoltado não paro de escrever. Aprendi a contar quando em um fogo de conselho qualquer a escoteirada ou a lobada me pedindo uma história com aquele olhar enigmático, olhares incrédulos e outros que se transportavam para dentro do contexto querendo viver toda a história contada. Todo contador de histórias se sente feliz ao ter tantos bons ouvintes.

                         Uma história de fantasma, em uma floresta escura era sucesso absoluto. Um Fogo de Conselho se apagando e você fazendo gesticulando, como se os fantasmas estivessem ali marcavam cada um dos ouvintes Badenianos. Bom demais. E o susto do grito de horror no final? Masoquista Chefe? Não, depende da história. Se ela tem um fundo de exemplos pode contar. Tem seu valor.  “Não há quem resista a boas histórias” escoteiras ou não. Nas páginas dos livros, dos jornais e das revistas, na tela do computador e na televisão, narradas ao pé do ouvido ou transmitidas pelo rádio... Seja lá onde for elas encantam, amedrontam, fazem rir ou chorar, assustam e são capazes de levar ainda que em pensamento há lugares nunca antes imaginados.

                     Não tem quem não se emociona ao contar uma historia e ter ouvintes hipnotizados com a narrativa. Tem chefes que adoram. Quando Chefe de Tropa e Alcatéia adorava contar. Em cursos que dirigi contei muitas. E quem resiste a uma história bem contada ao pé do fogo? Vendo o crepitar da fogueira, olhando as fagulhas que se espalham no céu, e como um lobinho feliz abre os olhos e ouvidos para ouvir e viajar na história do Chefe? A mente está ali fixa no conto, que vai desenrolar uma aventura e ele parte célere junto à história com as personagens. Ele se transforma, é um herói, um explorador, um grande acampador dos seus sonhos inimagináveis.

                     Bom saber que veio a procura de boas histórias. Faço questão que em todas elas a Lei e a Promessa tenha seu lugar. Mas chega de conversa. Fique a vontade. Escolha uma e entre nos sonhos das mais belas histórias Escoteiras.


Sempre Alerta!  

Lendas escoteiras. Os heróis não tem idade.


Lendas escoteiras.
Os heróis não tem idade.

                    Mariel não sabia mais o que fazer. Seus pais só diziam não. Ela tinha um sonho, dizem que meninas de sete anos não sonham, mas não é verdade. Podia até ser um sonho novo que substituiu a boneca Modelmuse 2013. Seus pais diziam que era muito cara e ela estava crescendo muito depressa. – O que você quer de Papai Noel perguntou seu pai? Ela abaixou a cabeça e disse – Quero ser escoteira! Ela já sabia a resposta. Desde o dia que pediu para participar que seu pai e sua mãe foram contra. – Nem pensar, não vou deixar você ir para o mato, dormir em barraca e pode aparecer uma cobra ou um bicho qualquer. E se forem para longe? Sabia que sumiu um Escoteiro no Pico do Roncador? – De novo seu pai perguntou o que ela queria de natal. Ela não disse nada. Eles sabiam o que ela queria. Um dia sua mãe comentou que eles eram esquisitos, vestiam uniformes e se achavam os tais. Sua avó contou que seu pai um dia queria ser um, mas não foi. Motivos? Ele nunca contou.

                      Mariel no computador leu sobre tudo sobre eles e o que faziam. Leu as histórias dos acampamentos, aprendeu as provas e se ela entrasse hoje já sabia de tudo. Havia meses que ela teve essa ideia e seus pais sempre negando. Chegaram ao ponto de dizer que se ela falasse mais no assunto eles a poriam de castigo. Sua mãe foi mais amiga, explicou o perigo que ela poderia correr. E se alguém a raptasse? Mariel disse sua mãe, moramos em um bairro nobre, seu pai é Presidente de uma Grande Empresa e não podiam facilitar. Dizer para sua mãe que havia outras crianças iguais a ela não adiantava. Todas as noites Mariel chorava.

                     Um sábado sua mãe foi com seu pai ao Mercado fazer compras. Dona Nana a cozinheira ficou responsável por ela. Mariel não perdeu tempo. Que seja o que Deus quiser pensou. Sabia ser errado desobedecer a seus pais, mas tenho que ir ela pensou. Se pelo menos eu pudesse ver o que eles estavam fazendo já seria uma alegria para mim. Pé ante pé abriu a porta da Mansão e passou sorrateiramente pela portaria do Condomínio. Sabia que não era perto. Ficava a duas quadras do seu colégio. Foram mais de uma hora a pé. Ela não sabia pegar ônibus. Não foi fácil. Sete anos era uma menina frágil. Nem as atividades recreativas do colégio eles deixavam. Chegou ao Grupo Escoteiro na hora do hasteando a bandeira. Ficou de longe olhando. Que belo espetáculo! Seus olhos se encheram de lagrimas. Era bonito demais. E os lobinhos e lobinhas correndo para formar? Que ordem, que disciplina. Ela já sabia que iriam fazer do Grande Uivo. Quem dera eu fosse uma delas. Sei tudo de cor! Disse.

                   Esqueceu-se das horas. Quando viu estava escurecendo. Ficou olhando para eles até o final. Correu a pé até sua casa e quase foi atropelada. Chegou já noite escura. Na porta carros de policia e parentes. Entrou pelos fundos. – Quem foi papai? Ela perguntou. – Meu Deus! Você está aqui. A mãe e o pai correram para abraçá-la. Eles choravam de emoção. Pensavam que tinha sido raptada. Mariel sabia que o lobinho diz sempre a verdade e contou tudo para eles. Contou com lágrimas nos olhos. Sabia que o castigo viria. E veio mesmo. Mais de dois meses sem computador e sem TV. Mariel não se incomodou. Ficou triste por ter feito tudo sem avisar, mas sabia que nunca eles deixariam ir. Todos os meses do castigo ela não parava de lembrar-se do que viu e sentiu. Ah! Se fosse verdade e eu fosse um deles sonhava.

                       Paolo, Billy e Eddy Mário iam para a reunião dos seniores. Todos eles antigos no grupo. Foram lobinhos e agora estavam se preparando para conseguir o Escoteiro da Pátria. Eram amigos desde a Tropa Escoteira. Uma amizade que perdurou por anos. Pararam no farol na esquina da Rua dos Tamoios com a Avenida Campos Gerais. Esperou o farol abrir. Local perigoso e com muitas batidas. Viram quando um Audi em disparada não obedeceu ao sinal e avançou a toda velocidade. Da Rua dos Tamoios um Utilitário azul da Toyota em velocidade normal com o farol aberto seguiu seu caminho. A batida foi forte. Uma explosão. O Audi ficou completamente destruído. O Toyota rodopiou sobre si mesmo e quando parou se ouviu uma explosão no motor. O fogo começou. Não havia o que pensar. Os três correram para o Toyota que pegava fogo. O Audi não estava em chamas. Paolo com se bastão quebrou o vidro da porta do motorista e tentou tirá-lo. Não conseguiu.

