quinta-feira, 19 de julho de 2018

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...


Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras.

Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia. Venha leia uma duas e comprove. Quem sabe poderá utilizar em reuniões com dias chuvosos, frio intenso e até em acampamentos ou acantonamentos. Agradeço sua visita, volte sempre!
Chefe Osvaldo. 

“Amâncio”.



“Amâncio”.

                 Olhou para seu monitor e pensou em dar uma resposta à altura. Eram da mesma idade e Torpedo só mandava e nada fazia. Deu para empurrar a patrulha quando em fila. O jogou no chão algumas vezes. Fervia de raiva. Porque aceitar aquilo? Prometeu a si mesmo sair depois do acampamento em Aguas Formosas. Sonhava com ele. Um ano de preparação. Perder tudo que criou na sua mente? E o Ninho de Águia? E a Ponte Pênsil? Treinou amarras, costuras, desenhou. Deixar tudo para trás? Será que o Chefe não via as ações de Torpedo? Porque aceitar um monitor sem qualidades, mandão, déspota, prepotente a “comandar” uma patrulha que nunca iria aprender a andar com suas próprias pernas dirigidas por um monitor sem formação?

                  Foi para casa pensando o que fazer. Quantos entraram na patrulha e sairiam? Há dois anos quando entrou a patrulha tinha sete, Torpedo entrou e saíram tantos que agora só tinham quatro e olhe que mais de oito entraram depois. Uma conta que não fecha. Resolveu falar de homem para homem. Foi à casa de Torpedo. Ficou horrorizado com o que viu. Seu padrasto com uma correia na mão lhe aplicava a maior surra. Sua mãe corria pedindo perdão. Torpedo chorava e gritava. A patrulha policial chegou. Levou o Padrasto de Torpedo. Sua mãe o levou para o hospital, pois estava todo machucado.

                 Chegou sábado na sede e abraçou Torpedo. Este espantado não sabia o que dizer. Amâncio sorriu. – Torpedo, a amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento. Duplica a nossa alegria quando dividimos a nossa dor. Torpedo sorriu e abraçou forte Amâncio. Ficaram amigos para todo o sempre!

Amizade verdadeira não é ser inseparável. É estar separado, e nada mudar. Enquanto alguns escolhem pessoas perfeitas, eu escolho as que me fazem bem.


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Lendas da Jângal. Carlito.



Lendas da Jângal.
Carlito.

                 Balu! O que é honra? – Carlito me pegou de surpresa. O que responder? Ele um Lobinho de oito anos precisava ouvir minha explicação conforme sua idade permite. Afinal dizer a ele que Honra é um princípio que leva alguém a ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade, podia não entender. – Olhei para Carlito. Sério, me olhando e esperando uma resposta. – Gaguejei e falei o que podia falar: - Carlito é o que seus amigos esperam de você, que seja bom, amigo, respeitador, estudioso e cumpridor da Lei do Lobinho. Ele me olhou não acreditando muito. – Só isso Balu? – Falar mais o que? Completar que é um princípio de comportamento do ser humano que age baseado em valores bondosos, com honestidade, dignidade, valentia e outras características que são consideradas virtuosas?

                  Rezei para ele sorrir, me dar um melhor possivel e voltar para sua matilha. Mas ele não fez nada disto. Achegou-se mais perto e me olhando com aqueles olhos castanhos brilhantes nem sorriu e me sapecou mais uma pergunta – Balu! E Caráter? O que é? Danado de Lobinho. Deixando-me na berlinda com uma simples resposta. Nunca fui um estudioso destes temas. Sei que falamos nele diariamente. A imprensa cobra, na escola a professora exige e os pais se sentem orgulhosos quando vêem seus filhos agindo como um homem ou mulher de caráter. Tentei mastigar uma resposta. – Carlito, isto é o que os bons lobinhos têm de melhor. Agem e reagem como um lobo de Seeonee em sua alcatéia. É chamado de formação moral. A firmeza e coerência de atitudes. Ele me olhou como não estivesse entendo nada. – Tentei remendar: - São qualidades e defeitos de uma pessoa que vai determinar se sua conduta e sua moralidade podem dizer se ele tem caráter. Pense bem Carlito, se você é obediente, fala a verdade, tem moral que todos respeitam então existe coerência em suas ações, assim todos vão respeitá-lo pelo seu procedimento e comportamento.

                  Sorri para mim mesmo pensando ter dado uma boa resposta. Se ele tivesse me perguntado de Mowgly, da Roca do Conselho e da Flor Vermelha eu iria responder com gosto. Mas não, ele queria saber o que era honra e caráter. Deve ter ouvido em sua casa os comentários que estão fazendo hoje de muitos homens e mulheres que respeitavam e agora viram o outro lado de cada um. Baden-Powell um dia disse que não existe nenhuma escola com a disciplina de como formar caráter e honra. Muitos dizem que a família é responsável. E o escotismo não pode servir também para ajudar na formação de jovens com honra e caráter? Sei que sim. A lei do Lobo, A lei do Escoteiro tem tudo para mostrar o caminho a seguir. Mas se você não age como tal como dizer como deve ser o lobo com honra e caráter?

