domingo, 11 de março de 2018

Lendas Escoteiras - Nada é para Sempre!



Lendas Escoteiras.
Nada é para sempre.

                      Vitória... Lembro-me dela, uma menina triste, fechada em si mesma, de casa para a escola e vice versa. Fins de semana sim outros não ia com sua mãe passear na Praça da Inconfidência.  Não conheceu seu pai. Sua mãe se fechava e nada dizia sobre ele. Vitória era daquele tipo que vivia em si mesma, sem amigas e só ouvia Noêmia que gostava de falar, de falar... Noêmia era de bem com a vida. Vitória pensava que podia ser assim, mas por mais que tentasse nunca conseguiu se abrir com ninguém.

                     Vitória nunca esqueceu o dia que Noêmia, displicentemente a convidou para entrar nos escoteiros. – Coisa de meninos disse ela. – Não Vitória, agora aceitam meninas. Conversou com sua mãe. Um sorriso aflorou no rosto dela. Quem sabe um lugar para ela sorrir? – Irei com vocês. Dizem que nada é para sempre, dizem que a momentos que parecem ficar suspensos, pairando no ar sobre o fluir inexorável do tempo. E foi assim que Vitória mudou sua vida. Transformou-se em uma jovem menina feliz alegre e jovial.

                        No primeiro acampamento ficou encantada. Os pássaros quase pousando em suas mãos, a mata verdejante, o chuá, chuá da pequena cascata a barulhar em volta do seu Campo de Patrulha. A liberdade de fazer, de construir de se sentir alguém importante na Patrulha, a vontade de ajudar, de dizer que encontrou o seu lugar no mundo que achava tinha se fechado para ela. Eram vinte e duas meninas em uma tropa que exalava alegria e felicidade. Vibravam a cada segundo encantadas com vida diferente, soltas ao vento que vem e vai.

                       Amava o luar noturno, o sol vermelho, o fogão cozinheiro, o banho gelado, o cantar do bem-te-vi, o fogo mateiro, o fogo do conselho. Para ela tudo era uma nova vida a desabrochar. Quantas coisas ela aprendeu a fazer e a usar com suas próprias mãos para fazer a vida na natureza. Lembrava-se de Naty no dia que declamou em volta de uma pequena fogueira em frente à barraca, versos que marcaram para sempre: - “Em todas as idas e vindas, obscuramente eu sempre sabia: embora tudo mude nada muda por que tudo permanece aqui dentro, e fala comigo, e me segura no colo quando eu mesma não consigo sustentar. E depois me solta de novo, para que eu volte a andar pelos meus próprios pés”. – Foi lindo demais.

                      Ela tinha lido de um poeta que nada dura para sempre, nem as dores, nem as alegrias. Tudo na vida é aprendizado e tudo na vida se supera. Tudo o que é belo é uma alegria constante. O seu encontro cresce; e não cairá no nada. Mas guardará continuamente para nós um sossegado abrigo, e um sonho todo cheio de doces sonhos de saúde e calmo alento.

                      Nada dura para sempre? Pensava no hoje sem esquecer o ontem. Sabia que seu sonho simplesmente acabou. Desmoronou. Seu amor, sua paixão escoteira escorregou nos dedos de sua mão. – Vitória, é hora de partir. Ela olhou para sua mãe sem entender. Por quê? Sua mãe chorou. Abraçada ela chorou também. Vamos mudar para outra cidade. Melhor emprego, melhor salário. Ela não entendia, não queria e verteu como uma tristeza incessante lágrimas na hora da partida.

                     A Patrulha cantou que não era mais que um até logo, mas ela sabia que seria para sempre. As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações.

                       O tempo passou. Vitória cresceu, virou mulher. Não casou nunca encontrou seu príncipe e nem sabia se um dia ele iria aparecer. Ela repetia em seu pensamento as palavras da poetiza: - “O amor não existe, e, se existe não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre.” Formou-se em psicologia. Preferiu escrever. Escrevia sobre tudo e sabia que não seria uma escritora de talento, mas era o que gostava.

                      Um dia voltando do trabalho resolveu parar no Parque Trianon. Sentou a sombra de um cajueiro, fechou os olhos e voltou ao passado. Ah! Quanto pagaria para voltar a acampar? Lágrimas apareceram. Sentiu um soluço ao seu lado. Olhou. Era uma menina como ela um dia foi. – O que ouve mocinha? Ela com os olhos rasos d’água olhou para Vitória e suspirando disse: - Mamãe não quer me deixar acampar!    

                     Incrível! Nada se compra a dor de um destino alterado que ela pensou ser para sempre. – Onde está sua mãe? – Ela apontou... Uma senhora simples tentando sorrir para o caçula que brincava no escorregador. Aproximou-se – Senhora posso lhe falar? Um sorriso simples, uma calma sincera. – Fui escoteira, amava a vida que levava. Adorava acampar. Lá no campo meu sonho se transformava em realidade. Sentia a brisa na face, ouvia rincões de vales que falam sem a gente perceber, via a lua chegar dizendo eu estou aqui até que ela partia e alguém dizia: - Sol volte amanhã!