                          Nada é impossível para escoteiros. Eles não deixariam o homem morrer. Alguém gritou da calçada que o Toyota ia explodir. Corram daí se querem viver! - Gritaram. Billy pegou o bastão e foi para a outra porta. Quebrou o vidro e passou por ele. A porta estava emperrada. Cortou o cinto que prendia o homem com sua faca. Paolo e Eddy do outro lado arrastaram o homem para fora. O fogo aumentou. Billy sentiu seu uniforme pegando fogo. Pulou para fora do carro e rolou no chão rolando de um lado para outro. Conseguiu apagar, mas seu corpo teve diversas queimaduras. A Toyota explodiu. Graças a Deus ninguém morreu. O socorro chegou em seguida. O homem da Toyota estava desmaiado. No hospital Billy ficou internado por três semanas e saiu direto para a reunião de tropa. Precisava voltar. Nunca faltou. Que chovesse canivete, mas ele estava lá na sua Patrulha Pico da Neblina.

                       Quando Billy chegou uma salva de palmas e todos correram para abraçá-lo e ele dizendo não, pois as queimaduras não haviam sarado ainda. Aceitou aperto de mão, mas fez questão de dizer que ele e os amigos fizeram o que era certo. Somos escoteiros não somos heróis, disse. Na formatura Billy tomou seu lugar na patrulha. Notou a chegada de um homem, uma mulher e uma menina pequenininha. Eles tomaram lugar na bandeira. Após o cerimonial o homem pediu a palavra. Ele era a vitima do Toyota. Chorava. Quase não conseguia falar. Ainda não conseguia andar direito, pois sofrera uma fratura no braço e na perna. Foi até onde Billy, Paolo e Eddy estavam e lhes deu um grande abraço. – Nunca vou me esquecer de vocês! Ele disse chorando. Eu pensava que Escoteiros era uma turma de arruaceiros, de jovens sem formação. Eu me enganei. Por anos neguei que minha filha participasse.


          Mariel mudou. Agora era um lobinha alegre e cheia de vida. Como era bom saber que seus pais também ajudavam o Grupo Escoteiro. Mariel no final do primeiro dia de reunião se ajoelhou quando os lobinhos e lobinhas faziam o Grande Uivo e mesmo sabendo que ela só iria participar depois da promessa, rezou. – Obrigado meu Deus! Consegui! Meu sonho se concretizou. – Todos olharam para ela espantados. Ela levantou, sorriu e gritou bem alto – “Melhor Possível”! Agora sou uma lobinha, e prometo a mim mesma que serei escoteira por toda a vida.

Nota de rodapé: - De volta com minhas histórias, onde os sonhos se tornam lendas que encantam a todos nós. Gosto disto escrevo com gosto e sempre com um sorriso nos lábios. Quem dera eu tivesse a sina dos grandes fazedores de sonhos, para encantar e fazer do escotismo uma verdadeira escola de amor de fraternidade. Boa leitura e se quiserem comentar fiquem a vontade. Risos. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Lendas Escoteiras. Nascer e morrer em Casablanca.


Lendas Escoteiras.
Nascer e morrer em Casablanca.

                     O mundo fugiu dos meus pés... Não era eu quem estava ali, quem sabe apenas meu corpo, pois tudo que amava apagou como a luz brilhante no opaco da vida. Lembrei-me de um lindo poema que decorei: - E agora meu Deus? A festa acabou a luz apagou, meus sonhos sumiram, a noite esfriou. E agora meu Deus? Esqueci o meu nome, zombaram de mim, já não faço mais versos, nem sei mais protestar. Foi como um tapa no rosto, na hora morri de desgosto e achei que não ia dar mais. Afinal foi feita de escotismo, minha vida, meu ser minha alma. O que eu fiz? Juro que não sabia. Jogaram-me aos lobos, maledicências que sem perceber não vi quantos deles estavam a minha volta. Olhei para Dona Belinha, tinha eterna admiração e que decepção. Não era a Belinha que conheci, não era a amiga que eu pensava ter.

                   Perdi meus pais nova demais. Tinha somente seis anos. Chorei por meses e até hoje nunca os esqueci. Minha Avó Ana veio para ficar comigo. Não lembro muito de tudo, mas eu era feliz. Quando ele resolveu mudar viemos parar em Casablanca. Nunca tinha ouvido falar nesta cidade.  Fiz novos amigos, melhor ainda entrei como Lobinha no que mais tarde passou a ser o meu motivo de viver, uma filosofia de vida. – Lembro até hoje do meu pai, nos meus seis anos e ele dizendo: Tônia aqui seremos felizes, aqui eu e sua mãe iremos morar por toda a vida. Eles se foram e eu fiquei. Passei para a Tropa escoteira e depois fui Guia. Cada momento inesquecível.

                   Chefe Lima era um amor de pessoa. Não tinha assistentes. Era só ele e três patrulhas com seis meninas participando. Fiquei na Zodíaco, passei a amar a patrulha. Nunca tive queda por nenhum Sênior. Não era de namorar. Gostava mesmo era de acampar, dormir sob as estrelas, encontrar novos lugares e ali sonhar. Quando pequena pensei em ser freira. Católica, presente em todas as missas, confessando uma vez por mês achava que vivia em paz com Deus. Nunca pensei que aquilo ia acontecer. Até hoje tento esquecer. Quantas vezes fui à Casa do Chefe Lima e Dona Belinha me abraçava me contava “causos” histórias quando ela era de minha idade e eu dava boas gargalhadas. Parecia que ela me amava... Parecia.
                    
                   Ela chegou apressada quando estávamos sentados embaixo de um pequizeiro, uma bela sombra, conversávamos sobre a próxima atividade que íamos fazer. Ela não cumprimentou ninguém. Nem ligou para o Chefe Lima. Parou em minha frente e começou a me chamar de vagabunda, cachorra, desocupada e nomes que prefiro não dizer aqui. – Deus do céu! O que estava havendo? Foi então que o Chefe Lima se aproximou – Belinha, por favor! Pare com isto. Enlouqueceu? – Agora você a defende seu safado! Não vive abraçando? Não vivem beijando? Quando vezes me traiu com ela? Devem ter sido milhares. Maldito, não quero saber mais de você. A Tropa estava boquiaberta. Ninguem sabia o que dizer. Dona Belinha saiu chorando e gritando que preferia morrer a me ver novamente ou ao Chefe Lima.

                    Não dava para ficar na reunião. Corri para casa aos prantos. Minha Avó assustou. Perguntou o que era – Contei a ela, nunca tivemos segredos. Ela não acreditava. Conhecia Dona Belinha e disse que ia a casa dela tirar satisfações. Implorei a ela que não fizesse isto. Fui para o meu quarto. Rezei, pedi a Deus que me desse uma luz. Onde foi que errei? Não sabia. Nunca tive nada com o Chefe Lima. Nunca tive nada com ninguém. Nem namorado eu tinha. Fiquei de cama com febre e não parava de chorar. Quilombo o monitor da Touro veio me visitar. Só ele veio mais ninguém. Não falou uma palavra e nem contou o disse me disse que falavam no Grupo Escoteiro.

                    Nenhum Sênior, nenhuma guia apareceu. Vi que não acreditavam em mim. Neste momento tão difícil em que eu precisava de uma força, que me ajudasse a atravessar a tempestade e ninguém só Quilombo me procurou. Resolvi não voltar mais. Se me achavam culpada que fosse. Eu não ia pedir desculpas por algum que não fiz. Um mês depois uma surpresa. Dona Belinha bateu em minha porta. Fiquei assustada. De novo não! – Mas ela foi pedir desculpas. Desculpas? Destruiu-me internamente, me acusou de algum que não fiz. – Tônia ela disse – Meu Deus, o que fiz a você? A culpa foi do Lima. Eu vivia dizendo a ele que parasse de abraçar as meninas. Ele só as abraçava.

