domingo, 9 de fevereiro de 2020

Contos de fogo de conselho. Não deixe o vento levar o seu sonho.



Contos de fogo de conselho.
Não deixe o vento levar o seu sonho.

... - Nunca desista dos seus sonhos, pois a única saída dos fracos é a desistência das coisas e de seus sonhos, mas para os fortes a única alternativa é a persistência daquilo que tanto almejam! Aqui temos a história contada por um sonho, que amava fazer os outros acreditarem e realizarem seus sonhos. Venha conosco sonhar?

                    Lá estava ele, o sonho. Altaneiro, cheio de vida, correndo com o vento amigo que o levava onde ele queria ir. Ele sabia de sua importância, sabia que todos sempre pensavam nele e não queria decepcionar ninguém. Afinal ele era um Sonho e fazer os sonhos dos humanos realizar o fazia feliz muito feliz... Ele sabia que nem sempre conseguia seus intentos, sonhar e ver a realização do sonhador. Tinha a experiência de ver tantos sonhos realizados, de ver a força de vontade de cada um em acreditar nos seus sonhos. Ele tinha pena daqueles que não acreditavam e que achavam que realizar sonhos é impossível. Mas amava quando o sorriso de um sonhador brotava em ver que seu sonho aconteceu.

                   Nunca se importou quando o chamavam de utopia, aquele sonho que não existe. Ele acreditava que estes só viam o sol sem cor, a lua sem brilho e as estrelas tão longe de se tocar. Ele sabia que o vento não tinha sonhos, nem a brisa da manhã e o nascer o sol. Seus outros amigos sonhos diziam que existe neste mundo um oceano dos grandes amores, onde a felicidade existe e ali navegavam felizes nos sonhos de cada um. Ele se lembrou de Conchita. Linda menina sonhadora. Morava em uma cabana no alto da montanha de Cristal. Todas as tardes ela sentava em um pequeno banquinho e sonhava... E sonhava... Sua mente viajava sem destino, querendo um dia seu sonho realizar.

                Pois é Conchita acredite, eu vou realizar seu sonho. O que ela queria não era impossível, não para ele. Ele viu seus olhos cheios de lágrimas por viver sozinha naquele canto da montanha sem ninguém. Tinha sua mãe e seu pai, mas sonhava com um príncipe encantado para viver com ele para sempre. Ninguém soube explicar como naquela manhã de sol vermelho ela viu subindo a montanha oito Escoteiros alegres e cantantes. Junto estava Miguelito o Chefe que adorava acampar. Solteiro quando viu Conchita na porta da cabana ele disse: Vais ser minha princesa, você terá tudo de mim. Farei de você a moça mais feliz do universo, darei a você de presente todas as estrelas no céu. À noite rezarei para você e quando a lua cheia surgir irei pedir a ela para iluminar seus caminhos por onde o sol se for.

                       O Sonho lembrou que meses depois eles se casaram e viveram felizes para sempre. O Sonho não parava, estava atravessando uma majestosa floresta de um país tropical. O Sonho sentia falta de realizar o sonho de alguém. Ele sabia que um sonho para ser realizado o sonhador tem de acreditar, tem de partir na estrada dos sonhos e alcançá-lo nas luzes das estrelas e lutar para que ele seja real. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho impossível só porque não acreditou.  

                       Viu um homem perdido no centro da floresta, tropeçando, caminhando sem rumo, pensando que não ia sobreviver. Ele não sonhava, lutava pela vida, pois sabia que em poucos dias ia morrer. O Sonho sorriu, é hora de trabalhar. O homem se chamava Molusco e fora no passado um Escoteiro. Aprendeu a navegar, aprendeu onde o norte se encontrava com o sul, nunca precisou de bussola para achar o seu caminho. Tinha vivido em florestas, aproveitou muitas vezes quando menino o que ela poderia oferecer. Um brilho passou diante dos seus olhos. Afinal isto é um sonho? Sonho ou não eu posso vencer!,

                       – Ele pensou. Olhou para as árvores, as folhas amarelas que podiam lhe dar um rumo. Um nesga do sol lhe mostrou o caminho a seguir. Enquanto caminhava pensava no seu filhinho que deixou na cidade, de Mariazinha sua amada tão pequenina. Um riacho encontrou, uma jangada ele fez. Dois dias depois uma cidade apareceu na curva do rio das almas perdidas. Molusco um Escoteiro estava salvo. Correu a encontrar seus amores, Picolino e Mariazinha sua amada ele foi abraçar.

                         Era hora de dormir para os humanos do mundo. O Sonho não dormia, mas se recolhia quando as noites quentes não deixavam ninguém sonhar. Ele imaginou que tantos poderiam sonhar sonhos lindos mesmo com aquele calor imenso. Ele sabia que poemas não são feitos para serem entendidos. Isso é utopia. Bastam aos poetas que seus poemas e sonhos sejam sentidos. Tiquinho ainda não tinha dez anos. Insistia com seus pais em ser um escoteiro. Nunca foi e este era seu maior sonho. Dom Casmurro tinha um bigodão que todos temiam. A maior fábrica de tecidos era dele. Funcionários tremiam só em olhar para seus olhos. Tiquinho era seu filho e sabia que ele nunca iria deixar.

                       Uma noite de verão todos os funcionários foram para casa. Ele mesmo fechou as portas e o portão. Altas horas da noite foram lhe chamar: - A fabrica começou a pegar fogo, mas um menino conseguiu apagar. O menino estava queimado deitado na cama do hospital. - Como foi? Ele perguntou. Senhor ele é Juquinha Escoteiro filho da Filó das Mercês sua funcionária. Ele esperava sua mãe pelo fim do turno. Ela não sabia. Dormiu encostado no Varão da Sala Grande. Quando viu a fumaça, já treinado nos Escoteiros pelos bombeiros ele correu e conseguiu o fogo apagar. Um herói Dom Casmurro. Sem ele o senhor estaria pobre e sem sua fabrica!

                   Tiquinho teve seu sonho realizado. Promessado com as vistas de seu pai. Uma alegria sem par. O Sonho ali a lembrar dos tempos dos acampamentos, das alegrias que Tiquinho passou a ter. Ah! Os sonhos. Eles têm um destino, um lugar para ficar, um lugar para realizar todas as vontades de quem acredita neles. O Sonho partiu rumo à além mar. Havia outros lugares outras terras para ele ir. Sabia que iria encontrar meninos e meninas Escoteiras que sonham e ele podia fazer o que mais gostava... - Realizar seus sonhos.

                  E você? Acredita nos seus sonhos? Um sonho verdadeiro pode ser realizado. Um sonho sonhado, amado por aqueles que um dia acreditaram. Como dizia Augusto dos Anjos a Esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a Crença, Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

A mais linda canção de todos os tempos! “Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus”...



A mais linda canção de todos os tempos!
“Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus”...
Um conto longo, mas vale a pena ler!

... - Pessoas especiais deixam mais que saudades e lembranças, pois elas levam mais do que nosso pensamento... Levam uma parte de nosso coração!