                    – A senhora olhou espantada. – Vitória continuou. Quero ajudar. Não quero esquecer meu passado. Tive tudo e hoje não tenho nada. Tudo resolvido ela e a jovenzinha foram para a sede. Uma alegria, um sonho vivo no real. Interessou-se por tudo. Mais moderno, não como antes, mas o mesmo rompante das jovens que iam acampar.

                     Ela sabia, tinha certeza que mesmo sabendo que nada é para sempre, nada se compara à dor de um destino alterado por uma vida. Ela podia mudar. O destino lhe pertencia, não deixaria sem direção sem caminho a seguir. Vitória sabia que não se volta no tempo, mas podemos mudar quando quisermos e seguir à onda do mar. Depois de tanto tempo ela entendeu que a gente só dá valor quando perde, que não existe destino, porque se você mudar uma peça do seu presente, ela pode mudar todo o seu futuro.

                  Vitória sabia que não adiantava lamentar pelo que não fez, e se arrepender do que fez de nada vale. Não adianta sofrer e se martirizar por um bom tempo, ou talvez pra sempre, mas com certeza isso não vai edificar nada na sua vida, só vai te fazer lembrar coisas que não te fazem bem, e que não vão fazer você evoluir. Portanto era hora de mudar, refazer sua vida e porque não voltar a acampar?

Nota - Percebe a tua pressa, onde você está indo que sempre se julga estar atrasado. Nada nesta vida tem um horário mais marcado que a sua felicidade, mas que felicidade, estou falando? Ora, da felicidade interior, aquela que aquieta a alma e embala o espírito. A pressa não combina com a harmonia, ela destoa na perfeição. Uma pequena história um sonho desfeito, mas nada dura para sempre.

sábado, 10 de março de 2018

Lendas Escoteiras. Marina Morena.



Lendas Escoteiras.
Marina Morena.

¶ Marina morena, Marina, você se pintou Marina, você faça tudo, mas faça um favor Não pinte esse rosto que eu gosto que eu gosto e que é só meu Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu.

              Dava gosto de ver quando ela toda serelepe descia a Rua dos Coqueiros com aquele rebolado sensacional! Ah! Marina Morena moça linda de morrer. Um pedaço de mau caminho. Olhos verdes que Fernão dias Paes poderia pensar ter achado suas esmeraldas tão procuradas nas Minas Gerais. E os cabelos? Caramba! Da cor do mel. Solto nos ombros com ondas fazendo cócegas no mar. Os lábios? Carnudos, vermelhos deliciosos. Olhos grandes, jabuticabas em flor. Negros enormes pareciam saracotear nos sorrisos escondidos como há dizer: Sou sim, boa demais!

               Quando andava todo mundo esquecia-se de Vera Verão, na sua sainha curta, a propagandear sua cerveja para os sortudos do mar. Todos saiam às portas, as filhas de Maria olhando na greta da janela, as mães com uma inveja danada a excomungar Marina Morena. Que culpa ela tinha de ser deliciosa? Mulher formosa, gostosa, mulher nota mil? Depois que ela passava, as comadres se juntavam nos portões embranquecidos: - Você viu? Para mim uma rapariga! Mulher de programa, metida a bacana, dizem que dormiu com todo mundo do lugar! Não era verdade, ninguém sabia como ela vivia, ela se escondia num quartinho alugado na casa de Dona Veronica.

                 Padre! – Tome uma providencia! Ela é uma indecência para o povo deste lugar! – Senhor prefeito, se quer ficar satisfeito e nossos votos ganhar, suma com ela. O prefeito coitado, barrigudo o danado só pensava: - Carne de primeira prá cachorro nenhum botar defeito. Mas quem tomava efeito, se ela não tinha defeito todos queriam enxergar. Aonde ela vai? O que faz? Como vive? Dona Verônica era um túmulo. Não dizia nada.

                 Um dia um susto dos Escoteiros, em reunião correndo a jogar, lobinhos a cantar, eis que adentra no portão, nada mais nada menos que Marina Morena feitiço ao luar. O jogo parou, a canção terminou a meninada correndo e dizendo: Chefe! Ela vai ser uma de nós? – Tenente Bossalto tomou de assalto em nome dos bons costumes e da galhardia escoteira. Diretor Técnico famoso era um homem brioso e perguntou? Moça! (queria dizer linda e gostosa, mas não disse) o que queres aqui?               

¶ Me aborreci, me zanguei, já não posso falar, E quando eu me zango Marina, não sei perdoar Eu já desculpei muita coisa, você não arranjava outro igual.