                    Jurou-me que era inocentemente, mas um dia Chico Nonô, Patrício Romualdo e José Carlos da Patrulha Gavião conversavam na minha porta. Só ouvi que o Lima estava de caso com você. Que nos acampamentos foi pior. Chorei a noite toda. Interpelei o Lima e ele sempre dizendo que nada havia e era inocente. No sábado não aguentei mais. Aprontei aquele barraco com você. Deus meu o que fiz? Você inocente e acusei injustamente. O tempo foi passando e procurei saber a verdade. Um dia encontrei os três na porta da padaria. Abaixaram a cabeça e disseram que era tudo mentira. Eles estavam muito arrependidos.

                      E como me redimir? Perdão é a única coisa que posso fazer. Exigi ir ao Conselho de Chefes e lá contei tudo. Ninguém disse nada. Não me deixaram contar a verdade no Cerimonial. Mas o mal estava feito. Lima saiu da Tropa. O escotismo para ele era tudo e agora não é nada. Minha vida com ele não tem mais razão de ser. Ele disse que nunca vai me abandonar, mas eu não sei o que fazer. – Dona belinha foi embora chorando. Pensei comigo como voltar? Se meu grupo meus amigos e amigas nem se deram conta de me visitar, de falar comigo de me ajudar na hora difícil eu iria voltar? Nunca mais voltei. Quando fiz dezoito anos minha Avó ao meu pedido me levou no Convento das Carmelitas. Dez anos se passaram. Sinto-me bem, não tenho mais ódio no meu coração. Volto sempre ao Grupo Escoteiro que foi minha vida. Como freira eles me recebem muito bem. Não guardo mágoa e nem rancores.


                         Sei que o escotismo prega o bem, o amor, a bondade e o perdão. Quem sabe aqueles que eram do Grupo Escoteiro ainda não tinham crescido nestas habilidades. Eu rezo muito, peço a Deus que os proteja e o ensine que a Lei Escoteira não foi feita para ler e dizer a todos que existe, a Lei Escoteira faz parte de cada um, se ela não for uma trilha para seguir na vida então nada vale uma promessa. De tudo guardo boas lembranças. Nada de ódio no coração. Que todos eles sejam felizes!

Nota de rodapé: - Uma história de ficção. Todos sabem que a Lei Escoteira não foi feita para ler e dizer a todos que existe, a Lei Escoteira faz parte de cada um que acredita nela, se ela não for uma trilha para seguir na vida então nada vale uma promessa. Não basta dizer que é Escoteiro, tem de mostrar que é. A vida de alguém tem muita importância para que seja jogada aos lobos! Leiam a história e depois comentem. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A lenda do Pica pau amarelo. Uma história para Lobinhos.


Lendas da Jângal.
A lenda do Pica pau amarelo.
Uma história para Lobinhos.

               Era uma vez, uma Lobinha que gostava de cantar. Não era uma cantora nata, mas ela sabia que cantando sempre poderia ter um momento de paz, pois em sua casa sua mamãe e seu papai viviam a brigar. Nas reuniões ela se sentia triste ao ver suas amigas contando histórias de seus pais e ela não podia contar nada, pois não tinha boas histórias para contar.

                Uma vez saindo da reunião, viu um homem vestido de branco com um chapéu enorme na cabeça também branco e parecia estar descendo a escada de uma nuvem do céu. – Olá Lobinha, ele disse sorrindo. Ela disse olá, mas sabia que não devia conversar com ninguém quando estivesse sozinha. Sua mãe lhe disse isso e seu pai exigiu. – Ele demonstrando ser um homem de paz perguntou: - Voce conhece a Lenda do Pica Pau amarelo da felicidade? – Ela balançou a cabeça dizendo não. – Linda Lobinha, pois vou lhe contar... “Se alguém um dia encontrar o Pica pau amarelo da felicidade, será uma pessoa realmente muito feliz”.

                 - A Lobinha o olhou com maior atenção e ele continuou: - Foi em um tempo muito antes das chuvas de verão, que um escoteiro percorreu as montanhas da sua cidade querendo encontrar um Pica pau amarelo. Andou, caminhou, acampou em busca dos seus sonhos. Quando o encontrou o prendeu na gaiola de ouro que construíra. Encantado esqueceu-se de suas reuniões e da escola ficando a admirar a ave, mas ele parecia infeliz. Não comia nada e tudo que ele colocava para ela não queria parecendo muito infeliz.

                 Passou-se três dias e o escoteiro receoso de que o Pica pau viesse a morrer de fome, soltou-o. Mas ele não voou tão logo se viu solta. O escoteiro pensou que ele deveria estar fraco demais para voar. Mas não, ele voou até um galho de um pé de manga do seu quintal e se mostrava feliz. Ele o Pica pau começou a emitir um pio suave e continuo: - Tuit... Tuit... Tuit! – Não se sabe como aquele pio singelo começou a ressoar no íntimo do escoteiro. De coração aberto, ele desejou saber o que ele dizia e pensou: - Seria uma alucinação? Um sonho? Foi então que o pio começou a tomar sentido. Agora ele já entendia o que o Pica pau queria dizer. 

                 Fez um silencio profundo, ouviu a voz do vento e um sussurro piou no seu ouvido dizendo: - A felicidade para que exista você tem de ser livre. Agora que já me ouviu e me conhece, eu te pertenço para sempre. Quando quiseres me encontrar, vista seu uniforme, ponha sua mochila e vá encontrar-me na clareira da montanha. Assim poderemos ficar juntos todos os dias que puder. Mas olhe escoteiro, para que tudo isto aconteça, me arranjes um cantinho eu teu coração e ali me alimentes de AMOR! E assim você poderá ouvir outra vez o entoar do meu canto de felicidade!   

                 O escoteiro espantado viu o pássaro voar rumo ao por do sol. Sentiu uma pontada no coração e suas vida mudou. Toda sua Patrulha e sua tropa notaram sua transformação. Ele passou a cantar e sorrir em todas as horas. Seu cantar de tão lindo atraia a atenção dos amigos e amigas escoteiras. Parecia uma onda de felicidade e todos se sentiram bem quando ficavam perto dele.

                 Só nas horas distantes, quando ficava sozinho ele silenciava. Todos sabiam que nesses momentos ele visitava a clareira da montanha, e junto ao Pica Paul Amarelo se reabastecia de fé, de luz de alegria. Um dia toda a tropa se reuniu e lhe perguntaram: - O que significa aquela gaiola vazia lá no seu quintal com aquela placa colocada na porta dizendo: - Aqui mora o Pica pau Amarelo da felicidade?

                 O escoteiro sorrindo lhes disse: - É preciso ter a gaiola vazia para encontrar o pássaro que mora ali e assim saber que para possuí-lo ele precisa estar em liberdade. Ele meus irmãos escoteiros pertence a todos. – Os escoteiros fitavam-no com atenção.

