sexta-feira, 15 de setembro de 2017

E Leo Marcondes recebeu seu Cruzeiro do Sul.


Lendas da Jângal.
E Leo Marcondes recebeu seu Cruzeiro do Sul.

                 ... Era uma vez... Um menino. Não um simples menino, muito mais que isto. O melhor é contar a historia. Tudo começou... Leo Marcondes estava sorrindo. O sorriso de um vencedor. Toda a Alcatéia sorria com ele. Lilian, a Bagheera, foi lhe dar um forte abraço. Sussurrou no seu ouvido – Leo estou orgulhosa de você! Eu sabia que você ia conseguir. Lembra-se do que lhe disse? Mas, olhe, foi seu esforço. Seu único esforço para agora ostentar o mais alto distintivo dos lobinhos. Rosaldo, o Baloo, também foi lhe dar um abraço. Sorriu. – Parabéns, Leo Marcondes! Seu desafio foi vencido. Ainda terão outros na vida, mas, um, você lutou e conseguiu.

                 Foi um sábado de festa na alcateia. Não era uma conquista comum. Todos sabiam disso. Lembravam-se quando, há três anos, Leo Marcondes adentrou na alcateia. Ninguém acreditava que ia dar certo. Leo era portador da Síndrome de Down. Dona Etelvina, sua mãe, uma pobre faxineira que nada entendia disso, assustou-se quando os médicos lhe disseram quando Leo Marcondes nasceu. Ela olhava e balançava a cabeça. Não entendia nada. As palavras dos médicos só a confundiram. Dona Etelvina ficou grávida do seu antigo patrão que não assumiu a paternidade.

                 Seu patrão mandou-a embora e ela não se intimidou. Conseguiu que uma creche tomasse conta de Leo enquanto trabalhava. Um dia apareceu uma assistente social e achou um absurdo Leo ficar misturado com outras crianças que não tinham nada a ver com ele. Foi preciso muito choro e pedidos chorosos para ele continuar. Dona Etelvina conhecia um vereador que a ajudou. E assim o tempo passou.

                Quando ele fez sete anos nenhuma escola o aceitou. Todos diziam a mesma coisa – Não estamos preparados. Arlete ficou sabendo através de uma amiga em cuja casa dona Etelvina fazia limpeza uma vez por semana. Arlete era a Akelá de uma alcateia de lobinhos e lobinhas. Arlete procurou conhecer o que era a Síndrome de Down. Não era um bicho de sete cabeças. Fora a aparência facial, o portador podia desenvolver quase todas as atividades normais de um menino comum.

                Arlete se informou junto a médicos que conhecia. Disseram a ela que as crianças portadoras encontravam-se em desvantagem em níveis variáveis face às crianças sem a síndrome. Ela não sabia se Leo Marcondes tinha alguma anomalia que poderia afetar seu sistema corporal. Leu muito sobre grupos escoteiros que se dedicavam a pessoas portadoras de deficiências especiais. Sempre achou um trabalho formidável. Ali deveriam existir os autênticos escotistas. Não devia ser um trabalho fácil. E agora Arlete pensava em levar Leo Marcondes para a alcateia.

                Muitos acharam uma ideia absurda. O que vão achar os outros lobinhos? Só ouviu senões e ninguém para dizer: – Ótima ideia! Não foi preciso um fonoaudiólogo e um terapeuta para ver se a articulação e os sons de fala de Leo Marcondes prejudicavam sua maneira de ser. Quando o conheceu ela sentiu um enorme carinho e admiração por ele. Acreditou que seu grupo escoteiro seria o primeiro. Iria fazer tudo para que Leo Marcondes se desenvolvesse como os outros suas tarefas e habilidades.

              Convenceu a dona Etelvina de que seria muito bom para Leo Marcondes. Não só agora, mas para toda a sua formação, visando uma vida adulta como qualquer um dentro de nossa sociedade. Só não esperava as dificuldades encontradas em seu próprio grupo. Mesmo conversando com o Diretor Técnico, com diversos chefes e diretores eles só tinham dúvidas. Exceto seus auxiliares na alcateia, ninguém para lhe dar um “tapinha” nas costas e dizer – Parabéns vá em frente! Conte comigo!

              Ela sabia que as escolas da cidade não estavam preparadas. Sabia que a educação e experiência escolar ajudariam e muito a desenvolver em Leo Marcondes sua própria identidade, para além dos limites do lar. Arlete já tinha tomado sua decisão. Ela iria lutar para que os resultados fossem demonstrados aos professores dele que nada fizeram e principalmente a sua mãe, cujo sacrifício nunca teve limitações. Isso mesmo! Convenceu uma amiga diretora de um colégio que o admitisse. Era como ela, uma batalhadora.
         