                - Tenente Chefinho, eu queria ser lobinha, e na Jângal aprender. Não tenho idade, mas que saudade de meus tempos de criança. Quem sabe uma Escoteira, valente faceira e contigo acampar? Também não? Isto vejo pelo seu olhar. Pioneira Valente, alguém que nunca mente? Certo também não posso. E Chefe Escoteira, sem bagaceira meu caro Tenente, será que tem vaga prá mim? Tenente Bossalto, tomou de assalto seu coração explodiu e amou aquela mulher. Esqueceu Tereza sua patroa com certeza e com um amor enorme falou - Se queres aqui ajudar, por favor, não seja rameira, pode ser faxineira e a limpeza fazer. E ela sorriu, encantando a meninada, fez cantar a passarada e seu ninho fez ali.

                Todos adoraram o arranjo, que muitos chefes marmanjos voltaram a escoteirar. Até Dulcineia sem dente, uma Akela de repente, falou prá Chefe Toninha – Olha, deixa prá lá. Um dia a casa torna, ela não é de bigorna e vai sumir sem voltar. Menino! Nem lhe conto, a sede ganhou um trinco, a limpeza era um brinco, ninguém esquecia a moça mulher. Um dois três seis meses ela ficou. Aos Escoteiros ela amou, nem uniforme pode ter. Queria voltar de Odessa e fazer sua promessa, mas o malvado Chefe Tenente que tinha amor ardente... Não deixou! A meninada escoteira corria, gritava com galhardia; - Viva Marina Morena, nossa musa nosso amor!

                  Um sábado não apareceu. Desapareceu sem dizer Sempre Alerta. A escoteirada chorava, Tenente Bossalto cantava sua saudade danada uma bela canção de amor. Mas as chefes feiosas sorriam. Pensaram ser coisa-feita e agora satisfeitas, brindavam com água benta, chupando bala de menta diziam: - Ela se foi teremos enfim a paz. Um mês, dois três, quatro cinco, as saudades aumentando, o sonho de ela voltar acabando, lembranças se apagando. O tempo dizem apaga o tempo, mas existe contratempo e mesmo alguns esquecendo no sábado a bomba explodiu. Dulcineia a Akela sem dente, aquela que nunca mente, se assustou quando viu: Que mundo louco, será que ela voltou? Cena nunca antes imaginada, Marina Morena a danada, adentrou sede adentro dizendo que voltou para ficar.

                Que dia passado ditosos, um dia que ninguém esqueceu. Um dia da benção do Senhor, alguém tirou do penhor e eis que ela surgiu no portão! Um susto, alguém gritou – É ela meu Deus! Seja bem vinda!. Era Geraldo Magrão. Ela Bonita a danada, até eu levei um baque, ela vestida de caqui, Chapelão e lenço de Gilwell. Ficou linda demais, sainha curtinha com pregas, meião cinzento a puxar. Não é que a moça perfeita, moça demais arteira, estava com a Insígnia da Madeira? – Voltei ela disse, voltei para de novo partir e dizer adeus mas um dia vou voltar. Aqui não posso ficar, Meus lideres queridos disseram que sempre me querem lá, disseram-me que nunca levarei tabefe, pois serei Escoteira Chefe. Deram-me tantas medalhas, que agora não saio de lá. Sou do CAN, do DEN sou de todos, Escoteira honrosa querida, lá eu farei guarida e ao escotismo ajudar.        

¶ Desculpe, Marina morena, mas eu estou de mal De mal de você, de mal de você!

                  E assim termina a história, ainda trago na memória esta história infernal. Hoje estou de bem com a vida. Se Marina Morena foi um blefe, e se tornou Escoteira-Chefe não sou capaz de jurar. Só sei que ainda gostosa, agora ficou famosa e eleita Chefe internacional. Por unanimidade, foi eleita e sorridente, agora Secretária Presidente, da WOSM. Dizem que manda em tudo. Dizem ainda enternecido, que Baden-Powell foi esquecido, ela sim falada em todo mundo, a nova Escoteira Chefe Secretária Presidente do escotismo Mundial! Risos. E se quer acreditar, saiba que boi não é vaca, e feijão não é arroz, e se quiser meu amigo, que conte até dois!

Marina Morena é uma canção interpretada por Emílio Santiago.

Nota de Rodapé: - Apenas uma história. Diferente das que escrevi. Alguns iram gostar outros não. Eu me diverti muito quando escrevi. Afinal a cada dia eu me descubro um pouco mais, minhas ânsias e desejos... Isso é fundamental para dizer quem eu sou, porque às vezes eu mesmo me surpreendo...


sexta-feira, 9 de março de 2018

A fogueira.



A fogueira.

                 O sol se escondeu atrás da montanha. Sentados em volta do fogo quatro monitores e o Chefe Waldez cantavam uma canção antiga que contava uma história dos Caçadores de Pele nos grandes lagos do Canadá. Liliana ao terminar a canção disse a todos: - Amigos existe uma história de amor entre o sol e a lua.  Foi Topomak quem me contou. Tudo começou quando ela se pôs a reinar no céu de estrelas.  

