Lendas
maravilhosas.
A história do
toque do Silêncio.
Prologo: - O silêncio, uma música, um toque, um cheiro e meu pensamento vai parar
lá no passado, naqueles belos tempos, todos dormindo e o toque ressoando na
floresta sem querer acordar o que ali moravam. Belos tempos que não voltam
mais.
Capitão Barbosinha não tinha
filhos no escotismo, mas sempre estava presente em reuniões de sede e até mesmo
em acampamentos ele fazia uma visita relâmpago. Não sei por que o Chefe Tomaz
não tomou dele a promessa. Era menino naquela época e quem sabe deveria haver
uma história que não poderia ser contada. Todos nós gostávamos muito dele.
Calmo, ponderado sempre com uma instrução militar ou uma história para contar.
Nunca esqueci aquela tarde, acampados as
margens do Rio Guaçuí, ele chegou de bicicleta sem ofegar. Rimos a valer quando
ele apoitou em uma árvore e perdeu o equilíbrio caindo como uma fruta madura no
chão. Ele era da Policia Militar e muito querido por todos. Um dia me disse que
deveria ter sido escoteiro e não foi. Quando notou meu clarim pendurado na
ponta da minha barraca ele me perguntou: - Vado, você conhece a lenda do toque
do silêncio?
Milito e pedregulho ouviu o
que ele dizia e por um toque de assovio chamou toda Patrulha. Era nossa maneira
de se comunicar. Sentamos a sua volta e ele de cócoras sorriu e começou a
contar: - Escoteiros! É uma lenda quando ouve a terrível Guerra Civil
Americana, lá pelos idos de 1862. O Capitão Robert Ellicombe do Exercito da
União estava com seus homens perto de Harrison’s Landing, na Virginia. O
Exército Confederado estava do outro lado de uma estreita faixa de terra.
Durante a noite o Capitão Ellicombe ouviu os gemidos de um soldado caído, gravemente
ferido no campo.
- Sem saber se era um soldado
da União ou um Confederado, o Capitão decidiu arriscar sua vida e trazer o
homem atingido para cuidados médicos. Arrastando-se deitado em meio ao tiroteio
ele o alcançou e começou a puxá-lo em direção ao seu acampamento. - Quando
finalmente alcançou suas linhas descobriu que o soldado era na realidade um
Confederado, e que ele havia morrido. O Capitão acendeu uma lanterna e na
obscura luz viu a sua face. Era o seu próprio filho.
- O rapaz estava estudando música no Sul quando a guerra começou. E sem
falar com seu pai, alistou-se no Exército Confederado. Na manhã seguinte, o
capitão pediu permissão aos seus superiores para dar a ele um funeral com
honras militares, apesar de ser um soldado inimigo. Seu pedido foi apenas
parcialmente atendido. Ele solicitara que alguns membros da banda militar
pudessem tocar um hino para o funeral, mas os comandantes não concordaram, uma
vez que o soldado era um Confederado. Mas, por respeito ao pai, eles lhe
ofereceram só um musico.
- O Capitão escolheu um
corneteiro. Pediu a ele para tocar uma série de notas musicais que havia
encontrado em um pedaço de papel no bolso do uniforme de seu filho. Nasceu
então a triste melodia executada em serviços funerais de militares e que
conhecemos como o Toque do Silêncio!
- Notei que o Capitão
Barbosinha estava emocionado ao terminar o conto. Mas todos nós entendemos o
porquê ficou triste. Sabiamos que um filho seu morreu de acidente de automóvel
há dois anos. Um por um cada um de nós fomos até ele e fizemos questão de um
forte aperto de mão e um abraço. Quando chegou a hora de recolher pedi ao Chefe
João Soldado se podia tocar o toque do Silencio naquela noite. Autorizado
toquei quem sabe o mais lindo toque que já tinha realizado.
Se alguns de vocês leitores
ainda não ouviram o verdadeiro toque do silencio, no site do Youtube poderão
ouvi-lo e ver a beleza de um toque tão triste.
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