                 Um deles, um Monitor poeta falou em nome de todos: Sabemos meu amigo e irmão escoteiro à certeza que você o encontrou, porque vemos em seus olhos, vemos em você e no seu sorriso! – Ele sorrindo respondeu: - Olhe meus irmãos escoteiros um dia quando quiserem e desejar ter seu pássaro da felicidade eu poderei com a maior alegria ajudá-los a encontrar em seus sonhos para ser feliz como eu!

                 Conta-se que a Lobinha de tanta felicidade sentiu que pela primeira vez seu papai e sua mamãe também passaram a sorrir com ela!


Baseado no conto: - O Pássaro Azul da Felicidade!

Nota de rodapé - — Que significa aquela gaiola vazia lá fora, com um letreiro: «Aqui mora o Pica Pau Amarelo da Felicidade»? O Escoteiro respondeu, sorrindo: — É preciso ter a gaiola vazia para encontrá-lo e para possuí-lo verdadeiramente. Só se pode possuí-lo em liberdade, porque ele pertence a todos! Os demais escoteiros ponderaram: — Temos a certeza que o encontraste, porque o vemos em ti! Ao que ele replicou: — Se quiserem, posso ajudar-vos a encontrá-lo, também… Uma história para contar aos lobinhos.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lendas escoteiras. Narkis, o Lobo Solitário.


Lendas escoteiras.
Narkis, o Lobo Solitário.

         A idade de Jonny Thorton era indecifrável. O que ele fazia para se manter sempre jovem ninguém nunca soube. Quando o vi pela primeira vez estava com doze anos. Assustei com ele. Fazíamos um jogo de tocaia e estava escondido na curva do Moinho e de tanto esperar que alguma patrulha passasse para anotar os nomes cochilava. Senti seus dedos tocando o meu ombro e quase cai do galho da árvore que estava aboletado. – Lá vem dois deles disse – Olhei na Estrada e vi Manfredo e Rosinaldo pé ante-pé tentando esconder dos índios selvagens. Eu era um índio selvagem. Quando o procurei novamente ele sumiu. Sumiu como? Ali era o topo do morro e dava para ver todos os lados. Oito anos depois entrando nos meus 21 anos fazia uma atividade aventureira No Rio das Esmeraldas. Calculamos eu e os monitores percorrer 42 quilômetros a pé. Erramos feio. De 42 foi para 65 quilômetros.

         O plano era seguir a estrada do Boiadeiro até o Vale da Serpente. Calculei que atrás do vale havia uma cadeia de montanhas onde era a nascente do Rio Esmeralda. Se fosse verdade com uma boa jangada iriamos alcançar em um dia o Rio Doce e de lá mais um dia até nossa cidade. Uma bela volta. Uma bela atividade aventureira só com monitores. Eu era assistente do Chefe Laerte. Por motivo de saúde não foi. Assumi e disse a ele que não se preocupasse. Após dez quilômetros de caminhada uma chuva rala começou. Esta é a perigosa. Um velho ditado dizia que se tens água e depois vento põe-te em guarda e toma tento. Dito e feito, passamos boa parte do dia debaixo dela. Capas pequenas logo estávamos todos ensopados. Avistei duas pedras na curva do Jacu onde se iniciava o Vale da Serpente. Entrar lá com aquela chuva não era boa ideia. Uma chuvarada no sopé da montanha e poderíamos sofrer consequências graves.

         - Olá Chefe! Ouvi alguém falando atrás de mim, virei e lá estava Jonny Thorton. – Venham comigo, sei onde podem se abrigar. Com a chuva torrencial não disse nada e o segui. Uma hora depois avistamos uma cabana. Entramos. Não era grande, mas dava para descansarmos e até dormir um pouco até a chuva passar. Jonny Thorton era um sujeito estranho. Usava uma espécie de macacão azul de brim mescla, acho que feito por ele mesmo, sem gola e sem mangas e presa por cipó trançado. Andava com um Mocassim feito por ele e quase não fazia barulho. Acedeu um fogo no seu fogão de barro, colocou um caldeirão grande com agua. Em uma escada de madeira retirou sobre a telha duas mandiocas e um pedaço de carne seca. Quer saber? Nunca tomei uma sopa como aquela. Não sei se foi à fome ou o ambiente, lá fora chuvoso, dentro um ambiente gostoso e em pouco tempo dormíamos a sono solto.

          Acordamos cedo. Não vi Jonny Thorton. Já não chovia e o céu ainda nublado. Fizemos um conselho de patrulha e todos foram unânimes em não desistir. Quando abri a porta da cabana um enorme lobo estava em pé, serrando os dentes e voltamos correndo para a cabana. Enfrentar o lobo não dava. Duas horas depois Jonny Thorton chegou. O lobo deu um enorme salto em cima dele e ambos caíram no chão. Tinha que ajudar a quem nos ajudou. Com o bastão sai pronto a usá-lo no lobo. – Não faça isto! Gritou Jonny Thorton. Ele é nosso amigo! Parei e esperei. A patrulha ficou dentro da cabana. – Narkis! Ele gritou, o Escoteiro é nosso amigo! O lobo me olhou de soslaio. Narkis! Veja! Ele tem alimento como o meu. – Tirei do bornal um pedaço de linguiça e dei para ele. Nunca em minha vida vi um lobo assim. A chuva voltou a cair. Corremos para a cabana e o lobo foi atrás.

        Mais uma noite na cabana de Jonny Thorton. Desta vez em companhia de Narkis, o lobo amigo. – À noite comemos um delicioso quitute de tomate misturado com peixe cozido e uma farinha de milho de dar água na boca. Jonny Thorton tinha no vale um belo restaurante e viveres que nunca iriam faltar. – A noite ele começou a contar sua história. Nascera em uma pequena cidade às margens do Rio Mississipi nos Estados Unidos. Era filho de Cabelos Longos, um índio da tribo Chicksaw. Com nove anos subiu a bordo de um barco em Terra Blanca e foi aprisionado por um capitão mau. Trabalhou a bordo por meses e escondido desceu em Port Gibson mendigando por anos. Com 14 anos conseguiu emprego em um navio cargueiro de ajudante de cozinha e veio parar no Brasil, em Vitória no Espírito Santo. A pé subiu as planícies do Vale do Rio Doce que lembravam sua terra e descobriu este lugar. Olhe Escoteiro, não sei quem é dono destas terras, mas daqui não saio nunca mais.

         Narkis eu o conheci quase morto próximo ao Lago Cinzento. Deram um tiro nele e consegui tirar a bala. Ficamos amigos e ele sempre me salvou de poucas e boas. Olhei para os monitores e subs, estavam de olhos arregalados na história de Jonny Thorton. - Narkis, continuou – Já pôs para correrem muitos malfeitores que fogem para este vale. Aqui não tem ouro e nem pedras preciosas, mas nunca irei sair daqui. Isto não vai demorar, pois estou chegando aos meus setenta anos. O Lobo deitou aos seus pés e nós fomos dormir. No dia seguinte o sol apareceu. Agradeci a Jonny Thorton a acolhida. Ele sorriu. Narkis irá mostrar o caminho até o Rio Esmeralda. Existe? Perguntei. Existe sim, posso apostar, pois eu conheço! Partimos. O lobo sempre à frente. De vez em quando olhava para trás. Uma hora parou com suas orelhas levantadas. Bem acima de nós eu vi uma enorme onça parda. O dobro do peso do Lobo Narkis. Durante alguns minutos um olhava para o outro. Pareciam conversar. Narkis fez um sinal para seguirmos. A Onça Parda sumiu na floresta.