               - Josiel sério pediu a palavra e Liliana gentilmente disse sim. – Amigos conta-se uma lenda que o sol disse que amava a lua, a lua também amava demasiadamente o sol. As estrelas disseram que esse era amor impossível. Foi então que o céu fora convidado a apadrinhar o romance, obstante, a nuvem chorou e chorou, pois também amava o sol. Quando as lágrimas se acabaram, a nuvem se foi nos braços do vento e o sol brilhou feliz. Mas ele fora praguejado para sempre pela nuvem e nunca pode encontrar sua amada lua. Hoje toda vez que a nuvem se lembra do sol a nuvem chora e chove... 

                  O Chefe Waldez que tudo ouvia, após o silencio que todos fizeram disse: -"O caminho espiritual é como o fogo que arde adiante de nós." - disse ele. -"Um escoteiro que deseja acendê-lo, tem que se conformar com a fumaça desagradável que torna a respiração difícil e arrancar lágrimas do rosto. Assim é a reconquista da fé. Entretanto, uma vez o fogo aceso a fumaça desaparece e as chamas iluminam tudo ao redor nos dando calor e calma".

              Zé Celso o mais antigo dos monitores disse: -"E se alguém acendê-la para nós?" - perguntou. -"E se alguém nos ajudar a evitar a fumaça”?

             Chefe Waldez com seu estilo mágico falou baixinho: - -"Se alguém fizer isto, é um falso Escoteiro. Quem pode levar o fogo para onde tiver vontade ou apagá-lo na hora que quiser e como não ensinou a acendê-lo, é capaz de deixar todo mundo na escuridão”...

               Compenetrados e após um cafezinho amargo, voltaram a cantar o Stodola (brilha a fogueira) enquanto no céu os cometas passavam célere sem rumo definido. Marco Antônio o Monitor mais novo sorria pensando: - É bom ter amigos, é bom saber que os verdadeiros amigos são como estrelas no céu. Eles são mais claros nos tempos da escuridão...

                Liliana olhou para Josiel e lembrou de um poema: - "Te dou um Céu Cheio de Estrelas, feitas com caneta bic Num papel de Pão.”.

                E nesta noite, um Chefe e jovens monitores sabiam que ali morava o coração de Deus!

Nota - Deitado na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança...

quinta-feira, 8 de março de 2018

Papeando em volta do fogo. Um lindo alvorecer na morada da Terra do Sol.



Papeando em volta do fogo.
Um lindo alvorecer na morada da Terra do Sol.

                               Retornava da minha caminhada de quinhentos metros. Cansado, ofegante tomava meu café quando bateram palmas na porta de casa. Domingo é sempre assim. Religiosos nos convidando para ouvir a palavra do Senhor. Porque não? Gosto de vê-los lendo os mandamentos de Deus. Quando acontece descanso em uma cadeira, pois ficar em pé é difícil e ouço com amor, e olhem, nunca digo que sou espiritualista. Eles não gostam. Afinal ouvir é bom e não prejudica ninguém. Mas naquele dia não eram eles.

                               No portão uma figura imponente. Cabelos brancos compridos até o ombro, barba branca bem penteada e uns olhos azuis que chamuscavam ao olhar diretamente para ele. Vestia um paletó branco, comprido que ia até o joelho. Uma camisa azul brilhante com um pequeno lenço verde garrafa amarrado no pescoço. Usava uma calça de gabardine cinza e calçava uma sandália de couro marrom sem meias. Trazia nas mãos uma forquilha. Senhor! Que forquilha! Linda, envernizada com caracteres que não consegui ler. Onde o V fazia uma curva acentuada parecia estar cravejadas de pedras preciosas em delicioso arranjo.
             

                              Quem seria? Nesta cidade grande todo cuidado é pouco. Loucos, assaltantes, pedintes, acorrem em nossa porta. Mas o sorriso do "Velho" era cativante. Aproximei. Senti um aroma de flores silvestres. O "Velho" sorriu e chegando perto disse: – Posso lhe dar um abraço? Fiquei estarrecido! Nunca ninguém bateu em minha porta oferecendo um abraço! Peguei as chaves, abri o portão e ele entrou como se estivesse entrando em um castelo de Reis.

                             Encostou a forquilha encantada na parede e me deu um abraço! Gente! Que abraço. Com meus 77 anos me sentia como se fosse um menino sendo abraçado pelo papai. Fiquei sem jeito. – Aceita um café? – Obrigado Chefe Vado, mas não podemos perder tempo. Vou levar você para ver o alvorecer na Morada do Sol. – Me levar? Assustei-me. Tenho que tomar cuidado pode ser alguém com acesso de loucura – Como se estivesse lendo meus pensamentos sorriu e disse – Sorria, venha comigo. Sei que Dona Célia está fazendo a feira e volta logo. Mas estaremos de volta muito antes. – Pegou-me pela mão e sem fechar o portão saímos voando, em uma aventura sem igual.