               Leo Marcondes assustou no primeiro dia. Foram várias reuniões para ele entrosar. Um dia pediu seu uniforme. Os lobinhos se quotizaram e deram um uniforme novo para ele. O Baloo o ensinou separadamente para a promessa. Todo o grupo escoteiro estava presente. Mais de 120 membros. Ali, reunidos em uma grande ferradura para assistir a promessa de Leo Marcondes. Leo Marcondes foi convidado para dirigir o Cerimonial de Bandeira.  Nunca um lobinho havia dirigido.

               Arlete chamou o primo de sua matilha e pediu para ele apresentar o novo lobinho que iria fazer a promessa. Foi demais. Muitos choraram. Uma palma escoteira explodiu na ferradura. Leo Marcondes sorrindo disse: – Grato e grato e muito gratíssimo. Contaram-me que foi o início da virada de Leo Marcondes. Sua mudança foi da água para o vinho. Agora só falava em ser Cruzeiro do Sul. Seis meses e já possuía a segunda estrela. Mirtes a Kaa o preparou dia após dia. Finalmente Leo Marcondes iria receber seu Cruzeiro do Sul. Uma cerimônia que de novo marcou e emocionou muita gente já que não eram tantos Escoteiros da Pátria e Liz de ouro.

              Até mesmo o Comissário do Distrito estava presente. A mãe de Leo juntou um dinheirinho, fez muitas guloseimas e os escoteiros se divertiram na Festa de Leo Marcondes. Uma surpresa aconteceu. O distrital entregou a Insígnia de Madeira a Arlete. Leo Marcondes a abraçou chorando. Vi o crescimento de Leo Marcondes na tropa. Não conseguiu o Liz de Ouro. Dependia de outros que não entenderam seu esforço. Mas não vale a pena criticá-los.


              Quando fez vinte anos se candidatou a vereador e foi eleito com boa margem de votos. Sempre lutou por todos que tinham a Síndrome de Dow como ele. Soube que organizou um grupo só com crianças excepcionais. Teve a ajuda do Rotary Club e o Lions Club. Ele comprou uma boa casinha para sua mãe. Ainda estava solteiro, mas namorava. Dona Etelvina não precisava trabalhar mais. Nada faltava para ela. Leo Marcondes agora era o chefe da família. Uma história com final feliz. Ter o coração aberto aceitar sem colocar imposições faz parte de qualquer grupo escoteiro. Para Leo eu desejo muito sucesso em sua vida.

Nota de rodapé: -  Dizia o poeta que o vencedor não é só aquele que vence a batalha e sim aquele que se levanta a cada derrota para lutar novamente. Meu Bravôo a Arlete, Lilian e Rosaldo e principalmente a Leo Marcondes. Sem eles, nada disso teria acontecido e nem essa história poderia ser contada. Melhor Possível!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Esperança e gloria de um Chefe Escoteiro.



Lendas Escoteiras.
Esperança e gloria de um Chefe Escoteiro.

               Uma tarde modorrenta. Cansei de ler e na praia onde estava meus olhos fitavam o mar. Uma brisa gostosa soprava suavemente meu rosto. Eu já estive nas mais altas montanhas, nas vastidões das belas planícies do nosso sertão, vi coisas que poucos tiveram a oportunidade de ver. O primeiro vôo da borboleta azul, o botão da flor de uma orquídea presa no jequitibá a desabrochar. Ouvi o cantar do Sabiá lá na serra do Japi. Quantas vezes ouvi o som de uma cascata caindo sobre pedras amigas de longos e longos anos de jornada. Mas o mar... Este é maravilhoso. Ainda não vi nada que o tirasse da lista dos mais irresistíveis espetáculos da terra.

              Em férias lia Gandhi: O apóstolo da não violência. Um homem que se tornou uma lenda. Albert Einstein o saudou como o “porta-voz da humanidade”. Vez ou outra as gaivotas graciosamente se elevavam no ar e faziam lindas acrobacias. Eu cerrei os olhos lembrando-se do meu passado. Gosto de ler. Basta escolher o livro certo para o dia certo. Ele nos dá o conhecimento dos países distantes e nos faz descobrir lindas e maravilhosas situações que nunca em nossa vida iremos viver.