       Atravessamos o Vale da Serpente sem nenhum tropeço. Se não fosse Narkis não sei se teríamos conseguido. O Rio Esmeralda era majestoso. Fizemos uma bela Jangada e tudo correu conforme os planos. Ficamos dois dias a mais que o planejado, mas valeu. Norberto um dos monitores contou e escreveu toda a saga de nossa aventura no livro de ata da patrulha. Nunca contou onde fica. Combinamos de preservar a identidade do Jonny Thorton. Por vários anos ainda encontrei o Jonny em alguns acampamentos. Um dia ele me procurou na sede do grupo e disse que ia partir. Seu pai tinha falecido e deixou para ele de herança uma vasta terra onde a tribo morava próxima a New Orleans. Ele era o único herdeiro. – E Narkis o Lobo? Perguntei – Ele vive ainda e nunca dependeu de mim para sobreviver. O tempo passou e uma lenda se formou no Vale da Serpente. Dizem que um Lobo Solitário e uma Onça Parda dividem as noites de lua cheia e nenhum homem pode se aproximar.


           Verdade ou não eu sabia que a lenda era real. Pensei até em visitar Narkis, agora chamado de Lobo Solitário. Desisti, pois ele tinha uma vida, uma companheira e humanos nem sempre são bem vindos para estes animais. Vida longa para Narkis o Lobo Solitário e sua amiga, uma Onça parda e que vivam para sempre no saudoso Vale da Serpente! 

Nota de rodapé: - Uma lenda? Pode ser. Narkis ficou no tempo e tanto tempo faz que ele não deve existir mais. E Jonny Thorton? Nunca mais ouvi falar. Os tempos são outros. Hoje isto não é mais possível me dizem alguns chefes. Concordo. Não há mais rios caudalosos, não há mais lobos e nem alguém como Jonny para nos alegrar nas noites chuvosas. Vida longa Jonny!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Lendas Escoteiras. “Gigante”.


Lendas Escoteiras.
“Gigante”.

              “Gigante”? Never, nunca, não passava de um quase anão. Bem era um pouco maior, mas todos olhavam para ele com cara de piedade. Laredo da Paz vivia sorrindo. Sua face, sua maneira era de um pequeno grande homem que nunca fez ou desejou mal a ninguém. Sua mãe morreu no parto e seu pai quando o viu sumiu de Morro Vermelho. Afinal que iria querer cuidar de um menino que nasceu assim? Coitado. Nasceu com síndrome de Down e isto afugentou boa parte da população do seu convívio que desconhecia esta característica e achou que era uma aberração da natureza. Nem sabiam que elas apresentam personalidades e características diferentes e únicas. Quem ia dizer para elas que Síndrome de Down se bem cuidada pode alcançar excelentes capacidades pessoais de desenvolvimento, de realização e autonomia. São entes que são capazes de sentir, amar, aprender, divertir e trabalhar. Iria aprender facilmente a ler e escrever e pode tranquilamente levar uma vida autônoma. Sem sombra de dúvida pode ocupar seu lugar próprio e digno na sociedade.

                    Mas quem em Morro Vermelho sabia disto naquela época? Sua Avó já quase cega o levou para casa. Cuidou, deu carinho amor e tudo que ela podia dar com os parcos salários que recebia de aposentadoria. Laredo cresceu como um excluído, exilado ou um Pariá que ninguém queria se aproximar. Aos quinze anos viram que ele não era um perigo para a sociedade. Mesmo excluído de amigos da sua idade ele sorria, nunca fez nenhum mal a ninguém. Era aquele que senta lá atrás na sala de aula e nunca reclamou. Aos vinte anos sua Avó faleceu. Ficou só e não sabia como sobreviver. Tentou de tudo, mas ninguém lhe deu uma oportunidade. Foi Dona Ana que acreditou e o levou para ajudante em sua vendinha na esquina da Rua do Contador. Recebia uma migalha, mas não reclamava. Os “fregueses” gostavam dele. Educado prestativo e sempre com um sorriso seu atendimento era o melhor que podiam encontrar.

                     Substantivo e Adverbio monitor e Submonitor da Patrulha Garça discutiam o futuro da patrulha e da Tropa. Chefe Corel ficou muito doente. Diziam que era câncer e que em breve ele iria “bater as botas”. Era um Chefe não muito amado pela Tropa escoteira. Prepotente, gritante se julgava o melhor e sempre falando que todos deviam seguir seu exemplo. Pelo sim pelo não a Tropa não chorou sua partida para tratar na capital. Agora estavam sem Chefe. A Corte de Honra se reunia todas as semanas atrás de uma solução. Seu Domingos presidente da Diretoria disse que sem Chefe eles não poderiam ficar. Ele iria fechar o Grupo. A Alcatéia de lobos já tinha acabado por falta de chefes. Ninguem queria assumir. Parecia uma maldição em vez de uma graça para alguém liderar jovens em sua formação moral e ética. Por quê? Bem o escotismo desde sua fundação pelo Sargento Cacildo nunca foi bem visto. Uma história que ninguém queria contar.

                    Substantivo andava pela cidade chorando e pedindo a Deus que os ajudasse. Sentou em uma calçada e começou a passar mal. Filho de imigrantes Japoneses nunca foi bem aceito pelos matutos de Morro Vermelho – Dizem que são “camicases”, dizia Bonfá o barbeiro. Ele nem sabia o que era camicases. Caiu na calçada e ninguém correu para ajudar. Gigante passava na hora. O pegou no colo e levou para sua casa. Deu-lhe um refresco de groselha, lavou sua testa com agua fria e a respiração de Substantivo voltou ao normal. Era apenas uma insolação e a fresca água e sombra foi um perfeito remédio. Surgiu daí uma grande amizade. Substantivo pensou: - Porque ele não poderia ser nosso Chefe? Levou a ideia para a patrulha e a Tropa. Todos se espantaram. - Ele? Não dizem que é irmão do capeta? Disse Parafuso. Pelo sim pelo não aceitaram a visita de Gigante em um sábado para conhecerem melhor.

                    No dia 16 de maio de 1956 a Tropa o empossou como Chefe da Tropa. Como? Poderão perguntar. Não sei. Seu Domingos presidente nem ligava mais para o Grupo que só tinha uma Tropa e nem Chefe tinha. - Quem se importa? Pensou. Seis meses depois chegou um Chefe impoluto com banca de chefão um homem que se dizia Zé Boquinha o representante do Escotismo nacional. – Ele não pode ficar! Não tem curso, nem ler sabe e é um doente, uma aberração da natureza! Gigante no alto da sua humildade disse que sabia ler e escrever e ser irmão e amigo de todos nunca uma aberração. Sabia matemática, português, e estava aprendendo filosofia. O Grande Chefe da capital riu. – Não quero saber. Fora daqui! Enfrentou a ira de 30 escoteiros com seus bastões prontos para agredi-lo. Saiu correndo e nunca mais voltou. A cidade riu quando soube de tudo. Orgulhou-se dos seus meninos e bateu palmas para Gigante que não levantou uma mão para agredir ou machucar alguém.