                   Carlito ouviu gritarem Lobo, lobo, lobo! Olhou-me e olhou para a Akelá. Queria saber mais e preferiu não continuar comigo. A disciplina que trazia dentro de si dizia sem sombra de duvida que obedecer era ter honra e caráter. - Gritou alto - Lobo! E saiu correndo em disparada para a formação do Grande Uivo.

O que é honra? – é um princípio que leva alguém a ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade. É uma consideração devida a uma pessoa que se distingue por seus dotes intelectuais, artísticos, morais; O que é caráter? - É o conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Histórias de Fogo de Conselho. A fogueira.



Histórias de Fogo de Conselho.
A fogueira.

                 O sol se escondeu atrás da montanha. Sentados em volta do fogo quatro monitores e o Chefe Waldez, cantavam uma canção antiga que contava uma história dos Caçadores de Pele quando retornavam de sua jornada para suas casas nos grandes lagos do Canadá. Liliana ao terminar a canção disse a todos: - Amigos existe uma história de amor entre o sol e a lua.  Foi Topomak quem me contou. Tudo começou quando ela se pôs a reinar no céu de estrelas. 

               - Josiel sério pediu a palavra e Liliana gentilmente disse sim. – Amigos conta-se uma lenda que o sol disse que amava a lua, a lua também amava demasiadamente o sol. As estrelas disseram que esse era amor impossível. Foi então que o céu fora convidado a apadrinhar o romance, obstante, a nuvem chorou e chorou, pois também amava o sol. Quando as lágrimas se acabaram, a nuvem se foi nos braços do vento e o sol brilhou feliz. Mas ele fora praguejado para sempre pela nuvem e nunca pode encontrar sua amada lua. Hoje toda vez que a nuvem se lembra do sol a nuvem chora e chove... 

                  O Chefe Waldez que tudo ouvia, após o silencio que todos fizeram disse: -"O caminho espiritual é como o fogo que arde adiante de nós." - disse ele. -"Um escoteiro que deseja acendê-lo, tem que se conformar com a fumaça desagradável que torna a respiração difícil e arrancar lágrimas do rosto. Assim é a reconquista da fé. Entretanto, uma vez o fogo aceso a fumaça desaparece e as chamas iluminam tudo ao redor nos dando calor e calma".

              Zé Celso o mais antigo dos monitores disse: -"E se alguém acendê-la para nós?" - perguntou. -"E se alguém nos ajudar a evitar a fumaça”?

             Chefe Waldez com seu estilo mágico falou baixinho: - -"Se alguém fizer isto, é um falso Escoteiro. Quem pode levar o fogo para onde tiver vontade ou apagá-lo na hora que quiser e como não ensinou a acendê-lo, é capaz de deixar todo mundo na escuridão”...

               Compenetrados e após um cafezinho amargo, voltaram a cantar o Stodola (brilha a fogueira) enquanto no céu os cometas passavam célere sem rumo definido. Marco Antônio o Monitor mais novo sorria pensando: - É bom ter amigos, é bom saber que os verdadeiros amigos são como estrelas no céu. Eles são mais claros nos tempos da escuridão...

                Liliana olhou para Josiel e lembrou-se de um poema: - "Te dou um Céu Cheio de Estrelas, feitas com caneta bic Num papel de Pão.”.

                E nesta noite, um Chefe e jovens monitores sabiam que ali morava o coração de Deus!

Nota - Deitado na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Contos de fogo de conselho. “Nicodemos”.



Contos de fogo de conselho.
“Nicodemos”.

                    Escolheu ir pela Rua do Ouvidor. Poderia ter ido pela Alameda dos Bonfins. Suas escolhas não tinham uma explicação lógica. Apenas um menino a perambular pela Rua indo em uma direção já escolhida. No quarteirão do Colégio Santo Antônio parou. Viu o enorme portão de ferro aberto. Foi até lá. Viu uns quinze meninos em circulo hasteando uma bandeira. Achou interessante. Entrou e se aproximou.  Achou bonito a bandeira subir, pois ventava e ela se abria totalmente.

                    Viu Conrado amigo de escola na frente de dois meninos. Ele segurava um bastão com uma bandeira com desenho de um bicho. Os dois professores que comandavam fizeram uma brincadeira que ele não entendeu bem. Afinal tinha meninos menores e maiores. Claro que os maiores iriam ganhar.