              Lembrei-me do chefe Martinho. Um grande Chefe que tive a honra de conhecer. Fomos amigos por longos e longos anos. Muitos acampamentos, viagens pelo pais e exterior. Martinho era Chefe de Grupo Escoteiro. Hoje um Diretor Técnico. Martinho era um chefe especial. No seu grupo brotava o amor, o respeito e não havia desigualdade só fraternidade. Era querido por todos no grupo e fora dele. No bairro era admirado e quando passava lhe saudavam com carinho. Vado Escoteiro, a melhor propaganda do escotismo é um escoteiro bem uniformizado e garboso na sua comunidade e como Chefe temos de dar o exemplo. Não atrasava e era o primeiro ao chegar. Prestativo não deixava nada faltar nas reuniões dos lobos e escoteiros

                 Martinho era firme quando um acontecimento ou um fato destoava ou seguia o caminho diferente do que preconizava a formação escoteira. Primava pela educação. Nunca se exaltava e nunca levantava a voz. Dizia ele que gritos nada mais são que agressões gratuitas. Não convencem ninguém.  Quando em Conselhos de Chefes ele não gostava de ser Salomão. Sabia o que dizer nas horas mais difíceis e nas tomadas de decisões. Dizia que era impossível alguém conhecer seus direitos se não conhecesse seus deveres. Durante muitos e muitos anos, Martinho foi reconduzido como Diretor Técnico apesar de sempre achar que não poderia ser eterno. Ninguém é insubstituível comentava.

        Uma vez ele teve um pequeno problema com os dirigentes regionais. Pequeno mesmo, mas ele foi firme e não deixou para amanhã o que tinha de fazer. Quando viu que correspondências não estavam resolvendo, pegou um ônibus e foi até a capital do estado. Voltou com um sorriso no rosto como a demonstrar missão cumprida. Martinho não era um erudito e nem tão pouco filosofo, mas sempre dizia que temos que ter conceitos adequados a cada situação. Para isso as conquistas de valores fazem com que a consciência haja de forma correta e fraterna.
    
      Uma tarde cheguei à sede e não vi ninguém. A porta estava aberta e no almoxarifado encontrei Martinho deitado no chão se contorcendo em dores. Aflito chamei uma ambulância e o levamos para o Hospital. Foram noites de agonia. Não dormi. Não fui trabalhar. Fiquei ali plantado com Cecília sua esposa. Ela era mais forte que eu. O médico nos trouxe o diagnóstico – Câncer nos pâncreas. Não tem muito tempo de vida. Meus olhos encheram de lágrimas. O hospital encheu-se de escoteiros e chefes. Vieram até dirigentes da Regional. Parecia um aparato de uma grande atividade escoteira. Eram tantos que precisaram vir policiais para organizar o trânsito.

       Martinho fez questão de receber a todos indistintamente. Apertou a mão de cada um que foi visitá-lo. A direção do hospital abriu uma exceção para os jovens. Martinho ficou todo o tempo com um sorriso nos lábios. Quase não falava. Sentia dores horríveis apesar de remédios fortes que tomava. Pouco descansava e dizia que as visitas vinham em primeiro lugar e o sono depois. Na madrugada do segundo dia Martinho me chamou e perguntou: - Meu amigo, todos dizem suas últimas palavras quando a morte aproxima. Eu não sei o que dizer. Acha que devo dizer alguma coisa?

       Falar o que para Martinho? Eu era a prova viva da admiração, do meu amor e do respeito que sentia por ele. Meus olhos molhados não mostravam outra coisa a não ser a dor enorme que estava sentindo. Martinho sabia a hora que iria se despedir para sempre. Pediu sua esposa que fizesse uma doação de todos seus pertences escoteiros ao grupo para eles doarem a quem precisasse. Se alguém for feliz com ele eu também serei feliz, disse. Cecília uma incansável mulher sempre ao seu lado.

      Não vi Cecília chorar. Uma mulher forte que dizia que nestas horas precisávamos dar força a ele. Martinho partiu uma semana depois. Setembro, outono, folhas secas caindo das árvores naquela necrópole sombria em um bairro afastado da cidade. Uma brisa leve e calma foram testemunhas da ida de Martinho para onde ele acreditava que existia outra vida. Nunca me falou nela. Nunca quis convencer a ninguém sua religiosidade. Suas exéquias foram simples. Vieram milhares para saudar e dar o último adeus a Martinho. Não ouve canções. A despedida foi só uma lagrima que aqui e ali era derramada por todos que foram seus amigos no passado. Martinho pediu para ser lembrado pelo que foi pelo que fez e não pela sua agonia de uma morte não esperada. Deixou saudades, muitas saudades.

            Alguns meses passados e o Conselho de Chefes do grupo votou em mudar o nome do grupo que seria uma homenagem a ele. Seria Grupo Escoteiro Chefe Martinho Alberto Flores. Cecília quando soube disse não. Mostrou um bilhete que ele escrevera horas antes da sua morte. Não quero tributos, que permaneça por toda a vida o nome que conheci, sempre amei e admirei. Grupo Escoteiro Estrelas Cintilantes. Até hoje visito Cecília. Uma forte mulher. Não pediu nada a ninguém. Trabalhava e dizia sempre que Netinho seu filho teria o que Martinho almejava.