                       Passaram quinze anos. Muitos dos meninos daquela Tropa viraram homens feitos. Alguns foram embora para tentar uma faculdade, outros arrumaram emprego e até mesmo Zé Dedão um antigo cozinheiro se casou e se tornou um grande industrial da cidade. Mosca Branca o intendente dos Touros se formou “Devogado” e voltou juiz de direito. Morro Vermelho hoje se sente orgulhosa com seus mais de 140 escoteiros e lobinhos. Na escola quando da matrícula perguntam: - É Escoteiro? Nada contra, qualquer um pode entrar sendo Escoteiro ou não, mas todos os escoteiros sorriam mais, alegravam mais, eram mais corteses e educados e bons estudantes.  O melhor mesmo é Gigante. Tirou o segundo grau, e não quis continuar estudando. Deu sua vida pelo Grupo Escoteiro. Era seu amor sua paixão. A meninada adorava seu Chefe. Hoje tem muitos oriundos daquela época, mas Gigante nunca quis ser o chefão do grupo. Boticário o Monitor mais antigo assumiu a chefia do Grupo. Não faz nada sem primeiro consultar Gigante.


                      Bem, as coisas são assim mesmo e eu não aconselho a todos seguirem o mesmo caminho. O Grupo nunca se registrou. Tentaram processos de todos os tipos para fechá-lo. Mosca Branca o Juiz ria e dizia – Que eles se preparem para uma boa luta do Scalp! Gigante continua na vendinha de Dona Ana. Agora são sócios. Dona Ana quase não aparece. A vendinha cresceu e muitos aconselham Gigante a construir um Super Mercado. – Eu? Nunca meus amigos. Sou feliz assim e porque mudar? Nada como descobrir o caminho da felicidade. Não sei não, mas se Baden-Powell fosse um ser super poderoso e olhasse na terra sua criação, ficaria orgulho do Grupo Escoteiro de Morro Vermelho. “Mais ainda de Gigante, um Chefe que não precisou ser dono da verdade, prepotente ou mesmo o líder que muitos esperam e que foi amado e idolatrado por todos que um dia passaram pelo Grupo Escoteiro da cidade de Morro Vermelho”.    

Nota de rodapé: - “Aquilo que você faz, fala mais alto do que aquilo que você diz”. O que você plantar hoje certamente colherá amanhã. Já um disse um sábio: “Plante uma ação e você colherá um hábito. Cultive o hábito e você desenvolverá um caráter!”. Gigante não era anão, não era famoso, mas fez da tropa de Rio Vermelho a melhor de todo o estado. Não acreditam? Leiam a história e depois me digam.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lendas Escoteiras. Só o amor será minha herança.


Lendas Escoteiras.
Só o amor será minha herança.

                           Poucos viram naquela manhã uma luz forte azulada que caiu mansa sobre a cidade de Purgatório. Na bruma que se formou um jovem alto com o uniforme social dos Escoteiros, atravessou a ponte de madeira com um sorriso contagiante. Tinha uma forquilha na mão, uma pequena mochila e passos sem pressa em chegar. Era uma cidade simples, pequena, onde havia muitos jovens por falta de oportunidade profissional. Os mais velhos diziam que no passado havia muito amor, cortesia, fraternidade e amizade entre seus residentes. Na rua vazia ninguém viu aquele jovem calmo, com passadas curtas, olhando para frente com um sorriso nos lábios cumprimentando a todos que encontrava. Ali ninguém notava ninguém. Purgatório tornou-se uma cidade dispersa, Seus habitantes mudaram de hábito e agora viviam para si sem pensar no seu próximo. Um poeta disse uma vez que era fácil sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e fazer feliz por inteiro. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

                             O jovem entrou na Rua da Tristeza, poucas casas e na última entrou. Ele sabia de quem era. Desde que saiu há muitos e muitos anos pensou que nunca mais ele voltaria. Ninguém o viu entrando em sua velha casa; - Quanto tempo se passou? Melhor não pensar e seguir seu plano conforme planejou seu retorno. Sonhou em fazer uma cidade nova, com sorrisos para todos poderem amar seu semelhante. Abriu às janelas, as cortinas eram as mesmas, brancas de cetim com pequenos babados enfeitando suas laterais. Os móveis estavam limpos, a cozinha também, tudo asseado e bem cuidado. Fez um café no ponto. Bebeu uma pequena xícara com gosto. Não estava com fome, deixou para fazer um lanche na sua volta. Estava quase na hora. Entrou no quarto e seu uniforme de campo solto e bem dobrado estava em sua cama. Bem passado como quando o usava. Dobrou o lenço devagar. Na parede viu o porta-chapéus com o seu acondicionado. Os sapatos engraxados e os meiões preparados estavam na cadeira de vime ao lado.

                  Não precisava correr. Sabia a hora que ia iniciar a contenda, mais conhecida como reunião. Ele fora um deles, e agora pensava no passado tão distante onde buscou um novo caminho e até hoje nem sabe que rumo tomou. Sentiu o mesmo vento soprando, sem saber se ia para o norte ou para o sul. No seu subconsciente achava que não teria mais volta. Vestiu seu uniforme como no passado. O pequeno relógio de seu pai abraçava a parede verde clara da saleta da entrada marcando quinze para as duas da tarde. Tempo suficiente para ele chegar e resolver a contenda que seu destino o levara de volta. Na Rua da Angustia ninguém olhou para ele. Na Praça dos Piedosos não viu ninguém. Chegou à sede sorrindo, e ninguém olhou para ele. Para muitos ele sempre esteve ali. Não era nada não era ninguém. Levantou as mãos e orou. Pediu a Deus em uma prece profunda que mudasse o coração da irmandade, que pensassem mais nos outros que em si. A cidade precisava mudar. Aqueles sorrisos de outrora, aqueles apertos de mãos, aqueles abraços tão gostosos não podiam ficar armazenados na caverna do esquecimento.

                      Ele sempre soube que o começo de tudo estava ali, naquele Grupo Escoteiro onde se acreditava em uma Lei, onde se dizia que há honra estava acima da vida e da morte. Onde a palavra tinha um dom de ser acreditado, pois a grandeza destas máximas não consiste em receber aplausos, mas sim em fazer por merecer. Todos se dirigiram a ferradura. Hora do Cerimonial. Hora da reunião da família escoteira hora da bandeira ressoar no ar. Ele ficou junto à chefia, não houve sequer um abraço um aperto de mão. Ele notava os olhos tristes, faces angustiadas, enrugadas, sorrisos tortos, palavreado difícil para entender. Os lobos tentavam sorrir e não conseguiam. As patrulhas desleixadas, os seniores a conversar entre si. Os chefes não se olhavam. Ali não havia amor, amizade e os que estavam presentes eram como se fossem mais fantasmas escoteiros que não se conheciam.

                        A bandeira foi içada. Não houve canções, hinos nada. Faltava o calor humano. Faltava um olhar carinhoso, faltava uma voz que unisse a todos outra vez. Ele pediu a palavra. O olharam como se fosse um estranho. E ele era sim um estranho. Humildemente foi ao centro da ferradura, olhou nos olhos cada um para transmitir amor. Estava difícil... Olhou para o céu e fez uma oração ao Senhor seu Deus: - Dá-me Senhor: um coração vigilante, que nenhum pensamento vil o afaste de ti; um coração nobre, que nenhum sentimento indigno o rebaixe; um coração reto, que nenhuma maldade desvie; um coração generoso para servir. Senhor que cada um de nós possa amar uns aos outros, que possamos aprender a sorrir, a cantar a dizer aleluia Senhor por uma graça alcançada.

