quinta-feira, 23 de março de 2017

Era uma vez... Um Curso de Gilwell.


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um Curso de Gilwell.

               Os alunos iam chegando cumprimentando e sorrindo. Julião um velho Diretor do Curso era muito conhecido em seu Estado. Idade avançada muitos haviam lhe aconselhado que desse folga a si mesmo. Chefe, estas atividades exigem muito esforço para que o curso fosse pródigo em dar o que todos precisam. Afinal ele sabia que o elixir do conhecimento era o que muitos desejavam. Seriam oito dias intensivos. Julião nunca abriu mão dos seus cursos que fossem cópias fieis ao programa editado em Gilwell Park. O presidente da Região e muitos membros formadores eram contra. - Porque só ele tem esse direito? Falar diretamente com ele ninguém tinha coragem. Afinal era um dos mais antigos formadores e só seu nome era motivo de centenas de inscritos o que dava sempre trabalho para escolha. Desta vez mais de 200 e no final foram separados os 32 primeiros inscritos.

                Julião gostava disto. Sentia-se de bem com o escotismo que praticava. Sempre acreditou que dali sairia bons chefes e com isto o escotismo só tinha a ganhar. – Chefe Julião já chegou? Perguntavam os primeiros a chegar na arena geral do campo escola. Era sempre o primeiro, mas neste chegou em cima da hora. Não comentou com ninguém a dor no peito e a falta de ar quando saia de casa rumo ao curso. Nem mesmo disse a Mama sua esposa o que sentia, pois sabia que ela iria fazer tudo para ele não ir. – Não posso ficar como um pária, um excluído sem dar minha colaboração ao meu amado escotismo. 79 anos e sabia que não iria parar nunca. Sempre diziam que ele iria viver para sempre.

                 Fez questão de cumprimentar um por um dos alunos, dar um abraço e um sorriso como se ele o aluno fosse mais importante que o Diretor. Reuniu sua equipe composta de quatro chefes e uma Chefe. Ele conhecia um por um, alguns ainda não tinha atuado com ele e iriam aprender muito. Nunca acreditou em equipe finita, pois todos deviam ter as mesmas oportunidades em ter seus conhecimentos aumentados conforme ele mesmo defendia nos seus cursos. – Podemos sim mudar se preciso, mas o que B-P deixou com seu método e o programa Escoteiro este é imutável. Nunca discutiu tais ponto de vista com nenhum outro formador. Quando faziam diferente ele comentava: - Mudam muito e ouvem pouco e o pior ficam pouco tempo para ver o que fizeram!

                 Tinha realizado duas reuniões antecipadamente com a equipe. Dois eram velhos conhecidos e os demais não. Em cima da hora pediu ao Chefe Alvorada para formar a Tropa. Fazia questão da disciplina e disto não abria mão. – Todos terão oportunidade para se manifestar no andar do curso. Isto era uma rotina onde ele ouvia um por um, seja em uma dinâmica ou mesmo nas horas de tempo livre que aproveitava para passear nos campos de patrulha e amigavelmente ouvir e quem sabe aconselhar se preciso. Apresentou-se rapidamente e pediu que a equipe fizesse o mesmo. Todos deveriam dizer sua experiência escoteira, do Formador ao aluno mais novo. Sempre dizia a si mesmo e aos demais que se você não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão.

                 Ele tinha poucas palestras para fazer. Fazia questão dos Deveres para com Deus e disto não abria mão mesmo sabendo que esta unidade didática não mais estava sendo usada entre os formadores de então. Programando o programa, Lei e promessa e sistema de patrulha ele se sentia bem ao palestrar junto aos alunos. – Sem isto não temos escotismo, se outros não fazem é um direito deles e espero que tenham bastante experiência para contradizer e demostrar em suas tropas que o que fazem está dando certo. Após as rotinas de início, liberou as patrulhas para escolherem seus campos e deu duas horas para tudo estar pronto. Tudo? Isto mesmo. Cozinha com toldo e fogão suspenso, barracas armadas e mesa com bancos e toldo. Sem esquecer as fossas e a latrina de campo. Afinal era um curso da Insígnia de Madeira e não um curso qualquer.

                Muitos duvidavam que duas horas fossem suficiente. Mas os chefes alunos sorriam e iriam demonstrar para os incrédulos que eles não iam falhar. Julião quando viu todos pegando sua tralha e indo para seus campos começou a sentir uma dor no peito e viu que ela não iria parar. Pegou um analgésico, um copo de água e tomou. Isto sempre bastou. Não naquele dia, começou a cair e foi amparado por muitas mãos que ainda estavam ali na Arena Geral. Uma ambulância foi chamada e muitos acharam que desta vez não tinha volta. Sua família foi avisada e no leito do hospital ele exigiu que o curso não fosse interrompido. Passou o bastão para o mais antigo. Foram cinco dias entre a vida e a morte. No nono dia véspera de natal e viu que o quarto estava cheio de amigos.

