Recordações
em volta da fogueira.
Um estranho
no ninho.
Nunca vou
desistir!
Pensando bem... Terça
feira... O sol já se pôs. Na minha varanda olhos os passantes os errantes e os
carros freando na saliência da rua impedindo a velocidade, pois a meninada
brinca seus folguedos nas calçadas, na pequena praça e alguns correm sem olhar
o que vem e o que vai...
- De olhos fechados
viajo no tempo... Às vezes vou ao passado buscar forças que agora não tenho.
Dou voltas ao redor de mim mesmo e não me encontro. Dizem que sou um mestre
aconselhador e nem sei dar a mim um conselho que tanto preciso para caminhar na
trilha escoteira que escolhi. Não posso reclamar da vida ela me deu mais do que
eu poderia desejar. Desde meus sete anos respiro escotismo, é meu sangue, o
sinto na veia, bate fundo no meu coração. “Naqueles tempos” a cada trilha, a
cada esquina por onde passava analisava se era o melhor caminho a seguir. Podem
dizer que ao escrever o que penso e sinto sou um Chefe que não sabe dar a volta
por cima e chegar ao ponto de reunião. Muitas vezes despejo nos meus contos as
mágoas que ainda tenho no pensamento, meus bons momentos vividos e por mais que
tento me desvencilhar delas não consigo. É maior do penso quando escrevo
palavras que para muitos tocam o coração. Dei para olhar a frente, procurando
novos rumos sabendo que a vida me reserva um curto espaço de tempo no mundo que
Deus me deu. Sento em uma curva do caminho e penso ficar ali, parado, vendo o
sol nascer e se por. Espero a noite chegar e quem sabe o firmamento carregado
de estrelas possam me consolar.
Não sei se para onde
vou encontrarei o mesmo escotismo que fiz, que trago na mente e no coração.
Hoje o escotismo mudou se para melhor não sei. Uns dizem que sim outros não. Diferente,
alguns ainda buscam os sonhos de outrora e nem sei mesmo se os jovens de agora
adotam aquela postura da Lei, da Promessa, de fazer todos os dias uma boa ação.
Saudades do Monitor a dizer: - Chefe, almoço pronto! Aceita? Quem sabe este
mundo que estou vivendo nas páginas criadas por muitos de um devaneio um sonho não
seja a verdade que procuro. Cada um tem seus problemas suas dúvidas suas
alegrias e no âmago do seu lar, vivem outros mundos que não é o meu. Levanto
devagar da poltrona, olho no relógio, acho que dá tempo, por que não ir visitar
amigos? Será que ainda os tenho? Há um bom bocado de grupos escoteiros na minha
região. Sei que não me convidaram para uma visita, mas por que não ir lá? Na
minha imaginação sei que pelo sim pelo não eu serei bem recebido. Sem me cansar
pego o meu uniforme, me olho no espelho calça curta e chapelão, não sei se
gosto do que vejo, velho demais, desdentado e sem poder sorrir. Tento ouvir o
que o espelho me diz, ele calado nem é mais aquele de outrora, severo e
inflexível se mantem como um vazio de quem não quer sorrir nem falar.
Aonde vou? Como vou?
Bengala na mão botina engraxada uniformizado nos trinque me preparo para sair. Questiono-me
se vale a pena. O que verei aonde for? Saberei aceitar as alterações? Um olhar
furtivo, desconfiado, irão pensar o que fui fazer ali. Será que vou gostar?
Encontrarei um escotismo que não é o meu, uma nova farda que até hoje não me
conformo em olhar alguns tão mal apresentados. Me sentirei bem? Vendo o que
critico sem direito a criticar? Afinal não sou profeta, não posso dizer se o
futuro daqueles jovens será pior ou melhor do que o meu. Dizem que isto é um
novo escotismo novas eras, caminhos diferentes, escolhas que cada um tem o
direito de buscar. Tiro meu uniforme. Desisto de sair. Se não fui convidado o
que vou fazer ali? Bem guardado o deixo com tristeza. Volto às velhas práticas
de escrever. Sinto que nem as ideias são claras como antes. Danadas de
lembranças que não saem da minha mente. Meus dedos estão paralisados, tento
cantar uma canção, a garganta reclama e a voz não sai. São tantas coisas,
tantas que o melhor é parar e pensar na caminhada que dei e ainda vou dar. Olho
na tela branca do PC e alguém diz: - Obrigado Chefe, está frase valeu! Outro
diz, Chefe gostei da história, espero outra amanhã para poder dormir...
Tenho que prosseguir.
Sempre tem alguém para dar bom dia, boa noite, e obrigado por curtir. O dia
passou, a noite chegou. A rotina faz da ronda minha vida atual. Nada muda, tudo
igual. Me jogo no tempo, abraço meu acampamento tirado da minha imaginação.
Beijo com frescor o vento amigo, levo comigo na lembrança o piar do Bem ti vi. Ponho
a viola no saco, na mente imito o canto do Uirapuru. Faço uma mentalização, tudo
preso no pensamento, à voz do momento é só uma... Meu tempo? Ora meu amigo, meu
tempo já passou!
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