                        O sorriso de um Lobinho se espalhou no ar, os gritos de patrulha eram gostosamente gritados pelos escoteiros de uma maneira exemplar. Os seniores davam risadas e abraçavam-se entre si.  Pioneiros e chefes contavam “causos” sorrindo e as guias aplaudindo. Um Chefe veio correndo abraçar outro Chefe chorando e pedindo perdão. Um zum zum se espalhou como o vento que antes soprava sem destino. Ele sorriu e olhou para o céu. - Obrigado meu Deus pela graça que me destes. Permitiu-me fazer o meu melhor possível e dar o meu melhor. Ensina-me sempre que o dever, longe de ser um inimigo, é um amigo. Faça-me encarar até a mais desagradável tarefa, alegremente. Dê-me fé para compreender o meu propósito nesta vida e abra minha mente para a verdade, e enche meu coração com amor. – Era hora de partir, ele sabia que ali tudo havia sido alterado. Ele sabia que a cidade iria acompanhar os novos ventos de mudança. Era hora de voltar.

                           Abraçou a cada um em particular. Seu aperto de mão eram como fagulhas de amor e paz a jorrar no coração de cada um. No portão deu seu último olhar. Uma Lobinha sorria e dizia adeus. Era um novo adeus que sua alma precisava. Entrou em sua casa e uma pequena lágrima apareceu em sua face até desaparecer no chão que ele pisava. Era hora de partir, fechou as janelas, beijou um pequeno crucifixo que estava no quarto de sua mãe. Lembrou-se do sorriso que ela sempre lhe deu antes de partir. Saiu devagar pela Rua da Amizade, viu outra placa, tinham trocado. Passou pela praça e viu que se chamava Praça do Amor. Havia cheiro de perfume no ar, rosas sorriam quando passavam. Na praça viu uma multidão a cantar. Na saída uma nova placa dizia: - Bem vindos a Portal da Esperança. Purgatório ficou no esquecimento. Um clarão azul brilhante o levou de uma só vez. Com um pequeno sorriso lembrou-se das palavras de um poeta: - Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão...

Nota de rodapé: - 

 Ele surgiu do nada, a cidade perguntou quem era e ninguém sabia responder. Assustaram-se quando se dirigiu a Sede do Grupo Escoteiro. Ninguém o conhecia, era um estranho sem nome. Mas quando partiu deixou para traz um raio de esperança. Era como se tivesse escrito no céu que ainda que seja noite em seu coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão... Uma bela história mística e cheia de espiritualidade.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Histórias da Jângal. Era uma vez... Em Seeonee. Uma história para Lobinhos.


Histórias da Jângal.
Era uma vez... Em Seeonee.
Uma história para Lobinhos.

                   Era uma vez... Em uma selva muito distante, havia uma Alcateia de Lobinhos, que por muitos anos vivia feliz. Um dia um novo lobinho foi admitido e muitos não gostavam dele. Tinha prazer em ferir seus amigos da alcateia e se orgulhava do seu mau gênio. Sua Matilha corria dele. As outras matilhas se afastavam quando ele chegava. Muitos faziam tudo para nas formaturas ficarem longe dele. Quando a Akela os chamavam para um jogo nenhum lobo queria ser sua dupla ou mesmo jogar no mesmo time.

                    Ele não se incomodava e parecia se sentir feliz ao ver que a maioria não tinha nenhuma simpatia por ele. Nunca pediu desculpa e perdia a paciência sempre quando alguém o olhava enviesado. Um dia a Akela cansada de aconselhá-lo tomou uma decisão. O chamou na sala da sede e deu-lhe um saco cheio de pregos. Lobo ela disse, cada vez que perder a paciência, for mal educado ou que um lobinho reclamasse dele que batesse um prego no portão de madeira da sede.

                   Ele espantado não entendeu. A Akelá foi dura com ele. Se não obedecer serei obrigado a desligar você da Alcateia. Voce não pode deixar de cumprir a tarefa que estou passando para você. É sua única chance de continuar como lobinho. O Lobinho amava a Alcateia. Nunca pensou que os outros lobos não gostavam dele. Não queria sair e cumpriu o que a Akela determinou. No primeiro dia para sua surpresa ele pregou trinta e sete pregos no portão. Com alegria notava que gradativamente o número foi decrescendo.

                  Cansado o Lobinho descobriu que era mais fácil controlar seu gênio, do que pregar pregos no portão. Finalmente chegou o dia, no qual o Lobinho não perdeu o controle sobre seu gênio. Sorridente correu a contar a Akelá. Ela lhe deu os parabéns e disse que agora ele devia tirar um prego do portão, por cada dia que ele fosse capaz de controlar o seu gênio e não aborrecesse seus amigos. Os dias foram passando, até que finalmente o Lobinho pôde contar a Akelá, que não havia mais pregos a serem retirados.

                 A Akelá carinhosamente pegou o Lobinho pela mão o levou até o portão e disse: - Meu querido lobo, você fez bem, mas olhe dê uma olhada no portão. Ele nunca mais será o mesmo. Veja o estado que ele ficou. Quando você diz coisas sem pensar ou mesmo irado, suas palavras deixam uma cicatriz como estas. Você pode bater em alguém e não importam quantas vezes você diga que sente muito. A ferida continuará ali. Uma ferida verbal é tão má quanto uma física.

                Ela o abraçou sorrido e disse: - Lembre-se amigos são uma joia rara realmente. Eles te fazem sorrir e o encorajam a ter sucesso. Eles sempre te ouvem, tem uma palavra de apoio e sempre querem abrir seu coração para você. Mantenha isto em sua mente, antes de se irar com alguém.


E então... A Alcateia viveu muito feliz para sempre!

Nota de rodapé: - - Esta é uma historia para ser contada aos lobinhos. O fundo de cena mostra um lobinho mais astuto mais maldoso e deixou muitos lobos ressentidos com ele na Alcateia. A Akelá que amava a todos os lobos deu a ele uma tarefa para que ele modificasse sua maneira de ser. Mas não vou contar a historia. Leiam e vejam como ela teve uma excelente ideia para fazer ali todos irmãos e felizes.

domingo, 6 de agosto de 2017

Contos de Fogo de Conselho. Zezito Sansão... Você é um ladrão!


Contos de Fogo de Conselho.
Zezito Sansão... Você é um ladrão!

                      Fiquei bastante emocionado quando Lampião um Chefe visitante em nosso Fogo de conselho, sem muitas delegas contou a história de Zezito Sansão. Não só eu, mas a escoteirada em volta do fogo prestou enorme atenção a sua maneira simpática de contar historias. Em pé em frente à ferradura que fechava a fogueira, com um estilo próprio de matuto nortista ele começou:

                       - Zezito Sansão, você é um ladrão! Assim todos diziam na cidade. - O Delegado Paredes olhava-o com um olhar sem piedade e sem compaixão. Não sabia mais o que fazer. Não foi a primeira vez e ele sabia que nem seria a última que Zezito Sansão iria parar em sua delegacia. O que fazer com este menino? Ele pensou. Olhou novamente para Zezito Sansão. Doze anos, magro, pele morena curtida já que vivia sua meninice na rua a espera de alguém para roubar. Se pudesse o colocaria por uns dias atrás das grandes, Disse o Delgado, mas sabia que não podia fazer isto.