                             Nas alturas soltou minha mão. Gente! Eu “volitava” sozinho no ar como se já tivesse feito isto há muito tempo. Em segundos estávamos em uma montanha, onde as árvores eram lindas, as folhas de um verde que nunca tinha visto e lá no alto um pico envolto em nuvens que para dizer a verdade, fez meu coração disparar. Lindo! Uma montanha linda que nunca vi. – Como chama? Perguntei. – Você conhece você já esteve aqui. Serra do Sol Nascente. A morada do sol – Me lembrei. Mas não era assim! Eu disse. Ele me olhou e carinhosamente disse - Porque você só viu o que queria ver!

                            - De novo saímos voando. Em segundos fui transportado para um lugar dos mais lindos da terra. Uma maravilhosa cachoeira. Uma névoa branca como se fosse orvalho enfumaçado formava em sua queda um espetáculo incrível. O barulho da queda era como se estivesse ouvindo uma orquestra de cordas tocando maravilhosamente “The Lord of The Rings”. Pensei isto deve ser um sonho. Pássaros dançavam balé fazendo acrobacias. – Onde estamos? Perguntei! – Na Cachoeira da Chuva, você já esteve aqui! – Como? Não vi nada disto que vejo agora. - Porque você só viu o que queria ver!

                           E lá fomos de novo voando nas nuvens brancas do céu. Descemos na sombra de um lindo castanheiro. Era madrugada. O orvalho caia, uma brisa fresca tocou-me o rosto. Ouvi as primeiras badaladas do amanhecer. A passarada voava de galho em galho esperando o sol nascer. Beija flores, Tico-Tico, Sabiás, canários belgas, pardais graciosos, todos com suas gralhas graciosas cantavam naquela bela manhã. Onde estamos? Perguntei – Não reconhece? O castanheiro do quintal da sua casa quando menino. - Mas não era assim, eu disse. Ele gentilmente respondeu – Porque você só viu o que queria ver.

                       E assim ele me levou a longínquos lugares perdidos neste mundo de Deus e sempre a me dizer – Você já esteve aqui. Quando me levou em nuvens brancas enormes no céu, ouvi milhões de escoteiros cantando canções sublimes. – Que canções maravilhosas são estas? – As mesmas que você sempre cantou. Muitas vezes gritadas, sem nexo e você não procurou ver a beleza da melodia que elas possuíam, pois você só ouviu o que queria ouvir!

                     Voltamos, avistei o portão de minha morada. Não entrou. Disse-me: Vado escoteiro procure ver as coisas como são, procure sentir a beleza das cores, do arco íris, dos lindos sonhos que acontecem com você. Procure ser sincero e diga a sí mesmo que a beleza da vida é ser feliz com o que mora dentro de você! As cores são belas quando temos amor. Os cantos são belos quando sabemos diferir a letra e a música tocada. Os pássaros são sempre os mesmos, cantam quando vemos a beleza que eles têm. Uma arte para poucos.

                     – Ao se despedir me disse: – Posso lhe dar outro abraço? E foi então que quase chorando vi novamente papai a me abraçar. Saiu calmamente pela rua, escorando na sua linda forquilha cravejada de brilhantes e na esquina me deu seu último adeus. Elevado ao céu por uma novem sumiu no azul do espaço sideral.

                     Na varanda emocionado vi quando a Célia chegou. Olhou para mim: – O que foi? Porque esta sorrindo assim? Sabe mulher, acho que nunca vi o que deveria ver e agora procuro ver as coisas como devem ser vista. Nunca tinha observado como você é bela, a mais linda mulher que conheci! Fiquei em pé me aproximei e disse – Posso lhe dar um abraço?

Nota – A verdadeira beleza das coisas e das pessoas esta nos olhos de quem vê. Você pode não encontrar, mas ela existe. Olhe devagar, com calma, respire fundo, suspire deixe seu pensamento vagar por um jardim florido que só você conhece. Procure dentro de si, mais precisamente dentro de seu coração. Quando encontrar, tudo no mundo ficará muito mais belo e atraente do que você já viu!

terça-feira, 6 de março de 2018

Lendas Escoteiras. O doce sorriso de Jota B.



Lendas Escoteiras.
O doce sorriso de Jota B.

                Ele não tinha olhos verdes ou azuis. Eram negros, olhos que brilhavam. Sua face era rosada e seus lábios pequenos não diziam nada de sua beleza. Franzino ele conquistava a todos pelo seu estilo franciscano e fraterno.  Jota B era um menino comum. Na Patrulha Lagarto muitas vezes se esqueciam dele. Quase não falava, mas sabia tudo. Nos acampamentos era uma mão na roda. Cozinhava, fazia belas pioneirias, sempre se oferecendo como voluntário em tudo que se pedia. Se ele não fosse todos reclamavam pelo serviço a fazer.

                 O bom em Jota B era sua brandura, sua calma, seu olhar franco e sem afetação e sabia ouvir. Um ótimo ouvinte. Nunca ninguém reclamou dele na patrulha. Ao contrário era sempre elogiado. Não só a Lagarto, mas todos na tropa inclusive o Chefe Dakota. Filho de um índio americano com uma brasileira de Porto Seguro Jota B era a personificação da paz. Olhar para ele era como se estivesse olhando um mar de mansidão, harmonia, serenidade e bonança.

               Dona Flora sua Professora o amava como se fosse um filho. Os colegas de classe tinham um respeito enorme por ele e no alto dos seus onze anos sempre o procuravam para aconselhamento, e ter com ele um momento de quietude, mansidão e paz. Dona Carminha e seu Randolp seus pais tinham um orgulho enorme do filho. Ele queria ser um médico para ajudar a todos sem cobrar um tostão. Quem o conhecesse acreditava. Ele tinha tudo, boas notas, bem quisto, amado e claro, um Escoteiro que sabia o valor da Lei, da Promessa e tudo que o Chefe Dakota ensinava.

               O Pastor Rosivaldo da Assembleia de Deus a qual seus pais participavam sorria toda vez que o via. Sempre dizia para ele: - “Jota B, todos nós sabemos que a oração é o único meio de comunicarmos com Deus. É através da oração que resistimos aos ataques do diabo, recebemos vitória sobre nossas fraquezas e aprendemos que conviver com amor faz parte de todos nós”.

               A vida em Verdes Mares calma e tranquila mudou da água para vinho depois daquele dia. Porque tinha de ser assim? Aconteceu de repente. – Ela bateu de leve em seu ombro. – Jota B, vamos cabular a aula hoje? Ele olhou para ela. Sabia quem era. Era da Turma A e ele da C. Nunca conversaram e nem sabia seu nome, mas o convite o assustou. Ela riu. – Está com medo? Você é santo por acaso? Sempre dizendo sim senhor e não senhor? – Jota B sorriu de leve. Não respondeu. Ela continuou. – Adoro viver em perigo, você não gosta? Fazer o que nunca fizemos.

              - Vamos mudar a rotina, algum diferente, vamos entrar em um ônibus e ir até o centro. Vamos passear de mãos dadas pelas ruas cheias de gente estranha que não sabe quem somos. Quem sabe encontramos uma aventura que você e eu nunca tivemos e nunca vamos esquecer? Ele lembrou seu nome. Dagmar. Não era bonita nem feia. Mas que sorriso ela tinha. Suas palavras entraram fundo em seu coração. Cabular aula? Nunca fiz isto. Não quero, e minha lei Escoteira não permite.  

                Ela o pegou pela mão. Mãos macias agradáveis que deram a Jota B uma sensação diferente, uma vontade de ir, de ver o que iria acontecer, de fazer alguma coisa diferente. Lá foram os dois pela Rua Santa Ângelo atrás do ônibus que os levaria para o centro da cidade. Sentaram bem atrás. Jota B não olhava para ela. Estava envergonhado do que fazia, mas ela era uma tentação. Seu convite, seu sorriso, seu desafio e suas mãos macias foram demais para ele.

                Ela falava, matraqueava e Jota B encantado com tudo que ela dizia. Falou de seus pais, que não gostavam dela, que nunca perguntavam suas notas. Falou de sua professora que nunca lhe deu um abraço, um elogio mesmo com suas notas que eram boas. Falou, falou e falou. Jota B só ouvia. Não tinha o que dizer. Viu quando o ônibus entrou na Paulista. Nunca fora ali e só conhecia pela TV.

                 Desceram em frente ao MASP que estava cheio de gente. Muita gente. Uns gritavam palavras de ordem com placas nas mãos. A maioria estava escrito: - Cadeia para os corruptos! Juntos aos manifestantes muitos mascarados. Jota B se assustou. Dagmar não, ela o levou mais para dentro da manifestação. Em pouco tempo explodiram bombas de gás. Jota B tinha os olhos cheios d’agua e chorava. Dagmar sorria e dizia que era seu momento. Sempre Sonhou com isto.

                 Um moleque de uns desesseis anos tentou arrancar um pequeno colar que ela usava no pescoço. Dagmar resistiu e chutou o marginal. Ele tirou da cintura uma arma e apontou para Dagmar. Jota B era pacífico. Nunca brigou ou lutou com alguém e nem sabia como lutar. Quando ele viu que o marginal ia atirar pulou em suas costas segurando sua jugular. O marginal mais forte com um solavanco o jogou ao chão e atirou! Jota B sentiu que tudo ficava escuro. Não sentia dor. A escuridão o levou a uma nuvem que viajou rápido para as estrelas. Em uma delas parou e viu que ali tinha inúmeros amigos que sorriam para ele.