                          Lembranças! Saudosas lembranças. Cicatrizes gostosas que ficaram marcadas para sempre. Estou aqui olhando o céu, sem nuvens, cinzento e minha mente volta no tempo, lembrando tudo que tive e vivi no Movimento Escoteiro. Fui abençoado por Deus, ele me proporcionou tudo isto, amigos maravilhosos, jovens esplêndidos, grandes amizades e uma fraternidade sem par. Deus me deu a felicidade de viver tudo que o escotismo me ofereceu. São situações típicas, horas de deleite, de meditação, de sorrisos, alegrias, felicidade e agora como nós, de lembranças, de tempos que se foram.

                          Tudo isto me vem à mente, quando coloco na minha vitrola antiga, um LP de Guy Lombardo, e fico a ouvir a melodia que toca em todos os corações escoteiros. “Auld Lang Syne”. Nada mais nada menos que a Canção da Despedida. Dizem que significa “velho longo tempo”, ou “muito tempo atrás”, ou então “como nos velhos tempos”. É um poema escocês, escrito por Robert Burns em 1788 e ajustada para uma tradicional melodia popular, bem conhecida no velho mundo. Francamente não sei quem nos trouxe e quem adaptou tão maravilhosa letra para nós escoteiros. Claro, estava ouvindo em inglês, mas quantas saudades, quantas recordações. Ela toca profundamente. Bate fundo no peito. De vez em quando dói, outras vezes nos trás a certeza que vamos nos reunir outra vez, naquele fogo, crepitante, com o coração firme, ardente esperando que vai ter bis, vai repetir e vamos juntos, dizer: - Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus... Bem cedo, junto ao fogo, tornaremos a nos ver... Belo! Simplesmente belo. Não há como dizer outra coisa.

                            Chamam-me de Chefe Leopardo, mas meu nome é Joel Mistran Moraes. Hoje aposentado, 88 anos. Poucos nos dias de hoje me conhecem. Hoje vivo de lembranças, um dos meus passatempos favoritos. Elas ainda me ajudam a viver. Foi um passado brilhante, saudoso, gostoso, O que mais este "Velho" tem? Tenho filhos, netos, e apesar das dificuldades do meu corpo não me obedecer mais, fico imaginando e agradecendo a Deus por ter me dado tantas alegrias de um tempo maravilhoso que já se foi. Meu primeiro acampamento, quanto tempo, final da 2ª Guerra Mundial. Novo na patrulha, onze anos, lobinho de coração. Estranho no ninho. Medo, receio. Uma nova etapa. Sem minha Akela e o Balu para me proteger. Lagrimas brotaram quando fiz a passagem. Aos poucos fui acostumando. Ângelo o Monitor, grande companheiro. Quando casei foi meu padrinho. Algumas excursões, mas nada como este acampamento. Seis dias. Mata fechada. Selva para mim inóspita, Pânico no primeiro dia. Depois, barracas montadas, cozinha coberta, fogão suspenso, sala de refeições, fossas, Até WC fizemos!

                           Quando a noite chegava, estava em pandarecos. Mas orgulhoso. Era mais um deles. Ajudei, colaborei. Dormia o sono dos justos. Só acordava com alguém me chamando ou puxando meu pé. E de novo, vivendo com meus amigos, fazendo, construindo, aprendendo, brincando, aventuras maravilhosas. Escaladas (tremia) balsas, pistas de animais, mosquitos, predadores, escorpiões, cobras (que medo!), colher goiabas, mangas, abacate, nas mais altas árvores. Quinto dia. Orgulho daquela patrulha, irmão das demais. Amigos, fraternos, uma chefia maravilhosa. Então a surpresa. Um Fogo de Conselho só da tropa. Senhor! Olhe, ficou marcado para sempre. Ria, cantava, batias palmas, pulava, corria, e então... E então... Todos deram as mãos em volta do fogo e começaram a cantar. A princípio não conhecia a letra, aos poucos fui entendo. Meu Deus! Que canção maravilhosa! Tocou-me fundo impossível aguentar a emoção. A primeira! Onze anos e chorando. Lágrimas caindo, mãos entrelaçadas, apertando uma as outras.  


                             Quando a canção terminou, silencio geral. Final, fogueira crepitando, estrelas no céu. Vento frio, brisa no rosto, cheiro da terra, do capim meloso, grilo saltitando, vagalumes querendo mostrar seu brilho. Silencio. Lagrimas caindo, uns olhando para os outros, tentando disfarçar. Trombeta tocando. Reunir! Boa noite, Corte de Honra, oração. Fui para a barraca com um sorriso enorme! Deitei, coloquei as mãos debaixo da cabeça, olhava para o teto da barraca, ele desaparecia. Agora via estrelas piscando no céu. Chorei. De alegria, de saber que tinha encontrado amigos, irmãos e que agora pertencia a uma grande Fraternidade Escoteira. Agora eu era um deles, um escoteiro, um privilégio de poucos! Foi a primeira grande emoção. A Canção da despedida marca. Vocês que me leem sabem disto. Chorei depois muitas vezes. Era marcante. Não dava para esconder, que já participou sabe o que estou dizendo. Não sei explicar. Se dói se machuca se uma saudade gritante fala para nós, não perder as esperanças de que um dia voltaremos a nos ver. É uma situação inusitada. Se conta para um amigo ou amiga, eles riem. Acha que somos bobos, tolos. Não compreendem. Não entendem. Não sabem o que é isto. Nunca vão saber... Só nós, os privilegiados.

                             Centenas de vezes participei com orgulho. Dizia a mim mesmo que não mais iria chorar. Engano. Bebê chorão! Sempre ali, lágrimas e lágrimas escorrendo no rosto, caindo e molhando o chão abençoado. É, escotismo, você marca. Como você não existe outro. Por isto te amo, te adoro, vivo para ajudar a todos, mas que orgulho em ser escoteiro. Aprendi vivendo intensamente tudo aquilo que você tem. Sorrindo, cantando, Chorando! Sim mas sem nunca se esquecer das horas e horas maravilhosas que contigo passei. Cresci. Tornei-me Chefe! Cursos, Acampamentos Nacionais, regionais, internacionais viagens, Indabas, fóruns, congressos nacionais e internacionais. Conhecendo centenas e milhares de irmãos escoteiros. E em todos eles lá estavam os chorões. Choravam quando se despediam, alguns querendo ser durões, mas sempre uma pequena lágrima caindo, descendo devagar pelo rosto... Sempre cantando que não iriam perder a esperança, porque não era mais que um breve adeus...

                               A primeira vez, que chorei quando cantava, quando despertei para o escotismo, nunca esqueci e jamais, jamais mesmo esquecerei. Dizem que a primeira vez sempre marca e a gente nunca esquece. Mas teve outro marcante. No México, 1966. Convite para participar de uma festividade de  grupo, feito por um amigo chefe de coração enorme, amizade de encontros internacionais, Jamborees. Uma amizade sólida. Só existem nesta grande fraternidade mundial. Juarez Benito Santos. Da cidade de Hermosillo, capital do estado de Sonora. 50 anos de fundação do Grupo Escoteiro. Vários outros grupos irmãos. Achei que dava para enrolar no idioma. Nada. Um paspalho era eu para entender o que diziam. Mas que disse que em acampamentos escoteiros precisamos disto? Parece que falamos um só idioma. Claro, somos iguais em todas as nações.

