segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Lendas Escoteiras. Do destino ninguém foge. Parte I



Lendas Escoteiras.
Do destino ninguém foge. Parte I

                          Seu nome era Matheus, gostava de ser chamado de Miltinho. Seu avô tinha o mesmo nome e diziam que ambos se pareciam. Era filho único e com 12 anos já estava no quinto ano do fundamental. Estudava em um bom colégio pago e não se achava um prodígio como aluno, mesmo assim não tinha como reclamar de suas notas.

                        Gostava de futebol e sempre que podia, ia para a quadra do colégio bater uma bola com os amigos. Sabia que não era um craque, mas fazia boas jogadas. Em seu bairro tinha alguns amigos, não muitos. A noite se encontrava com eles para um papo ou até uma brincadeira qualquer. Nos fins de semana às vezes saia com seus pais. Seu pai trabalhava como gerente financeiro de uma cadeia de lojas e nunca chegava em casa antes das 9 da noite. Sua mãe, dona de casa era quem mais estava junto a ele no dia a dia.

                        Nunca seu pai o levou para passear nos finais de semana e pouco interessava pela sua vida não perguntando nada quando se encontravam. Um tarde de um sábado, vindo da quadra de futebol, viu três escoteiros caminhando em sua direção. Já os tinha visto antes, mas não sabia como eram o que faziam e onde se encontravam. Passaram por ele conversando entre si e dobrando a esquina desapareceram como fumaça no ar. Ele ficou ali meditando, e pensou que poderia experimentar ser um deles.
 
                        Comentou com sua mãe sobre sua intenção. Ela não disse nem sim e nem não. Resolveu investigar por conta própria. Descobriu o local onde se reuniam. Era um colégio a oito quadras de sua casa. Foi lá em um sábado. Viu muitos meninos e meninas brincando, correndo e um chefe apitando. Não entendeu muito, mas pelo sorriso estampado no rosto de todos, achou que devia ser bom.

                        Procurou um Chefe e perguntou como fazia para participar. O encaminharam para a sala onde estava o que devia ser o chefão. Ele o olhou de alto a baixo. Perguntou por que queria ser escoteiro. Ele não soube responder, mas disse que queria experimentar. O chefão gentilmente explicou o que fazia um escoteiro. Suas responsabilidades suas atividades e muita responsabilidade quando fizer sua Promessa Escoteira.

                       Encantou quando o Chefe contou sobre os acampamentos, as excursões às viagens de longa distancia a grande fraternidade mundial; Disse sobre os Jamborees e emocionou-se ao saber que em muitos participavam milhares de escoteiros de todo mundo. Ficou sabendo de um tal General Inglês que foi o fundador. Soube que mais de 150 países possuíam grupamentos escoteiros.

                       Pensou que seria bom pertencer a uma patrulha. Jogar com eles. Tomar decisões, vida em grupo. Imaginava como era e sabia que iria gostar. Imaginava ter seu distintivo, fazer sua promessa, mas logo acordou do seu sonho, pois era apenas narrativa do Chefe, pois precisava tomar uma serie de providencias antes de sua aceitação. Recebeu uma ficha de inscrição a ser preenchida pelo seu pai e sua mãe. Foi para casa sonhando acordado e quase se perdeu no retorno, tomando um rumo desconhecido.

                        Entregou a ficha e a sua mãe. Contava com ele para convencer o seu pai. Quando ele chegou à mesma rotina. Boa noite, banho e voltou para ler o jornal na sala. Já estava desistindo. Sua mãe se aproximou e sussurrou para o pai o desejo do filho. Entregou a ele a ficha de inscrição para sua assinatura.

                         Ficou pensativo quando seu pai o chamou. Incrível... Sorria para ele! – Parabéns ele disse. Gostei de sua escolha. No próximo sábado irei com você até o Grupo Escoteiro. Ele não acreditou e seu pai o levou até seu quarto (o dele) e tirou de dentro de uma mala antiga, um uniforme de escoteiro e o lenço e o presenteou. Era o seu quando jovem. Participara por quatro anos. Fora monitor e primeira classe. Mudaram de cidade, onde foram não havia grupos. Mas ele não tinha esquecido.

                          Sempre pensou em colocá-lo em um Grupo Escoteiro, mas não sabia onde e ele não tinha se manifestado a respeito. O tempo foi passando e ele se esqueceu de tudo. O trabalho o absorvia muito. Pediu desculpas ao filho. Disse que iria apoiá-lo e acompanhar em todas as situações que se fizessem necessárias.

                           Foi o dia mais feliz de sua vida. Foi para o seu quarto e colocou o uniforme de seu pai na cama. Ficou ali a admirá-lo. Não se conteve. Vestiu a camisa, colocou a calça curta, devagar colocou os meiões. Olhando no espelho colocou o lenço. Ainda não sabia como colocar. Como gravata ou mais longe do pescoço. Viu que o uniforme era grande para ele. Não se importou. Achou que era o máximo.

                            Durante a semana sonhou tudo que o Chefe explicou. A promessa, seus novos amigos, sua Patrulha, acampar, excursionar e fazer grandes jornadas a pé. O dia amanheceu, acordou e foi até a janela. Sorriu para o sol e fez sua oração matinal agradecendo a Deus pela oportunidade. Saiu de casa para contar ao seu melhor amigo a novidade. Vibrava com a possibilidade de ser Escoteiro. Ao atravessar a rua, foi pego por um carro a toda a velocidade, fugindo da policia que vinha logo atrás. Foi arremessado à grande distancia. Ficou inconsciente.

Levado ao hospital ficou em coma dois meses. Saiu do coma, mas sem movimentos no corpo, ficara paraplégico. Durante um bom tempo não lembrou mais de seus sonhos. Agora eram outros. Pensou que com o tempo seus movimentos voltariam, ele não desanimou e o tempo passou.

Breve a parte II deste conto.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Contos da Jângal. Mortimer, um lobinho amigo do além.



Contos da Jângal.
Mortimer, um lobinho amigo do além.

Coveiro.
Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Augusto dos anjos.

                     Mortimer era um infeliz. Era filho de Lomanto da Paz o coveiro do cemitério Flores Singelas. Na escola ninguém se aproximava dele. Tinham medo. Diziam que ele falava com os mortos. Não era verdade, mas que acreditaria nele? Sua casa ficava dentro do cemitério e mesmo linda, pintada de azul e branco com muitos manjericões e rosas brancas que seu pai plantava e cuidava com carinho, ninguém nunca pediu para conhecer onde morava. Sua mãe morrera quando nasceu. Seu pai o adorava e o tratava com carinho e um amor enorme. – Mortimer meu filho, um dia vão reconhecer que seja onde for a nossa casa é sagrada. Mas não adiantava o pai falar - Pai! Nós não recebemos visitas! Por quê? – Lomanto olhava seu filho e mesmo querendo explicar que todo mundo um dia iria morar ali, ninguém gostava de tocar no assunto. A morte sempre assustou os vivos.

                   Uma menina de cabelos loiros foi transferida para sua sala. Ele a olhava e quando ela olhava para ele ficava sem jeito e virava o rosto. No recreio ela o procurou. – Quer brincar? Mortimer assustou. Ele no recreio era um eterno esquecido. Ninguém nunca o chamou para brincar. Ficava sempre em um canto olhando todos correndo e sorrindo. Ela o pegou pela mão e começou a correr – Vamos! Tente me pegar! Foi o recreio mais lindo de sua vida. – Pai! Pai! Ele chegou correndo para contar – Pai eu agora tenho uma amiga! Lomanto riu e abraçou seu filho. Os outros jovens da escola olhavam o par com indiferença. Não diziam nada. O boato que corria é que se mexesse com ele os defuntos viriam à noite em seu quarto para puxar o pé. Um dia Noêmia o convidou para ir visitar sua alcateia. – O que é isto? Perguntou. – Uma escola diferente. Nada de carteira. Nada de quadro negro. Lá a professora se chama Akelá. Ela tem ajudantes. Cada um tem um nome de bichos da floresta. É como se nós vivêssemos em uma grande floresta.

                  Noêmia contou muita coisa. Mortimer ficou perplexo com o que ela contava. Havia um herói menino chamado Mowgly. Ele se perdeu na floresta e foi adotado por uma Alcateia de lobos. Todos eram amigos dele. Outros animais o protegiam. O Balu um urso grande e peludo, a Baguera uma pantera negra enorme, Hati o elefante e uma grande cobra píton chamada de Kaa. Mortimer queria saber tudo. Noêmia o convidou para ir com ela sábado ao grupo escoteiro. Seu pai foi junto. Vestiram a melhor roupa que usavam na missa dos domingos. Mortimer ficou com medo quando chegou lá. Centenas de meninos vestidos de azuis e cáqui com chapelão. Ele se assustou. Sabia que todos conheciam o Menino do cemitério. O menino que fala com os mortos. Engano. Ninguem disse nada. Foi recebido com palmas. Mortimer chorou de alegria.

                   Em casa falou para seu pai – Pai! Eu nunca pensei que fizesse tantos amigos em um só dia! – Filho, o mundo é bom, tem aqueles que não te conhecem e te julgam pelo que ouvem ou veem sem olhar o coração das pessoas. Mortimer dormiu feliz. Sonhava com o próximo sábado. Sonhava em ser mais um na Roca do Conselho. Disse para si mesmo que em breve estaria de azul e a gritar junto a todos no Grande Uivo. Mortimer passou a sorrir também na sala de aula. Chegava perto de muitos da classe e dizia, eu sou lobinho, lá eles são meus amigos. São felizes como eu. Eles cantam, dançam e sabem que a verdadeira amizade nasce de dentro do coração. Mesmo vocês não sendo meus amigos o Balu meu protetor me disse que não importa o que pensam de você, importa o que você pensa deles. E eu sou amigo de todos! – Toda a classe passou a ver Mortimer como mais um deles. Não era mais o filho do coveiro.

                  Dizem, eu não sei e nem posso afirmar que todos os domingos o Cemitério Flores Singelas enche de meninos que vão lá brincar nos arvoredos, no pequeno regato que nasce atrás das montanhas e eu soube que agora toda a cidade vê com outros olhos o lobinho Mortimer e seu pai Lomanto da Paz. Dizem também e eu não sei se é verdade que aprenderam uma lição com os Escoteiros. Eles e os lobinhos fazem questão da amizade. Dizem na cidade que lá todos que entram passam a ser irmãos. Até contam em rodas por aí que eles tem um pacto e quem entra passam a ser irmão de sangue para sempre. Agora que Mortimer cresceu e se casou com Noêmia disto eu tenho certeza. Que tiveram quatro filhos e Mortimer ainda mora no cemitério e é feliz eu também sei. Escotismo é assim, quem não tem amigos lá encontra um montão.

                  Esqueci-me de dizer que Mortimer hoje é o prefeito da cidade. A prefeitura vive cheia de Escoteiros e na porta tem uma grande placa escrita – Lord Baden Powell, cidadão do mundo, O Escoteiro Chefe Mundial e amigo e irmão de todos. Falar mais o que? Escotismo é coisa que marca que entra em nós para sempre. Dizer que somos aventureiros que somos Escoteiros e vivemos para ajudar o próximo é falar o obvio. Mortimer hoje corre o mundo dando palestras. Tornou-se um professor de história e escreveu muitos livros. Ninguem mais o chama de o amigo dos mortos, mas sim de o amigo do mundo. Graças a Mortimer eu também sou Escoteiro e esteja ele onde estiver receba meu abraço apertado, meu aperto de mão esquerda e meu Sempre Alerta!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Lendas Escoteiras. Doce vingança.



Lendas Escoteiras.
Doce vingança.

Prologo: - As três coisas mais difíceis do mundo são: guardar um segredo, perdoar uma ofensa e aproveitar o tempo. Sentir primeiro, pensar depois, perdoar primeiro, julgar depois amar primeiro, educar depois, esquecer primeiro, aprender depois. Perdoar não significa esquecer...

                                 O utilitário negro parou em frente à Pensão Santa Ana. Um homem dos seus cinquenta anos desceu com uma pequena maleta e entrou. Mais tarde o povo ficou sabendo que ele pediu um quarto por algumas horas. Um banho e depois ia partir. Luar do Sertão não tinha mais que oito mil habitantes. Cidade pequena sem atrativos quem morava ali sabia que nada iria mudar.

                                 Uma hora depois nas frestas das janelas viram o homem de uniforme Escoteiro. Dirigiu-se ao Grupo Ventos do Norte e parecia saber o caminho. O Chefe ficou surpreso com a visita, pois nunca antes isto aconteceu. O cumprimentou com entusiasmo. Estava com o lenço da Insignia de Madeira e devia ser um figurão, pois tinha quatro tacos.

                               Não ficou nem meia hora. Nada falou só olhou e partiu. A Alcatéia a Tropa escoteira e Sênior pararam as atividades para vê-lo ir em direção à pensão Santa Ana. No portão viram quando ele já sem uniforme entrou em seu utilitário preto e partiu rumo a Br.262. Quem seria? Porque uma visita de médico e tão sucinta? Nem disse seu nome e nem por que veio.

                              Dolores foi quem disse que ele deixou um cheque de Um milhão e oitocentos mil reais para Dona Zulmira, da Casa de Saúde que todos passavam longe só para não ver os mosquitos e a sujeira do lugar. Por quê? Porque tanto dinheiro para ela? – E tem mais disse Dolores, deixou também um cheque de setecentos mil reais para Madrugo. O que? Madrugo o mendigo que vivia embriagado?

                              O Chefe Zé Mulato ficou intrigado. Se foi nos visitar porque não nos deixou nada? – Afinal não somos irmãos de ideal? A reunião escoteira terminou antes de começar. Os buchichos sapecavam orelhas nem sempre limpas. Na Praça Madrugo dava gargalhada. – Só eu! Só eu! Eu sabia que ele viria e iria se vingar da cidade.

                             – Vingança? Que vingança que não viram? Fizeram uma roda em volta de Madrugo. – Quem era Madrugo? Ele continuava rindo e não dizia nada. Foram até a Casa de Saúde de Dona Zulmira. Ela sempre com o semblante preocupado disse que não se lembrava de quem era.

- Em algum lugar do passado. 
- Gato Preto foi amarrado a um poste e chicoteado pelo Delegado Mitongo. A cidade em peso veio assistir e aplaudir. Ele precisava diziam. Não foi a primeira nem a última. Beijou a filha do Doutor Virgulino o prefeito em plena praça e ao sol do meio dia. Um menino! Um menino fazendo isto? Zé Mulato já era o Chefe do Grupo e quando Gato Preto o procurou disse que não tinha vaga. – Dona Bastiana sua Avó bem que tentou, mas Zé Mulato nem quis saber.

- A Tropa suspirou aliviada. Tinham medo de Gato Preto. O Delegado o arrastou pela perna até o entroncamento da Br.262 com a entrada da cidade. O jogou no mato como se joga um porco. Viram Dona Zulmira indo até lá. No mínimo iria passar unguentos que ela mesma fazia nele. Madrugo foi atrás. Dona Zulmira voltou, Madrugo não.

                     O tempo passou Gato Preto desapareceu e ninguém soube se morreu ou viveu. Moleque o Sênior mais antigo disse ao Chefe Zé Mulato. – Chefe não era o Gato Preto? Ficaram todos ressabiados. Poderia ser. Lembraram que Madrugo também ficou mais de cinco meses sem aparecer na cidade. Todos respiravam aliviados. Sem Gato Preto sem Madrugo agora podiam respirar em paz.

                    – Chefe, porque o senhor não o aceitou nos escoteiros? – Zé Mulato pensou e disse que não se lembrava mais. – Pois é Chefe, ele deve ter ficado magoado. Agora rico lembrou-se somente de quem o ajudou. – Mas porque veio nos visitar? Bem Chefe, no fundo ele agora é um Escoteiro, deve ter aprendido a não guardar mágoa. Ele sabia que toda magoa é um orgulho ferido. A magoa é um veneno que se toma para um dia se vingar.    

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. A fantástica “Banda” do Maestro Munir. (qualquer semelhança é mera realidade).



Conversa ao pé do fogo.
A fantástica “Banda” do Maestro Munir.
(qualquer semelhança é mera realidade).

Prólogo: - Sempre Alerta corneteiro! Toque por favor, para eu dormir o toque do Silêncio. E ao amanhecer o toque da alvorada! Amo ouvir o toque quando a lua cheia rasgava o céu da noite cheio de estrelas ou quando o sol vermelho, escondido pelo orvalho da noite, resolvia aparecer em um céu de brigadeiro. Quantas saudades... Se quiser faça silêncio, vou cantar para você a mais linda canção da alvorada de todos os tempos! Sei que irá adorar!  

               Quando Escoteiro eu tinha um sonho. Ou melhor, dois, acampar no Pico da Bandeira e participar da Banda do Munir. Com doze anos um caminhão da prefeitura nos levou até Caratinga. Lá pegamos a Maria Fumaça para Caparaó (Águas que rolam nas pedras). Minha alegria não tinha limites. Afinal estive no Pico da Bandeira. Uma linda história para contar, mas fica para outra vez. Agora precisava entrar na Banda. Osso duro. Munir era magro e alto. Usava o chapéu Escoteiro virado, mas muitas vezes preferia uma boina preta tipo Montgomery. Eu nem sabia quem era esse tal Montgomery. Usava o uniforme caqui curto e uma bota cano longo. Sujeito estranho o Munir. Chamá-lo de Munir era briga na certa. Senhor Maestro Munir! Ele encarava você nos olhos, uns dois minutos, você não sabia onde esconder.

             A Banda treinava todas as quintas feiras entre sete e dez da noite atrás do cemitério do Azarão. Um campinho de futebol, próximo à cidade, mas cujo barulho não incomodava os vizinhos. Só os coitados dos “defuntos”. A Banda não era grande, se não me falha a memória tinha quatro tambores, dois tambores-mor (daqueles enormes quase um metro de altura) cinco tarois, oito caixas claras, quatro bombos, seis cornetas e dois clarins. Clarins? O meu sonho. Um dia iria tocar um. Mas precisava ter curriculum na banda para pelo menos encostar um dedo nele. Munir era severo. Ria pouco. Um olhar dele gelava todo mundo. A Banda dos Escoteiros era famosa. Nas festividades todos aguardavam ansiosos a Banda passar. Em frente ao palanque das autoridades fazia evoluções e depois ia em algumas ruas para saudar os moradores que saiam para aplaudir a Banda dos Escoteiros.

            Munir tinha pose dos oficiais ingleses. Aquela fleuma que só os ingleses têm. Com sua varinha, seu chapéu virado, sua bota cano alto a marchar à frente da Banda fazia gestos como se estivesse regendo uma grande orquestra. Alí ele era o Rei. Era exigente o Munir. Marchar bem, com honra, respeito, garbo e boa ordem. Bastava um para destoar e ficar fora da banda por meses. Sua palavra era a lei. Ninguém desfazia. Nem mesmo o Chefe João Soldado. Eu era freguês de carteirinhas dos seus treinos. Ficava abobalhado olhando o ribombar dos instrumentos. Trinta minutos de ordem unida. Munir não gritava. Seus gestos eram graciosos. Sabia com perfeição fazer os sinais manuais de formaturas. Apito? Detestava. Na frente da banda um sinal seu bastava. Outro todos obedeciam: - Em frente marche! Se alguém errasse valha-me Deus! Eu olhava tudo, caixas, tarol, tambores, bombos, cornetas, mas meu xodó era o clarim. Jasiel e Marquinhos eram os senhores da banda. Sentiam-se importantes demais para olhar para mim. Eram seniores corneteiros. Uma dádiva de poucos.  

                   Só faltava ao treino da Banda quando ia acampar. Este era sagrado. Uma excursão, bivaque, acampamento sempre estiveram em primeiro lugar. Um dia achei em um pé de Manga, um galho que se cortado iria ficar igual a um clarim. Preparei meu instrumento medieval com carinho. Ficava em casa horas com ele na mão. Levava a boca, fingia que tocava, balizava e sorria. Sonhava em tocar a Alvorada, o Silêncio, o reunir, debandar e tantos outros toques. Decorei todos. A Patrulha me absorvia. Eu amava minha patrulha Lobo. Entre ela e a Banda só tinha uma escolha. A patrulha. Um dia tomei coragem. Procurei o Maestro Munir. Conferi meu uniforme, tinha que estar nos trinques como se fosse uma inspeção. Munir era exigente. Posição de Sentido, meia saudação – Sempre Alerta Senhor Maestro Munir, gostaria de participar da Banda! – Tinha treinado em casa em frente ao espelho como falar com ele. Se errasse ele nem na minha cara ia olhar mais.

                   Tomei um susto. Ele olhou para mim. Nem piscou. Cara fechada. Ficou também em posição de sentido. Bateu um calcanhar sobre o outro. Plok! Sinal Escoteiro estilo militar. - Quinta! As sete em ponto! Se chegar atrasado não venha nunca mais! – Sai gritando de alegria. Contava para todo mundo. A Patrulha me parabenizou. E agora como você vai fazer? – Fácil disse. Os treinos são as quintas e dificilmente saímos em atividade neste dia. Nos desfiles vão todos. Portanto dá para conciliar. – Não dá disse o Romildo Monitor. Quinta agora não vamos acampar em Bom Jesus? É feriado lá e aqui. Minha nossa! Eu pensei e agora. – Bom Jesus ficava a vinte quilômetros de distancia. Iríamos de bicicleta. Não podia perder meu primeiro dia na Banda e nem no acampamento. Tinha uma menina em Bom Jesus que me olhava e ria. Quem sabe estava ficando apaixonado?

              Dito e feito. Na quinta às quatro da tarde voltei sozinho a minha cidade no meu cavalo de aço. Correndo como um louco estrada a fora. Cheguei no campinho as sete em ponto. Suando, cansado, mas com um sorriso no rosto. Posição de sentido e lá estava eu me apresentando ao senhor Maestro Munir. No primeiro dia só treino de ordem unida. Ele só me deu um tambor pequeno oito treinos depois. Terminando voltei correndo para Bom Jesus. Só três anos após comecei na corneta e depois no clarim. A “embocadura” demorei seis meses para adquirir. Meu sonho na Banda aconteceu. Toquei clarim por muito tempo. Quando servi o exército era com muito orgulho o corneteiro do dia. Nunca faltei a um treino, desfile e nem tampouco nas minhas atividades ao ar livre.

                Encontrei Munir anos depois em Colatina. Ele bem velho. Eu com meus trinta e cinco anos. Olhou-me com aquela cara feia, ficou em pé, em posição de sentido. “Ploc” ouvi seu calçado bater. Sempre Alerta! Ele disse. Eu fiz o mesmo. Maestro Munir! Que prazer! Já com aquela idade ainda tinha medo do Senhor Maestro Munir. Ele riu. Nunca o tinha visto dar um sorriso. Abraçou-me. – Sabe Vado Escoteiro, eu sempre gostei de você. Nunca o esqueci. Aquele abraço foi demais. Uma alegria, pois nunca o vi dar um abraço em ninguém. 

             Os tempos são outros. As bandas não são como antigamente. Não existem mais os Maestros como o Munir. Sei de muitos grupos escoteiros que venderam ou doaram sua banda. Imposição dos dirigentes? Que pena. Dá para conciliar. Da para treinar sem incomodar. Até hoje olho com saudades os desfiles. Amava a banda dos Fuzileiros Navais. Ainda existem Maestros Munir por aí? Não sei. Mas ainda tenho saudades daqueles tempos, da minha Patrulha, da minha banda do meu clarim!  

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lendas escoteiras. As aventuras do Escoteiro Chico Landi.



Lendas escoteiras.
As aventuras do Escoteiro Chico Landi.

Prefácio: - Não duvides da história do Escoteiro Chico Landi. Nunca duvidei. Chico era um daqueles que se dizia com alma e Espírito Escoteiro. Seus casos são lembrados até hoje no livro da Patrulha. Eu sou testemunha da história.

                            Quando essa história aconteceu eu e o Chico não éramos do mesmo grupo e da mesma Patrulha. Sua história ficou conhecida e muito conhecida. Quando adulto e entrou para o restrito 1º Grupo de Gilwell contou aos IMs participantes que duvidaram de sua veracidade. Chico deu sua palavra de escoteiro. Seu pai um fã de Chico Landi, um famoso automobilista brasileiro resolveu batizar seu filho com o mesmo nome. Colocaram nele o apelido de Centelha na Tropa e não pegou. Chico Landi era danado, vivia a dizer: - Escoteiro não corre, voa! Escoteiro que é Escoteiro não chora da risada! A chuva para o Escoteiro é como pétalas de rosas a cair em seu rosto! Para o Escoteiro a palavra impossível não existe!

                          Ele tinha um caderno onde anotava tudo que acontecia com ele, acampamentos excursões, reuniões de sede e o escambal. Quando lobinho seus chefes às vezes perdiam a paciência pela insistência dele em acantonar. - Kelá! Quando tem outro acantonamento? Kelá chega de reunião na sede. Vamos passear no campo! Chico Landi adorava a natureza. Quando passou para os Escoteiros tudo mudou. Marcio o Chefe tinha pouco tempo para dedicar e deixava os monitores agirem sob a sua supervisão. Algumas vezes acampavam juntos e outras sem chefia.

                         Monty o Guia da tropa dizia sempre: – Onde tem um Escoteiro tem uma Tropa e onde tem uma Tropa tem aventuras. O escotismo o absorveu tanto que Dona Laurinda foi conversara com seus pais. – Chico Landi anda mal nos estudos, vive nas nuvens, Chico Landi não pode continuar assim, só fala em escotismo, escotismo e mais nada! Doutor Juvenal pai de Chico Landi era um pai compreensivo. Conversou longo tempo com o filho.

                        Chico Landi adorava o pai. Seguia seus conselhos a risca. Mas Chico amava o campo. Adorava correr pelas campinas, espantar as borboletas colher flores silvestres e ficar horas vendo os raios de sol de um amanhecer. Sabia fazer nós, reconhecia qualquer gorjeio de pássaros, qualquer canto. – Olhe! Ouçam! É o pássaro Preto do serrado perdido aqui nas campinas! Pegadas? Chico era um bam, bam. Nos acampamentos sua Patrulha Lobo era a primeira a dar o grito para o almoço, jantar, inspeção, formaturas e sempre motivando a patrulha.

                       - Monty, por que não acampamos? Monty ria, ora, ora Chico Land, não podemos viver em um acampamento. A sede precisa de nós. Humm! Se é assim vamos fazer um Salcedo! Para quem não sabe Salcedo era um apelido que deram ao Comando Crow. Eles faziam diferente, um de cada lado, ao se encontrarem tinham de passar um pelo outro. Sempre um despencava no chão. A vida era bela para Chico Landi. Uma família que o amava, uma Patrulha sem igual.  

                        - Além do escotismo Chico gostava de Dona Laurinda a professora e o Padre Gabriel. Eles faziam parte da família feliz de Chico Landi. A vida tem destas coisas, quanto menos se espera o destino bate na porta. Desta vez demais. Seis bandidos resolveram assaltar o Banco do Brasil da cidade. Prenderam os quatro praças e o sargento Nonô na cadeia. Acharam que a cidade estava dominada. No banco Pinta Cega um vaqueiro da fazenda Luvião não achou graça. Mandaram todo mundo deitar dando chute nas costas e na cara dos clientes. Pinga Cega não levava desaforos para casa. Seu 38 dentro do bolso de seu paletó.

                         Nenhum dos bandidos reparou nele. Era um anão de um metro e cinquenta, magro e um bigodinho a lá Charles Chaplin. Com três tiros Pinga Cega matou três, mais um tiro e outro caiu estrebuchando no chão. Dois correram e Pinga Cega correu atrás. Na corrida ele recebeu um balaço nos quadris e mesmo caído atirou. Não acertou ninguém e desmaiou. Os bandidos fugiram sem levar nada. Foi levado ao hospital e ninguém soube mais dele. Todo mundo assustando não notaram atrás de um pé de Jabuticaba que Chico Landi gemia e cantava. Um canto triste. Dona Modesta viu. Chico Landi sangrando. Tentou imitar o seu herói querendo caminhar com suas próprias pernas e não deu. Caiu desmaiado.

                         No hospital ficou entre a vida e a morte. A escoteirada, a lobada e os chefes o visitavam todos os domingos. Dona Neném sua mãe dia e noite ao seu lado. Seu Pai o Doutor Juvenal fez tudo que podia. Chico não iria morrer, mas estava tetraplégico. Nunca mais iria andar. A noticia caiu como uma bomba na cidade. O Grupo escoteiro em peso chorava. Uma missa foi celebrada. Vivaz, grande Escoteiro, amante da natureza, era uma infelicidade ele ficar assim.

                A missa foi na praça da cidade. Cheia, tudo apinhado de gente. Escoteiros coroinhas no altar ajudavam na missa. A Akelá Rosinha, a Baguira Vera e o Balu Nonato choravam como bebês. Monty o Guia da Tropa firme com seu bastão em pé ao lado do altar. Seu coração sangrava. A ambulância trouxe Chico Landi. Chico Landi em uma cadeira de rodas chorava. Todos olhando e soluçando. Alguém gritou – Uma palma para Chico landi! Que palma linda! Chico não acreditava que estava tetraplégico. Pediu a Deus e então o impossível aconteceu. Chico Landi se esforça e fica em pé. Médicos não acreditando no que viam. Chico sorrindo. Cambaleando foi até o altar. O padre Gabriel ajoelhou e gritou – Um milagre! Um milagre! Louvado seja Deus! Um coro de palmas durou bem uns vinte minutos. Sorrisos em profusão.

                 Foi carregado pelos escoteiros. Chico Landi ria e gritava: - “Monty, Monty”! Eu quero acampar! Eu quero ver as flores no monte Sariel, eu quero beber a água da fonte do roncador. Monty, Oh! Monty. Papai e mamãe estão sorrindo eles não vão dizer não. Foi demais... Chico landi com lágrimas parou de chorar. O milagre aconteceu. Chico ficou bom assim do nada.  

                 Uma brisa gostosa vindo do norte nos pegou de pronto. Olhei para Jota Mauro, ele sorria. Olhamos de novo para Chico Landi e sua história fantástica. Ele sorria de olhos fechados. Verdade ou não ele estava ali fazendo tudo que tinha direito como o Escoteiro que era. Fiz questão de abraçá-lo. Todos em volta do fogo fizeram o mesmo. O Escoteiro tem uma só palavra e Chico era daqueles em que se podia acreditar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Crônica de um Velho Chefe Escoteiro. Eu queria ter o mundo, mas Deus disse que não.



Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
Eu queria ter o mundo, mas Deus disse que não.

               - Ah! Eu queria ter o mundo aos meus pés. Queria fazer dele um lugar feliz para viver. Mas o mundo não é assim? A felicidade não está aqui? Porque então mudar? Perguntou-me o Escoteiro. - Não sei, respondi. Mas meu amigo e irmão eu queria ter um mundo, fazer todos sorrirem, se abraçarem e dizerem que agora somos todos irmãos. – Mas é possivel? Afinal quantos estão sorrindo? Não seria muito mais dos que estão nas sombras sem perdão?

               - Eu penso e transformo meu desejo em ilusão, ilusão de ter um mundo só meu. Mudar as pessoas, mudar tudo fazer todos iguais a mim! – Foi ela a poetiza quem me incentivou – Escoteiro nos demais mundos todos sabem, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, pois a anatomia mudou para todos, e agora todos são corações.

               - Mas uma bela Escoteira no alto da sua surpresa, remendou em um triste soneto: - Sábio é quem se contenta com o espetáculo do mundo. – Olhei para ela, e pensei: - Que grande circo, que espetáculo é este que não posso perder. Afinal será um mundo, mais alegre, mais delicioso, mais pomposo na maneira de se andar falar e viver.

               - Se eu mudar o mundo o que diria o escoteiro ingênuo? - Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve ficaram as saudades. Não assim não, eu não o farei a todos escoteiros, uns quem sabe talvez. Mas a honra seria o primeiro embate. No meu mundo quem não tem honra não vai viver.

                - Eu queria ter um mundo, de águas cristalinas, de fontes que nunca irão secar. De peixes que irão pular na catapulta da água, sorrindo do mundo novo que eu criei e eles estão a viver. Meu mundo teria campinas, vales verdejantes, flores perfumadas onde todos pudessem caminhar. Meu mundo teria lindas montanhas, cascatas imensas a ribombar cantante uma sonata de Schubert. Nas ruas irei plantar árvores frutíferas onde a meninada pudesse se esbaldar.

                - Meu mundo teria sol, teria chuva e teria lua. Teria estrelas? Sim brilhantes gritantes a piscar no céu. Meu mundo teria bandeira, a bandeira do Brasil. – Então não é só meu mundo, isto parece o país dos escoteiros. Anjo Escoteiro, por favor, não me interrompa me deixe criar meu mundo, do jeito que gostaria de ser. Meu mundo não teria maldade, falsidade. Meu mundo teria caráter, honestidade, onde o aperto da mão esquerda seria o documento mundial.

                   - Sonhos? Não tenho este direito? Sei que Ele que está no céu a nos acompanhar deve estar pensando: - Ele quer ser como eu! Por um instante entrei na seara que não me pertence, esqueci que sou seu filho, sou sua criação, e depende de mim e todos que o mundo seja assim sorridente consciente de sua obrigação.

                  ... E sem perceber, outro Escoteiro Poeta entrou na minha imaginação: - Enquanto um chora, outro ri, é a lei do mundo meu rico senhor. É a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo, mas uma boa distribuição de lágrimas, de sambas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se assim o equilíbrio da vida...

domingo, 13 de janeiro de 2019

Lendas da Jângal. A cidade dos homens.



Lendas da Jângal.
A cidade dos homens.

                    Passaram-se três meses que Mowgli havia ido para a cidade dos homens. Andava muito ocupado em aprender os usos e costumes deles. Teve que acostumar-se a usar panos em cima do corpo, o que lhe incomodava muito, a empregar o dinheiro e a usar o arado, que lhe era inútil. Os demais garotos o punham furioso. Felizmente a Lei da jângal lhe ensinara a dominar-se, porque na vida selvagem o alimento e a segurança dependem muito do domínio sobre si próprio.

                   Mowgli desconhecia a sua própria força. Na jângal sentia-se fraco, em comparação com os animais selvagens; na aldeia, os homens o consideravam forte qual um touro, mas nada conhecia a respeito das castas. Tratava a todos com igualdade, o que não agradava a alguns, como o sacerdote. Na aldeia Mowgli conheceu um caçador chamado Buldeo, que reunido com os velhos da aldeia contava muitas mentiras sobre os animais da jângal, inclusive histórias inventadas por ele sobre fantasmas. Mowgli provocava a raiva do caçador ao desmentir as histórias contadas por ele. Ao ser repreendido por meter-se na conversa dos mais velhos, foi mandado a pastorear os bois e búfalos, o que não lhe era nada difícil.

                    Então ele disse aos outros garotos que tomassem conta dos bois, que ele sozinho guardava os búfalos. Como os búfalos gostavam de pontos pantanosos para se refrescarem do calor ele os levou para o extremo da planície, lá onde o Rio Waiganga sai da floresta. Saltou no pescoço de Rama, o chefe do rebanho e correu ao local onde marcara com o Irmão Gris.

                  Buldeo ficara assustado achando que era magia ou feitiçaria, pois jamais vira um humano dar ordens a um lobo. Ao chegar à aldeia contou histórias de feitiçaria e encantamento que deixou o sacerdote assustado. Após retirar e guardar a pele do tigre, Mowgli e os amigos, recolheram novamente os búfalos e retornaram para a aldeia. Ao chegarem viram luzes acesas e pensou "deve ser uma homenagem a mim por ter matado Shere-Khan"; mas uma chuva de pedras fora lançada em sua direção contrariando seus pensamentos.

                 - Feiticeiro, Lobisomem! Demônio da jângal! Fora! Fora! Atira Buldeo! Atira! - Mowgli parou assustado com as pedras e os gritos. - Não me parecem muito diferentes dos da alcatéia, estes teus irmãos homens disse Akelá, sentando se calmamente sobre as patas traseiras. Parecem que estão te expulsando do povoado. Outra vez? Exclamou Mowgli. Da primeira vez insultaram-me de homem.  Agora de lobo! - Vamo-nos daqui Akelá.

Uma mulher corre em sua direção e diz:
- Meu filho! Dizem que você é feiticeiro, não creio, mas vai-te antes que te matem Só eu sei que vingaste a morte do meu Nathoo. - Agradecei a Messua, homens; Por amor a ela deixo de invadir a aldeia com meus lobos e caçar a todos.

Depois do desabafo, incitou os búfalos sobre quem os apedrejavam, e tomou o caminho da jângal seguido dos dois amigos. Olhava as estrelas e sentia-se imensamente feliz.

                    Ao chegar ao jângal, após rever Mãe Loba, foram a Roca do Conselho, onde Mowgli apresentou a pele do tigre. Os lobos que chegavam à Roca encontravam-se aleijados, mancos e feridos devido terem ficado sem chefe desde que Akelá foi deposto da chefia. Após verem a pele do tigre os lobos pediram para Akelá chefiar novamente a alcatéia. Mowgli, por sua vez resolveu não mais pertencer a alcatéia e caçar sozinho na Jângal somente em companhia dos quatro irmãos lobos, até o dia em que...
Mas isso já é outra história.


Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

Bem vindo ao Blog As mais lindas historias escoteiras. Centenas delas, histórias, contos lendas que você ainda não conhecia....