              - E o curso? Perguntou. – Chefe, mesmo com a preocupação com sua saúde ele foi feito conforme suas instruções e sempre observado as exigências de Gilwell. Uma grande fotografia dos cursantes adornada em uma moldura foi entregue a ele que em posição de sentido davam seu sempre alerta ao seu mentor que não pode ir até o fim. Julião olhou para a foto e seus olhos ficaram molhados com as lagrimas que caiam. Sua esposa ao seu lado o abraçou, seus filhos vieram para ficar juntos a ele naquele instante. Julião ficou mais vinte dias no hospital. Durante mais seis anos Julião ainda permaneceu na terra, mas sem fazer o que mais gostava. O escotismo para ele estava na alma no coração e na mente.


                Faleceu aos 93 anos dois dias antes do Natal. Quem estava presente nunca esqueceu o que disse: - Mamã! Está na hora de partir. Era assim que ele chamava sua esposa. Ele chorando o beijou. Seus filhos o abraçaram pela última vez. Julião foi sepultado no dia 24 de dezembro daquele ano. Não houve milagres, pois sua hora havia chegado. Até hoje ele é lembrando pelo seu sorriso e pelo seu abraço que fazia questão de dar a cada um dos alunos que tiveram a honra de participar dos seus cursos. Na lembrança suas palavras permanecem até hoje: - Chefes aprendam muito, sorriem muito para seus escoteiros e Escoteiras, e não esqueçam nunca: - Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão!


- Julião um velho adestrador nunca mudou seu estilo em dar seus cursos. Fazia questão de na chegada e saída no final dar um cumprimento a cada um, um abraço e um sorriso com seu estilo Sempre Alerta meu amigo. Todos que participaram de seus cursos nunca o esqueceram. Suas palavras até hoje são lembradas: - Chefes aprendam muito, sorriem muito para seus escoteiros e Escoteiras, e não esqueçam: - Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão!

terça-feira, 21 de março de 2017

O fantasma da Moça de Branco.


Lendas Escoteiras.
O fantasma da Moça de Branco.

             Existem histórias mais lindas que não seja aquelas contadas como uma lenda? Onde os acontecimentos são misteriosos, sobrenaturais e podemos misturar os fatos reais com os imaginários ou fantasiosos? Eu conto histórias, portanto também conto lendas. De um simples fato o transformo além do imaginário popular, além da imaginação. A linguagem da escrita vai se modificando e a gente deixar a mente voar pelo espaço procurando aqui e ali pontos que preencham a mente e satisfaçam aqueles que vão ler ou ouvir alguém contar... Era uma vez... Quantos adoram quando você começa uma história com estas três palavras mágicas: - Era uma vez...  Lembro-me de uma história ou lenda, noite escura, três patrulhas de Escoteiros e duas de escoteiras. O fogo crepitava em uma clareira da floresta. Deixei o fogo ir diminuindo quando iniciei a história. O local era ideal, uma floresta densa e ali naquela clareira meninos e meninas esperavam ansiosos a história ou lenda que o Chefe iria contar.

           Levantei de um salto, olhei na mata e gritei: – Ouçam a floresta! Eu disse. Ela está lá, aguardando que alguém lhe mostre o caminho! Uma menina levantou assustada e perguntou – Quem Chefe? A Moça de Branco que um dia morreu ali naquela cabana e quem ninguém até hoje sabe por que seu marido a matou! Ela chora todas as noites ao andar sozinha pela floresta. A menina sentou de olhos arregalados, todos olhavam para a floresta. Eu corri até a entrada de uma trilha fechada e a chamei – Nina! Venha, não vamos lhe fazer mal! – Notei que todos procuraram ficar mais próximos uns dos outros. Ninguém falava, um silencio total!  - Não a chame você não tem este direito! Imitei uma voz cavernosa como se ele a voz estivesse ao meu lado. – Porque Lomanto? Por quê? Afinal você não a amava? Não disse que daria sua vida por ela? – Chorando com as lágrimas caindo sobre sua face ele me disse - Chefe, eu a matei com minhas mãos, mãos que gostavam de acariciar seu rosto. Eu me maldigo até hoje e sempre que posso saio do inferno que vivo para vê-la novamente aqui na floresta. Mas ela Chefe, ela não me queria mais. Diz aos gritos que me ama, mas não quer me ver. Ela não queria morrer Chefe! Ela amava a vida! E eu a matei!

