Contos de Fogo de Conselho.
Chefe Zé... Mané para ele tiro meu chapéu!
Prólogo:
- E lá no céu, um velhinho simpático de nome Baden-Powell aplaudia e dava suas
bênçãos inglesas ao casal de brasileiros, pois ele sabia que a humildade não é
ser pobre é ser digno. Ele até aconselho seu neto a doar Paxtu para eles. E
saibam todos que Zé... Mané e Dozemita mesmo sem ter Insígnia eram dignos
escoteiros que muitos deviam seguir! – Apenas uma história, sei que nenhum dos
nossos chefes e dirigentes irão colocar o chapéu na cabeça. Rarará!
Muitos dos que o
conheciam o chamavam de Zé Mané. Ele sorria na sua ingenuidade e assim passou
sua adolescência na Patrulha Coruja. Seus amigos de Patrulha gostavam dele.
Prestativo, educado, simples sem afetação. Fora da tropa o consideravam um
bobo, paspalhão e tolo. Ele não se incomodava. Cresceu, a tropa votou para ele
ser o Chefe. Seu Tony Morcato o Chefe do grupo não aceitou... A principio, pois
a tropa resolveu ficar em vigília na porta de sua casa até que ele aceitasse o
Chefe Zé... Mané! Nunca na história daquele grupo se viu tamanha alegria.
Afinal nem sempre tem escoteiros para votar na escolha de seu Chefe. Dom Ruan
de Lá Mánsia o Distrital não queria assinar o certificado de nomeação. Novamente
lá estava a tropa fazendo vigília na porta do Comissário. Chefe Zé não era
apreciado pelos chefes do distrito. Afinal quando um Mané foi Chefe escoteiro? Esqueceram
que aquele era um cavalheiro, delicado, distinto e gentil.
Quando A Akelá Pratifunda Benedita foi
embora Chefe Zé ajudou a não fechar. Mas precisavam de uma nova Akela e o Chefe
Tony Morcado não se mexia e nada fazia. Chefe Zé... Mané se lembrou da nova
faxineira onde trabalhava no Lar Menino Jesus. Ele era bem quisto lá. Afinal
desde os dezesseis anos que era um dos melhores faxineiros que por lá apareceu.
As Irmãs Carmelitas o chamavam de Doutor Zé. Tinham por ele muita admiração. Calada,
magra feito um palito Dozemir Pangu dificilmente sorria. Não tinha dois dentes
na frente e sabia que abrir a boca era para ser caçoada, zombada e faziam troça
dela. Nunca reclamou de sua mãe que colocou aquele nome esquisito. Até gostava
dele e pensava que um dia teria um príncipe Encantado que diria ao pé do
ouvido: Te amo Panguzinha meu amor. Ela tinha enorme simpatia por Zé... Mané.
Aceitou seu convite para ser Akela.
Não perguntou o que
precisava aprender, não perguntou se teria que pagar, pois leu um dia num livro
que o Escotismo é o único lugar que o voluntário tem de pagar para ajudar.
Chefe Tony Morcado quase caiu da cadeira quando Zé a apresentou. Pensou em
xingar a mãe do Zé da Dozemir e mandar todo mundo para o ponto final do ônibus
Vai Sem Volta e deixar todo mundo lá de molho por trinta anos! O Comissário Dom
Ruan de Lá Mánsia quase perdeu os restos de fios de cabelos de sua cabeça
careca. – Que palhaçada é essa Tony? Ele assinou a nomeação contrariado depois
de quinze dias de passeata dos lobinhos e escoteiros do Grupo Escoteiro Pau
Ferro na porta de sua casa. Chefe Zé... Mané e Dozemir passaram a se gostar e
se juntaram. - Vamos casar quando construirmos nossa casa! Diziam ambos.
A cidade de duzentos e
qualquer coisa de mil habitantes viu que os lobinhos os escoteiros de Morro
Cego estavam sempre presentes fazendo boas ações, plantando árvores, limpando
praças, sorrindo a marchar para os acampamentos coisa que os outros grupos não
faziam. O Prefeito resolveu doar um equipamento completo para a alcateia e a
tropa. Os três outros grupos escoteiros reclamaram ao Comissário que reclamou
com o prefeito e puseram até o Deputado Chinfrudo na roda. Façam alguma coisa e
serão agraciados... Disse. Ninguém entendeu como o nome do Chefe Zé... Mané e
da Akela Dozemir Pangu foi parar no Conselho Interamericano de Escotismo. Um
dia apareceu um Comissário Internacional que se dizia chamar Dom Diego Pablo
Sem Tustois e procurou primeiro o Prefeito Tunico Pança e o Distrital Dom Ruan
de Lá Mánsia para informar que o Chefe Zé... Mané e a Akela Dozemir Pangu foram
homenageado com a Medalha “Lobo de Bronze” aprovada pelo Comité Mundial.
Os chefes do distrito
pasmados foram na região escoteira. Exigiram uma Assembleia Extraordinária para
julgar o caso. O Presidente da região Pequeno Pinto Morto estava petrificado
com a ira de todos. A Assembleia foi marcada. Presentes as Irmãs Carmelitas de
todo o Estado. A chefaiada olhando ressabiado na primeira sessão ordinária no
Palácio do Porco Gordo. Veio o Presidente da CAN do DEN não, pois foram
destituídos de suas funções. O Comité
Mundial da WOSM através do seu presidente Mister Moskity Dengatico apareceu sem
ninguém esperar. Aplaudido pelas irmãs Carmelitas pelo prefeito Tunico Pança e
por milhares da população de Morro Cego Zé... Mané e Dozemita foram carregados
até a mesa central da Assembleia e ovacionados como nunca se viu. O Padre
Piquitito Crescente e o Pastor Depósito no bank fizeram questão de entregar
pessoalmente aos dois sob as bênçãos do Presidente do Comité a ordem do Leão de
Bronze. Não se sabe como alguém queria entregar também o Tapir, mas ele com
vergonha do Leão se mandou para dentro da Jângal. Dizem que agora mora em uma
caverna prateada as margens do Rio Waingunga.
Pois é... Malandro é
malandro e Mané é Mané já dizia o cantor poeta. Sei que Zé... Mané e Dozemita
Pangu casaram logo após terem sidos eleitos prefeito e vice-prefeita da cidade
de Morro Cégo. E continuaram escoteiros para sempre mesmo contra a vontade dos
lideres distritais, regionais e nacional, pois tinham as bênçãos da Organização
Mundial do Movimento Escoteiro e prometiam que nas próximas eleições Chefe Zé...
Mané seria eleito presidente Mundial dos Escoteiros.
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