                      No final da brincadeira eles ficaram em pé e o professor deu uma aula que ele não sabia de que era. Quem sabe era matemática, pois ninguém gostava desta matéria e todos quase dormiam sem ouvir. Saiu pelo portão como entrou. Seguiu pela Rua do Ouvidor até o Escadão das Flores. Ele sabia que seus amigos estavam lá. Gostava de ir, um bom papo conversas proibidas ele ria a beça quando um dizia ter beijado a namorada.

                     Olhou no relógio. Esqueceu que fora roubado por uns moleques do Alto do Boi Bravo. Levaram também seu tênis que não era novo. Esqueceu completamente os meninos que dormiam na aula de matemática.  Pensou em seus sábados a papear no Escadão do Boi Bravo com seus amigos. Sentia-se bem ali. Lá ninguém pensava na aula de matemática. Suspirou fundo, todos estavam lá. Sorriu e pensou que era feliz!

domingo, 15 de julho de 2018

Lendas Escoteiras O preço de um sonho.



Lendas Escoteiras
O preço de um sonho.

                   Qual o preço de um sonho? Afinal sonhar tem preço fixo ou paga-se em suaves prestações? Dizem os poetas que sonho não tem preço, mas realizar tem. Depende de cada sonho, têm os sonhos com valores simples, outros irrealizáveis dependendo do que foi escolhido para um pobre mortal que sonhou por sonhar... Ah Bianca! Quantos sonhos tinha aquela menina? Sua mãe muitas vezes sorria e dizia – Filha põe os pés nos chão. Você sonha demais. Quantas vezes na sala de aula ela se assustava com a Madre Genoveva a gritar em seu ouvido: - Acorde menina pare de sonhar. Você veio aqui para estudar. Fazer o que? Se ela tinha tudo sabia que não tinha nada. O pai um homem importante, rico, quase não ficava em casa. Sua mãe taciturna, a proibia de tudo e não lhe negava nada desde que com ela presente. No seu quarto não sabia quantos presentes recebeu. Era pensar e alguém comprava para ela.

                    Ela sabia que a inveja é um pecado capital. Nas aulas de religião o Padre Enzo ensinou. Mas ela invejava e muito Giovana, Lena e tantas outras. Pareciam livres, pareciam pássaros soltos no ar a voar em qualquer direção escolhida. Ela? Ela não. Um motorista ia buscar e trazer no colégio. Ir ao cinema com sua mãe e mais ninguém. Um dia ouviu o pai dizer que ela podia ser raptada. – Fica de olho mulher. É só ela que temos e não sei se aguentarei viver sem ela. Quando ouviu isto pensou por vários dias. Porque ele não fica comigo, não passeia, não conversa e só uma vez me deu um beijo no rosto no aniversário dos onze anos? Ainda bem que ela podia sonhar. Sonhava acordada em sair por aí, a passear, a ver rapazes e moças de sua idade na praça, em pequenos bailes que ela ouvia algumas amigas contar. Em casa se trancava no quarto. Chorava muito, mas depois dormia e então era hora de sonhar.

                    Um dia fez o que não podia. Um sábado não viu ninguém. Saiu pela porta e nem o segurança estava. Sua mãe também não. Vestindo uma blusa rosa, um jeans velho e sem agasalho resolveu dar a volta no mundo. Iria ser uma nova aventureira, porque não? Pela primeira vez se sentiu forte, valente, corajosa e agora sim era dona de si mesma. Andou devagar, virou várias ruas. Parou em sinais esperando o verde. Bom demais! Vibrava! Isto sim é que é vida pensou. Alguém no seu ombro pós a mão. – Olhou devagar. Isto nunca aconteceu – Menina! Eu tenho uma rosa, formosa, pode pagar qualquer tostão. É para minha patrulha, pois vamos todas acampar!  Bianca ficou surpresa. Na algibeira tinha vinte reais. Deu a menina sorridente, de uniforme com um lenço azul da cor do mar. A menina sorriu. – Obrigada, não é muito? Não preciso respondeu Bianca. Posso conhecer sua patrulha?

                    Lá foram elas de mãos dadas pela Rua das Flores e em uma casinha pequenina outras meninas como ela brincavam de esconde, esconde. – Quer participar? Foi demais. Nunca Bianca teve tal liberdade. Foram horas de felicidade. Sim, o tempo, ele separa a alegria do compromisso e não nos dá a liberdade de brincar. Quando sonhamos queremos o sonhado para ontem de preferência, mas o tempo da vida é muitas vezes completamente diferente do nosso tempo interno e é nesta hora que outros fatores começam a minar a nossa confiança no nosso poder de realização dos nossos sonhos. Bianca se esqueceu de tudo. Tudo estava bom demais. A tarde foi chegando mansamente. E eis que de repente dezenas de radiopatrulhas cercaram a casinha das meninas que espantadas não entendiam por que. O seu pai chegou apressado, sua mãe com expressão severa. – O que fazes? Não avisas? Nos deixa pensando o pior?

                    Bianca queria chorar, mas sua felicidade de horas foi tanta que resolveu sorrir. Se o tempo foi curto sua alegria foi demais. Agora tinha novos motivos para sonhar. Dizem que começamos a criar macaquinhos na nossa cabeça quando resolvemos sonhar. Sonhos que um dia poderão ser verdade, mas será que vai dar certo mesmo? Será que quando eu alcançar isso vou me sentir feliz novamente? Pensou em pedir ao seu pai, a sua mãe, mas sabia que não iriam deixar. Pense bem, meninas de ninguém, você lá de família nobre no meio de gente pobre. Bianca pensava. Será que vale a pena tanto esforço? E assim começava o seu processo de autossabotagem de um sonho que não ia realizar. Se observarmos a natureza, existe nela tempo para tudo, temos as quatro estações, hora de esperar – inverno, hora de recriar - primavera, hora de deixar ir - outono, hora de se expor – verão.

                        A natureza é sábia, devemos usar desta mesma sabedoria, no nosso tempo para realizar o nosso sonho, o importante é você reconhecer se é isso mesmo que você quer isso mesmo que você sonhou, com todas as cores e detalhes. Feito isso, se entregue ao tempo da natureza, ela sabe o melhor momento para ser e será o melhor tempo para você também. Bianca naquela noite foi franca na sala de estar: - Ou me deixem participar ou nunca mais serei ninguém. Amo vocês, mas quero ser amada também, de outra maneira não do que estão a fazer dos meus sentimentos. Foi então que sua vida mudou. Bianca ficou amiga de Lena, que era amiga de Erico, que amava Giovana, que respeitava Enzo que era irmão de Lorenzo. Agora tinha uma patrulha para brincar, sorrir cantar e o melhor ir para as paragens do campo, da vida ao ar livre de poder voar como pássaros.

                         Seja quem você é e não quem o mundo deseja que você seja. Lute pelo que acredita, faça dos seus sonhos realidade. Bianca se tornou a menina mais feliz do mundo. Um cantil na algibeira, um lenço preso no arganéu. Um cinto de couro marrom, saia pelos campos como se fosse borboletas no ar. Não há mal que perdure quando nossos sonhos e desejos mora bem dentro da gente. Bianca agora escoteira aprendeu a sorrir novamente. Chega um tempo na vida que a gente aprende que ninguém nos decepciona, nós é que colocamos expectativa demais sobre o que pensamos. Cada um tem seu destino e a vida está aí para nos oferecer aquilo de bom que ela tem para dar!

Nota - Deixe que seus sonhos sejam maiores que seus medos. Aprenda a rir dos seus tropeços.  E não esqueça as noites mais escuras produzem as estrelas mais brilhantes.

sábado, 14 de julho de 2018

Contos de Fogo de Conselho. Como é difícil dizer adeus!



Contos de Fogo de Conselho.
Como é difícil dizer adeus!

                      A tarde chegou e já partiu. A noite agora é minha companheira inseparável. Aqui sentado em minha varanda me lembrei dele. Porque não sei. Chamava-se Antônio Trevisan, mas o apelido dele era Bocalarga. Nunca soube o porquê do apelido, pois ele não tinha uma boca grande. Quem pôs o apelido nele saiu do grupo e foi embora da cidade. Era uma espécie de norma ter um apelido. Chamavam-me de Vado, Pescoço ou Valente. Valente eu nunca fui, pois o medo sempre foi meu companheiro por toda a minha vida. Ele sempre chegava à sede sorrindo. Que belo sorriso. Era olhar para ele e a gente se sentia bem e logo estava sorrindo como ele. Um bálsamo para a tropa.

                      Nos fogos de conselho bastava ele olhar para todos e sorrir e logo a tropa estava gargalhando. Ninguém nunca o viu triste. Seu rosto não demonstrava. Se precisasse de alguém que fazia questão do oitavo artigo da lei, Bocalarga seria ele. Um dia ele me contou que seu rosto era assim desde que nasceu, mas ele chorava e sofria muito com isto. Não dava para mudar sua expressão.

                           Lembro que um dia me procurou sorrindo. Mas quando falou seus olhos encheram-se de lagrimas. - Monitor, ele dizia. Meu pai foi preso. Dizem que ele era assassino, matava por dinheiro. Eu nunca soube disto Monitor. O que eu vou fazer de minha vida? Seus olhos vermelhos e seu sorriso era um contraste por aquela dor que ele sentia. O pai dele foi condenado a dezenove anos de prisão. Bocalarga continuou no Grupo Escoteiro. Não havia motivo para afastá-lo. Éramos um grupo de amigos e irmãos. O que aconteciam de ruim com os parentes para nós não tinha valor. O lema de um por todos e todos por um para nós era questão de honra.

                        Lembro-me quando fomos acampar na Pedra do Mosquito. Bocalarga era da patrulha touro e eu da Raposa. Como era uma subida íngreme sempre amarrávamos um cabo em uma corda comprida para segurar quem escorregasse e não caísse no despenhadeiro. Bocalarga não amarrou bem o cabo. Escorregou e caiu de uma altura de mais de quarenta metros. Não foi em queda livre. Foi batendo o corpo nos arbusto até que se estatelou no fundo.

                   Todos correram para ajudar. A corda serviu para chegar até ele. Ele gemia de dor, mas sua face sorria. Que coisa gente. Que coisa! Fizemos um Balso pelo Seio e ele foi içado. Mais dores ele sentiu e sorria. Levado ao hospital teve fratura exposta no joelho e em uma costela. Época que não sabíamos ainda como carregar feridos nestes casos. Eu mesmo o levei nas costas por um quilometro até a Fazenda do seu Damião. Usou muleta por muitos anos. Sempre sorrindo.

                 Sua mãe era costureira e resolveu ir embora para Monte Azul. Tinha lá uma tia e duas sobrinhas. Boca Larga não queria ir, mas ficar com quem? Na estação esperando o trem rápido da manhã, eu, Bocalarga e uma dezena de Escoteiros, calados não sabíamos o que dizer. Uma tristeza geral e Bocalarga sorrindo. Penso que ele dizia para si – Maldito sorriso. Meu coração sangra, não quero ir e não posso ficar aqui! Todos chorando e eu a sorrir?

                     O trem chegou de mansinho. Na plataforma fizemos um circulo. Cantamos para ele a Canção da Despedida. Todos chorando e Bocalarga sorrindo. Queríamos dizer que não era mais que um até logo. Um dia certamente tornaríamos a nos ver. O trem partiu. Ele na janela sorrindo. Vi em seus olhos as lagrimas caírem. Ficamos parados na plataforma até que o trem sumiu na curva do Boi Marinho. Voltamos tristes para casa. É muito difícil dizer adeus a quem está sorrindo, mas que sabemos estar chorando.

                     Oito anos depois o vi em Caratinga. Falamos por pouco tempo. Ele estava com alguns cavaleiros e pensei que trabalhava de vaqueiro em alguma fazenda próxima. Ele balançou a mão dizendo adeus com o sorriso de sempre, eu fiz o mesmo. Nunca mais o vi, mas guardei dentro de mim o seu sorriso de fel. Um sorriso que não era dele. Ninguém nunca soube que ele chorava ninguém. Quem ia acreditar? É, é mesmo difícil dizer adeus a quem está sofrendo.

Nota - Enquanto estava a escrever estas pequenas memórias me lembrei de uma frase: -... Se meus olhos mostrassem a minha alma, todos, ao me verem sorrir, chorariam comigo... ''.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Givaldo.



Givaldo.

- Escoteiro, porque este olhar?
Ele não me respondeu. Não disse nada e seguiu para sua patrulha.
Fiquei preocupado. Eu sei que erros podem ser perdoados. Atitudes repensadas. Mas algumas palavras nunca serão esquecidas. Analisei-me, procurei ver porque ele agiu assim. Eu era um Chefe, me considerava um amigo, sempre procurei não decepcionar alguém que seria capaz de fazer tudo por mim.

A verdade é que palavras bonitas se tornam descartáveis perto de atitudes estupidas. – O que tinha dito para ele ficar assim? - Seria por adiar a excursão? Por cancelar o que ele sonhava? Primeiro o encanto. Depois o desencanto. Por fim, cada um pro seu canto. Isto não, eu não podia aceitar.

Ao encerrar as atividades o procurei. Afinal quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa. Ele confiou em mim e isto era importante demais. Três palavras difíceis de dizer: inconstitucionalissimamente, paralelepípedo e desculpa.

- Conversamos, ouvi mais do que falei. Ele se levantou e me abraçou. – Desculpa Chefe! Isto derruba qualquer coração. Às vezes o apoio e o conforto que você precisa vêm de onde menos espera. Fui para casa com um sorriso de vitória. Ficamos amigos por muito tempo. Algumas pessoas foram feitas para ficarem em nossa vida, outras para ficar na nossa memória.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Lendas Escoteiras. Enzo, o Monitor da Tropa Caapora.



Lendas Escoteiras.
Enzo, o Monitor da Tropa Caapora.

                   Enzo estava pensativo. Passaram duas semanas e na patrulha não se falava outra coisa. O Arthur ia passar para os sêniores no mês que vem. Arthur era Monitor. Todos acreditavam que o Murilo seu Submonitor seria seu substituto mesmo sendo norma a eleição na patrulha. A eleição acontecia desde que a tropa fora fundada. Enzo sonhava ser um Monitor. Não foi primo e nem segundo na Alcatéia e acreditava que na Tropa seria um monitor ou Submonitor. Sabia que tinha de esperar sua vez e para isto sempre foi participativo no trabalho e nas ideias da patrulha. Eram grandes amigos, mas havia Julia uma escoteira. Ela também sonhava. Um dia ela disse para ele. – Enzo, eu também sonho em ser uma monitora. Os demais não tinham essa preocupação. Para eles tanto fazia ser como não ser. Enzo não entendia porque, afinal seu pai um dia disse para ele que quem fica parado é poste. – Siga seu próprio nariz se quer ser alguma coisa na vida, dizia o Chefe Tomaz. Era seu direito em sonhar e a Julia era páreo duro. Primeiro tinha um sorriso cativante e ele sabia que seria difícil alguém dizer não. Ela sabia conquistar e fazer amizades.

                 Arthur o Monitor achou por bem fazer um Conselho de Patrulha. Explicar sua saída para os seniores e combinar a data da eleição do novo Monitor. Arthur tinha suas vantagens e defeitos. Muitos o achavam mandão demais. Era sim um bom comandante, mas exigia demais. Quando na inspeção se a patrulha falhasse todos sabiam que ia haver sermão. Arthur não era participativo. Dificilmente comentava o que discutiram na Corte de Honra. Nas outras patrulhas havia comentários, mas na Tamanduá não. Robertinho da Patrulha Arara seu vizinho eram grandes amigos. Para eles não havia segredo e sempre comentavam tudo que ouviam na Tropa Caapora. Enzo nunca escondeu sua decepção com a patrulha no último acampamento. Não se classificaram tudo porque o Arthur dormiu mais do que devia e era sempre ele que acordava a patrulha. Resultado não deu tempo para preparar o campo e na hora da inspeção a tampa da fossa de líquidos estava quebrada, no fogão suspenso havia muita cinza, uma das barracas tinha a forquilha solta e isto bastou para que a patrulha ficasse em terceiro lugar. Enzo se sentiu arrasado. Contava com a classificação em primeiro.

                - Sabe Robertinho, disse Enzo – Eu queria ser Monitor, queria mostrar a todos como ser um Monitor eficiente. Ele leu um dia o que Baden-Powell escreveu sobre os monitores: - Quero que vocês, monitores, entrem em ação e adestrem suas patrulhas inteiramente sozinhos e à sua moda, porque para vocês é perfeitamente possível pegar cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro homem. De nada vale ter um ou dois rapazes admiráveis e o resto não prestando nada. Vocês devem procurar fazê-lo todos positivamente bons. – Robertinho comentou que não era fácil conduzir uma patrulha. Cada Monitor tem um estilo. Veja o Joel nosso Monitor. Todos o acham paradão e se não fosse o Cassio o Sub a patrulha já tinha ido para o brejo há muito tempo. Enzo lembrou quando entrou para a tropa e o antigo Chefe Josias com sua barriga e suas pernas curtas nunca acompanhou como devia a tropa. Só sabia gritar e quando ia fazer algum comentário deixava todos de pé por vinte ou trinta minutos.

              - Ainda bem que ele foi embora e entrou o Chefe Marcelo. Ele é bom demais. Amigo, compreensivo, educado e só chama a atenção de alguém em particular. Na semana seguinte o Conselho de Patrulha votou que a eleição seria na próxima semana. Qualquer um poderia ser candidato. Arthur perguntou a cada um se queria ser candidato e só Enzo e Julia se apresentaram. Claro que ele aproveitou para fazer uma preleção sobre como devia ser o Monitor, mas não disse que deviam ser diferente dele. Ninguém reconhece seus erros só os acertos. Tudo ia bem quando na quinta o mundo de Enzo desabou. – Não era possivel! Ele pediu tanto a Deus e agora? Seu pai naquele dia entrou em casa sério, chamou Enzo, Norma sua irmã e sua mãe dizendo que tinha um importante comunicado da fazer – Entrou logo no assunto: - Fui transferido para Monte Azul. Meu salário terá um aumento considerável e lá serei o Diretor da Secretaria Fazendária. Enzo foi para seu quarto e chorou a noite toda.

          Nunca na vida Enzo chorou tanto. Queria tentar entender, mas sua mente só tinha uma preocupação: - Seu amor pelo escotismo e o sonho de ser Monitor. Sonho que estava tão perto! Naquele sábado as suas pernas não ajudavam. Enzo foi para a reunião com uma enorme magoa no peito. Mesmo com a mudança da família ser em janeiro ele não podia se contentar em ser monitor por tão pouco tempo. Seu pai iria antes. Quando chegou a sede viu a alegria tão conhecida, as patrulhas reunidas, muitos de pé lhe dando o Sempre Alerta, os lobinhos em uma correria sem fim. – Será que vou aguentar? Ainda faltam quatro meses para a mudança, mas eu conseguirei continuar aqui? Meu coração pesa, minha mente está em pedaços, meu Deus não sei o que fazer! A reunião começou. Enzo sabia que o Conselho de Patrulha para a eleição seria feita no final da reunião. Quando Arthur chamou a patrulha para se reunirem na sede, Enzo fechou os olhos e rezou pedido a Jesus que lhe desse força.

          Aberta a reunião do Conselho Enzo pediu a palavra. Contou tudo. Seus olhos estavam marejados de lágrimas. Não haveria volta ele ia partir. Durante segundos e minutos ninguém disse nada. Todos sabiam que Julia agora seria a nova monitora. Ela pediu a palavra – Patrulheiros, pela primeira vez eu senti que não seria digna de ser monitora, não neste momento. Se todos concordarem Enzo será nosso Monitor até janeiro quando vai embora. Acho que ele merece isto. Uma tremenda salva de palmas aconteceu. Até Arthur no alto de sua pose de Monitor, levantou da cadeira e deu um grande abraço em Enzo. Este não sabia o que dizer. Não sabia se chorava ou se ria. Monitor por um dia? Por meses? Porque não? Todos correram a abraçá-lo e jogá-lo para o ar. Se em todos os monitores do mundo existe uma força que o faria ser por tão pouco tempo um grande Monitor, Enzo não decepcionou.

           No dia da partida foi uma festa. Uma festa que ficou marcada na vida de Enzo para sempre. Partiu sorrindo e chorando. Deixar para trás a tantos que sempre amou não era fácil, mas eles foram dignos com ele. Mereciam que ficassem presos em seu coração para sempre. Se lá em Monte Azul não houver um Grupo de Escoteiros, Enzo faria tudo para que exista um. Coração de Escoteiro é assim, não desiste nunca. Não importa onde, não importa o lugar, Escoteiro é Sempre Escoteiro. Enzo foi um dos maiores monitores da história do escotismo. Esteja onde estiver eu sei Baden-Powell estaria orgulhoso dele!

Nota - Uma pequena historia de um Escoteiro que sempre sonhou em ser um monitor. Nada irrelevante, nada extraordinário, mas o que aconteceu marcou sua vida para sempre. Uma pequena historia de como as patrulhas bem formadas sabem como agir nas horas mais difíceis.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Lendas Escoteiras. “Corisco”



Lendas Escoteiras.
“Corisco”

            - “Filho”, o Corisco agora é seu! – Quase pulei no pescoço de papai de tanta alegria. Amava Corisco, ele era meu único amigo no sítio onde morávamos. Conversava com ele e muitas vezes me levou para as reuniões de minha Tropa escoteira na cidade. Não era longe, menos de cinco quilômetros – Mas você sabe, disse papai, Corisco já tem mais de 30 anos. Não vai viver muito. Portanto não force quando montá-lo. – Naquela noite pedi para Deus que não o levasse tão cedo. Depois rezei para minha mãe que jazia na cama sem poder andar. Conversava sorria me animava, mas não fazia mais nada. Eu era o homem da casa com meus doze anos. Tornei-me cozinheiro, lavava, passava fazia de tudo e Dona Rita uma vizinha vinha uma vez por semana para ajudar. Papai quando chegava da lida dava banho nela, e ficavam horas conversando. Um amor de verdade!

                Nós tínhamos uma roça de milho, de feijão e outra de arroz. Dava para o sustento e meu pai aceitava convites para trabalhar nas fazendas próximas. Era um ótimo vaqueiro e tirava de letra qualquer tipo de plantação. Naquele sábado me aprontei para ir à reunião de minha patrulha e de minha tropa. Todos os sábados papai sempre chegava antes do meio dia e eu almoçava e saia a pé. Agora com corisco mesmo não correndo seria mais rápido. Passei a semana sonhando com meu Cordão Dourado que iria receber naquele dia. Até imaginava na ferradura todos com a palma escoteira e a patrulha dando o nosso grito. Deu uma hora e papai não chegou. Fiquei preocupado. Nunca deixaria minha mãe sozinha. Se ela soubesse iria insistir para eu ir.

                   Pela manhã passei meu uniforme, limpei meu chapéu, poli minha fivela do cinto e engraxei meus sapatos pretos. Minha mãe levou um tombo na escada de nossa casa e ficou com a coluna fora do lugar. Médicos sempre dizendo que se operar ela voltaria ao normal. Papai a levou a capital, mas nenhum médico deu esperança. Um se ofereceu por alta quantia que seria impossível conseguir. Já haviam se passado um ano e quatro meses. Mamãe nunca reclamou. Sempre disposta na cadeira de rodas e fazia tudo que podia fazer. Eu sabia que naquele mês época da colheita papai iria colher um belo campo de arroz de feijão e as aboboras na beira do rio deram como nunca. A fartura chegou. Eu sabia que papai ia vender parte para ajuntar e levar minha mãe de novo ao especialista. Ele nunca desistia.

                   Nos meus treze anos sabia fazer de tudo. Fazia as refeições diárias, lavava e passava e nunca deixei a casa sem limpar. Durante a semana deixava a escola correndo para chegar antes de minha mãe ir para a cozinha. Papai insistia para ela não se esforçar. Nunca esqueci o dia que minha mãe caiu e desmaiou. Sozinha em casa só cheguei da escola duas horas depois. Caia uma chuvinha fina e a terra molhada ela nada podia fazer. Comecei a ficar preocupado. Quase duas horas quando vi papai apear do cavalo e me pedir desculpas. Sorri para ele. Era duas horas e a reunião iniciava às duas e meia. Dei nele um beijo no rosto, fui até o quarto e despedi da minha mãe. Montei em Corisco a principio sem correr. Falei para ele baixinho se aguentaria um pequeno galope. Dito e feito, na curva do redemoinho ele parou e ficou de joelhos nas quatro patas. Já tinha visto isto antes com umas vacas do Seu Nolasco. Sempre morriam depois.

                   Chorando sai correndo até a sede escoteira. A reunião já havia se iniciado. Contei tudo para o Chefe Jofre o que aconteceu. Ele bondosamente me disse para não desesperar. Para tudo tem uma solução. Chamou os monitores pedindo para pegarem no almoxarifado cordas, facões e forquilhas das barracas. Levou também uma lona de caminhão que quase não era usada. A principio não entendi por que. Saímos todos juntos até onde estava Corisco. Ele não perdeu tempo. Logo as patrulhas cortaram troncos de árvores pequenas e começaram a montar dois suportes que iria levantar o Corisco acima do chão. Depois ele iria se apoiar de leve até se firmar. Disse o Chefe que ele teria de ficar ali por dois dias e eu devia trazer capim e agua para ele. Um Escoteiro foi avisar papai. Quando ele chegou através de roldanas com as cordas Corisco já estava em pé. Papai me abraçou e disse que tudo daria certo. Ah! Papai, como você não existe.

                     Muitos escoteiros se ofereceram a ficar comigo até na segunda. Trouxeram barracas e me ajudaram muito. No segundo dia vi que Corisco queria se apoiar. Soltamo-lo aos poucos usando a corda da roldana. Ele se firmou e até relinchou, pois a posição que estava era desagradável. Soltamo-lo das amarras e fui devagar com ele para nosso sítio. Deixei-o em um piquete bem abastecido de capim braquiária. Um mês depois ele já pastava em outros piquetes. Nunca mais o montei, mas saiamos muito para passear. Eu sabia que um dia ele iria partir, mas sabia também que faria tudo por ele sobreviver as suas dificuldades de velhice. O escotismo me mostrou um novo caminho. O caminho da amizade do um por todos e todos por um. Nunca esqueci o Chefe Jofre que fez questão de me entregar meu Cordão ali mesmo onde tomávamos conta de Corisco.

                   Mamãe nunca voltou a andar. Papai nunca a deixou só. Eu era suas pernas e aquele faz tudo que um bom Escoteiro sempre é. Corisco dois anos depois morreu. O encontrei na Piquete Sul, mas agora deitado. Ali mesmo o enterramos. A Tropa fez questão de comparecer. Quando desceu para seu túmulo recebeu uma bela palma escoteira e um bravôo. Fui Escoteiro por muitos anos. Hoje estou na faculdade da capital. Fiz questão de escolher ser um Veterinário. Aprendi a amar os animais e serei por eles um eterno guardião. Todos os feriados prolongados e nas minhas férias vou correndo para meu lar no sítio que tanto amo. Aqui trabalho em uma farmácia e tenho grandes amigos. O escotismo agora é difícil, mas ao voltar para onde morei nunca deixei de visitar o Grupo Escoteiro onde sempre sou bem recebido.

Nota - A vida nos ensina tanto que nunca podemos reclamar da falta de aprendizado. O escotismo deu há ele muito, seu pai foi um professor e sua mãe deu coragem para lutar. Queira ou não ele sempre foi um escoteiro feliz! A história de Corisco quase se pode dizer que foi real. Se algum dia quiserem saber mais, procurem Tom Mix em Mira flores. Deve andar com seus oitenta anos, mas irão gostar da prosa e de seus contos.