                     Ligou para Nonato Praxedes o responsável do Conselho Tutelar. – Delegado! – Porque o senhor não o envia para a capital? O senhor sabe que não tem outro jeito, disse. Não tinha mesmo. Sua mãe dona Nenê vivia em uma cadeira de rodas, enxergava mal e praticamente surda. Lavava com dificuldades sua roupa deles, passava e cozinhava isto quando Zezito Sansão levava algum alimento para casa.

                    O delegado Paredes o pegou pelo braço e disse: - É a última vez. Na próxima vou levar você para a capital. Lá você vai comer o pão que o diabo amassou. Sua mãe assustou quando ele disse isto. Ela sabia que nada podia fazer. Esperou o delegado sair e olhou com olhos rasos d’água fez um sinal para ele chegar mais perto. Ela o beijou no rosto. Ela sabia que se ele fosse para a capital ela iria morrer em poucos dias. Não tinha o que comer e nem como comprar. Sem ele não era ninguém.

                    Chefe Enzo chegou à casa cansado. Um dia difícil no trabalho e queria um banho, jantar e descansar. Priscilla sua esposa sorriu para ele. Ao tirar a roupa no quarto deu falta de sua carteira. Onde foi que deixei? No serviço não foi, pois pagou a passagem de ônibus. Refez o trajeto. Lembrou-se de esbarrar em Zezito Sansão. Só podia ter sido ele! Conhecido ladrãozinho por todo mundo. Contou para Priscilla. Vou a casa dele. Tem documentos que não posso perder. Era perto, três quarteirões.

                    Ao chegar viu a porta aberta. Entrou sem bater. Iria dar uma carraspatana no menino ladrão. Na cozinha viu Zezito Sansão dar comida a sua mãe. Ela quase não mexia os braços. Ele paciente colocava uma colher de sopa em sua boca sorrindo e ela também. Em cima da pequena mesa viu sua carteira. Zezito Sansão fechou a cara. Encolheu-se de medo. Muitos entraram ali e batiam nele a valer. Chefe Enzo se desarmou. A cena era demais para ele. Sabia que o menino era ladrão, mas fazer o que? Na carteira faltava dez reais. O resto estava intacto. Chefe Enzo viu o medo em seus olhares. Uma ideia surgiu e ele falou – Zezito Sansão quero você na reunião dos Escoteiros no sábado. As duas em ponto. Se não for vou falar para o delegado!

                    Priscilla entendeu o que ele ia fazer. Não existia outro caminho. - Você é um Chefe e sabe que tem de fazer o que é correto, disse. Seria mesmo? Afinal era um menino ladrão. Roubou meio mundo na cidade e até mesmo o Juiz Juvenal e o Padre Antônio não escapou. Se não ajudasse quem iria ajudar? – Sábado, às duas da tarde Chefe Enzo viu Zezito Sansão chegar à sede. Ninguém entendeu porque ele estava ali. Ronaldinho o Diretor Técnico perguntou: – O que vai fazer? Chefe Enzo sabia que toda a chefia não ia aceitar. Lembrou-se das palavras de São Francisco de Assis: - Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível. Ele iria ajudar Zezito Sansão o ladrão.

                   - Disse para Zezito Sansão que ele tinha três oportunidades. Se ele roubasse três vezes seria defenestrado do grupo. Ninguém dos Escoteiros o ajudaria. Nunca ninguém se entregou ao escotismo como Zezito Sansão. Começou a amar o que estava fazendo. Sonhou até em morar com eles, viver e respirar o mesmo ar que eles diziam ser sagrado em um acampamento. Mas e sua mãe? Como ela iria viver? Onde iria comer? Sem perceber roubou o relógio de Monserato o monitor. Vendeu barato e comprou mantimentos para sua casa.

                  No sábado seguinte Chefe Enzo o olhou. – Uma vez se foi Zezito. Dei um relógio para Monserato o Monitor. Você tem mais duas oportunidades. Só duas lembre-se bem. Zezito Sansão chorou muito aquele noite em sua casa. Pensou que seu amor aos Escoteiros nunca seria realizado. Mas não teve jeito. Roubou uma barraca da Patrulha Tigre e não achou ninguém que comprasse. Mesmo assim foi um roubo. Devolveu. Sabia que só teria uma só oportunidade. Chefe Enzo estava com os olhos cheios de lágrimas quando me contava esta história. – Turma! Ele nunca mais roubou. Ajoelhou aos pés do Chefe Enzo e disse que nunca mais faria isto, mas sabia que sua mãe iria morrer. Ela não tinha o que comer!

                   Gentil Monitor da Jaguar perguntou: – E o Chefe Enzo, o que fez? - Chamou a tropa, explicou sem humilhar Zezito Sansão. Cada um tinha obrigação de ajudar. Por muitos anos as patrulhas faziam uma campanha do quilo que ajudava Zezito Sansão e mais cinco famílias. Ele entrou para a escola. A diretora queria recusar, mas a insistência foi grande. Chefe Enzo se responsabilizou. Se ele roubar eu pago!

                    - Chefe Enzo sempre se lembrava de São Francisco. Escreveu que ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão. Ele conseguiu com seu Chefe na oficina que ele ficasse como ajudante aprendiz na área de transporte. Doze anos Enzo? Não podemos. – Enzo se responsabilizou e se ofereceu para pagar seu salário. Não foi preciso. Ele surpreendeu a todos. Zezito Sansão nunca mais roubou. Não sei se foi o escotismo, se foi o dia que jurou a bandeira ser um homem de bem, que iria cumprir a lei, que seria um exemplo para todos e que nada é difícil quando se quer vencer.

                 Chefe Lampião olhou para todos e disse: O Chefe Enzo sempre disse que não se considerava um herói. Dizia que não era melhor que ninguém. Ajudar ao semelhante é obrigação de todos. Disse. - A vida nada mais é que, um grande livro de onde nos são apresentadas lições diárias. Agradeço por tê-las. Eu sei que onde há amor e sabedoria, não tem temor e nem ignorância e isto é um fato. “São Francisco dizia que fazia tudo o que podia, tentava fazer o possível e lá na frente quando olhar pra trás iria ver que fez o impossível”.


                  Chefe Lampião terminou dizendo que Zezito Sansão, cresceu se formou e hoje tem uma esposa, três lindos filhos que são a alegria de quem um dia nada teve e nunca pensou em ter. E aplausos e gritos encerrou aquele Fogo de Conselho que ficou na história da tropa.   

Nota de rodapé: -   Esta historia de Zezito Sansão, é considerada exemplo para que os jovens mais humildes possam ter o privilegio de serem escoteiros não importa o Grupo que vão pertencer. Dizem que ele se transformou em um grande escoteiro, um grande homem. - Senhor dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... E sabedoria para distinguir uma coisa da outra. São Francisco de Assis. Que todos se lembrem de que o escotismo não é para ricos... É para todos!