                              Nossa! Marcou mesmo. Incrível a amizade dos escoteiros mexicanos. Simples, leal, honesta, sem altivez, soberba. Tocaram meu coração. Mas quando chegou à hora da despedida! Ah! Não, não queria sair dali. Chorei copiosamente. Um marmanjo. Vinte e seis anos! Abrindo a boca, lágrimas e lágrimas descendo pelo rosto. E o pior, quando terminou a Canção da Despedida vieram todos me abraçar, chorando também, dizendo, - “No te vayas, te queremos, quédade nosotros”... Quem aguenta? Diga-me quem? E o pior, no dia seguinte, a tomar o trem para a cidade do México, lá estavam eles na estação, barulhentos, amigos, abraçando, cantando canções típicas, e quando o trem foi se afastando, cantaram de novo a Canção da Despedida. Rapaz! Incrível suportar! Impossível! E repetiam, repetiam – “No te vayas, te queremos, quédade nosotros”! Marcou meu amigo. Marcou. Passageiros ao meu lado não entendiam. Um deles se aproximou. Be Prepared! Americano, boy Scouts. Incrível! Que movimento meu Deus!

                            O tempo passa. Tudo passa, só não passam as lembranças. Dizem que quem não as tem não viveu. Lembranças de tudo, do passado, de um grande amor, da perda de um amigo, de pais, irmãos, lembranças, lembranças... E claro, dos meus velhos tempos de escoteiro, bandeiras ao vento, para o acampamento de todo Brasil! Tempos que não voltam. Sorrisos, quando lembro não quero que a tristeza que me invade a alma volte. São lembranças lindas, maravilhosas de um tempo que já se foi... Hoje, como sempre acontece às tardes, estou aqui sentado nesta cadeira de balanço, na varanda da minha casa, vendo edifícios de pedra, uma garoa, chuva miúda, caindo, molhando o asfalto, um transeunte correndo outro se escondendo para não molhar. Um pequeno cobertor nas minhas pernas, que tanto me ajudou, me levou a lugares nunca antes imaginados e hoje resolveram se aposentar. Minha respiração ofegante, o ar faltando, corpo sem graça, relutante, mas a mente! Ah a minha mente! Busca incessante! Errante! De tudo aquilo que já vivi.

                             Desculpem os leitores, mas estou ouvindo Auld Lang Syne (A Canção da Despedida) e chorando. Minhas lágrimas não molham a terra, não há mais florestas onde posso ir cantar e viver. Mas olhem, sinto um enorme orgulho, fui Escoteiro! E serei escoteiro até morrer. Dizem que uma vez Escoteiro sempre Escoteiro! Felicidade de poucos e eu sou um abençoado por Deus! Me deu mais do que merecia! Sinto que meu corpo não obedece. Minha mente vai apagando. Meus olhos piscam querendo fechar. Uma dor aguda no coração. Não sei se e de saudades ou...

                             Se você leitor ou leitora pudesse materializar-se na frente daquele velho escoteiro, veria a alegria estampada no seu rosto, agora vestido com sua camisa caqui, seu lenço de Gilwell, preso pelo anel trançado, o chapéu de três bicos no seu colo, suas barbas brancas, cabelos brancos soltos na testa, olhos semicerrados, um sorriso nos lábios, o pulsar do seu coração parando, uma pequena lágrima que tentava correr pelo seu rosto, uma luz faiscante, brilhante saindo de dentro dele, dois lindos anjos ao seu lado, levando-o para grandes nuvens brancas no céu, e meu Deus! Uma grande Orquestra Sinfônica, regida pelo Santo Gabriel, tocando maravilhosamente “Auld Lang Syne”, e acompanhada pelo maravilhoso coro dos querubins, uniformizados, todos os uniformes de todas as nações, mãos entrelaçadas, num grande círculo de amor, vozes maravilhosas entoando em uníssemos...”Não é mais que um até logo”!
            

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Lendas Escoteiras. O inesquecível Chefe Gafanhoto. (história baseada em fatos reais).




Lendas Escoteiras.
O inesquecível Chefe Gafanhoto.
(história baseada em fatos reais).

... - Todo Escoteiro tem boas histórias para contar. Aventuras, o imponderável nas trilhas desconhecidas, um fogo de conselho que marca um remanso onde o Jacaré Assú foi descoberto e deu um bom susto na escoteirada. Esta é uma historia real. Contada em pedaços, pois no seu todo daria um livro. São meus convidados para ler.
               Gente boa. Educado. Sabia ouvir, sabia cantar, era um grande mateiro, sempre sorrindo e com uma tropa Escoteira maravilhosa. Tinha um sonho. Um sonho maluco – Chefe Vado se Deus quiser um dia eu vou me alistar na Legião Estrangeira. – Você sabe o que é isto? Perguntei. - Claro, sei que quando se alista são cinco anos sem poder sair. Bem cada um com seus sonhos.  Eu o conheci em um curso Escoteiro. Foram oitos dias na mesma Patrulha. Chefe gafanhoto praticamente liderou a patrulha. Surpresa foi quando me disse que morava em Barra das Vertentes. Cento e cinquenta quilômetros de onde eu morava. Em Pedras da Alma. Eu novato como Chefe me senti renovado com o curso que fiz.

               Chefe! Que tal acamparmos juntos? Minha tropa e a sua. – Grande ideia Chefe Gafanhoto. Quando? Vamos aproveitar janeiro do próximo ano. Falta menos de seis meses. Ficamos combinados. O local ainda iriamos decidir. Em fins de outubro recebi uma carta dele. – Chefe, o Senhor Manolo pai de um Escoteiro tem uma fazenda próxima a Três Estrelas. Metade do caminho para mim e você. Acho que uns noventa quilômetros de sua cidade. Você passa Três Estrelas e marca mais cinco quilômetros. Verás uma bifurcação. Ali será nosso ponto de encontro. Até a fazenda são mais oito. Senhor Manolo me garantiu que lá tem um excelente local, próximo de uma cascata para banho e muitos bambus. Ele irá nos ceder dois carros de bois para transporte do material do entroncamento até o local. Garantiu também que será por conta dele carne de porco e frango. Vai doar também de sua plantação arroz feijão e batata. Tem também gordura de porco e verduras. E claro peixes para quem quiser pescar. Ele tem tudo isto na fazenda!

                  Beleza! Mandei outra carta confirmando o horário de encontro. A tropa vibrou quando contei do acampamento. Consegui na prefeitura um caminhão lonado, Chefe João Soldado nosso Chefe do Grupo conseguiu o que faltava de alimentos no Armazém do seu Amadeus. Iriamos com quatro patrulhas. Fizemos dois Conselhos de Patrulha e duas Cortes de Honra. Metade do programa nosso e a outra do Chefe Gafanhoto. Seriam seis dias acampados. Partimos em uma manhã chuvosa. O caminhão estava lonado. Rio Bahia, estrada de terra ainda sem asfalto. Noventa quilômetros. Chegamos às nove e meia da manhã. Corre daqui, corre dali, tralha nas costas, chuvinha intermitente e pegamos a bifurcação. Vimos à tropa do chefe Gafanhoto do outro lado do pontilhão de madeira que havia caído. O córrego cheio. Imenso. Passava por cima do que restava da ponte. Não dava para atravessar. Um barulhão tremendo das corredeiras. 

