terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Em volta da fogueira... “Adios” Francisco.



Em volta da fogueira...
“Adios” Francisco.

                      As areias viajam nas asas do vento... Ele via sua vida se acabando na ampulheta do tempo... Seu mundo se esmoronava. Seriam poucos meses ou quem sabe algumas semanas para manter a chama da vida acesa. Doutora Sissi com olhos tristes dizia para ele: Não tem volta Antônio. Tentei tudo, mas o câncer não perdoa. - Doença cruel que o fazia morrer devagar e sofrido. A quimioterapia era um suplicio. Cada sessão pedia a Deus que o levasse. Não estava aguentando mais. Chegou a pensar em tirar a vida antes de Morrer do Diretor Ângelo. Foi apenas um momento de raiva que logo esqueceu.

                   Quarenta anos de escotismo, o último dos fundadores, de lobinho a diretor e ver tudo se acabar por causa de um Diretor hipócrita, que decidiu sem consultar ninguém retomar o terreno da sede escoteira. Lembrou-se da festividade, do prefeito e tantas autoridades na entrega do documento na praça solene e que agora não valia mais. Tudo fora mentira? Não valeu colocar tijolo após tijolo para fazer a construção? Quanto sangue derramado? Quanto suor e lágrima para conseguir um tijolo, uma telha, uma porta e tudo agora perdido?

               E seus direitos? Eram mais de cem crianças e adultos que todos os sábados levavam a bandeira aos céus. Pátria! Não reconheces isto? - O advogado Jamil que nunca foi escoteiro disse que não havia mais o que fazer. Trinta dias Chefe, se não saírem teremos policia e delegados a porta. A lei era clara. Deu sua vida, deu seu amor, viveu ali fazendo tudo pela cidade e agora não havia retribuição. Prefeito, vereadores se curvavam ao novo Diretor Nomeado da FATEC uma entidade governamental. Para onde iriam? Como continuar?

                Todas as tardes ele sentava no banco da estação onde se fez tantas alegrias e felicidade e agora abandonada ele de cabeça baixa chorava. Não pela sua morte próxima, isto não era importante, o importante era aonde todos iriam. Procurava uma solução e não encontrava. Mesmo espiritualista maldizia o Diretor que nunca foi Escoteiro e não queria entender os benefícios de uma educação extraescolar. Prefiro morrer antes... Pensou. Não dá para assistir esta derrocada final. Lucy o abraçou. Chorou com ele as dores da perda e baixinho dizia: - Marido, agora pense em você, pense em se curar.

                      Duas semanas se passaram e ele foi levado ao hospital. Escoteiros e chefes acorreram ao local. Eis que extenuado chega o Presidente. Chefe Paulo sorria: - Graças a Deus! O decreto do Professor foi anulado. Uma petição entregue ao Ministério da Educação que ninguém sabe quem enviou foi aprovada. Agora somos proprietários com escritura lavrada! Uma palma estrondosa ecoou na porta do hospital. Na UTI Francisco agonizante sorria. A luta se encerrava. Valeu enviar aquela petição. Agora poderia morrer em paz!

                     E morreu com um sorriso, com glorias de escoteiro vencedor. Olhou para a terra quando subia para o paraíso. Sabia que deixava saudades, mas ele estava feliz. Jogou um beijo no vento e pediu que o levasse até sua querida Lucy. Foi uma luta incessante, mas sempre soube que nunca esteve só. Além dos irmãos escoteiros da terra ele teve mil anjos ao seu lado o ajudando para a vitória. O céu o recebeu com honras e junto aos novos amigos no espaço ele voltou a sorrir!

Nota – São dezenas ou centenas de causos da perda da sede, de assaltos e cada Grupo Escoteiro que perdeu tudo, perdeu seu lar, sua barraca onde moravam os sonhos de badenianos que amavam sua associação tinha partido. Sabiam que tinham de recomeçar novamente. A vida destes jovens que dependem de um lugar ao sol nem sempre é entendida pelos donos do poder. O que aconselhar? A quem recorrer? Quem sabe o sonho de não desistir, a força de vontade, aos braços fortes, as pisadas firmes de que sabe que tudo tem um recomeço. E todos sabem que vão recomeçar novamente!

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