           Voltei devagar de costas rumo ao pequeno fogo bruxuleante e falei baixinho e tão baixinho como se estivesse engasgado e com uma voz forte. A escoteirada fazia um silêncio mortal. – Não vou apertar sua mão! Você é um fantasma assassino! Não venha aqui participar conosco, nenhum desses jovens meninos e meninas irá gostar de ver seu rosto cheio de cicatrizes, suas mãos apodrecendo, seus cabelos caindo, este cheiro de enxofre e seus braços cheio de bichos do inferno. Se afaste! – Um burburinho na tropa, se ajuntaram mais, o fogo ia diminuindo, a floresta parecia invadir a pequena clareira que nos servia de abrigo para aquele Fogo de Conselho. – Um menino noviço ainda tremendo me pediu quase chorando: - Chefe mande-o embora. Ele matou sua mulher, não quero vê-lo, por favor, Chefe! Alguns soluçavam, outros me pediram para parar. – Não tenham medo, eu vou clamar as almas do outro mundo presas no inferno para levá-lo onde ele merece ficar. Queimando para sempre junto ao Demônio.

           Não sei se era minha história, se era minha lenda, mas o fogo que quase se apagava de supetão se elevou no ar, a clareira ficou como se fosse dia. Milhares de fagulhas subiam para o firmamento. Um trovão se ouviu no céu. Todos deram as mãos, ficaram em pé e gritavam – Chefe queremos voltar à barraca, por favor, Chefe! – Calma jovens Escoteiros, não precisam ter medo, Lomanto foi embora, Nina com seu vestido branco também. Não vamos vê-los nunca mais. Terminei a história cansado, ofegante, dei tudo de mim para que ele fosse verdade. A cadeia da fraternidade foi feita rapidamente. Na volta ninguém queria ir à frente e ninguém atrás. Os Escoteiros e escoteiras estavam juntinhos e havia um silencio sepulcral. Foram dormir, muitos rezaram, eu fui para minha barraca. Estava só. Sentei em um pequeno toco onde ainda jazia um pequeno fogo que fiz antes do anoitecer e pensei na história na lenda que contei e um arrepio correu pelo meu corpo, senti uma mão no meu ombro, tremi da cabeça aos pés! – Olhei era ela Nina, vestida de branco, linda, a mulher que morreu. – Obrigado Chefe, o senhor me ajudou. Ele agora vai me deixar em paz!


        Fui dormir tarde depois uma da manhã, sentia na pele o orvalho da madrugada caindo, dei a ultima volta nos campos de patrulha, todos dormiam, pensei comigo que história são histórias, lendas são lendas, mas existem algumas que podem se tornar realidade. Que Nina descanse em paz e que Lomanto se arrependa do que fez. Os anos se passaram. Minha mente voa pelo passado quando contava histórias e lendas e fazia a escoteirada sorrir e sonhar. Contei centenas de histórias e lendas neste mundo de Deus. Em florestas, em montanhas, em vales enormes cheio de cachoeiras, em picos sem fim. Contei histórias nas campinas do meu estado e de tantos outros, contei histórias e lendas nas margens de um lago gelado história que ao contar gelei. Hoje passado muitos anos até hoje ainda encontro com alguns Escoteiros ou escoteiras que estiveram lá naquela clareira e sempre me dizem e juram que viram Nina chorar...

segunda-feira, 20 de março de 2017

João Fernando Capelo de olhos azuis. (Conto Baseado no livro “Fernão Capelo Gaivota”).


Lendas Escoteiras.
João Fernando Capelo de olhos azuis.
(Conto Baseado no livro “Fernão Capelo Gaivota”).

             O sol se punha na enseada de Santo Agostinho e as gaivotas na nevoa do alvorecer voejavam por cima dos barcos pesqueiros que chegavam como a festejar o dia bom que conseguiram na sua jornada de pesca. João o Capitão de um dos barcos, um antigo Escoteiro ali na proa olhava sua cidade com olhos firmes. Foi ali que ele nasceu e dizia para todos que ali iria morrer. Sempre dizia para Lomar seu companheiro de pesca que o mais importante na vida é olhar em frente e alcançar a perfeição naquilo que a gente mais gosta de fazer. João tinha belos olhos azuis e suas memórias nunca esqueceram como foi feliz na jornada nas Escarpas próximas a praia do Além mar. Quantas vezes acampou ali? Gostava dos escoteiros, gostava de ficar lá vendo o voo das gaivotas que esperam os barcos de pesca ao entardecer.

               Lembrava-se dos companheiros da Patrulha Gaivota que olhavam João com pena e faziam tudo para ajudá-lo. Mancava, andava com muita dificuldade e todos sabiam que ele queria vencer, não ficar para trás nas jornadas, andar sem limites até atingir a perfeição, Para ele ser Escoteiro sempre fora uma forma de se movimentar sem mostrar que era um aleijado um coitado que não podia andar direito. Quando iniciou como Escoteiro João tentou acompanhar sua patrulha e se machucou. Não desistiu. Ele sabia que aceitar seu destino era morrer. Devido a sua perseverança e ousadia João não criticava ninguém só a si mesmo para não desistir de tentar. Nunca pensou em prejudicar sua patrulha, chorava em pensar que um dia poderiam desistir dela e ser banido do que amava.   