                  A Patrulha Raposa montou rápido um posto de transmissão de semáforas. Entendemo-nos. Armamos barraca debaixo de chuva e combinamos esperar a enchente diminuir. Cada patrulha improvisou um toldo e um fogão tropeiro. Saiu uma sopa com pão fresco. À noite as patrulhas resolveram conversar por Morse. A turma do Chefe Gafanhoto era boa na sinalização. Dormimos cedo. De manhã sem chuva e com o céu cinzento. A enchente diminuiu. Rogério Monitor me procurou. Chefe, as barracas estão cheias de escorpiões. Ensinei o que deveria ser feito para empacotar o material de campo e individual. Graças a Deus ninguém foi mordido. Resolvemos atravessar sem a ponte, pois se não iriamos perder alguns dias o que não estava no programa. Cada Patrulha fez uma pequena jangada. Uma festa. A outra tropa gritando e ajudando. Às onze da manhã estávamos do outro lado com todo o material.

                   Abraços, saudações, apertos de mão, uma festa. Partimos. Os carros de boi lotados. Rangendo. Fueiros cantando como sempre. Adorava isso. Chefe Gafanhoto brincando com todos, animando, cantando, a escoteirada alegre e rindo. Oito quilômetros tirados de letra. Uma hora da tarde chegamos. Seu Manolo gente boa. Comemos goiabas e bananas. Ele tinha uma carne de porco frita. Mas iriamos fazer o almoço. Fomos para o campo. Lindo local. A cascata demais. Tem nome? Perguntei. Não. Eu te batizo como Cascata da Fraternidade. E assim ela foi batizada para sempre. Seis dias maravilhosos. Parecia que os sessenta jovens ali presentes se conheciam a longo tempo. Mais que irmãos. Seu Manolo um gentleman. Dois meninos filhos de um meeiro (mora nas terras da fazenda, planta e dá uma parte para o dono) se encantaram. Chefe Gafanhoto os colocou cada um em uma Patrulha.

                      Tiana filha do Seu Manolo uma bela morena dos seus dezessete anos não tirava os olhos de mim. Infelizmente estava noivo e comprometido. Fiquei triste quando partimos e ela chorou. Lagrimas e lagrimas em seus olhos. No acampamento teve de tudo. Bois que invadiram o campo à noite acordando todo mundo. Ricardinho pegou uma traíra de três quilos. Só vendo para acreditar. A luta da Lança medieval no remanso da Cascata da Fraternidade valeu por um acampamento. A jornada na Caverna do Vento outro. Começava em um lado da montanha e saia do outro lado. Mais de dois quilômetros na escuridão. E os pistoleiros? Sempre escorados no tronco da macaxeira a nos espiar. Seu Manolo dizia que eram de paz. Norbertinho em um jogo noturno caiu de uma arvore. Quebrou a perna. Foi levado a cidade e voltou para o acampamento enfaixado. Ele mesmo fez uma espécie de muleta, andava por todo o lado e nunca chorou. Aproveitou tudo do acampamento.

                      A falsa baiana em cima do remanso a mais de quinze metros de altura deu o que falar. A ponte pênsil que a Patrulha do Morcego fez durou dois dias com um belo tombo do Japirim. O ninho de águia da Patrulha Coruja dizem está lá até hoje.  Risos. A “desandeira” que deu em todos por comerem muita goiaba deu para rir a beça. Sempre um correndo para o WC que logo encheu! Final de campo. Meninos da fazenda chorando. Seu Molixto emocionado fez o juramento e recebeu os dois lenços um de cada grupo. Os dois pistoleiros vieram nos cumprimentar. Vi eu seus olhos a chama da esperança que não tiveram. Tiana me procurou dizendo que me amava e nunca mais ia me esquecer. Nunca mais a vi.  Retorno triste, Chefe Gafanhoto tentando animar. Partida chorosa, nosso caminhão lotado. Dando adeus. Edinho com sua bandeirola de semáfora dizendo e repetindo um até logo até o caminhão virar a curva da estrada. Meninos se acenando dizendo adeus. Promessas de um novo reencontro. Amizades que se formaram e duraram por uma eternidade. Janeiro de mil novecentos e cinquenta e nove que entrou para a história.

                      Cinco anos depois recebi uma carta do Chefe Gafanhoto – Chefe Vado, estou partindo para a França. Vou me alistar na Legião Estrangeira. Nunca mais o vi. Acho que seu sonho de ser um legionário foi realizado. Ainda deve estar lutando nas montanhas ao norte da Argélia. Sonhos são sonhos. Cada um faz o seu. Belo acampamento. Grande amigo o Chefe Gafanhoto. Nunca mais o vi e nunca mais o esqueci. Ficou marcado para sempre em meu coração.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Os escoteiros declaram guerra ao Exército Brasileiro. Um conto quase real. “(Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, não é mera coincidência)”.




Os escoteiros declaram guerra ao Exército Brasileiro.
Um conto quase real.
“(Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, não é mera coincidência)”.

... - Uma história quase real e o autor deste conto ainda ri até hoje e se lembra de que foi um dos que de tanto medo fez xixi na calça. Não aconselho hoje a fazer isto, naquela época tudo era aventura e tudo servia para curtir um pouco da monotonia da falta de um Smartfone de uma TV ou das belas criações do mundo moderno, pois dizem que agora se faz grandes aventuras! Sempre Alerta!

                 Eram seis seniores. Passaram para a tropa e resolveram criar uma nova patrulha. Por unanimidade escolheram o nome de Tamanduá Bandeira. Já se entrosavam no passado e agora melhor no presente. Corria o ano de 1956. Josué o Chefe sênior dava inteira liberdade. Funcionário da Vale do Rio Doce vivia quase que em um vagão percorrendo estações, trechos da ferrovia e pouco aparecia na sede. As três patrulhas tinham liberdade de ir e vir e as reuniões eram mais para discutir atividades aventureiras. Lindomar foi quem se lembrou das Grutas de São Raimundo. Há tempos não iam lá. Seria menos material e isto facilitaria a jornada de duas léguas bem contadas.

                 Encontraram-se na sede na sexta e as nove já atravessavam a ponte de São Raimundo sobre o Rio Doce. O Povoado de São Raimundo dormia e não viu os escoteiros seniores cantando baixinho uma canção rumo à trilha da Fazenda do Mário Labrador. Voltariam no domingo. O programa de sempre. Alvorada sempre ás seis. Um pouco de física que o Tom Maia intendente conhecia e acostumado a dirigir. Levaram a ração C. Sabiam que lá tinha belos peixes e sabiam que na frigideira do Calêgo o cozinheiro a boca enchia d’água. Havia também muitas codornas que no espetinho de Dom Machado ninguém iria dispensar. Às duas da manhã chegaram e se arrancharam. Dormiram o sono dos justos. Foi Luiz Almeida quem acordou primeiro. Chamou Tom Maia e acordou os demais. Sempre aquela vontade de continuar dormindo, mas Coleman o Monitor logo deu ordem para formar.

                 E eis que todos ficaram alerta ao verem dois caminhões do Exército (Tiro de Guerra)i a Norte do Rio, uns 800 metros abaixo de onde estavam. Ficaram observando a movimentação de dezenas de recrutas próximos às corredeiras da Curva do Onça.  Cada um na sua e assim como o Exercito não deu bola para eles o mesmo aconteceu na patrulha. Havia um programa não escrito e foi para isto que eles foram arranchar ali. Tudo corria bem, almoçaram taioba com arroz e lambari frito. Não havia “sesta” era a hora de montar armadilhas para pegar um bom tatu ou mesmo um quati. O Arlindo foi para a beira do rio montar um Cubo de bambus lascados em um remanso, onde o peixe entrava e não podia sair. Quando voltava para o campo viu mais a sua direita uma enorme abobora laranja. Grande mesmo, ele nunca conseguiria levá-la sozinho para o acampamento.

                   Ele e Tom Maia improvisaram uma biga para transporte até as grutas. Não sei quem deu a ideia, mas o Arlindo ficou toda a tarde limpando por dentro sem cortar por fora e após fazer uma pequena tampa cortou a parte mais larga fazendo uma boca cheia de dentes pontiagudos e dois olhos arregalados. Todos sorriram quando perceberam o que ele queria fazer. Calêgo trouxe duas velas. Arlindo preparou tudo para que o vento não apagasse as velas. Deixou no fundo da abóbora um pouco de capim seco com folhas verdes molhadas para quando esquentasse na Boca da Abóbora iria sair uma muita fumaça escura. A noite chegou. Ninguém falava nada. Não precisava. Luiz Almeida o melhor nadador da patrulha levou a Abóbora até o meio do rio. No início águas mansas até as corredeiras da Curva do onça onde estavam acampados os recrutas do exército.

                   Antigamente e hoje nem sei se ainda é assim, as cidades tinham seu Tiro de Guerra, uma pequena unidade militar para que pudessem ter reservistas sem necessidade de investir em um quartel militar. A turma recebia tudo. Fardamento e alimentação, durante o dia atividades próprias e a noite retorno as suas casas. Nos fins de semana pouca atividade militar. A abobora no escuro era fantasmagórica. Logo a fumaça tomou conta e quando ela passou pela área do Tiro de Guerra (por volta das onze e quarenta da noite) os dois sentinelas levaram o maior susto. Sem experiência começaram a gritar e abriram fogo na pobre abóbora que navegava tranquila pelo rio soltando fumaça e girando nas corredeiras. Os dois gritavam a mais não poder. – Sargento é o capeta! O demônio! O diabo! A tropa acordou e se juntou aos outros que gritavam e abriram fogo na pobre abóbora feiticeira do Rio Doce. E tome tiro agora com mais de uma dezena de outros atirando também.

                   A gritaria era demais. Os seniores gargalhavam e pulavam com sua abobora do fim do mundo. Enquanto isto os soldados corriam para todo lado, alguns atiravam até mesmo em árvores pensando que o inferno abriu a porta para eles. O tiroteio só parou quando o sargento Martinho mirou e acertou uma bala bem no centro da abobora que se despedaçou. Os seniores ficaram quietos. Não queriam que os militares soubessem que foi invenção deles. Saíram das grutas na madrugada de domingo sem fazer barulho. Após percorrerem alguns quilômetros foi aquela festa. Eles sabiam que tal aventura seria contada por gerações em fogos de conselho ou conversas ao pé do fogo.

                   Mas no sábado seguinte as patrulhas reunidas e treinando uma passagem do caminho do Tarzan montada pela Jaguar viram o Capitão Leopoldo do Tiro de Guerra chegando junto com o Chefe Josué. Ambos sérios. Todas as patrulhas formaram em linha. O medo aflorou nas hostes da Tamanduá. Não havia riso. Perfilados lado a lado em posição de sentido. Os seis bravos seniores tremiam como varas verdes. Dizem que dois deles fizeram xixi na calça e outra não aguentou e borrou até cair pelas pernas no chão. O capitão com um olhar feroz passou em revista a patrulha. Olhou nos olhos de cada um e Arlindo jurou que saia fumaça e fogo no seu olhar. Olhou os uniformes, na sua pose característica de capitão foi por trás e voltou novamente a frente olhou de novo a cada um e falou:

              - Então são vocês? Seis merdinhas escoteiros que botaram o Exército Brasileiro para correr? – A coisa “tava braba”, pensou Tom Maia. Mas eis que para surpresa ele começou a rir desbragadamente. E não parou de rir até que toda a Patrulha parou de tremer e a rir também. A cidade comentou por muitos e muitos anos. Nem tudo foram Flores. O Chefe Josué proibiu a patrulha de acampar sem Chefe por quatro meses. Um suplicio, mas eles sempre quando se encontravam as lembranças nunca era esquecidas. O tempo passou, a turma cresceu e eis que os seis seniores se alistaram no exercito. Acamparam sim próximo as Grutas de São Raimundo, mas sentiram saudades dos tempos que seis jovens botaram o exercito brasileiro para correr! 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Lendas de Seeonee. Rick, um lobinho em sua fantástica viagem a Jângal.




Lendas de Seeonee.
Rick, um lobinho em sua fantástica viagem a Jângal.

                Lembro-me de Rick. Nunca o esqueci. Era Chefe assistente e para dizer a verdade quase não tinha contato com lobos. Rick me chamou a atenção pelo seu porte, estilo, maneiras muito diferente de meninos da sua idade. Rich era negro. Olhos enormes e corpo desenvolvido para sua idade. Em pouco tempo de Alcateia sem perceber chamou a atenção de todos. Alguns queriam saber como seria ele na escola e em sua casa. Rick tinha várias facetas e para dizer a verdade nem seus pais sabiam de todas elas. Mesmo presentes no colégio e no Grupo Escoteiro não negavam a assumir qualquer responsabilidade. Pela idade os pais o deixavam vir e ir às reuniões sozinho. Nunca esqueci o dia que entrou no Grupo. O Diretor Técnico foi que fez as honras de praxe. Família simples, mãe mulata extremamente educada. O pai era mestre de obras e trabalhava de sol a sol. Foi Jane a Akelá quem fez o convite. A Alcateia o recebeu muito bem. Uma idade que as fantasias e folguedos superam os adultos nas amizades. Ali não havia ódio, inveja, rancor orgulho vaidade. Dizem que na Alcateia de Seeonee todos são amigos e irmãos.

                  No primeiro dia estranhou a Gruta da Alcateia. Disseram que ali morava Mowgly. Entrada baixa ele teve de abaixar para entrar. Gostou da decoram, dos desenhos dos bichos da floresta, do Balu e da Bagueera. Assustou-se com o Bastão Totem. Aprendeu o que era Roca do Conselho e viu com inveja o Grande Uivo, pois soube que quando fizesse a promessa iria participar dele. Não entendeu muito, mas aos poucos foi dominando tudo. Menos de três meses fez a promessa. Acharam interessante por ser caladão taciturno e muitas vezes parecia não se entrosar. Ria com as danças, mas obedecia sem discutir as ordens da Akelá e do Primo de sua matilha. Quando fez seu primeiro acantonamento esboçou um leve sorriso. Não deu adeus para os pais que foram leva-lo até a sede. Aconteceu que após o almoço ele saiu sem falar nada com ninguém. Dois lobos foram encarregados de procura-lo e o encontram encostado em uma árvore com os olhos semicerrados. Viram que ele falava baixinho. Correram e avisaram o Balu e a Bagueera. 

                    Todos que estavam lá assustaram com ele, foi aumentando a voz e entenderam o que falava: - Não me tema, disse Mowgly, eu sou amigo de vocês. Quando estive com Bagheera na encosta do morro frente à Waiganga, fim do inverno vi um vale semi-deserto. Vi um pássaro cantando notas incertas tentando aprender para quando viesse à primavera. Bagheera lembrou que o tempo das Falas Novas estava próximo. Disse que precisava recordar o seu canto e se pôs a ronronar. Mowgly sabia das mudanças das estações. Ficava triste por que os outros corriam e o deixavam sozinho. – Balu correu a chamar a Akelá. Queria que ela visse o que o Rick dizia. Ela veio e trouxe toda a alcatéia. Sentaram em volta de Rick e se encantaram com ele. Ele mexia a cabeça para frente e para trás, com os olhos fechados e sua maneira de contar a história era bondosamente esplêndida. Todos permaneceram calados. – Continuou Rick: - Senhor da Jângal, sabe que tenho que viver sozinho disse Bagheera. Sabe que é na primavera que vou para todos os lugares. Tenho que correr com os outros animais até o anoitecer e voltar ao amanhecer!

                       Era incrível ver e ouvir Rick contando a história da Jângal. A Akelá e o Balu nunca viram nada igual.  – Mowgly continuou Rick ficava sozinho e aborrecido. Correu naquela noite e às vezes gritando, às vezes cantando. Avistou uma estrela abaixa e lembrou-se do Touro que lhe deu a flor vermelha. Mowgly lembrava quando se mudou da Alcateia de Seeonee. É hora de parar de correr. Viu uma cabana. Cães latiram. Ele deu um profundo uivo de lobo e fez os cães que latiam calarem. Escondido nos arbustos Mowgly também tremeu. Reconheceu à cabana – Reconheceu a voz que dizia – Quem está ai? Ele respondeu: - Sou eu Messua! Nathoo seu filho! Ele se aproximou ela o acolheu deu-lhe de beber e comer. Mowgly cansado deitou-se e dormiu. 

                     Rich parou. Sua cabeça ficou firme. Levantou, olhou para todos e saiu rumo à sede onde estavam acantonados. Não disse nada. Todos suspiraram. Esperavam o fim da historia. Era conhecida. A Embriagues da Primavera sempre era contada por Bagheera. Mas não da maneira que Rich contava. Foi um acantonamento marcante. Rich não contou mais historias. Voltou como era e sempre foi. Calado, taciturno. O tempo passou um dia Rich deixou sua matilha e foi sentar no primeiro degrau da escada que levava a biblioteca. Começou a cantar. Eu sabia o que ele cantava. Musicas de um vasto repertório de Cantos Gregorianos. Sua voz retumbava em todo o pátio onde se realizava a reunião. Quando cantou a Ave Maria et Benedictus foi demais. Todos choraram. Todo o Grupo Escoteiro parou suas atividades. Estáticos ficaram a li a ouvir tão delicia voz que Rick tinha. Isto não aconteceu uma só, foram várias. Era um espetáculo ver aquele menino negro, de uniforme de lobo, sorrindo e cantando.

                    Rick passou para a tropa eu estava lá em sua passagem. Conquistou a todos pela sua simpatia. Um dia disse que ia embora. Seu pai foi contratado para fazer vários edifícios em outra cidade. Na despedida no cerimonial de bandeira para surpresa de todos começou a cantar a Canção da despedida. Nunca vi nada igual. Espetacular! O silencio da tropa e da Alcateia era completo. Não fizeram a cadeia da fraternidade, as mãos não foram entrelaçadas, mas havia um momento sublime em seu canto. Era como se todos Escoteiros e lobinhos do mundo também estivessem ali cantando. Foi um acontecimento notável e inesquecível. Eu fiquei tremendo. Rick partiu. Por muitos anos ninguém ouviu falar dele. Ele deixou saudades. Marcou o coração de muitos. Seu nome é contado em versos e em prosas no Fogo de Conselho. A Alcateia o homenageou colocando sua foto em destaque na gruta da Alcateia. A vida tem disto, pelos motivos que o destino não explica um dia ganhei dois ingressos para assistir a ópera “O Elixir do amor” (Uma Furtiva Lágrima” no Teatro Municipal.

                 Fui eu e a Célia. Eis que uma enorme e deliciosa surpresa aconteceu.  O tenor que todos comentavam de Nome Boono Lastimer, de 31 anos interpretou com tanto sentimento que demorei algum tempo para reconhecê-lo. Nada mais nada menos que Rich. Quando terminou a platéia o ovacionou por muito tempo. Tentei me aproximar do seu camarim. Impossível. Acompanhei por longos anos seu sucesso no Teatro La Scala de Milão e em outros famosos por vários países. Eu sorria sempre a lembrar dele. O via cantando no pátio da sede e nunca podia imaginar o seu sucesso de agora. Fatos assim são importantes. Eles nos trazem a vida real, nos marcam e fazem de nos o que somos. Nunca mais me esqueci de Rich. Quando penso nele me lembro das palavras de Kaa, que na sua nobreza de serpente sempre dizia – “Somos do mesmo sangue, tu e eu!  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Lendas Escoteiras. A cruz do meu destino.




Lendas Escoteiras.
A cruz do meu destino.

... - Você não precisa ser audacioso ou sabichão para ser escoteiro. Basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo ouvir. Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto da Cotovia, dos ventos e das canções da brisa. Quem sabe esta história serve para você?

- Sentei na beira do riacho no lusco fusco daquela tarde fria. Lágrimas corriam pela minha face... Pensei que não devia ter ido. Melhor ter ficado em casa. Mas eu precisava pensar. Tinha de tomar uma decisão e não sabia qual. Meus amigos não sabiam como aconselhar, pois nenhum deles passou pelo que eu estava passando. Qual caminho tomar? Ao voltar da reunião dos Escoteiros encontrei em cima da mesinha seu bilhete, bilhete não, uma carta. Longa, triste, ela disse tudo que queria dizer. Bateu fundo em meu coração. Machucou, mas eu merecia. Aquela noite eu chorei. Eu um homem feito com meus trinta e cinco anos chorava. Foi uma semana difícil no meu trabalho. No sábado cedo avisei ao Lucas Monitor da Lobo que não iria à reunião. Ele meu vizinho ficou ressabiado, não perguntou nada. Como Escoteiro e Monitor acho que sabia o porquê. Eu precisava pensar e nada melhor que procurar um lugar longe, onde o vento e a brisa da madrugada pudessem ser um bálsamo para curar minha dor e quem sabe o meu coração.