            Nunca em minha vida esqueci Martinho. Ele foi um grande chefe. Reto nas suas ações. Ilibados e impoluto no seu exemplo pessoal. Martinho se foi, seu modelo deveria ser seguido por tantos e tantos chefes, que tem sob a sua responsabilidade dezenas de jovens que esperam muito mais. Esperam que eles seus chefes sejam exemplos para que possam seguir na trilha escoteira sabendo que um homem digno foi seu amigo em toda sua fase de crescimento.


Nota de rodapé: - A tarde vai aos poucos se afastando. A noite chega de mansinho. Ainda estou sentado na cadeira de praia de frente para o mar. O sol já se foi. A brisa está sendo substituída pelo orvalho que cai mansamente. Li poucas páginas da história de Gandhi. Meus olhos voltaram a ficar vermelhos. Nem sempre as lembranças são como a gente quer. A vida é assim, uns ficam e outros vão. Nosso destino está traçado e o que somos são frutos que nós criamos pensando que estávamos acertando para um futuro melhor. Gosto de lembranças. Elas me fazem viver. Trazem-me saudades ou mesmo sorrisos dos tempos que já se foram e não voltam mais.

domingo, 10 de setembro de 2017

Camélia


Camélia.

                   Olhei para ela e não acreditei no que via. Era ela disto tinha certeza. Mas estava tão diferente, mais velha, magra com manchas no rosto e seu sorriso de tanta magia nem era sombras do passado. Pensei em abordá-la, cumprimentá-la e quem sabe abraçá-la para dizer que era eu, seu monitor. Quem sabe dar a ela um sorriso e dizer àquela palavra que ela amava e gostava de dizer: - Oi! Sou eu! Escoteira Camélia das campinas, não me reconheceu? – Ela nem me olhou passou direto com andar vacilante, como se estivesse perdida errante caminhando por uma trilha que nunca passou. Porque isto? Porque o destino desconhece o que pensamos ser? Pois é, me lembrei de que um dia ela me disse: Mano Monitor, o que for teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão meus atos. O que forem teus atos, assim será o teu e o meu destino...

                  Quando ela chegou na Patrulha não houve festa, mas todos a receberam com alegria, transformaram uma reunião comum em uma reunião especial. Ninguém tirava os olhos dela, sabia que era admirada e mesmo assim não se tornou pedante nem esnobe era a fina flor colhida em um dia de verão que chegou para nos fazer feliz. Aprendemos a tirar o chapéu em sua homenagem. Aprendemos a cantar “Amigos para Sempre”, pois ela irradiava seu interior de maneira inteligente e menos farsesca, pois era como chegar ao fim de uma jornada, beber água da fonte e sentir o frescor de uma tarde, mormente enluarada. Nunca vi sua mãe seu pai e quer saber? Nem sabia onde morava. Torcia para chegar os sábados, para revê-la, ouvir sua voz suas palavras...

                  Enquanto ela esteve na patrulha não atrasava, todos querendo ser os primeiros a chegar. Ela com seu sorriso maroto nos acampamentos dizia: - Escoteirada, deixa que eu me sirva, deixe-me fazer também. Não sou princesa nem rainha e mesmo sabendo que me querem bem, preciso caminhar para aprender a não cair. Não era um peso morto, mesmo com sua beleza e formosura. Ficávamos tristonhos por ver suas mãos macias em bolhas de sangue ao usar o facão e deixar marcas caludas e enormes. E ela? Sorrindo dizia para nós: Marcas de um trabalho honesto. Disse-me certa vez que queria ser Lis de Ouro e iria fazer tudo para conseguir. Destino incerto e não sabido. Eu sabia que da vida mesmo sonhando nem sempre se consegue o que quer. Ela teve tudo que almejou, mas seu Liz de Ouro ficou perdido em um sonho que não se realizou. Pensei que aquela conquista nunca a faria feliz.

                  Um dia não apareceu. Ficamos surpresos porque não dizer perplexos e eu atônito não sabia o que dizer ou fazer. Parecia que a patrulha tinha perdido seu rumo seu caminho, sua trilha e não sabia mais aonde ir ou chegar. Apoite teu barco monitor, se não vai ficar a deriva no mar traiçoeiro... E eu fiquei. Um mês dois três e ela nunca mais voltou. Aos poucos a patrulha foi voltando ao normal. Mesmo assim as lembranças eram doídas demais. Patrulheiros mercantes a zumbir suas barracas nos montes errantes em acampamentos tristes que o cantar, o som de uma viola não existia mais. E eis que cinco anos depois, já Pioneiro, avante Escoteiro de outras eras a vejo sair de um ambulatório perdido em um bairro tristonho e ela passa por mim sem ao menos dizer olá! Quando me dei conta tomei a decisão de abordá-la, ela sumiu nas curvas da Rua dos Perdidos e não há vi nunca mais...