                João dizia para sim mesmo: - Quebre as correntes de seu pensamento e também irás quebrar as correntes do teu corpo. Ele sabia que com sua compreensão poderia ver até onde pode ir. Descubra mais do que já sabe, dizia. Talvez fazendo isto você encontre seu caminho que fará mais sentido para si, pois as jornadas que vais enfrentar não pode ter limites. João sabia que não iria desistir nunca. Fazia tudo com suavidade e paciência. Nunca esqueceu quando fez sua promessa, prometeu muito mais. Prometeu que nunca seria um empecilho para ninguém. Doía, a perna sacolejava, mas João não desistia. Ele era livre para pensar e não podia deixar para trás a força que sua patrulha lhe dava.   

                 Por muitos anos João andou pelas praias, pelas florestas pelos campos e até se arriscou a embarcar em um pequeno bote que a Tropa possuía para velejar por longos mares sem fim. João sofreu experiências incríveis, de solidão, de frio e fome, mas nunca se abateu. Certo dia João encontrou um menino Escoteiro que sofria com suas mãos que doíam horrivelmente e mesmo assim o cumprimentou. – João, disse o menino Escoteiro, você faz ideia quantas vidas levamos para começar a entender o que somos? Não viemos aqui para desistir. Temos que mostrar que podemos e assim vamos aprender até atingir a perfeição. Quebre as correntes de seu pensamento e assim também irás quebrar as correntes do teu corpo. João acreditou no menino Escoteiro e assim o fez. 

                  João viu que como Escoteiro vivia em outra sociedade onde todos desfrutam do companheirismo e da paixão pelo escotismo. Ficava horas a fio treinando a andar, a pular ele sabia que precisava ter o respeito dos demais escoteiros. Não iria ser um peso morto, um “coitado”. O processo não foi fácil, seus amigos escoteiros mais experientes não o deixavam sozinho. João viu que ali o respeito e amor eram sagrados. Viu que compartilhavam o mesmo ideal. Seu Chefe sempre lhe dizia: - João você tem de compreender que um Escoteiro tem uma ilimitada ideia de liberdade, uma imagem firme de si mesmo. Seja fiel aos seus ideais. Procure João com sua compreensão fazer o que tem de fazer. Descubra o que você no seu pensamento já sabe!

                    A chuva na praia, o céu beija o mar e o Escoteiro espera sua hora. E João continuou sua saga de sempre treinar no amor. Ele sabia que o espírito não pode ser verdadeiramente livre sem a capacidade de ser mais um, de perdoar e continuar no progresso do seu caminho escolhido até se tornar um Escoteiro de verdade. A Patrulha Gaivota cresceu. Agora já compartilhavam mais as ideias entre todos inclusive João. Tinham uma Lei a seguir e João sabia que ela o faria um Escoteiro que sempre sonhou ser. – Vocês querem acampar onde ninguém nunca foi, disse seu monitor, para isto precisam aprender a se ajudarem e se conhecerem melhor. Aprender que os mais fortes nunca deixam os mais fracos para trás. Se fizerem assim o amor e o perdão irá acontecer. Todos irão ver que o respeito entre amigos será para sempre.

                  O Barco se aproximava do cais. João olhou para Lomar. Ele nunca fora Escoteiro e parecia uma gaivota perdida do bando quando João o encontrou. João lembrou-se de tudo que fez em sua patrulha, nas conquistas nas grandes atividades Escoteiras, na sua promessa e disse para Lomar: - Não é ser amado e admirado pelos outros que nos dá a alegria de viver. Esta alegria meu amigo provém de ser capaz, de amar e admirar tudo que achara raro, bom e belo. Todos nós podemos aprender quando quisermos aprender... Hoje você e eu singramos os mares para podermos viver um pouco melhor e dar o máximo a todos que nos cercam. Ainda me lembro de minha patrulha, que sempre sorria para mim. Meus velhos companheiros nunca se importaram em me ajudar. O mais importante na vida é olhar em frente e alcançar a perfeição naquilo que você mais gosta de fazer!


                Uma gaivota branca sobrevoou o Barco e João jogou no mar um pequeno peixe. Olhou para Lomar e repetiu: - Pois é assim como esta gaivota eu sou também a perfeita expressão da liberdade que aprendi com meus amigos de outrora. A única Lei verdadeira é a que nos liberta. Cada um de nós encontra e segue o que mais amamos fazer, não importa o que os outros pensem


!- Não se preocupe em tomar a decisão certa... Pois ela não existe... “Tem alguma ideia de quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando?” – Este conto foi baseado no livro Fernão Capelo Gaivota, escrito por Richard Back. O fiz quando ouvia a trilha sonora magistralmente interpretada por Neil Diamond do filme do mesmo nome. Divirtam-se com a história de João Capelo de Olhos Azuis. 

sábado, 18 de março de 2017

Lendas Escoteiras. Servidão Humana.


Lendas Escoteiras.
Servidão Humana.

                         Moro no inferno. Aqui onde estou é a casa do demônio. Não me invejem e nem queiram me fazer companhia. Onde estou à degradação e o sofrimento humano não é mais que um antro de podridão. Quem me visita e são poucos, eu sempre digo que se existir um inferno na terra ele é aqui nesta prisão onde a devassidão é inimaginável. Só quem vive aqui sabe que não existem palavras suficientes que explicam como é essa morada. Quem por aqui já passou pode relembrar o sofrimento, pois aqui eles são o pior que existe. Aqui sou um inquilino do príncipe das trevas. Não durmo o sono dos justos. Não sou inocente. Se estou aqui é porque mereço. Ouvi alguém dizer que quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo. Eu não consigo parar de lembrar.

                      Marcou profundamente minha alma, meus sentimentos e até hoje não sei se os tinha. À tarde quando saio da cela nada tenho a fazer. No pátio ando de um lado para outro como um zumbi. Olho as paredes da prisão descascadas e úmidas cheirando a bolor. É melhor que nas celas, também úmidas, cheirando a podridão e onde as paredes sujas são cobertas pelos companheiros com fotos das namoradas e de mulheres nuas rasgadas de revistas masculinas. Não tenho cama. Um levantado de cimento com um colchonete fino. Meu corpo já acostumou. Estou aqui há oito anos. Até a comida podre servida em marmitex de terceira já aprendi a comer. Muitas vezes infestadas de insetos, baratas e excremento de ratos. Não me incomodam mais. 

                      Eu mesmo lavo a minha roupa não mais que quatro peças. Não tenho ninguém para fazer isso. Os meus companheiros de cela recebem visitas e sempre trazem roupa limpa. Eu não. Fui esquecido e nunca mais lembrado. O banheiro? Só rindo. Um quadrado pequeno chamado por todos de “boi” é compartilhado pelos companheiros de cela, pois aqui não se tem amigos. Aqui me chamam de Pato o coxo, não sei por quê. Já tive uma vida, tive amigos, era querido e amado por todos que me conheciam. Nunca pensei que me tornaria um bandido, um assassino, pois até hoje me arrependo do que fiz. Era feliz, vivia sorrindo, era um Chefe Escoteiro querido pelos meninos e pela comunidade.

                       Aprendi a respeitar, a amar a ser responsável o que me deu um crédito de cidadão exemplar. Dom Marcelo o pároco era meu amigo, Josuel o Delegado era como um irmão. Acampava, fazia atividades aventureiras, corria mundo sempre a desbravar aventuras da vida que escolhi. Quando cheguei aqui há oito anos, fui violentado. Diziam que era meu batismo pelo que fiz. Não perdoei ninguém. Matei todos que me fizeram mal. Aqui me tornei um assassino para me defender. Muitos me pediram perdão. Aprendi a não perdoar ninguém.

                Quantas vezes fui convidado como padrinho de almas inocentes que vinham ao mundo? Quantas vezes ajudei a paroquia nas festas religiosas? Quantas vezes ajudei pais de jovens que não tinham nada para pagar nas atividades Escoteiras? Eu sabia que isto não valia para abreviar minha pena. Amigos que se formaram em direito nunca me procuraram. Eu não tinha nada e nem podia pagar um advogado para me defender. Mas eu merecia ser perdoado? Aprendi a ficar calado. Aqui não dou as costas para ninguém. Os que dizem ser meus amigos eu sei se tiverem oportunidade acabarão comigo. Quando aqui cheguei me revoltei. Passei boa parte do meu tempo na solitária. Mal cabia um homem deitado. É um lugar fétido, sem sol, sempre na escuridão. De vez em quando baratas cruzavam meu corpo. Aprendi a comê-las. Assim elas diminuíam e me deixavam em paz. Não reclamo. Nunca reclamei.

                Tinha 22 anos, na flor da idade. Trabalhava na Farmácia Santa Lucia, bem conhecido bom vendedor. Escoteiro deste os nove anos. Amava aquela escoteirada que me amavam também. Porque tudo aconteceu? Era destino? Eu devia passar por isto? Não acredito. Marinalva não merecia o que fiz com ela. Mas afinal sou um animal? Um demente? Porque agi daquela maneira? Ela apareceu um dia na cidade, filha de João do Bar. Diziam que estudava na capital. Me viu fardado, sorriu, Deus! Que sorriso lindo! Esqueci tudo esqueci o que iria fazer. Me apaixonei. Uma bruta paixão aconteceu. Tentei tudo para fazê-la feliz. Ela com seu jeitinho brejeiro me namorou mas namorou meio mundo da cidade também. Tentei tudo, até larguei os escoteiros para ficar com ela e não adiantou.