                  Jota B sorria também. Ele se lembrava de que um dia morou ali. Sentiu um vento soprando que o jogou em um redemoinho. Foi puxado com força de volta para sua cidade. Tentou abrir os olhos, devagar, piscou algumas vezes, pois tudo estava como se uma nevoa tivesse invadido aquele quarto. Notou seus pais olhando para ele e sorrindo. Notou ao lado deles o Pastor Rosivaldo dizendo: Bendito seja Deus! Notou o Chefe Dakota o olhando severamente, mas com aquela bondade de um segundo pai.

                – Mamãe! Onde estou? – Você está de volta meu filho, esteve lá na estrela onde sempre morou, mas só vai para lá daqui a muitos e muitos anos, ainda não chegou sua hora! Jota B sorriu, queria perguntar, mas sentiu dificuldade em falar. Sentia dor no peito e quando falava doía. Seu pai disse que seria por pouco tempo, logo ele estaria bom de novo. Sorriu porque não viu neles nenhuma admoestação. O Chefe Dakota deu um passo à frente, olhou para ele e disse: - Jota B, ai fora tem uma menina chorando. Não parou de chorar desde que você foi internado aqui. Quer pedir perdão a você! Posso deixá-la entrar?

“Só quem entende a beleza do perdão, pode julgar seus semelhantes”.


Nota - Eu já escrevi muitas histórias sobre o perdão. Quase nenhuma fica sem uma palavra de conforto. Chico já dizia: - Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente. Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhe são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas. Boa leitura!

domingo, 4 de março de 2018

Coisas da vida... Ela era apenas uma amiga...



Coisas da vida...
Ela era apenas uma amiga...

- Ela não foi rude. Nada disso. Disse que não apreciava o que escrevia. Preferia passar longe dos meus contos, das minhas histórias. – Chefe! O escotismo não é assim! Deveria argumentar? - Perguntei por quê. – Preferiu se esquivar. Insisti perguntando se ainda era minha amiga virtual, respondeu que sim, mas que o escotismo dela é outro. Devia ter ficado calado, mas insisti novamente: - Não somos do mesmo sangue tu e eu? Ela riu. – Badenianos minha amiga!

- Ela me pediu desculpas e nada mais respondeu. Não me lembrava de quanto tempo éramos amigo aqui. Vez ou outra dava sinal de vida. Não era frequente. Mas quantas e quantos são assim? São milhares que nos procuram não se explicam mantem-se no anonimato. Entendo cinco mil a comentar seria demais. Nem eu mesmo daria conta ou dar um sinal de curtir.

- A culpa é minha. Afinal é uma estrada de mão dupla. Ela me lê e eu também deveria ir a sua página ler e saudar. Me sinto culpado. Mas são tantos! Deveria escolher alguns? Deveria dizer a eles que acompanho o que escrevem? Não é do meu interesse se não for é interesse de quem?

- Acredito que foi o que escrevi para ela quando me perguntou por que não escrevo como os outros: - Minha resposta foi simples:

- Sabe minha amiga escoteira, eu escrevo sonhos, escrevo poesias, escrevo “escoteiro”. Minhas escritas tem uma pitada de saudade, um gosto de quero mais, pelo menos assim eu penso. Não escrevo nada a seco, não sou um professor professante de um colégio qualquer. Tenho sempre uma nota musical para que entendam o que quero dizer.

- Dizem que escrevo escotismo com sentimento, com sal, alho e uma pitada ardente de uma pimentinha para fazer alguém sorrir. Porque deixar de lado os amigos, as estrelas, a lua o sol e meu sonho de dormir em volta de uma fogueira? Não, nunca irei escrever escotismo letrado. O meu é amado para sempre lembrado e se quiser e gostar tudo que eu escrevo estou oferecendo a você!

- Nunca mais me escreveu. Se foi ou então no anonimato ainda lê o que agrada eu não sei. Uma pena. Poderia ouvir melhor o que ela tinha a dizer. Quem sabe poderia abrir um túnel no meu cérebro e dar a luz que preciso para mudar. São coisas da vida, coisas do Facebook, coisas que por não olharmos de frente, sentir a respiração, o olhar não conseguimos entender!

Nota – Mesmo não estando presente, mesmo não dizendo a que veio, sua amizade é muito importante para mim. Se prefere ficar na berlinda, sem comentar sem nada dizer, saiba que tenho por você muito respeito. E um dia quem sabe não aqui, mas lá no outro lado do mundo eu terei a honra de apertar sua mão e dizer: Meu amigo, minha amiga, foi um orgulho e uma honra conhecer você!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Coisas da vida. Carol.



Coisas da vida.
Carol.

               Porque você não matricula seu filho nos escoteiros? Olhei para Jane minha vizinha. - Nem pensar. Ele só tem sete anos. - Mas é a idade certa. Ele pode ser Lobinho e tenho certeza vai gostar muito. Tanto pensei que no sábado fui lá conhecer. Gostei do que vi. Meninos brincando, sorrindo e disciplinados. Fiz sua inscrição e tive a sorte de ter uma vaga. A taxa mensal era pequena. Os gastos não eram tantos. Gilberto adorou. Voltou para casa falando maravilhas dos amigos, da Akelá do Balu e da Bagueera. – Tem outros chefes Mamãe, mas não decorei o nome deles.

            Três meses depois me sentia como um deles. Sempre ajudando onde precisassem de ajuda. Chefe Rildo me convidou a participar na chefia. – Onde Chefe? Nos lobinhos tem muitos chefes. – Nos escoteiros Carol. Você aprende fácil. Não é difícil e o Chefe Demétrio está sozinho.

                Assisti duas reuniões deles. Gostei. Achei errado ter meninas e meninos daquela idade juntos sem uma Chefe feminina. Tinha minhas dúvidas com o Chefe Demétrio. Sempre me olhava de maneira lasciva o que não me agradava. – Vai ver que é impressão minha pensei. Afinal ele sempre foi respeitoso e me tratava com educação. Fiz um curso e adorei. Comprei alguns livros e devorei página por página. Senti que a Tropa não crescia. Eram dezoito e alguns faltando.

              Quatro meses depois fomos acampar. Os faltosos retornaram. A escoteirada vibrava com acampamentos. Sempre cobrando, mas acampar não é fácil. Uma estrutura enorme para montar e realizar. Insisti com o Chefe Rildo para fazer minha promessa antes de acampar. Convidei Matheus meu marido para assistir e ele franziu a testa mostrando não estar interessado.

                  Matheus sempre foi um bom marido. Tivemos uma época inesquecível quando casamos. O tempo foi passando e aquela paixão diminuiu. Eu sabia que o amava e ele era bom pai e bom marido. Trabalhava muito e chegava em casa cansado. Poucas vezes me perguntou sobre os escoteiros. Fiz a promessa e até chorei. Foi lindo demais. Pensei comigo que seria escoteira para sempre. Minha alegria com o acampamento foi como se tivesse recebido uma injeção de felicidade.

                Chegamos ao local pela manhã, o corre, corre da escolha do campo, a montagem e a meninada cantando e dando o grito de patrulha quando terminavam alguma pioneiria ou alguma artimanha ou engenhoca. Ajudei o Chefe Demétrio na montagem do campo de chefia. Duas barracas uma minha e outra dele. Dividimos o serviço de limpeza e cozinha. Não dependíamos dos escoteiros para refeições.

                  Tudo corria a mil maravilhas. Estava encantada. A alegria de todos era demais. Amei os jogos noturnos, a conversa ao pé do fogo e no penúltimo dia o Fogo de Conselho. A cadeia da fraternidade ficou marcada no meu coração para sempre. Após o toque de silêncio com o Chifre do Kudu todos foram dormir. Fiquei na porta da minha barraca esperando o sono chegar. Uma banqueta era um convite para ficar olhando o céu cheio de estrelas.

                 O Chefe Demétrio se aproximou. Sentou ao meu lado. Sem eu perceber passou as costas da mão em meu rosto. Senti um calafrio. À noite, os vagalumes o som da floresta o lago cinzento e o céu cheio de estrelas me mantiveram hipnotizada. Não sei por que não reagi. Tudo aconteceu sem esperar. Quando lembro choro do erro que cometi.

                   O escotismo depois disto nunca mais foi o mesmo para mim. Disse ao Chefe Rildo que não ficaria mais nos escoteiros. Tentou saber por que, mas não disse nada. Comecei a faltar. Levava Gilberto e vi que ele também estava desanimado. Um dia saímos. Fiz questão de agradecer a todos. Matheus nunca me perguntou por que saí. Acho que ele adivinhou, pois passou a me dar maior atenção e fazíamos lindos programas juntos. O Velho amor voltou em todo seu esplendor.

                  Aquela noite de acampamento que devia ser a melhor da minha vida só trouxe tristeza e decepção. Ainda gosto do escotismo, minha promessa nunca esqueci. Sei que não tem volta. Eu errei e não Demétrio. Ele nunca me procurou nunca me deu falsas esperanças e manteve o segredo com ele por toda vida. Sei que muitos passam por isto e tudo fica normal com o tempo. Não era meu caso.

                   Não voltei mais ao Grupo. Ele não teve culpa. A culpa foi somente minha. O escotismo é maravilhoso sinto enormes saudades e belas recordações das reuniões, das amizades dos sorrisos da meninada. Mas eu tenho a culpa de tudo. Preciso aprender a não desculpar as pessoas, mas primeiro, falta eu aprender a dizer não!

Nota - Caí, levantei. Chorei, sorri. Amei, esqueci. Errei, aprendi. Ganhei, perdi. Fui feliz, sofri. Mas, o que não se pode dizer é que não vivi. Vivi, e ainda vivo. Com uma intensidade que por vezes me dói, mas, por outras, a maior parte delas, me faz a pessoa mais feliz do mundo. Histórias são estórias. Nem todas com um final feliz. Afinal são coisas da vida que acontecem com todos nós!

Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras. Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia....