quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Era uma vez... Um menino que não sabia sorrir.


Lendas escoteiras.
Era uma vez... Um menino que não sabia sorrir.

                                 Era uma vez... Um menino que sonhava. Sonhava com o sol com a lua, sonhava com o verde da mata, das águas dos córregos e que corriam serenas para o mar. Não era um menino rico, não era não. Era um menino simples, pobre, mas que tinha a felicidade em seu coração. Ele sabia que não existia dinheiro no mundo que pudesse tirar sua alegria que tomava conta de sua vida. Na escola um exemplo, de olho na professora, aprender era tudo para ele. Nunca foi inteligente, mas era esforçado. Tinha um sonho, ter uma bela casa e dar a sua mãe tudo que ela quisesse. Dizia sempre a ela que era feliz e ela devia ser também. Mas não, sua mãe era triste, quase não falava e ficava o dia inteiro lavando roupas nas pedras do Rio Mimoso.

                          Era uma vez... Sempre começo minhas histórias assim quando me lembro deste menino. Em sua casa humilde queria sorrir e não podia. Queria mostrar a sua mãe que ali morava a felicidade, mas ela não sentia.  As noites quando ia dormir ouvia soluços no quarto da sua mãe. Enquanto seu coração enchia de felicidade a tristeza estava marcada na mente da sua mãe querida. Por quê? Perguntava. Ela não respondia. Um dia ao chegar da escola a encontrou caída na cozinha. Gritou para os vizinhos ajudarem. Não adiantou mais. Sua mãe estava morta. Disseram que ela tinha uma doença grave a muitos e muitos anos. Pela primeira vez a felicidade que tinha foi substituída por uma tristeza enorme. Nunca chorou e agora chorava. – Porque mamãezinha nunca me contou?

                           Era uma vez... Um menino que cheio de felicidade agora vivia com uma profunda tristeza. Pensou que havia perdido a alegria de viver para sempre. Uma mágoa profunda tinha invadido seu humilde coração de menino infeliz. Sua mãe alguém lhe disse foi viver com Jesus lá no céu. – E porque não me levou? Porque me deixou aqui nesta casa onde ninguém me ama? Pobre menino. Viver com outros meninos ele não reclamava. Havia muitos bons, mas havia os maus. Batiam-lhe, faziam coisas para machucar e doer. Pensou em fugir e fugir para onde? Não conhecia ninguém. Dormiu chorando e sonhou com sua mãe no céu. Ela lhe dizia para não desistir. Seria por pouco tempo e eles se encontrariam novamente.

                           Era uma vez... Em uma tarde de sábado cinco meninos mais velhos lhe bateram tanto que ele foi parar no hospital. Ficou lá muitos dias e uma senhora morena, simpática, com um lindo sorriso nos lábios cantou para ele uma canção. A Árvore da Montanha. Amou tudo que ela cantou. Ela vestia um uniforme lindo e disse que era escoteira. Ele não sabia o que era isto e perguntou. Ela lhe contou lindas histórias dos Escoteiros e ele de novo passou a sonhar que poderia ter a felicidade que havia perdido se pudesse ter sido um menino Escoteiro. Falou com ela e ela parou de sorrir. Não sabia o que dizer. Um mês depois, ao sair do hospital o Monitor da casa de correção veio com outros meninos lhe buscar. Carrancudo, olho felino fixos no menino triste o pegou pelo braço o arrastou até a perua da casa de correção.

                           Era uma vez... A tristeza de novo tomou conta do menino triste que um dia teve a felicidade no seu coração. Uma tarde bonita, o sol trazendo alegria ele pensou que poderia ser véspera de natal, pois as flores tomavam conta das arvores e dos jardins. De olhos fixos na janela ele chorava mesmo assim. Perdeu tudo, perdeu sua alegria, perdeu seu sorriso e seu coração agora era lugar da tristeza e de infelicidade. Pela manhã um Monitor do educandário havia lhe machucado com uma vassourada nas costas. Sabia que não podia reclamar. Se fizesse isto apanharia muito mais. A porta da grande salão abriu e a mulher escoteira apareceu a sua frente. – Meu menino, você vai comigo, consegui adotar você!

                            Era uma vez... Uma patrulha que cantava o rataplã. Não sei se eram os touros, se eram os tigres ou os águias. Mas sei que o menino triste agora sorria. Ele era um patrulheiro, um escoteiro. Pensou na sua mãe no céu e sentiu que ela sorria para ele. Ao atravessar a ponte do amor eterno onde iriam acampar, o menino sentia seu coração bater forte. Sabia que agora era feliz. Sabia que tudo que quis encontrou junto aos amigos de sua patrulha. Sentiu as pernas bambas. Sentiu uma dor enorme no coração. Caiu de leve na grama da trilha que os conduzia ao campo sagrado do acampamento. Viu uma luz azul imensa se aproximando dele. Era sua mãe que vinha buscá-lo.

                             Era uma vez... O menino que encontrou novamente a felicidade e mesmo assim estava triste. Alegre por estar caminhando ao lado de sua mãe entre as nuvens que o levaria para a cidade das estrelas e do amor junto a Jesus. Triste porque teve de deixar sua patrulha que não entendeu o porquê ele havia morrido assim sorrindo na trilha do campo sagrado do acampamento. Nascer, viver, morrer nascer de novo. Ninguém entendia. Os destinos de cada um de nós só a Deus pertence. Os Escoteiros olharam para o céu e viram uma nuvem e nela ele com sua mãe dando seu Sempre Alerta e sorrindo. A nuvem foi levada para o alto pelo vento e o menino escoteiro desapareceu no céu.

                        Era uma vez... Um menino que não estava mais triste e que tinha a felicidade no coração. Um menino que um dia foi triste. Um menino que sofreu nas mãos de outros meninos e adultos, um menino que encontrou uma escoteira mãe que foi um anjo para ele. Um menino que passou a sorrir junto com seus amigos de patrulha, um menino que encontrou novamente a mãe que amava e agora tinha aprendido a sorrir. Era uma vez... Um menino que voltou a sorrir. Que aprendeu que fazer a felicidade dos outros sempre faz alguém sorrir.


                       E assim termina a história do menino triste, que um dia foi escoteiro, aprendeu a sorrir e aprendeu a amar em sua mente e no seu coração.

Nota de rodapé: - Tomara que a tristeza te convença que a saudade não compensa, e que a ausência não dá paz. E o verdadeiro amor de quem se ama tece a mesma antiga trama que não se desfaz E a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo, como nunca mais... De um poeta que aprendeu em sua vida que sorrir trás alegria de viver.

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