                  Menina escoteira onde escondeste tua formosura e personalidade? Eu quero morar na sua rua, me diga o número de sua morada, pois você deixou saudades... Mudei de rumo e segui o meu destino. Cada um tem o seu. Camélia era agora uma sombra do passado. Fui para casa tentando arrumar as lembranças para que ficassem somente às boas e as ruins deixei guardadas em um canto da mente. Eu aprendi que quando sentir saudades de alguém que já partiu e nunca mais voltará, não devemos nos revoltar. Apenas recordar os bons momentos que ficou preso no passado e fazer dele uma lembrança gostosa... Apenas para recordar...

Nota de rodapé: - Camélia. Uma flor que chegou em nossa Patrulha tingiu de cores o coração de todos nós e depois partiu para onde nunca soubemos. Um dia a vi na esquina da Rua dos Esquecidos. Passou por mim sem me ver sem me cumprimentar. Não era a menina Camélia, do sorriso franco, dos olhos brilhantes do andar confiante de quem sabia aonde ir e caminhar. Camélia... Onde andarás?

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Minha maior amiga foi uma Coruja.


Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
Minha maior amiga foi uma Coruja.

                       Eu conheci uma Coruja. Por favor, não riam de mim. Não foi uma coruja qualquer. Imagine, ela me olhando e eu olhando para ela e pam! Surgiu uma amizade eterna. Eu era amigo de uma Coruja. Alguém já foi amigo de uma Coruja? Eu fui e sou. Ela me disse um dia que apesar de ser um menino e ela uma ave, ela nos considerava irmãos! Podem acreditar, pois eu acreditei! Eu tenho certeza do dia que surgiu a maior amizade que já encontrei em minha vida.  Faz tempo. Muito tempo. Quem sabe mais de sessenta anos? Sim, acho que foi isso mesmo.

                       Tudo começou em uma floresta densa, fumacenta, mas gostosamente adorável. Difícil para caminhar, abrindo caminhos entre espinhos com meu bastão, usando uma bússola Silva velha de guerra, pele queimada, braços e pernas arranhadas, alguns profundos com sangue ao redor. Quem disse que paramos? Quem disse que voltamos ou desistimos? Nunca! Escoteiros não desistem! Ela me disse que nos acompanhava de longe. Disse que não sentiu pena de mim. Não gostava de meninos. Eles eram malvados. Jogavam pedras. Disse que não viu meu rosto. Disse que o chapelão de três bicos atrapalhava.

                      Quando a vi pela primeira vez foi na clareira que fizemos. Difícil. Um matagal imenso. Não foi em um Fogo de Conselho. Não foi não. Lembro que fizemos um “foguito” pequeno, a clareira amarelou. Apenas uma “Conversa ao pé do Fogo”. Canções, “causos”, planos de jornada, gargalhadas coisas de escoteiros. Não vi as estrelas. As árvores não deixavam. Não havia lua. Escuro. Muito escuro. Apenas nosso lampião vermelho a querosene com seu lusco fusco brilhava.

                      Teve um momento sublime. Isto sempre acontece quando escoteiros estão em reunião em plena floresta. Um silêncio se fez. Segundos que só se ouvia os grilos zumbindo. Ela para chamar a atenção crocitava baixinho, e me olhava com seus olhos negros profundos como se fosse me hipnotizar. Ninguém viu. Só eu. Todos foram dormir. Estavam cansados e eu também. A Coruja fez um sinal como se eu devesse ficar ali. Todos foram e eu fiquei. O silêncio continuou a tomar conta da floresta. Nem os grilos zumbiam mais. Vi alguns vagalumes ao lado da Coruja. Pareciam ser seus olhos noturnos a mostrar o caminho.

                      Senti seu peso nos ombros quando ela pousou. Olhava para mim. Não piscou. Não sabia o que fazer. Dizem que na floresta as corujas são sábias, todos a procuram para aconselhar. Uma vez disseram que era o símbolo da deusa Atena. Ela a chamava de Olhos Brilhantes. Contaram-me que uma Sociedade Secreta de nome Bohemian Clube onde anualmente se encontravam só os poderosos eram convidados. Dizem que a reunião era em uma floresta ao norte de São Francisco, e ficavam em volta de uma grande pedra talhada como se fosse uma coruja. Escreveram em baixo: “Weaving dealing spiders come not here”. Parece que vem a ser uma frase de Shakespeare que significava: “Deixe seus negócios sujos na porta”. Dizem que poucos contam até hoje o segredo da cerimônia. Quem contou morreu de morte misteriosa.

                      Mas isto não importa. Importa a amizade que fiz com a Coruja. Quantas coisas belas naquela noite eu e ela conversamos. Eu contei minha vida de menino para ela. Ela me olhava e não piscava. A melhor ouvinte que já tive. Perguntei a ela se era uma ave de mau agouro. Ela riu. Quem sabe? Quem sabe? Disse. Mas olhe retrucou, quando tem uma festa no céu ou aqui na floresta eu pio e canto sem parar. Ela me disse que sabia canções Escoteiras. Ri baixinho. Não acreditas? E começou a cantar A Arvore da Montanha. Cantava com uma voz linda. Cantou outras.

                      Notei que o por do sol aparecia através das árvores. Notei que eu tinha esquecido de tudo a minha volta. Até o orvalho da madrugada não o senti no rosto. Ela me olhou. Passamos uma bela noite juntos. Noite inesquecível. Impossível ter outra como aquela. Ela disse – Adeus! Porque perguntei? Nunca mais voltarei. Dizem que entre nós quem conversa com meninos é condenada ao exílio. – Venha comigo então! Venha morar comigo! Eu levo você para a cidade! Fica na minha casa. Lá tem um pé de Jacarandá lindo!  Não posso ela disse e voou entre os galhos negros e a folhagem espessa para nunca mais voltar!
             
                       Eu conheci uma Coruja. Não foi uma Coruja qualquer. Imagine, ela me olhando e eu olhando para ela e pam! Surgiu uma amizade eterna. Eu era amigo de uma Coruja. Alguém já foi amigo de uma Coruja? Eu fui e sou. Ela me disse um dia que apesar de ser um menino e ela uma ave, ela nos considerava irmãos! E acreditem! Eu acreditei! Pena que ela se foi e eu me fui também. Nunca mais voltei naquela floresta. Não sei se ela já morreu se está no exílio. Eu? Estou aqui. Sempre me lembrando daquela noite que conheci uma Coruja de Olhos Brilhantes. Apenas uma noite. Noite que nunca mais irei esquecer...

Nota de rodapé - “O espírito da coruja mora neste acampamento”! Eu conheci uma coruja. Ficamos amigos. Ela tinha olhos verdes e gostava de cantar. Nininha era o nome dela. Adorável coruja. Saudades... Eu conheci uma coruja... Ficamos amigos, dela nunca mais esqueci!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A lenda da amizade.


Lendas Escoteiras.
A lenda da amizade.

                           Chefe! Os escoteiros são irmãos ou são amigos? – Olhei para ele com um sorriso. Chamava-se Noel, dois meses na tropa. Tipo aquele menino sonhador, que quer ser um aventureiro um desbravador e um herói. Meninos são assim e o escotismo tem tudo para eles alcançarem seus desejos e seus sonhos. – Sentei em um tronco e ele sentou a minha frente na grama daquela tarde de setembro em um acampamento qualquer. Noel, você gostaria de ouvir uma história sobre a amizade? Ele sorriu e disse. – Quero sim Chefe!

                          - Conta-se uma lenda nos acampamentos de outrora, que um dia, numa bela manhã de sol... Um Chefe Escoteiro muito sábio é procurado por um dos seus escoteiros que pergunta: - Chefe, qual o significado da amizade? - O Chefe lhe aponta três árvores visíveis de onde se encontravam e, responde: - Observe estas três árvores. São diferentes. Numa há flores bonitas e perfumadas. Noutra notamos frutos que chegam a dobrar seus galhos e na última há somente folhas misturadas numa variedade de cores.

                         - Subiram então em um penhasco de onde podiam ter uma visão panorâmica e, o chefe perguntou ao seu escoteiro: O que você vê aqui de cima? – Chefe eu vejo apenas que essas árvores cresceram próximas e independentes, porém suas copas se fundem, produzindo uma única sombra. - Respondeu o escoteiro. – O chefe concluiu então: - Esse é o verdadeiro significado da amizade. Diferenças que crescem juntas, mas que quanto maiores mais próximas ficam, produzindo na força da união uma única “sombra”. Um único abrigo, um pomar de refazimento de forças e um refrigério para os olhos, para a alma e para o coração.

                         - Portanto meu caro Escoteiro saiba que os amigos são como árvores diferentes, mas que crescem próximas; refletindo uma única força, uma nova descoberta a cada encontro; é como a sombra que se dilata quando as copas das árvores se aproximam.

                       Noel me olhou com olhos brilhando. – Entendi Chefe, somos mais que amigos e irmãos. Sorri para ele e disse: - Agora meu caro jovenzinho escoteiro, corra a ajudar o cozinheiro, você não é o aguadeiro? Ele ficou de pé, em posição de sentido, fez a saudação, deu um sorriso e um sempre alerta de menino escoteiro e partiu chispando para sua Patrulha. Hã, amo o escotismo e estes jovens que serão o futuro da nossa nação.

                       Eu já havia contado esta lenda em vários Fogos de Conselho. Dizem que BP ao conhecer esta lenda fez questão de mostrar que no escotismo somos uma grande floresta cheia de árvores copadas e que assim seremos sempre uma grande fraternidade de amigos. Faça você também desta lenda uma verdade, afinal somos todos irmãos.

Sempre Alerta

Nota de rodapé: -  "Diz uma lenda chinesa que amizades verdadeiras são como árvores de raízes profundas: nenhuma tempestade consegue arrancar." – E você meu caro escoteiro, sabe preservar seus amigos não só escoteiros, mas aqueles mais distantes? Afinal o Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Helena.


Helena.

                      Lembro bem dela. Magrinha, sorriso delicioso, rouca para falar. Ultimamente taciturna, problemas que não queria contar. Fui até ao campo de patrulha só ela a cozinhar. - E as demais? - Foram pescar outras colher flores eu fiquei chefe. Sentei no banco tosco feito por elas. – Ela me olhou e sorriu. – Chefe, este vai ser meu último acampamento. Olhei curioso. – Como sabe? Eu sonhei Chefe. – Sonhou? Sonhei com Deus dizendo que preciso mudar.

                      Olhei enigmático. Falou com Deus? O senhor nunca falou? Foi simples. Eu disse a ele que estava próxima de perder as esperanças. Ele sorriu e me disse que meus planos são maiores que os meus sonhos. O que ele queria dizer Chefe? Falei quase sussurrando: - Talvez Deus não mude tua situação, mas ele está usando o agora para mudar você. Ela me olhou sem entender. – Continuei: - Lute por algum que nunca teve, faça algum que nunca fez. Nunca saberemos o quão forte somos até que ser forte seja a ultima escolha. Ela não disse nada.

                    - Chefe Mamãe me disse que se alguém jogar pedra no meu caminho devo juntá-las e formar degraus para minha vitória. As Escoteiras retornavam. Saudaram-me e eu voltei para o campo da chefia. Neusa a Chefe estava lá. Paciência tem limite, mas o limite dela passou a fase da razão. Era paciente demais. Nem me perguntou o que houve o que Helena disse. Apenas sorriu e me olhou calada.

                 – Não quer saber? Perguntei. – Que seja livre para falar, que seja doce o que pensar e que seja breve o que tiver de ser.  Deus obrigado por iluminar o meu caminho. Minha vida tem sido marcada por realizações diárias, que às vezes não dou o devido valor, mas eu sei que a graça de Deus se faz presente em todos os momentos da minha vida. Eu sabia que uma noite de sono resolve muito. O poeta dizia que a madrugada é a hora que você pensa em todas as coisas que não pensou o dia inteiro.

                     Devia ter dito a Helena que quando as coisas não fizerem mais sentido e nada mais prender nosso destino, não devemos ter medo de trocar o roteiro. No palco da vida você só descobre novos caminhos quando muda de direção. Alguns meses depois Helena se foi. Sua mãe não contou e nunca nos disse o porquê. Afinal a vida é assim, cada um tem suas escolhas. Uns vão por uma trilha que julgam perfeita outros não. Não importa. Cada um tem direito a escolher o seu caminho.


                     Fiquei sabendo que ela se casou com Jesus em um convento. Irá viver para sempre enclausurada em um lugar só para elas. Seu espaço será ínfimo, irá falar muito pouco. Sei que dificilmente irá sair dali. Agora vive orando para o Senhor dos céus.  Bonito mesmo é estar de bem com a vida e se ela escolheu assim, assim será. Afinal o destino une e separa. Mas nenhuma força é grande o suficiente para fazer esquecer pessoas que por algum motivo um dia nos fizeram felizes. Vida longa Helena. Sua patrulha ainda fala em você e te saúda. Seja feliz no caminho que escolheu!

Nota de rodapé: - Uma pequena história. Seria uma ficção? Pode ser. Difícil imaginar alguém próximo a nós deixar a vida em sociedade para se enclausurar em um convento. Escolhas nem sempre são iguais. Afinal cada um escolhe o seu destino.

sábado, 2 de setembro de 2017

Lendas escoteiras. Nas terras bravias do Lago Dourado.


Lendas escoteiras.
Nas terras bravias do Lago Dourado.

                         Uma noite calma. As estrelas não cintilavam como no dia anterior. Algumas nuvens brancas as cobriam como se fossem um manto protetor. A lua se fora há tempos. Achei que ia chover. Não choveu. Meus olhos estavam fechados. Dormitava pela madrugada fria. Um pequeno tronco me serviu como travesseiro. Um bom mateiro não se aperta. Ao lado o fogo agora era só brasas. Nem uma pequena fagulha. Pela aba do meu chapéu de três bicos eu podia ver a escuridão da noite. Gostava dela. À noite. Era minha amiga de muitas e muitas jornadas.