Sentado em uma pedra no alto da montanha, fiquei com a cabeça baixa ouvindo o cantar dos pássaros e o barulho borbulhante da cascata. Meus pensamentos iam a mil. O sol a pino e não tinha fome. A água da bica que diziam ser mágica não purificou minha alma. Nem o pintassilgo que pousou perto ajudou. Se não fosse quem fosse eu preferia morrer a passar pelo que estava passando. Mas era tão difícil assim? Quantos chefes passaram por isto? Afinal só existe a felicidade entre as famílias Escoteiras que participam juntos? Eu sabia que Verinha tinha razão. Ela sempre fora uma alma caridosa e tentou entender meu estilo de vida. Ela sempre foi uma companheira de verdade. Não posso reclamar. Fez tudo por mim e eu achava que também fazia por ela, mas dinheiro e palavras não foram suficientes. Ela queria carinho, minha presença, passear por aí, tirar férias na praia, ela adorava Juliano, nosso único filho. Mas eu cego e estupido achei que meu caminho era o de ajudar o escotismo. Agora via que enganava a mim mesmo. Olhava a água cristalina caindo sonolenta na cascata, batendo nas pedras e meus pensamentos a mil. Insensatamente não soube escolher. Escolhi errado. Meus olhos marejados de lágrimas só pioravam meu estado de espirito. Que vontade de gritar e dizer que não era o que queria!

Lembro quando tudo começou. Já haviam passado quase oito anos. Era realmente feliz. Passeava com ela e meu filho todos os fins de semana, íamos à casa de amigos, visitava a mãe dela que morava longe, uma viagem de avião gostosa e nunca faltei também com a minha mãe. Íamos a shoppings, restaurante, e nem sei quantas vezes fomos ao teatro Municipal. Viajamos por quase todo o nordeste e tínhamos planos de ir a Disney com a família. Não era rico, mas como Gerente da Fábrica tinha um bom salário. Um sábado Juliano me pedir para participar em um Grupo Escoteiro. Minha mente voltou ao passado quando sonhei em ser um e nunca fui. Trabalhava com meu pai, lutávamos com dificuldade e os dias que a féria era melhor sempre fora nos fins de semana. Porque não? Pensei. Fui com ele ao Grupo Escoteiro. Uma meninada alegre, adultos educados, jogos incríveis e me senti correndo com eles pensando nos meus tempos de criança. Juliano entrou. O Chefe Joy insistiu que eu entrasse também. Precisavam de voluntários e me pediu para ajudar.

Logo fiz a Promessa e em um ano assumi a tropa Escoteira. Para mim foi à glória. Agora como Chefe me sentia realizado. A meninada me chamava de Chefe Corisco. Porque Corisco? Não sei, mas eu gostava. Não perdia um curso, adorava ficar com eles conversando correndo brincando. Nestas horas eu não era Chefe era um menino. Tudo mudou em minha vida, parei de visitar meus pais e os pais dela. Quase não saímos mais, pois estava sempre fora nos finais de semana escoteirando. Reuniões, acampamentos, excursões, indabas e tudo piorou quando fui para o Jamboree. Na volta Verinha não falou comigo. Vi que ela estava magoada. Pensei comigo que no dia seguinte tudo iria mudar. Verinha era sistemática. Não falava, não reclamava, mas seu semblante era um livro aberto.

Quando Juliano pediu para sair fui ríspido com ele. Chamei-o de mole, sem força de vontade, disse que não tinha Espírito Escoteiro. Nunca me contou porque desistiu. Lucas o Monitor da Patrulha Pavão foi quem me procurou. – Olhe Chefe, Juliano cansou. Não quer mais. Acha que o senhor é muito exigente com ele. Cobra dele o que não cobra dos outros. Já não aguentava suas observações para que ele conseguisse ser um Lis de Ouro! – Seria isso mesmo? Porque não conversar com ele? A conversa nunca aconteceu. A vida de um Chefe Escoteiro hoje eu sei tem altos e baixos. Exigimos muito de nós e de nossos filhos esquecendo que eles são iguais aos outros. Sabemos que são a razão de nossa vida. Mas sair do escotismo? Nunca, eu amava o movimento. Depois que entrei me transformei. O escotismo passou a ser minha filosofia de vida. Juliano não voltou. Verinha conversava em monossílabos. Tudo estava acabando e eu cego não via. No grupo ninguém percebia, afinal nestas horas dificilmente temos alguém com experiência para nos orientar.

                       Sentado a noite em um tronco velho que achei em volta da pequena fogueira, a noite passou e agora só havia brasas, olhei para o céu estrelado pedindo a Nosso Senhor um novo caminho. Pedi a ele, pedi a Deus e os anjos escoteiros e nada. Chorei, chorava como um menino sem presentes sem sonhos sem nada. Tirei do bolso o bilhete de Verinha – Meu amor, eu te amo, demais mesmo, mas você parece não mais nos amar. Esqueceu que sou sua mulher e até de Juliano esqueceu. Não fala mais com ele. Nunca aceitei entrar com você no escotismo. Eu não sentia o mesmo que você. Nem todos nasceram para isto. Sei que você dificilmente vai deixar de ser um deles. Você já demonstrou isto na festa de aniversário do meu pai quando foi para a Assembleia, também esqueceu que sua mãe passava mal e mesmo assim foi para um Acampamento Distrital. Ela pedia sua presença naquele quarto do hospital e você não apareceu. Ela partiu sem ver você. Desculpe-me meu amor, mas não dá mais, estou indo embora. Aqui não volto mais. Juliano vai comigo. Quando contei para ele chorou muito, mas concordou. Saiba que eu te amo, amo demais e desejo que você seja feliz com seus amigos do escotismo.

                   Era meia noite quando juntei minhas tralhas e desci a serra. Minha decisão estava tomada. Eu não ia perder minha família. Amava o escotismo, mas minha família estava em primeiro lugar. Agora não seria mais assim. Entre um e outro ficaria com quem iria viver para sempre. Sei que o escotismo não tem culpa, mas quando participamos nos entregamos demais e esquecemo-nos dos nossos entes queridos. Vou atrás de Verinha e Juliano. Irei pedir perdão a eles de joelhos. Farei tudo para ela voltar. Não irei fazer promessas, pois minha escolha estava feita. Espero que Deus me ajude neste novo recomeço. Quando desci do avião e bati na porta da casa da mãe de Verinha me lembrei de Chico Xavier - Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim!

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Contos ao redor da fogueira. Ser Escoteiro é saber amar de coração aberto.




Contos ao redor da fogueira.
Ser Escoteiro é saber amar de coração aberto.

... Esta historia quase real se passa em 1970 em Belo Horizonte MG.

- Olhe Comissário, nem lhe conto, se fosse em outra ocasião eu tinha partido para a ignorância. Aquele Chefe merecia uns tabefes. Afinal não adianta dizer – Vocês são escoteiros, mesmo sendo chefes fizeram uma promessa para cumprir a Lei Escoteira. Termos que ser exemplo e ter uma norma de conduta! – Entendo... Mas o Chefe estava passando da conta. Preferi não discutir, virei às costas e fui embora. Sempre dizem que somos irmãos. Acho que são palavras nada mais que palavras. Por Deus chefe me deu vontade de sair do escotismo. A gente lê tantas palavras bonitas, uma filosofia que encanta e vem um “Zé Ninguém” e joga tudo por terra. - O pior chefe é aquele que não quer acordar pela sua falta de fraternidade. Aquele quem não tem o escotismo na mente, na alma e no coração e o Senhor sabe, assim é muito difícil, ou melhor, impossível continuar. Nem sei por que não saí logo.

- Mas o que houve? Perguntei. Estava boiando. Ele ali na minha frente, vermelho, abrindo o verbo contra alguém que devia ter aprontado poucas e boas com ele. Não éramos tão amigos há não ser um Sempre Alerta ou um abraço fraternal. Quando voltava do meu trabalho, o ônibus da empresa me deixava no centro da cidade. Dava uma passada rápida no Escritório Regional e no caminho do ônibus do meu bairro não deixava de dar uma parada no Bar do Grilo. O melhor chope da cidade e uma empada de camarão sem igual. Sentei e ele sentou ao meu lado. Cumprimentos de praxe e ele começou a contar sua história com o tal Chefe. Precisava desabafar. Sou bom ouvinte. Falo pouco. Deixo a própria pessoa achar sua conclusão. Muitas vezes isto não acontece e então dou meus pitacos.

- Pois é Chefe, continuou. - Eu nunca fui com a cara dele. Mostrava-se em ser saber de tudo mais que os outros. Era prepotente, só sabia dizer o “meu grupo”, os “meus chefes”, os “meus Monitores”, os “meus lobinhos” e os “meus escoteiros”. Caramba Chefe parecia que ele era o dono de tudo. Um dia perguntei quanto custou o “seu grupo” e se pagou a vista ou cartão de crédito. Foi um Deus nos acuda. A rusga vinha de longe. E olhe, ele não é único em nosso movimento. O que tem de chefes assim por aí não está no “Gibi”. Nosso movimento tem cada tipo de tirar o chapéu. Quando sabia que ele estaria presente em alguma atividade eu evitava ir. Encontrar com ele seria o fim do mundo. Um “garganta” e que “garganta”. Dono da verdade. Só ele sabia só ele era o melhor. Era daqueles de dizer “a verdade dói”. Qual verdade? A dele? Um dia me perguntei: E se ele terminar sua Insígnia? E se for convidado para ser um Assistente distrital ou regional? – Até pensei nos pobres coitados que entram e ele passa a ser seu Chefe. Comissário juro, se isto vier a acontecer saio do escotismo na mesma hora!

Tudo piorou no ultimo encontro de chefes do distrito da nossa área. O distrital iria informar o programa do distrito e queria a colaboração de todos. Iria também eleger um Assistente Escoteiro. Reunião simples sem pompa. E não é que o Talzinho foi de uniforme? Todo cheio de si e colocou todas suas estrelas de atividades. 12 anos. Sim Chefe a figura tinha doze anos de movimento. Putz Comissário, verdade! Este tempo todo e não aprendeu nada. Que reunião minha nossa! Só ele falava, só ele sabia, queria dar ordens, dizia o que tínhamos de fazer. Os jovens de sua tropa já tinham reclamado. O “Moço” só sabia dizer: Suspenso por uma semana. Suspenso por três meses. Quem chegar atrasado vai pagar cem joelhos quebrados. Não quero ver sua cara mais aqui! Coitados dos jovens daquela tropa. Muitos amavam o escotismo e não queriam sair. Mas eram menos de dez participantes ativos, pois os demais já haviam desistido há tempos.

- Tinha terminado o meu chope e minhas duas empadas. Deliciosas. Queria chegar cedo em casa. – Escotismo! Ah! Escotismo o que você nos faz sofrer eim? – E ele nem desconfiou, nem pediu um chope, só falava e reclamava. – Pois é Comissário. Todos querendo dar sugestões e ele não deixava. Quando um começava ele pedia a palavra e mudava tudo. Não aguentei mais. Levantei-me e fui até ele: - Meu caro, só você é o dono da verdade? Só você conhece? Só você sabe? Fomos convidados para debater e não ouvir você com esta voz de jacaré azedo e seu estilo de Pavão empanado a falar e falar! – Comissário, foi à conta. Ele levantou e veio para cima de mim. Preparei-me. Sabia que aquilo iria acontecer. Se encostasse a mão em mim ia receber o dele. Olhe, não sou lutador, mas ele ia ver quem eu sou!

- Mas quer saber? Todos torciam para que eu desse uns sopapos nele. Não era só eu, mas quase a totalidade dos chefes do distrito. Quem sabe iria sair do escotismo e nós ficarmos livres deste pamonha? – Mas não, sabe o que aconteceu? Não vai acreditar ele levantou de um salto, foi bem em cima de mim, me ofereceu a mão esquerda, e me pediu desculpas. Desculpas Chefe! Isto mesmo! Não sabia o que falar, dizer e nem esconder minha cabeça naquela hora. Precisava de uma areia para cobrir o rosto! Depois se dirigiu a todos e pediu perdão. Prometeu que ia mudar. Jurou pela alma de sua mãe. E agora Comissário? Quase dez anos aturando sua soberba e seu estilo de mandão o que devo fazer?

- Dê tempo ao tempo, disse. O tempo é nosso melhor amigo. Quem sabe você tem muito a dar ao escotismo e ele também? Um homem que chega ao ponto de pedir desculpa e perdão não merece mais uma oportunidade? Pedi desculpas a ele dizendo que a família me esperava. Um aperto de mão um Sempre Alerta e ele para um lado e eu para outro. Pensei comigo. Mesmo no papel de Comissário da Região estas conversas e trocas de ideias vale a pena. – Quer ser um dos nossos? É bem vindo! Quer ajudar os meninos? É bem vindo. Mas nem sempre podemos sair por aí dizendo o que pensamos. Às vezes é preciso engolir e aturar. Como disse um Chefe que nem sei o nome: - tais tipos existem e no escotismo encontram seu lugar ao sol.

Cochilei no ônibus. Cheguei em casa depois das onze da noite. Celia me olhou de cara feia. Ela tinha razão. Disse para mim mesmo: Sei que você é um comissário e deve atender a todos sem distinção, mas está na hora de cuidar de sua esposa e suas família. Se sente prejudicado saia, mas ela a família está em primeiro lugar. Ah! Esta vida de comissário não é fácil. Mas cada um escolhe seu caminho e eu escolhi o meu! E cá prá nós, como é difícil no escotismo mudar certos comportamentos!

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras. Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia....