domingo, 7 de janeiro de 2018

Lendas escoteiras. Um por todos e todos por um!


Lendas escoteiras.
Um por todos e todos por um!

            Maninho sempre foi um bom Escoteiro. Era também um bom católico, e por muitos anos foi coroinha na Paróquia Santo Antonio. Maninho nunca prestou atenção nas vicissitudes da vida, pois ele era apenas um menino. Deus sabia que ele era bom, levava a sério a lei escoteira e fazia do décimo artigo sua filosofia de vida. Ele estudava, mas não era inteligente. Maninho tinha a “cabeça fraca” como sua mãe dizia. Seu pai pouco ligava para ele e sempre viajando na firma que trabalhava. Maninho não entendia muito das provas escoteiras e seus amigos de patrulha ficavam horas em sua casa tentando mostrar a ele os nós Escoteiros, os sinais de pista, entender o desenho da Bandeira Nacional e cantar o rataplã.

            Todos sabiam que ele dificilmente ia ler um mapa, nunca iria fazer um percurso de Giwell e dificilmente seria um Sinaleiro. Na patrulha amavam Maninho. Seu sorriso simples, sua humildade era respeitado por todos. Bem mandado nunca foi preciso que o Monitor lhe chamasse a atenção. Em vez de pedir porque não dividir as tarefas? Quando ele fez a promessa toda tropa veio às lagrimas, de alegria é claro. Maninho quando recebeu o lenço e o distintivo de promessa, deu um enorme salto e gritou: - Viva Deus, viva meu Monitor, viva meu Chefe e viva a minha mãe! E começou a cantar alto o Rataplã.

          O bonito é que toda tropa acompanhou. Quando fez catorze anos ainda era noviço. Ele nem sonhava com a segunda classe. Seu Chefe em comum acordo com a Corte de Honra deu a ele varias especialidades e um distintivo que ninguém conhecia. O chamou de Escoteiro Padrão. Maninho ria de felicidade mostrando a todos seu distintivo de Escoteiro Padrão.

         Quando lhe contaram Jamboree Maninho sorriu de orelha a orelha. – Já pensou? Eu lá? Vendo milhares de irmãos escoteiros? Todos sabiam ser impossível. Era uma fábula para ir. E não é que Seu Josué da Loja de presentes soube e mandou chamá-lo: - Maninho, veja quando vai ficar. Vou pagar toda a sua despesa. Você vai ao Jamboree. Durante dias Maninho sorriu, cantou e foi a todas as missas na paróquia Santo Antonio.

           Padre Wantuil estava assustado. Quem mais iria? Perguntou ao Chefe escoteiro – Ninguém Padre. Ninguém tem condições financeiras para ir. – E você acha que ele pode ir sozinho? – claro que não padre, mas o que eu posso fazer? Sabemos todos até onde ele pode ir, sabemos que ele tem um pouco de deficiência mental, mas o que eu posso fazer Padre? Ele sonha dia e noite com esta viagem. Tenho medo, medo de falar com ele e isto piorar seu desenvolvimento mental. Até hoje senti que ele está amadurecendo, mas deixá-lo ir só? O que vai acontecer lá?

            O Chefe procurou a mãe de Maninho para conversar. Foi uma conversa triste. Dona Elza, não sei o que fazer – Nem eu Chefe. Ele fala neste tal de Jamboree o dia inteiro. Vai para a escola cantando a canção do Jamboree. Foi na biblioteca e leu tudo sobre o tema. Voltou e me chamou aos gritos: - Mamãe, Mamãe! Nosso Chefe mundial foi em três jamborees! Já pensou em encontrar com ele lá? Todos da tropa ficarão surpresos. – Depois Chefe fui saber que o Senhor Baden-Powell é falecido.

             Sabe Chefe, eu falei para ele e ele sorriu – Mamãe, consegui as taxas para ir ao Jamboree agora vou encontrar o Baden-Powell e a senhora vai se convencer que ele está vivo. – Como fazer? Como resolver? Falar com ele seria uma decepção. Dona Marisa a sua professora dizia que o escotismo deu a ele outra motivação para estudar. Acreditava que ele podia terminar o primeiro grau naquele ano.

           Em um Conselho de Patrulha foi votado que o Martins o Sub Monitor seria o responsável para explicar tudo ao Maninho sobre o Jamboree. – Dizer para ele quem só ele iria, os demais não podiam pagar. Ensinar a ele a se virar sozinho saber como agir, como fazer amigos enfim, tudo que ele precisasse saber para amar o Jamboree. – Maninho ouviu e ficou pensativo. Nunca pensou em ficar longe de sua Patrulha. Em casa comentou com sua mãe. – Mamãe o que vou fazer sem eles? Eles me ajudam nunca me deixaram sozinho e agora vou sozinho no Jamboree? – Sua mãe não disse nada. Ela não sabia o que dizer. Durante toda a semana Maninho não pensava em outra coisa. Com o Chefe ele não obteve resposta, com o Padre Wantuil também não chegaram a uma solução. – Chefe, disse o padre, é ele quem tem de decidir sozinho.

           No sábado, ao terminar o Cerimonial de Bandeira e feita à oração Maninho pediu a palavra. No centro da ferradura ele disse: - Chefe e meus amigos da tropa um dia vocês me disseram que aqui somos todos irmãos. Somos iguais aos três mosqueteiros: – “Um por todos, todos por um” Ou vamos todos ao Jamboree ou não vai nenhum! Nunca irei sair daqui sem vocês, afinal somos todos irmãos de sangu.e não? A tropa calada explodiu em uma palma escoteira inesquecível. Maninho sorriu. – Eu sei o preço de um jamboree, mas quanto vale a amizade de vocês? Esta não tem preço. Nunca irei para nenhum lugar sem estar junto aos meus amigos e irmãos escoteiros.


          – O Chefe da tropa estava às lágrimas. Carregaram Maninho nos ombros saudando sua lealdade. Foi a partir daquele dia que aprenderam o significado de “Um por todos, todos por um”. Maninho cresceu. Vinte anos depois foi eleito prefeito da cidade. Ficou tão famoso que quiseram fazer dele um deputado ou senador. Ele nunca aceitou. – Aqui nasci aqui morrerei. Aqui fiz amigos e com eles ficarei para sempre. Se fosse verdade o romance que Alexandre Dumas escreveu, Athos, Aramis, Phortos e D’Artagnan iriam levantar suas espadas, abraçar Maninho e junto a ele gritar aos quatros ventos – “Escoteiros! Um por todos? Todos por um”

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