                   Não ansiava pela madrugada. Que ela chegasse de mansinho. Não era um arbusto e quem sabe seria um pequeno arvoredo que encontrei perdido naquele vale dos sonhos onde dormia. Serviu-me de manto para a noite gostosa daquele inverno que não fora tão rigoroso como os anteriores. Minha mochila ao lado era minha companheira de anos e anos de caminhada. Dentro dela com carinho estavam minhas “bugigangas” que sempre levo. Meu bornal pendurado no galho guardava minha “matutagem” caso tivesse fome. Abri um olho de mansinho. Avistei uma cigarra escura que cantava baixinho seus cantos noturnos. Gosto das cigarras. Fazem-se pródigas e só aparecem uma vez ao ano. E como são lindas. Amo-as!

         Uma brisa leve soprava gostosamente eu meu rosto. Amava as brisas das madrugadas. Sempre as encontrava perdida por aí. Nas montanhas, nos vales nos rios caudalosos ou no pequeno riacho de aguas turvas. Sempre uma amiga. Não se esquece da gente. Os anos passam e lá está ela.  A madrugada não iria demorar. Grilos falantes pareciam fantasminhas na escuridão da noite. Melhor tentar dormir. Fora um dia e tanto. Mais uma jornada de um "Velho" Escoteiro sonhador. Um vagalume pousou no meu ombro. Sorri para ele. Enrosquei-me na Manta Negra que um dia há muitos e muitos anos meu Vô me deu com carinho. Não sentia frio. O corpo curtido pela idade já não era aquele de um passado que se foi.

         Um pequeno lusco fusco. Sinal que a madrugada ia chegar. Eu gostava das madrugadas. Eram lindas. Não importava se com sol ou com chuva. Adorava as madrugadas nos campos floridas ou em florestas verdes deste mundo de Deus. O cheiro da relva, da terra das flores silvestres. Ah! Maravilhoso! Tive madrugadas que marcaram. Com brumas a cobrir o campo verdejante, com brumas sobre os lagos azuis, cinzentos e vermelhos com o sol cobrindo-os. As brumas. Ah! Adoro-as. São lindas, querem cobrir meus olhos. Não querem que você veja ninguém só elas. Mas choram. Choram porque o sol irá chegar e elas terão que ir para longe, aonde ele o “Senhor Sol” ainda não chegou.

          Um pequeno brilho nas árvores eu avistei no horizonte. Era o sol que estava chegando. Gostava de anunciar sua chegada. Era o rei. Não era um astro qualquer. Não aparecia assim do nada. Anunciava que se preparassem todos. Uma pequena claridade, um pequeno vermelho desbotado, raios brancos tingidos de amarelo ouro e eis que ele aparece. A montanha o reverencia. O dia nasceu. Eu estou acordado. Uma hora sagrada. Sempre gosto de ver o nascer do dia. É como se fosse uma criança chegando ao mundo. As brumas cinzentas me disseram adeus. O orvalho se escondeu. A última gota d’água caiu de uma folha adormecida. A brisa insistente continuava lá a me acariciar o rosto. Uma amiga de épocas passadas.

          Hora de partir. Não disse adeus para todos eles que me acompanharam na noite e no lusco fusco da manhã. Não precisava. Eles sabiam que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus. Eu voltaria. O "Velho" Escoteiro não para. Em sonhos ou nos pisantes nos meus pés hoje cansados. Ajeitei meu lenço, arrumei meu meião. Calcei meu velho coturno de guerra. Mochila as costas, pendurei meu bornal no ombro, o chapéu meu protetor do sol já posto. Minha forquilha de anos e anos e agradeci o arbusto que me serviu de lar e parti. Meu rumo? O mesmo de sempre. Para onde o vento me levar. Sabia que em algum lugar iria encontrar o Lago Dourado. Diziam que não tinha peixes. Que uma bruma cinza o cobria por todo o tempo. Isto eu iria ver quando chegasse.

            O sol a pino. Gosto disto. Os primeiros pingos do suor caem e somem na poeira da estrada que leva a rumos impossíveis. Meu chapéu de abas largas me protege. A forquilha me ajuda a andar e achar o caminho. Avisto ao longe uma montanha verde cheia de árvores floridas. Deve estar perto a minha busca incessante. Quem sabe na virada da curva da “Raposa que Chora” eu encontro o Lago Dourado? Acordo. Era um sonho. Sempre sonho com este lago. Um dia irei encontrar. A cada dia em meus sonhos mais me aproximo. Levanto.


             Dou um sorriso. Um novo dia. Na janela o sol. Não há brumas. Até o lusco fusco da manhã se foi. A brisa está ali de leve de mansinho nunca deixou de me acariciar o rosto. Mais um dia iniciando. Ele vai passar como tantos que passaram. E quando a noite chegar vou dormir, vou sonhar e quem sabe um dia eu vou encontrar o Lago Dourado. Não vou desistir dos meus sonhos. Eles fazem parte de mim. A cada dia eu digo, não desista "Velho" Escoteiro. Digo sempre – “Eu voltarei”. Quem sabe um dia eu poderei dizer que encontrei o meu querido Lago Dourado? 

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

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