                Há encontrei um dia deitada no celeiro dos Anjos com Daniel o gostosão da cidade, ela ria, ele também. Meu sangue ferveu. Devia ter rezado contado até dez como ensinava aos monitores quando ficavam com raiva. O peguei pelo pescoço, ele gritou, ela tentou ajudá-lo. Dei cabo dela também. Sai chorando dali direito para a Cadeia. Josuel o delegado veio correndo quando soube. Não teve jeito. Não me defendi. Se matei por amor não justificava o que fiz. Fui doente, demente maldito que tirou a vida de dois seres que não mereciam morrer. Dizem que quando você mata alguém, você tira tudo que ele tem e o que ele poderia ter um dia. Aqui nesta prisão fétida todos se dizem inocentes. Eu não sou inocente. Sou culpado e mereço morrer sem dó e nem piedade.


                Se escrevi estas poucas linhas não é para tentar uma justificativa. Meus sonhos acabaram, minha vida escoteira não existe mais. Não existe explicação para os meus atos. Dizem que aqui é a sucursal do inferno. Acredito. Tenho 26 anos, se sair daqui estarei com mais de setenta. Acabou as ilusões, os amores, os sonhos de menino Escoteiro. Sei que lugar de assassino é na cadeia. Nem sei se me resta um pouco de dignidade e caráter. Honra não tenho mais. Vivo no meio de ladrões, bandidos e assassinos. Também sou um deles. Somos todos aqui demônios dominados pelo ódio e alimentados pela sede de vingança. Que Deus tenha pena da minha alma!

Escrevi esta história há quatro anos. Nunca publiquei. Tinha duvidas se os meus amigos leitores entenderiam o tema. Afinal o mundo está aí cheio de gente com boas intenções e outros não. O Escotismo tem uma nuance linda, parece uma estrela brilhante no céu que não conseguimos alcançar. Mas mesmo sendo escoteiros somos humanos e tudo é possivel. Os exemplos estão aí e todos conhecem. É uma historia cruel, dura e crua. Se não for do seu estilo é melhor não ler. Afinal existem historias que muitos não iriam entender!

O contador de historias Escoteiras!


O contador de historias Escoteiras!

Epa! Não desisti de editar o meu livro de histórias. Afinal estou cercado de gente boa, gente que ama o escotismo e que está do meu lado para ajudar. Uma Chefe cuida da revisão diagramação e edição. Outros também se ofereceram e breve irei enviar a eles mais uma fase para a edição do meu livro Escoteiro. Demora, não quero fazer mal feito. Não foi fácil escolher quais histórias seriam publicadas. São mais de 2.200 histórias e mais de 600 artigos sobre escotismo e dezenas de poemas. Escolhi 174 delas, Serão aproximadamente 180 ou 200 paginas impressas, pois não quero letrinhas que precisam de óculos para enxergar. Meu livro seria dirigido aos jovens do movimento Escoteiro. Na maioria dos contos eles são os personagens principais. Aguardem, não está sendo fácil. Nem sei quanto vai ficar pronto. Logo que tiver o valor comunico a todos. Irei precisar da minha patrulha do Facebook para colaborar na vaquinha. Depois... Depois é esperar a crítica dizer se valeu.
Aguardem, em breve mais um passo, dois e o terceiro na jornada da trilha escoteira o livro vai aparecer para alegria de alguns e decepção de outros.

Sempre Alerta! 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Era uma vez... São Pedro lá do céu!


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... São Pedro lá do céu!

                   Hoje me lembrei desta história. Minha memória diz que aconteceu, mas muitos amigos daquela época diziam que não foi bem assim. Menino estudante, Escoteiro, cidade pequena sem nada o que fazer, corria-se com suas possantes bicicletas nas casas dos amigos escoteiros, reuniões de patrulha e pensando no próximo acampamento. Era uma festa quando alguém com peças Escoteiras apareciam na cidade. – De onde? Qual Patrulha? E a luta para levar para sua casa? São coisas do passado, passado que ficou na memória e nem sempre se fatos assim ainda acontecem neste Brasil imenso. Mas vamos às lembranças. Desculpe se faltar alguma coisa, faz tempo, muito, o Velho Escoteiro tem 75 anos e na época somente 12. Recordações faz bem e eu tenho muitas para lembrar.

                    Não me lembro do seu nome. Pudera ele nunca disse, pois assim como chegou ele partiu. A gente o apelidou de São Pedro, aquele que mora no céu. Fisionomia igual a que o Padre José nos contava. Uma barba branca que de tão branca ao ficar ao sol se tornava azulada. Magro, e quem o olhasse bem de perto diria que era só pele e osso. Será que não se alimentava? Usava uma roupa simples, calça caqui curta bem puída e uma camisa caqui com alguns rasgos no ombro. Usava um cinto. Era o nosso conhecido. Sem sombra de dúvida era um cinto escoteiro. Esquecemos até que em sua cabeça também morava um chapéu de abas largas, mas que agora estava decaído se mostrava velho, carcomido e com pequenos furos. No banco que estava sentado havia uma pequena mochila, diferente das que nos conhecíamos. Nunca vimos o que tinha dentro dela. Sua figura chamava a atenção, tinha os dentes perfeitos e quando sorria maravilhava a todos. Falava como se estive declamando poesias tipo aquelas que nosso professor de português declamava sem sorrir e querendo ser o que ele nunca foi. Um poeta.

                          Não lembro quem o viu pela primeira vez, sentado no banco da Praça da Estação. Praça nova árvores recém-plantadas. Dizem que hoje estão enormes e as palmeiras inigualáveis. Bem não estou aqui para falar da praça e sim do velhinho de barbas brancas azuladas, ou melhor, São Pedro lá do Céu. Quando lá cheguei outros lá estavam. A notícia correu de boca em boca dos escoteiros e lobinhos. Gente estranha e com peças Escoteiras na cidade era motivo de jubilo por parte de todos nós. O cinto e o chapéu sem dúvida o identificava. Em volta daquele simpático velhinho nós pequeninos Escoteiros agachados em sua frente de olhinhos arregalados queríamos saber de tudo. Ele tinha um lindo sorriso e de vez em quando seus olhos fechavam parecendo que iria dormir. Sonhador chegou correndo. Era e sempre foi nosso porta-voz. As patrulhas confiavam nele. Sabia falar como ninguém, um proseador que não perdia nunca o fio da meada.

                            Todos nós esperávamos que nosso acólito trouxesse a tona e desvendasse o segredo do Chapéu e do cinto que acintosamente aquele velhinho, ou melhor, São Pedro lá do céu portava. Ao menos a fivela estava limpa. Não brilhava, mas ainda tinha a cor da originalidade quando produzida. O chapéu mesmo limpo não mantinha as abas retas e planas. Tinha um semblante que encantava. Sonhador disse que o ouviu falar que estava com fome. Façamos uma vaquinha! Conseguimos doze paus. Perna Seca e Orelhudo foram correndo ao bar do Zé Moreno. Voltaram com quatro coxinhas, seis bolinhos de carne e dois pães. São Pedro lá do Céu comeu com gosto. Educadamente. Mastigava como se estivesse contando cada mordida. Beleleu levou Narigudo até sua casa na bicicleta. Voltaram em dez minutos com um cantil cheio de água e uma garrafinha de groselha. Ele sorria e falava baixinho com Sonhador.

                       Lá pelas tantas discutimos onde ele iria dormir. Velho assim era difícil levar para a casa dos vinte e oito meninos Escoteiros e quinze lobinhos que se ajuntaram em sua frente na Praça da Estação. Seus pais poderiam estranhar. Bororó Monitor da Onça Parda sugeriu trazer a barraca de duas lonas da chefia e um cobertor do exército que ganhamos. Na grama atrás do banco a barraca foi armada. Sonhador disse para ele que podia dormir tranquilo. O Guarda Noturno era o Zé Birosca, antigo Escoteiro. Ele estava em casa. Ficamos lá até por volta de nove da noite. Fui embora pensativo. De onde era? Como chegou? Seria um antigo Escoteiro ou um Chefe? Dormi pensando e durante todo tempo de escola nem vi o que os professores disseram. Queria que as aulas terminassem para correr até a Praça da Estação.

                             Encontrei Bico Doce e Orelhudo conversando. Ele se foi me disseram. A barraca estava desarmada e bem dobrada nos moldes Escoteiros. Os espeques limpos e enrolados em um jornal. Se ele dormiu ali levantou cedo. Antes do alvorecer. Zé Birosca o Guarda Noturno disse que não o viu ir embora. Seu Nonô Fogueteiro Chefe da estação disse que o maquinista Zé Be Deu o levou como carona no trem de carga das cinco da matina. Fiquei decepcionado. Se ele fosse um dos nossos quantas novidades para nos contar? Sabíamos que nossa fraternidade era enorme, mas só umas fotos apagadas de uma revista que um viajante nos presenteou vimos Escoteiros de outros países. Será que eles seriam iguais a nós?

                     Na semana seguinte eu e Orelhudo encontramos Zé Be Deu o maquinista. – Desceu em Crenaque. Disse que iria atravessar o Rio Doce em uma jangada que ele guardava na Caverna do Morcego. Falou baixinho que iria rever seu amigo o Cacique Abaeté dos Aimorés do outro lado do rio. Eram amigos há séculos. Séculos? Pensamos no que disse o maquinista. Perguntamos mais e ele não disse mais nada. Olhei para Orelhudo que balançou a cabeça. Imortal? Seria ele realmente São Pedro lá do Céu? Meninos Escoteiros a filosofar. Durante muitos anos nos Fogos de Conselho e em Conversas ao Pé do Fogo levantávamos a história de São Pedro lá do Céu. Falou-se tanto que agora para os novos ele era um Santo Escoteiro. Alguns juravam tê-lo visto nas margens do Rio Vermelho, outros na Montanha da lua e um afirmou que ele corria em cima das águas nas corredeiras do Rio Piaba. Ah! As histórias existem, verdade ou não fiquei sabendo que na Corte de Honra foi votado para ele ser o patrono da tropa. Porque não?


(A minha vida fechou-se duas vezes antes de se fechar – Mas fica por saber, se a imortalidade me revela Um evento maior. Tão largo tão incrível de pensar, como estes que sobre ela duas vezes tombaram. Partir é tudo o que sabemos do céu, tudo o que do inferno se pode precisar). Emily Dickinson

Já postei esta história aqui. É uma das minhas preferidas e sei que muitos ainda não conhecem. É uma historia de ingenuidade e sonhos de meninos Escoteiros. Ainda com aquele amor preso no coração e aquela vontade de provar a fraternidade escoteira. Se ele era São Pedro lá do Céu nunca disse. Partiu como chegou. Ninguém sabe ninguém viu. Verdade ou não acreditávamos que ele era São Pedro, aquele que toma conta do céu.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Segurem o tempo! Não o deixem passar!


Segurem o tempo! Não o deixem passar!

                            “O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta”. Então – para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa – eu cultivo certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto! Ah! Clarice Lispector. Você é formidável para aproximar nossa mente na realidade do presente. O tempo passa célere demais. Quando crianças corremos atrás dele para que cada dia fosse acontecer a cada segundo. – Mãe! Quando é meu aniversário? Que saudades. Um bolo, velas para apagar, amigos em volta da mesa e até esquecia-se dos presentes. Depois se tornou natural. Os anos não contam os bolos acesos e velas apagadas.

                            Dizem que em determinada época na nossa vida, passamos para a terceira idade. Até hoje não encontrei alguém da primeira e da segunda idade. De quantos em quantos anos? Sei que na terceira somos mais olhados. Mais vistos. O envelhecer trás a aproximação dos amigos, dos familiares e das lembranças dos que estão distantes. Nesta hora passamos há contar o tempo. Observamos melhor aquela ampulheta que está sobre a mesa e sabendo que um dia ela vai ficar vazia. Quando só Deus sabe. Dizem também que nesta data nos sentimos mais amados, pois a idade envelhecida não nos dá mais forças para fazer o que sempre fizemos. Eu tive um grande amigo que já se foi e me dizia sempre – Aposentar é perder parte da vida! Não sei se me sinto assim. Não foi Mario Quintana quem disse que não devemos fazer de nossa vida um rascunho? Claro, pois vais ter a hora de ter que passá-la a limpo e nada melhor que a aposentadoria.

                           Dou graças a Deus que o tempo passa. Já imaginaram o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna? Gosto de citar Fernando Sabino que dizia: - O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Quem sabe viver seria um exercício de desprendimento. Uma aventura de deixar que o tempo leve o que é dele que só fique o necessário para continuarmos as novas descobertas. Dizem que em tudo existe beleza na passagem escondida do tempo. Coisas velhas que se revestem de frescor. Para nós é melhor deixar a vida seguir seu curso. Não pensar tanto no amanhã. Se alguém disse que o amanhã nunca morre porque irei pensar nele?

          Coloquei em minha mente que não existem tristezas que mereçam ser eternas. Acho que nem a felicidade. O que precisamos mesmo é aprender com as tristezas e as alegrias. Alguém já disse que elas só seriam suportáveis à medida que as dividimos. Eu sou um homem feliz. Tive com quem dividir tudo na minha vida de terceira idade. Ela minha Celia e meus filhos fazem parte do meu corpo, da minha alma e do meu coração. Ah! Não se esquecer dos amigos. “Isto nunca”.


            Pois é, fico por aqui. Não se esqueçam de lembrar-se de mim quando for para minha estrela no céu. Pensem que lá estarei sempre uniformizado, caqui engomado, calças curtas nos trinques, meiões no padrão Escoteiro, sapato bem engraxado, cinto brilhante, lenço bem passado e dobrado conforme os padrões que me ensinaram. Lá estarei com meu anel de Giwell brilhante e com meu chapéu de três bicos na minha mão esquerda fazendo uma reverencia e a direita se preparando para ficar em posição de sentido e dizer a você: - Abraços fraternos meu amigo, sou um privilegiado em ter sua amizade. Até mais e Sempre Alerta!

Se for pra ser, será. Se tá demorando, é porque o melhor ainda está por vir. E que venham novas histórias, novos contos nova vida novos sorrisos e novos amigos, eles sempre serão bem vindos porque a vida é para quem sabe sorrir amar e ter a paz no coração.

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras. Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia....